segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Para lá do «soundbite»

Duas questões, simples, que televisões, jornais e outros órgãos de comunicação social poderiam colocar ao ex-primeiro ministro (numa próxima sessão de apresentação da sua recandidatura à liderança do PSD ou na eventual inauguração de uma escola):
1. Quando reconhece que o anterior governo e a troika «cometeram muitos erros», a que erros se refere exactamente?
2. Que medidas concretas tem o ex-primeiro ministro em mente quando afirma que, «se estivesse no governo, estava a bombar para que a crise ficasse cada vez mais para trás»?

Nota: Nada em especial contra as declarações de Pedro Passos Coelho, o candidato a líder de um partido que, garante, «estará preparado» para governar. Apenas seria interessante conhecer a substância e significado dessas declarações, para lá do mero «soundbite». Ou será que no PSD, tal como no CDS, também existe um vazio em relação ao futuro?

20 comentários:

Anónimo disse...

A substância do post do autor está aí em cima exposta. A exposição duma também fraude intelectual, fraude que é levada ao colo pela comunicação social.

Veja-se por exemplo o DN:

As notícias "paridas" sobre Passos Coelho, que tiveram particular DESTAQUE no DN on line nos últimos 5 dias( e a sua relevância noticiosa):

-Passos diz que se fosse primeiro-ministro estaria "a bombar" - 29 de Fevereiro
-Passos insiste que nunca convidou portugueses a emigrarem -29 de Fevereiro
-Passos dispensa segurança, ganha menos e almoça a trabalhar - 28 de Fevereiro ( esta notícia mete náuseas)
-Passos Coelho: "PSD estará preparado para governar" -28 de Fevereiro
-Passos: Governo quer ser "concorrente" das instituições sociais -27 de Fevereiro
-"PSD-Unir o partido e pedir ao país mais quatro anos para ser "previsível" - 26 de Fevereiro
-Laura Ferreira fala sobre "grande paixão" por Passos Coelho -25 de Fevereiro

Notícias que tiveram honras de lugar de destaque e de correspondente tratamento fotográfico
Um jornal dito de referência. Tanto como o artigo de António Barreto, o ex-funcionário de Soares dos Santos, solidarizando-se histericamente com o governador do Banco de Portugal

Jose disse...

Quanto aos erros, seria interessante conhecê-los.
Eu sei de um, e bem grande: atentar no alarido dos esquerdalhos e não ter financiado suficientemente os bancos em crise quando havia dinheiro para isso.
Quanto ao que faria se fosse governo é uma evidência: cumpria o que anunciou em eleições e manteria o país na senda da confiança e do crescimento que vinha obtendo.
A geringinça foi um golpe desonesto, um programa de mentira que ainda hoje fala como se a troika fosse evitável e todos os males do país derivassem da acção do último governo. Espero que continuem a obter o que merecem: que vão sós no seu caminho.

Manuel Silva disse...

Caro Nuno Serra:
Disse: «Ou será que no PSD, tal como no CDS, também existe um vazio em relação ao futuro?»
Ora, não existe nenhum vazio de ideias.
Eles sabem muito bem o que querem fazer quando voltarem ao poder.
Querem ir além da Troika (a do momento, chame-se Merkl, Schäuble, Comissão Europeia ou FMI).
Os patrões deles.
Como tão bons resultados deu: a dívida diminuiu; os bancos ficaram salvos; a economia cresceu que se fartou, -5,6 no total, em 4 anos; o desemprego baixou; o investimento atingiu os mais baixos níveis desde 1986.
Portanto, com estes brilhantes resultados é para continuar, repetir a dose.
No final de todo este esforço, os 4 anos do além da Troika deixou-nos 1,5% de crescimento, boa parte à conta do (tão odiado e inconveniente) consumo interno, por causa dos cortes que o TC não permitiu.
Bingo, Passos/Portas.

