terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Licenciados e doutorados a mais? Muitas humanidades e poucas engenharias? Não acredite em tudo o que pensa

Hoje no "Números do Dinheiro" (RTP3, 22h) discute-se ciência, ensino superior e inovação. Como vamos filmar fora do estúdio e com estudantes à volta (na FEUNL), hoje não haverá gráficos. Deixo aqui alguns que gostaria de mostrar.

Antes de olharem para eles, porém, convido-vos a lerem as seguintes frases e decidirem o que pensam delas:

1) Há licenciados e doutorados a mais em Portugal.
2) Há demasiados licenciados e doutorados em áreas de ciências sociais humanidades, e poucos nas ciências naturais e engenharias.
3) Os novos doutorados portugueses estão condenados ao desemprego.
4) Os poucos que conseguiram emprego antes da crise beneficiam de condições contratuais privilegiadas.

Leram com atenção? Então olhem para os gráficos e verão que as quatro frases não são mais que lugares comuns, com pouca sustentação nos dados.

Quando fazemos comparações internacionais percebemos que há poucos licenciados e doutorados em Portugal, e que uma parcela significativa das pessoas com formações superiores especializa-se nas áreas que supostamente estão mais próximas de aplicações tecnológicas avançadas. Os doutorados continuam a ser necessários, o que é revelado pela reduzida taxa de desemprego (claro que esta esconde a emigração de muitos). No entanto, a maioria dos doutorados continua a trabalhar em condições muito precárias, e não é só no início da carreira. Enfim, como dizia um livro indispensável publicado há uns tempos, "Não Acredite em Tudo o que Pensa".

Nota: os dados apresentados são os mais recentes que se encontram disponíveis.








24 comentários:

Pyros disse...

Antes de ler mais (se não é batota):

1) Há licenciados e doutorados a mais em Portugal.
Não, não haverá. A sua distribuição é que pode não estar de acordo com os empregos (procura de trabalho) existente
2) Há demasiados licenciados e doutorados em áreas de ciências sociais humanidades, e poucos nas ciências naturais e engenharias.
Licenciados e doutorados são medidas muito distintas. Em geral, há procura nas engenharias e ciências ("coisas que envolvam matemática"). E "viajam" melhor.
"Excesso" de licenciados/doutorados depende não só da oferta, como (e muito) da procura. Como a maioria dos desempregados que conheço são das áreas de humanidades e comunicação, haverá licenciados a mais nestas áreas face a outras. Mas sem dados...

3) Os novos doutorados portugueses estão condenados ao desemprego.
Não me parece. Por acaso, não conheço nenhum doutorado em Portugal que o doutoramento lhe tenha trazido vantagens (laborais), mas também não andam desempregados. É um pouco o que se passou com as licenciaturas: deixaram de garantir emprego, mas melhoram a probabilidade de arranjar um.

4) Os poucos que conseguiram emprego antes da crise beneficiam de condições contratuais privilegiadas.
Que poucos? Licenciados? doutorados? A maioria dos licenciados actualmente empregados conseguiu empregos antes da crise. As condições contratuais pós crise são em geral piores que as de antes (o que não surpreende - não se chama crise por se gostar do nome). Doutorados? isso depende se o que fazem (o emprego que têm) tem alguma coisa a ver com o doutoramento ou não...
Penso que a pergunta tem um qualificado estranho ("Os poucos que...") e uma imprecisão de sujeito (quais poucos?)


Anónimo disse...

Só quem vive em outro Planeta poderá aceitar que - 1) Há licenciados e doutorados a mais em Portugal. E´ que Para alem de se notar escassez e ou mal redimensionamento nas áreas descritas, como de resto em outras áreas e´ falsa a tese de que - 2) Há demasiados licenciados e doutorados em áreas de ciências sociais humanidades, e poucos nas ciências naturais e engenharias.
Na ausência de políticas culturais cientificas, técnicas e ecológicas para os diversos sectores da produção leva a que alguém menos capacitado aceite esta falsa questão - 3) Os novos doutorados estão condenados ao desemprego.
Porque se trata do desenvolvimento que tarda em ganhar terreno neste país, e´ contraproducente atinar nesta divisão de quadros superiores - 4) Os poucos que conseguiram emprego antes da crise beneficiam de condições contratuais privilegiadas. De Adelino Silva

Pyros disse...

Ok, após análise dos dados (e só em relação ao ponto 4 - o resto, em geral, faltam dados da procura apra poder qualificar "demais" ou "de menos"):

Parece haver uma "pioria" significativa na "estabilidade" da relação laboral pós crise, pelo que se tomarmos tal como sinónimo de condições contratuais, estas eram comparativamente privilegiadas antes da crise (se eram poucos ou não, não sei), dado passar de uns 20% para 58%.

Mas para chegarmos à conclusão se tal era particular aos doutorados, teríamos de comparar com os contratos com menos de 5 anos que também eram de cariz instável. E esse número não temos (apenas temos o número global de 22%)...

Antonio Cristovao disse...

A relação sector privado/sector publico seria muito importante para uma leitura mais critica; infelizmente não apareceu.

Jose disse...

Falta a relação Instituições do Estado/ Economia privada para saber onde param os doutorados.

Anónimo disse...

