sexta-feira, 16 de abril de 2010

A racionalidade do desastre colectivo (continuação)

Na Alemanha o emprego industrial caiu 4,7%. As exportações de serviços espanholas cairam 1,5% e as importações 1,3% (as que têm origem em Portugal cairam 11%). Entretanto, a Comissão Europeia vai criticando alegremente os programas de estabilidade e crescimento dos vários países por não serem suficientemente austeros. Há que apertar mais o cinto, dizem. Num espaço económico relativamente fechado, em que a esmagadora maioria das trocas comerciais se faz entre os países membros, continuamos sem ver de onde poderá vir a procura promotora do crescimento e do emprego.

12 comentários:

Rui Costa disse...

Caro Ricardo,

corrija a gralha em relação ao primeiro indicador: foi o emprego industrial que se reduziu, não o desemprego.

Pode eliminar esta mensagem, foi só para lhe chamar a atenção para a gralha.

Cumps.

João disse...

Não se pode consumir mais do aquilo que se produz nem se estimula o crescimento economico sustentavel através de um crescimento da procura que não é sustentavél!

Isto é uma verdade incontornavel a não ser para quem acredita em no milagre da multiplicação dos paes ou na arvore das patacas.

As actuais politicas expansionistas suicidas dos governos europeus teram um desfecho sinistro no futuro.

A actual crise economica deriva exactamente de quantidades astronomicas de riqueza terem sido canalizadas para o consumo em vez de para a poupança. E sem poupança não há investimento. E sem investimento não se produzem bens e serviços. E sem produção não há consumo, etc...

Wyrm disse...

nem vale a pena combater. mas vale morder a bala e deixá-los divertirem-se pensando que o povo é burro...

Ricardo Paes Mamede disse...

João,
o investimento não se faz sem procura. Olhe para os dados do inquérito ao investimento do INE (há outras fontes a apontar para o mesmo): o principal motivo para o reduzido investimento (em Portugal como na Europa) são as fracas expectativas de procura. Estou de acordo que tem de haver políticas de estímulo à poupança (de preferência que não sirvam para estimular a especulação financeira e que sejam acompanhadas de estímulos ao investimento produtivo), mas este não é seguramente o momento para o fazer.

Ricardo Paes Mamede disse...

Obrigado, Rui.

João disse...

O investimento não se faz sem procura e a procura também não se faz sem investimento, pois se não há agentes economicos a gerar a valor a remunerar o trabalho e capital, os individuos que recebem esses rendimentos também não têm dinheiro para consumir. A depende de B, e B depende de A.

O problema actual é que nível de consumo já é absolutamente exagerado, sobretudo em Portugal, em que só o governo central em 2010 vai gastar 2x as receitas que tem.

Sem duvida que os ajustamentos, de estimulo á poupança e de redução da despesa, deveriam preferencialmente ser conduzidos num periodo de crescimento economico, ou pelo menos de maior estabilidade economica de que a situação actual. No entanto isto não foi feito, e portanto os ajustamentos têm que ser feitos agora, sob pena das consequências serem muito piores.

Não tenho qualquer dúvida de que os necessários cortes na despesa publica em muitos estados da zona euro agravaram sériamente a actual recessão. Mas também não tenho qualquer dúvida de que aumentar a despesa ou mesmo mante-la nos níveis actuais trará consequencias infinitamente piores. O crescimento exponencial dos stocks de divida publica associado às loucuras expansionistas do BCE, se não forem travados, vão resultar no colapso não só do euro mas também da economia europeia. Todo o dinheiro acumulado nos stocks de divida publica será cobrado aos cidadãos europeus mais tarde ou mais cedo, e uma vez que é já dificil na maior parte dos paises aumentar significativamente os impostos, a cobrança tomará a forma da inflação. E o impacto de uma inflação de 2 digitos ou mais é muito mais grave do que o agravamento desta recessão.

Para mais, não fazendo qualquer ajustamento agora, a europa vai emergir da hiper-inflação com os mesmos problemas que tem actualmente, e sem qualquer capacidade para concorrer na economia global.

Rogério Pereira disse...

Reflexões que por certo estão fora do contexto:
1ª A procura pode ser estimulada ao ser dado poder de compra a 6XX mil desempregados? (consta que tal corresponderia a volumes interessantes de aumento do PIB)
2º O investimento na agroindústria permitiria ao grupo Jerónimo Martins aumentar a incorporação nacional na sua distribuição e retalho? (p.e. consta que todas as espécies de tomate são adquiridas em Espanha e que a produção nacional de borregos/cabritos não consegue cumprir nem calibres nem prazos...)

Nota final - Para onde foi a nossa capacidade produtiva?

croky disse...

"Para onde foi a nossa capacidade produtiva?"

Foi para o galheto meu caro. A nossa capacidade educativa foi canalizada para os serviços. Todos queremos ser Sr. Doutores ou "Enguenheiros" e é no que dá: Ninguém colhe as couves, que as colham lá fora ...

Caporegime disse...

A Esquerda e OS OUTROS...

Se há pobreza.. os OUTROS têm de pagar mais impostos.

Se há desemprego.. os OUTROS têm de produzir mais.

Se os salários são baixos.. os OUTROS têm de pagar mais.

Se o trabalho é precário.. os OUTROS têm de garantir emprego para a vida.

Se os PIGS vivem acima das possibilidades.. a culpa é dos OUTROS que são poupados.. quando é pa falar de umas coisas, ah e tal e pó diabo com a sociedade consumista, quando já há interesse demagógico, ah e tal que os alemães não são consumistas..

Apenas um comentário.. vocês são ridículos...

croky disse...

"Se os PIGS vivem acima das possibilidades.. a culpa é dos OUTROS que são poupados.. quando é pa falar de umas coisas, ah e tal e pó diabo com a sociedade consumista, quando já há interesse demagógico, ah e tal que os alemães não são consumistas.. "

Lol ! Este comentário faz todo o sentido só na tua cabeça. Se há algo de ridículo escrito nesta série de comentários é exactamente o escrito em cima.

Anónimo disse...

Uma guerra a sério não quebraria o enguiço? Há para uns expertos que dizem que, afinal, as crises anteriores, nomeadamente a de 28, só foi efectivamente ultrapassada pela II GG, sem ela o New Deal não teria passado de uma quimera!. Esperemos que não seja assim...

João disse...

"Todos queremos ser Sr. Doutores ou "Enguenheiros" e é no que dá: Ninguém colhe as couves, que as colham lá fora ..."

O problema é que mesmo que os Portugueses quisessem colher as coves, hoje em dia as coves já não se colhem à mão. É precisamente por não formarmos pessoas que saibam fazer mais do que colher coves que o país está no estado em que está.