Anónimo disse...

o josé tem saudades do passos e do salazar. ainda queria meter mais dinheiro no buraco sem fundo da banca - que passa testes de stress e depois está falida na mesma.

confiança? hilariante. é... confiança para os ricos e privilegiados, miséria para o resto.

crescimento? pois... quando se cai tanto, é normal que depois se cresça - mas entretanto as pessoas estão na miséria - é a lógica da direita: tem que haver crescimento, se houver estamos bem, não interessa que haja fome e 2 milhões estejam abaixo do limiar da pobreza.

ah, e esse crescimento só existe graças ao consumo interno permitido pelas decisões do TC, como disse outro comentador.

José M. Sousa disse...

«Quanto ao que faria se fosse governo é uma evidência: cumpria o que anunciou em eleições» Piada do dia! Como é que suportam esta criatura neste blog. A liberdade de expressão devia cumprir mínimos de decência!

Anónimo disse...

em 2011 anunciou que não era preciso mais austeridade, apenas cortar algumas gorduras. MENTIROSO.

em 2015 não anunciou nada. embora tivesse escondido o que planeava, entre outras coisas - cortar 600 milhões nas pensões e subir os impostos ainda mais do que o ps subiu - excepto, claro, o irc...

Dias disse...

"Se estivesse no governo estava a bombar..."

Impostor! Estava a bombar mais impostos e cortes, e ainda a afundar quem mais necessita, tudo entrecortado por fretes e sorrisos a Merkel e à troika.

Jose disse...

!Mentira dada, mentira honrada!
Todo um programa...

Manuel Silva disse...

Jozé(zito), pobre(zito) de espírito:
Ao menos um pouco de decência.
O melhor das mentiras do Passos.
Quando as coisas ficam gravadas não há maneira de as desmentir.
As mentirolas de Passos Coelho
https://www.youtube.com/watch?v=1OhP5592WI4

E o elogio a Dias Loureiro
https://youtu.be/c2mhTEKrvcw
Uma verdadeira pérola:
«… conheceu mundo, é um empresário bem-sucedido, viu muitas coisas por este mundo fora e sabe, como algumas pessoas em Portugal sabem também, que se nós queremos vencer na vida, se queremos ter uma economia desenvolvida, pujante, temos de ser exigentes, metódicos.»
O empresário é Dias Loureiro e o autor é o Pedro Passos Coelho.

«O problema é que o Estado, o governo, está prometer vender participações como quem vende os anéis para ir buscar dinheiro. (...) A política de privatizações em Portugal será criminosa, nos próximos anos, se visar apenas vender activos ao desbarato.» (Pedro Passos Coelho, Fevereiro de 2010 e Junho de 2010)

Esta agora é de um ajudante do dito:
«Não lançaremos a privatização [da TAP] a poucos meses das eleições legislativas.» (António Pires de Lima, Julho de 2014)




Jose disse...

Manelzinho, sejamos realistas e honestos, o que por outras palavras quer dizer que continuarei a falar sozinho.
Nas penúltimas eleições estava no poder o 44; rapaz imaginativo e trafulha, nem as contas eram certas nem as promessas eram tímidas, do cheque-bébé ao paraíso tudo era prometido. Vai daí o Passos teve que se bater com as armas possíveis sabendo que poderia vir a invocar legitimamente que a coisa era pior do que se dizia. Um faz de conta que não deixa de ser mentira.
Nas últimas eleições as contas não estavam faralhadas - dando de barato o BANIF que nunca se saberá o que seria sem a geringonça.
O PS tinha que coerentemente justificar ter andado quatro anos a dizer que a austeridade não era necessária (ou quase) e que viraria a página e seríamos felizes para sempre. Fez belíssimas folhas de cálculo em que ninguém acreditou, a começar pelos autores.
Mas nisto de mentiras, se não vai com uma pequena há que tentar uma grande mentira. E então partiu para a geringonça que foi parida pelo Jerónimo, que sentindo-se pequenino quis fazer grandes coisas.
E assim estamos.
Mentira dada, mentira honrada.

