segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Grupinho?


No Público fez-se uma avaliação razoavelmente realista do estado dos líderes do que passa por social-democracia ou social-liberalismo ainda no “poder” (aspas, desgraçadas aspas) por essa Europa do Sul: “um está prestes a abandonar o poder pela porta pequena, outro tem visto a sua governação esmagada pelos sucessivos programas de ajustamento e o mais recente tem um papel interino pouco decisivo.” A europeização realmente existente, como temos insistido, mata o sul e a social-democracia do norte e do sul. Não é defeito, é feitio.

Quando um vende-pátrias como Passos Coelho apresenta a cimeira dos países do sul da zona euro como um “grupinho”, o drama é que o diminutivo tem um certo realismo, dada a fraqueza política deste grupo, incluindo programática, como ficou à vista na passada semana. Esta fraqueza política assenta, em última instância, em economias enfraquecidas face à Alemanha e sem instrumentos para fazer face ao declínio relativo. Passos sabe que a “Europa” está com ele, ou seja, com o seu programa de submissão. Esta é a sua força.

Mas o drama só se acentua quando vemos António Costa, que graças à solução governativa contrasta ainda com alguns dos supostos parceiros do sul, a defender as instituições que são de Passos e que só geram a prazo a política de Passos: o euro, as chamadas “quarto liberdades” do mercado único (ainda se fossem as quatro do Roosevelt de 1941) e a globalização, de que a UE é a expressão no continente. Falar de democracia e aceitar estas estruturas, desenhadas para favorecer a liberdade de um certo capital, é uma rematada contradicção nos termos.

Do aprofundamento da monstruosidade regulatória da União Bancária, feita para reforçar o controlo estrangeiro da banca nacional periférica, a uma articulação entre moeda e orçamento, que os alemães jamais aceitarão e que nunca resolveria o problema de fundo, o resto da agenda europeia de Costa parece ser também a atracção do que resta da social-democracia pela corda que a enforcaria, até porque se eliminariam os últimos vestígios de soberania democrática. É claro que para alguns, caso de Vital Moreira, a social-democracia já pertence ao passado político e daí o seu entusiasmo com as instituições que só favorecem a prazo Passos e a sua política.

9 comentários:

Geringonço disse...

Revelador!!

Vital Moreira não permite que comentários sejam feitos no seu bloque...

Os europeístas são tão democráticos!

Anónimo disse...

Não consigo abrir o segundo link ("temos")

Anónimo disse...

Mais uma vez um comentário de uma enorme lucidez.
E um aviso à navegação

Jose disse...

A soberania dos falidos é matéria com pouca credibilidade.
A questão agrava-se quando ainda por cima não descolam da pedinchice e se propõem continuar a depender do crédito.

Antonio Cristovao disse...

Como os governantes do sul são tão bons governates desde que haja quem entre com o dinheiro. Nem agora com todas as informações e cimeiras conseguem governar com superhavit, mas clama por usar o saldo dos outros. Gente muito séria, até faz lembrar a esganiçada Catarina que honestamente consegue ser contra as elições antecipadas, mas sem obrigações e com liberdade de vender a banha da cobra que mais votos pensa que lhe dão.

Anónimo disse...

"Matéria de pouca credibilidade", decreta para aí um vende-pátrias qualquer, a imitar o seu guru.

E não descola desta pedinchice miserável, a tentar vender a quem der mais. Antes berrava que Angola era nossa.Agora diz que quem manda no país são os credores e os agiotas.

Mas registe-se como só lhe sai este esgar. Uma espécie de chiar propagandístico com a preguiça intelectual e a imptência cognitiva para dizer o que quer que seja de substantivo sobre este bom post de João Rodrigues.

É assim. A baba em forma de propaganda dá isto. Slogans, como o outro muito admirado por este miserável vende-pátrias, que mil vezes repetidas sonham transformar numa verdade.

Anónimo disse...


A ideia com que fiquei do grupo de países do sul reunido ca´ no burgo foi que também querem “algum” protagonismo, de resto não deixam de ser farinha do mesmo saco. Com esta reunião ficamos a perceber melhor o que a U.E. e´. A diferença entre os do Sul e os do Norte e´ que estes últimos, já antes da CEE sempre foram mais objetivos na condução dos seus negócios. Eles são feitores de guerras. Eles como colonialistas que foram exploraram e ainda exploram os outros povos. Desta vez a exploração calhou aos periféricos europeus…Só confundo um pouco a intrusão da França, também ela «comedora da lula» neste grupo do SUL, culpada da recente destruição de povos e paises no norte de Africa e oriente medio e cúmplice do êxodo de refugiados. De Adelino Silva

Anónimo disse...

Parece que isso de ser governante também tem pedigree.
Há os do sul e os do norte. Os do oeste e os do leste. Há os escurinhos e os amarelos. E os brancosE os assim-assim
E há a classificação nosológica de Antonio Cristovao.
Uma marca genética a amarrar a condição de governante? Tal como antes a havia para justificar a condição rácica?

Cristóvão: com todas as informações e cimeiras ainda está nessa fase de ignorãncia? A usar o saldo cognitivo dos outros e mesmo assim só lhe saem estas pérolas que indiciam um nível de escolaridade surpreendentemente medíocre. Mas também um nível cívico adequado ao patamar?

Cristóvão: esganiçada?
Por favor reserve essa forma de palrar para o seu ambiente doméstico

Carlos Sério disse...

Não faz sentido numa comunidade económica de países, com a mesma moeda, não existir um qualquer mecanismo que permita que o preço do dinheiro de financiamento seja igual para qualquer país dessa comunidade. Não faz sentido que a Alemanha, por exemplo, se financie a juros negativos e Portugal a juros de 3 ou 4%.
Quando se exigem comportamentos orçamentais iguais em todos os países do euro, veja-se a sujeição ao Tratado Orçamental, não se compreende que não se criem condições iguais de financiamento.

O BCE que prepare os euro-bonds e permita que qualquer país se possa financiar através deles e assim obter financiamento a juros mais baixos e iguais para todos os países da comunidade.
Os países que hoje têm que suportar um custo da dívida muito elevado, procurariam tão rápido quanto possível, trocar a sua dívida por euro-bonds, aliviando deste modo o custo da sua dívida e libertando verba para Investimento público e baixa de impostos.
Só assim os países da comunidade veriam ser criadas condições de efectiva convergência económica e social. Até lá, o que existe realmente é uma assimetria e divergência cada vez maiores entre países.