quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Vento significa em latim a passagem do ar

Ler a entrevista de Vítor Bento hoje ao Público é um exercício oriental de contenção da irritação emocional que provoca.


O economista que elogiou desde sempre a adesão do escudo à moeda única, que deu largo apoio à intervenção externa da troika, que abraçou a agenda do Governo PSD/CDS que lhe esteve na base e que, mais tarde, veio desdizer-se chamando a atenção para o fosso que estava a ser criado entre os países do centro e da periferia, parece obliterar o que pensou antes e mesmo o que desdisse em relação ao que pensou.

Bento voltou ao discurso da contenção, à solução de voltar a cortar - não podemos apenas distribuir o que não temos - e que se tem de encontrar a dimensão exacta para o Estado numa circunstância de carências de recursos, sem pensar no que poderia ser a solução para crescer, como se estivéssemos condenados a uma estagnação de longo prazo. 


Pequena nota do Facebook apanhada hoje: "13-horas-13: foi o tempo que a minha avó, com 94 anos, passou ontem à espera numa maca nas urgências de sta maria, sem nada decente para comer e com um lençol por cima. É preciso ser saudável, forte e resistente para estar doente, neste país."

Qual é a solução proposta? Mais integração política na UE. Bento "ainda" não é federalista, mas...


... e sem que retire ilações da fractura que aos poucos vai surgindo no terreno do euro e da União Europeia, num quadro de internacionalização da economia que poderá progredir para uma centralidade de cada país ou grupo de países, sem que haja necessidades económicas que justifiquem uma centralização económica e política.

E depois há a velha questão da colocação do Estado no centro das reformas.  Mas não lhe parece que o programa foi ineficaz? Devia ter sido a pergunta...

Vítor Bento diz coisas vazias. Género: Antes tínhamos moeda, agora não temos. Antes era possível desvalorizar, agora não é. A sério? Depois, todos os países entraram em austeridade e cortaram na procura externa. Mas austeridade é ainda o que Bento defende na prática. A mesma austeridade que - Bento admite - criou "muita mágoa" e que por causa disso já não se encontram "um consenso para as reformas"...


Mágoa? Pobreza! Que se diga os nomes das coisas.
Consensos? Consensos para o retrocesso social e para o desemprego que se alivia apenas com a emigração jovem!

Brincamos aos remakes ou estamos já a pugnar por um bloco central que está na calha - e na agenda de Marcelo Rebelo de Sousa - mal Passos Coelho saia de presidente do PSD e que tem como meta - Marcelo dixit - as eleições autárquicas deste ano?

16 comentários:

Geringonço disse...

Cortem os rendimentos ao Vitinho para ver se ele continua a defender a "austeridade"!

Estou farto destes tipos que têm responsabilidades pelo pântano que este país se encontra a defenderem a austeridade da qual nunca sofrem!!

Jaime Santos disse...

A manutenção da atual solução de Governo não depende do PSD ou do CDS e nem mesmo depende de Marcelo Rebelo de Sousa, a não ser que ele queira dar alguma golpada e demitir o Governo por uma razão espúria. Depende da atitude dos parceiros da Esquerda na AR. De todos e de cada um. Só para lembrar que não é muito inteligente afirmar princípios programáticos enquanto se metem golos na própria baliza...

Dr. Fonseca Galhão disse...

O tipo que saiu do BdP para ir gerir o BES e que, quando decidiu demitir-se, voltou para o BdP porque não tinha assinado formalmente o pedido de demissão. Artistas destes temos cá muitos.

Nota - a notícia saiu, à data, no DN. Desapareceu de lá, bendita inter-mete, mas ainda se pode encontrar a referência (imagine-se) no Observador

http://observador.pt/2014/10/15/vitor-bento-ja-voltou-trabalhar-banco-de-portugal/

L. disse...

nem mágoa nem pobreza. MISÉRIA. mas simultaneamente, aumentando como nunca o nº de milionários.

e a europa a manter, ... perdão, a alemanha a manter o rumo.

crescimento? o crescimento é a nova quimera. a nova peta. podemos estar a crescer 10% ao ano e ter o povo todo numa miséria indescritível.

e pelos vistos ainda não desistiram de convencer as pessoas que a solução é empobrecer.

Anónimo disse...


Será que fomos predestinados ao caos da Politica económica e financeira?
Ou será que desenterramos algum “feitiço maligno” da banca privada e pública?
Porque só agora a avalanche desenfreada do mais sagrado que o capital possui – o Sistema Bancário?
Ate´ o Montepio não escapou.
Isto trás agua no bico, ai trás, trás!
A meu ver, as aves agoirentas da economia comanditadas pelo BCE tem-se esforçado imenso para sugar o pouco que nos resta.
Os “salvadores da economia” como o Vítor Bento, Carlos Costa e mesmo o Mário Centeno não passam disso mesmo, «paus para toda a obra» do BCE. Eles só divergem na suavidade com que levam o povo a aceitar a dose macabra…de Adelino Silva

João Ramos de Almeida disse...