Anónimo disse...

"Mentira dada mentira honrada"?

O que será isto? Um novo mantra?
Uma tentativa de desculpabilizar a maternidade meoliberal com o cheiro fétido da aldrabice primordial?

Anónimo disse...

"sejamos realistas e honestos, o que por outras palavras quer dizer que continuarei a falar sozinho".

O que é isto? Um atestado de indigência intelectual armado em piegas confrontado com a incompreensão do mundo?
Um soundbite manhoso do género dos do incompreendido génio santanesco ( de Santana Lopes), o tal que também se lastimava ( no intervalo entre duas nomeações de boys ou girs) que era um incompreendido e que andava a falar sozinho?

Não é este o mesmo que no outro dia numa manifestação narcísica um pouco caricata dizia que tinha nascido inteligente e diligente e que tinha quem o encaminhasse na vida,etc etc etc e que não bebia em excesso e qualquer coisa de mau gosto sobre cornear e que os outros não tinham tido a sorte de poder evitar?

Mas francamente não há o mínimo sentido de pudor ou de auto-crítica?

Anónimo disse...

Lá está este a "dar de barato"

Já no outro dia queria dar de barato um seu antigo ídolo, o Ricardo Salgado.
Qual a razão destas dádivas de exemplares do funcionamento da autêntica cloaca que é o neoliberalismo e o Capital acima de tudo?

A forma desonesta como se fala no Banif e no "não se saber o que seria sem a geringonça"( tão giro ver a azia impotente mantida e replicada por) faz lembrar a entrevista do Passos, a dizer que no tempo dele o Banif não dava prejuízos.

O mestre e o aluno?
O boss e o "rapaz"?
A mão que dá de comer e o comensal agradecido?

Anónimo disse...

Vejamos mais de perto algumas "pérolas" da desonestidade intrínseca do "realista e honesto":
"Vai daí o Passos teve que se bater com as armas possíveis sabendo que poderia vir a invocar legitimamente que a coisa era pior do que se dizia."
Legitimamente ?
Mas legitimamente porquê?
Os trapaceiros atraem-se uns aos outros, têm pieguices uns pelos outros ou assumem-se como beatos a distribuir entre o colegas,amigos e amantes a água benta da ordem?

Anónimo disse...

As contas não estavam "faralhadas" (Freud explica)
Não estavam baralhadas?
Que "contas"
Mas que aldrabice é esta? Mais um soundbite a tentar escamotear a realidade,com a esperança que este ganhe sobre a memória? Para melhor fazer a propaganda da ordem?

Mas então os números sobre o desemprego sistematicamente aldrabados e manipulados, escondendo o real peso deste?
Mas então a prometida devolução da sobretaxa que PSD/CDS que foram alimentando com recurso à farsa do “simulador” inserido no Portal das Finanças?
Mas então o Novo Banco e o ex-primeiro-ministro a afirmar, confiante, que o Estado iria arrecadar lucros generosos no final de todo este processo? Afinal após alguns milhares de milhões de euros injectados depois,ficámos a saber que o Novo Banco necessitará de novas injecções de capital estatal.
Mas então o caso BPN, vendido por tuta e meia, com o prejuízo a ficar todo do lado do Estado, enquanto os antigos donos da fraude se passeiam pelas ruas da capital, impunes e abastados e o governo a esconder os números e os factos?
Então e os perdões fiscais escondidos por debaixo da mesa? Um modesto exemplo de 2012. Uma auditoria do Tribunal de Contas detectou que não foram contabilizadas isenções fiscais a empresas no valor de 1.080 milhões de euros, dos quais 1.045 milhões a grandes empresas.
Então e a farsa da "recuperação económica" e da "redução da dívida pública"e da aldrabice montada dos números para esconder o falhanço completo da governança neoliberal?
Então e os números da emigração propagandeados pelo ministro da informação do governo ,o Poiares, que afinal foram desmentidos logo após as eleições a mostrar que a farsa era para continuar se.
Mas então e o Banif que nos querem agora dar de barato? O anterior Governo deu, não emprestou, aos banqueiros do Banif mais de 1000 milhões de euros, não fez absolutamente nada para reaver uma parte desse dinheiro, não acompanhou a gestão do Banif apesar de o Estado já ser o maior accionista do Banif — aliás, a determinada altura, quase o único accionista do Banif.Por que é que esconderam o problema? Por que é que fingiram que tudo estava bem no Banif? Foi para atirar o lixo dos bancos para debaixo do tapete para fingir que a saída limpa da troika era real? Foi para fingir que tudo tinha corrido bem no suposto resgate, que, na verdade, foi um sequestro dos direitos dos portugueses e que atirou para cima da banca milhares de milhões de euros à custa dos salários, dos rendimentos e dos direitos do povo português e nada resolveu?

