sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A universidade pública não pode ser uma empresa

Antes de ser eleito Presidente da República de França, Sarkozy, o mais importante líder da direita intransigente europeia, esteve em Lisboa. Após um encontro com Sócrates mostrou admiração pelo seu ímpeto reformista neoliberal. Pois bem. É olhar agora para o que está acontecer em França e, para além das naturais diferenças de contexto, constatar a convergência das orientações da política pública nos dois países. Na área da reforma universitária, por exemplo. Trata-se aí também da construção política de mecanismos de tipo mercantil.

Em Portugal por via do subfinanciamento deliberado. Tudo à custa da integridade do conhecimento e do seu acesso democrático. Só que em França existe um movimento estudantil digno desse nome. Combativo e organizado. Que não está disposto a deixar, sem luta, que a universidade pública se transforme numa mera empresa.

3 comentários:

carlos freitas disse...

Esclareço um ponto. Este é apenas um comentário de reflexão sobre a sua opinião nesta parte do seu texto sobre as movimentações estudanris francesas: "[...] Que não está disposto a deixar, sem luta, que a universidade pública se transforme numa mera empresa."
Chamo então a atenção para a referência "sem luta". A minha reflexão é a seguinte: pode lutar-se e depois aceitar? De que vale a luta? Apenas para vincar uma posição e depois recuar? A fórmula em França, penso ser diferente: luta-se para que nada fique como dantes. Em Portugal, luta-se, embora, se saiba que as Universidades acabam por ser transformadas em empresas privadas. Consoante a vontade do poder. Lembro-me da luta contra as propinas. Aparentemente muita luta. Resultados nulos. A diferença, quanto a mim está aí.

João Rodrigues disse...

Caro Carlos Freitas,
Numa confrontação o resultado é sempre incerto. Aqui como em França. No actual contexto, em que a correlação de forças é muito adversa, as possibilidades são talvez mais limitadas. Os planos estão muito inclinados. O que não quer dizer que o esforço não valha a pena. Mesmo quando aparentemente se perde nada fica como dantes. No caso das propinas os resultados não foram propriamente nulos. As propinas existem é uma triste verdade, mas lembre-se de quais eram os objectivos iniciais. O problema hoje em Portugal é bem mais grave: nem sequer há um movimento estudantil digno desse nome. Pelo menos com capacidade de intervenção pública. Assim, tudo fica mais dificil. A contestação a estas reformas proto-privatizadoras parece estar circunscrita aos docentes. E aqui, apesar de tudo já houve vitórias parciais. No técnico, por exemplo.

Pedro Sá disse...

1. Sabe tão bem como eu que não se trata da mesma coisa. E tendo em conta que eu não tenho simpatia nenhuma pela autonomia universitária, estou perfeitamente à vontade para falar.

2. O que me preocupa é que tudo o que venha de estudantes é sistematicamente arrasado na opinião publicada com frases fascistas como "deviam estar era a estudar", como se um estudante devesse estar como que encerrado num mosteiro e nada mais fazer da sua vida.