Caro Jaime,
A actual solução manter-se-á ou não fruto de múltiplos factores. Mas creio que existe uma estratégia de Marcelo em favor de uma política de bloco central. Sempre o teve. O capital emocional que está a conquistar na população - parece-me - visa ganhar capital decisório para decisões políticas mais adiante. Mas cá estaremos.

Jose disse...

«...não podemos apenas distribuir o que não temos »
Como é possível dizer tal coisa?
Pois ele haverá escassez de papel, uma das produções excedentárias do país?
Basta imprimi-lo e chamar-lhe moeda, e o futuro será de abundância!

Jose disse...

E andamos nesta triste rotina de acreditar que é o Estado que vai promover o crescimento.
Nem três falências chegam para acabar com essa treta!!!
E em vez de falarem em Revolução andam a geringonçar.

Anónimo disse...


Para o que este homem havera de lhe dar…
“E em vez de falarem em Revolução andam a geringonçar.”
Um dia que menos se espera, ela a revolução, estalara´.
E isso somente quando as condições estiverem propicias.
E´ claro que e a meu ver a geringonça pode dar uma ajudinha…
Porque antes de mais temos que assegurar a democracia, ainda que burguesa.
Bem sei que o governo de PPC tudo fez para retardar o processo revolucionário, mas homem não desanime, e´ tudo uma questão de tempo para o amadurecimento das condições objetivas e subjetivas…Ela estalara´ sem duvidas…de Adelino Silva

Anónimo disse...

Quem disse a alarvidade sobre a distribuição do que não temos nao foi o Bento?

Ele lá sabe do que fala porque pelo aspecto anda a apropriar-se do que nao tem.

Agora é perguntar à esmagadora maioria dos portugueses se se apropria do que não tem.Se não vive só do seu trabalho. Se apresenta aquele aspecto luzidio e enchido do Bento.

A resposta é clara. Agora é ver quem anda a repetir as alarvudades do Bemto.

E tirar as devidas conclusões

Anónimo disse...

Sobre o papel e a impressão deste. Notas.
Pois é

Isso nao é soberania nacional?
E não é agora função dos Bentos da UE? Do BCE? Um conjunto de mafiosos que decide o que fazer sem nunca ter sido eleito?

Entao ainda há vende-patrias que defendem a perda de soberania para os Bentos do BCE? E esgrimam como argumento piegas que o que se pretende é nao recuperar s nossa independência?

O Bento tem alter -egos curiosos. Apropria-se do que nao é seu. E fala em mágoas para esconder a pobreza e a apropriação ilegítima da riqueza produzida?

Mas falar-se-á do capital ficticio? Entao aí voltamos a Marx.
Diacho. Nao é que são os Bentos luzidios, lustrosos e enchidos que involuntariamente vao dando razão a este?

Parece que a abundância já existe para a seita dos Bentos. É ver-lhes as carnes e os poleiros que asseguram enquanto vão saltando de postos formais para informais. Ou vice-versa.

E depois tirar as devidas conclusões

Anónimo disse...

Mas qual triste rotina?

A rotina da mediocridade educativa, civica, de conhecimentos dos patrões cá do burgo?

E depois feitos treteiros falam em tretas?

Mas que grande treta é esta? Isto é apenas conversa para boi dormir ou é apenas o desespero avinagrado pelas geringonças?

A que se associam os velhos húmidos e degradamtes medos das revoluções?

Jose disse...

«PPC tudo fez para retardar o processo revolucionário»
Aí perdi-me, Adelino!!!
Eu a julgar que a Revolução era precedida de uma vaga de passeatas...e agora tudo tão sossegado.

Anónimo disse...

Perdido herr jose?

Mas porquê?
Tem saudades das passeatas em que pela mão num dos lados e com a outra levantada na saudação típica se passeava nas cerimónias do regime?

E não se lembra do 25 de Abril? Apanhado com os fundilhos na mão, etc,etc,etc?

Antonio Cristovao disse...

Onde é a zona do mundo onde se vive melhor que na UE ? Onde está o paraiso lirico de tantos que defendem e com muita garra mmas pouca substancia esse mitico modelo que leva a felicidade venezuelana ? Republicas sovieticas ? Alemanha de leste ?

Anónimo disse...

Ó sr Cristóvão deixe-se por favor de histórias da carochinha sobre onde se vive melhor.

Parece aqueles velhos decrépitos nobres, que vendo a fortuna ir por aí abaixo, ainda insistem em mostrar velhos pergaminhos há muito ultrapassados.

Por exemplo para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico entre os seis países com melhor nível de vida do mundo nenhum é da UE - Noruega, Islândia, Suiça, Austrália, EUA e Canadá

Cristóvão ? Leu bem? Deixe-se então dessas cenas canalhas que só mostram que nem sabe fazer bem o seu trabalho de casa nem sabe o que diz.

E para sua vergonha , Sr Cristóvão, aquilo que defende com muita garra tem a substância dum odre vazio.