Anónimo disse...

Quando perante o descalabro do BPN , um particular amante da banca e dos banqueiros e conhecido inimigo dos que apenas ganham a sua vida com a força do seu trabalho, esse mesmo, que não pára de se lastimar com a geringonça, teve a suprema lata de escrever o seguinte:
"Fico preocupadíssimo!!!!...parece que há uma 1.600 milhões que mudaram de sítio nas contas".

Está agora preocupado com a geringonça.Escreve aqui neste blog sobre a geringonça mas replica o tema, noutros blogs acanalhados, em tons mais agastados, menos politicamente correctos, em tons de raiva e de rancor,em tons como este:

(sobre António Costa)
"O grande palhaço! De Caudilho passa a promotor de diálogos e referendos
"Viva o Caudilho!
Viva o Manhatma!" ( não se nota um cheirinho a abjecto racismo?)

Mas vai substantiva e substancialmente para o lado. Fala agora numa "grande mentira". (Antes berrava que queriam " reverter os resultados eleitorais")
O que é isto? Que tacanhez democrática esta? Que despudor perante o veredicto popular? Que ignorância espantosa esta? Que impotência quase senil aqui está presente?
Crismará como a "grande verdade" os elogios de Passos a Dias Loureiro?

As "evidências" da direita e da extrema-direita são "isto".


Jose disse...

É seguro medir o quanto estou certo pela extensão do balbuciar que daí decorre.

Anónimo disse...

sabujo zé
sempre sempre hilariante
então a piada do BANIF é mesmo muito forte
não, ele não está demente
é apenas um produto de vincados traumas de infância
alguém que passa a vida a distorcer a belo gosto a realidade e que odeia tanto a humanidade tem muitos traumas e complexos
sabujo zé
começo a ficar com pena de ti
para seres assim deves ter recebido muito pouco amor

Anónimo disse...

"É seguro medir o quanto estou certo pela extensão do balbuciar que daí decorre"

Eis o exemplo dum soundbite pretensamente erudito.
Não diz nada. Oculta o que é essencial. E assume a fuga habitual quando confrontado com factos.
Após uma série de "tretas", manipulações, falsidades e "mentiras dadas".

Anónimo disse...

O PPC não tem o minimo de vergonha na cara. Co-Autor das maiores patifarias que o nosso país sofreu nos ultimos anos, ainda tem a lata de se armar em inocente.'?
Este individuo é de facto um politico ás direitas.
Seria bom era que ele aplicasse a si aquilo que recomendou aos outros - a emigração.
E que vá para bem longe deste país porque gente como ele existe cá a mais.Talvez a Alemanha não fosse um mau destino. Sempre poderia seguir a sua chefe ideológica mais vezes e recomendar mais austeridade para Portugal e a não aprovação de mais nenhum orçamento de estado (o que é a vergonha desta chamada democraci, em que um governo legitimo tem de prestar contas perante um conjunto de uns individuos quaisquer...). Só nesta Europa do faz de conta, cujo destino mais cedo ou mais tarde, certamente, será o da ex-união soviética.