Tão curioso,mas mesmo tão curioso como alguns fogem com o rabo à seringa perante os dados aqui apresentados.
O que se denuncia é que as quatro frases aqui expostas não são mais que lugares comuns, com pouca sustentação nos dados. Um responde pessoalmente ao "inquérito" validando uma auto-leitura superficial.
Outros fazem pior, ou melhor, assumem às claras outros objectivos. Impotentes para contraditarem os dados, refugiam-se na "relação sector privado/sector público" e no paradeiro dos doutorados.Tanto mais significativo este processo de mistificação e de fuga quando se sabe que tais indivíduos passam aqui ( e noutros locais) o tempo a propagandearem precisamente o que é aqui denunciado como não sustentável.
O que fazer perante a impotência? Reproduz-se a missa ( ou o mantra ) em fuga menor, numa espécie de tentativa para esconder a mediocridade da argumentação assente nos lugares-comuns ideologicamente vinculados à direita e a extrema-direita

Unknown disse...

Em determinada altura do debate o Prf. Teixeira Santos dizia a propósito dos engenheiros pagos ao salario minimo "o problema é que existe um excesso de oferta de engenheiros e um quebra da actividade em determinadas areas por causa da crise". Isto leva-me á pergunta - E os enfermeiros, advogados, medicos, contabilistas, economistas , enfim como dizia um amigo meu a proposito dum desabafo de alguem "A tua profissão acabou neste país!?, então diz-me qual é que não acabou!..."

Um país em que não ha futuro, os jovens têm de emigrar, os que caiem no desemprego ficam anos á procura doutro que não existe... enfim uma tragédia silenciosa, um cancro que mina as gerações activas, as esperanças e o futuro

Saudo o Prof Ricardo Paes Mamede, o orador que me faz despertar a atenção

Anónimo disse...

sabujo zé
perante a evidência dos dados que contrariam as mentiras fáceis da propaganda resolveste chutar para trazendo à equação uma questão que em nada faz perigar o buldozer que te rebentou com o edificio todo
sabujo zé
não podes querer o sol na eira e os nabos a choverem-te em cima
os maravilhosos e argutos empresários que tanto admiras como o Espírito Santo, o Loureiro, o Relvas e tantos outros, sempre na senda da modernidade, por certo apreciarão ter tanta gente de grandes e variadas qualificações à disposição, seja no privado, seja no público ou simplesmente desempregados
mais ainda, informo-te, caro sabujo, que ao contrário de outra crença mitológica que por aí paira (e tu deves ter muitas a pairar por cima dessa carola podre) é normal, em qualquer país, que seja o Estado a empregar e custear aquilo que se tem como despesas/investimento em investigação e desenvolvimento (R&D para os mais modernaços)...percebeste agora ou queres que faça um desenho ?
antes de estudares a arte da interpretação tenta primeiro perceber o que é um argumento e também outros termos desconhecidos para ti como sejam, coerência, honestidade intelectual e...HUMANIDADE...és muito fraquinho neste último aspecto mas dos sabujos não vêm surpresas
vai lá, gasto canalha, ouvir a tua coleção de vinil da his master's voice

Anónimo disse...

interessa saber se estão no publico ou no privado, mentes pequenas ?
expliquem-me porquê, mentes pequenas
o vosso muito complexo sistema de pensamento é demasiado esotérico para mim
expliquem-me como se eu fosse idêntico a vós...muito burro!

Jose disse...

Ó calhordas e outros tão proclamados membros da geração mais doutorada de sempre!
Quantos mestrados e doutorados de copy/paste abundam por esse país?
Quantos deles se acoitam em Institutos, Observatórios, Universidades e Gabinetes por conta do Orçamento.

A UE é demonizada em tudo que é rigor e exaltada em tudo que é balda?
Já na tão cantada 'obscura noite', não havia filho de industrial que não se fizesse engenheiro em Inglaterra ou França, no que pouco mais eram que cursos técnicos; mas pelo menos alguma formação prática tinham.

Honra às excepções neste cenário geral de promoção de graus sem lustre nem saber útil.
À pompa fascitóide dos títulos e praxes limitaram-se a adicionar o facilitismo que assegura o progresso da felicidade geral...

Manuel Silva disse...

Para além do incómodo que o pobre(zito) do Jozé(zito) manifesta quando fica com as calças na mão, ou do incómodo um pouco menos parolo e ridículo do senhor Cristóvão, o que não os incomoda nada é o que a Mariana Mortágua denunciou recentemente num artigo no JN.
Digam-me, senhores José e Cristóvão: aqui trata-se de público ou de privado?
Talvez de público para arcar com as despesas e de privado para colher os lucros.
Ah grande Dr. Instantâneo Miguel Relvas, assim é que se enxofra:
Aqui fica o artigo: «Banco Efisa, diz-lhe alguma coisa? Era o antigo banco de investimentos do BPN e que está parado desde 2009. Está longe de ser um banco relevante no sistema, mas tem uma mais-valia: uma licença bancária para operar em Portugal, Moçambique, Angola e na América Latina, que foi mantida à custa da injeção de dinheiros públicos, cerca de 52 milhões desde 2014.
Em julho de 2015, já depois de ter vendido o BPN, o Estado decide vender também o Banco Efisa, que até aí se encontrava dentro da Parvalorem, o veículo criado para gerir os restos do BPN. O Efisa é assim entregue à Pivot por 38 milhões de euros.
Na altura pouco se sabia da Pivot, a não ser que congregava investidores angolanos, norte-americanos e portugueses. Ficámos, no entanto, na semana passada, a conhecer um pouco mais desta história.
Miguel Relvas, diz-lhe alguma coisa? Foi secretário de Estado da Administração Local em 2004, altura em que ajudou a Tecnoforma - em que esteve Passos Coelho como administrador - a montar a fraude dos aeródromos. Mais tarde tornou-se número dois do primeiro-ministro Passos, e ministro dos Assuntos Parlamentares até abril de 2013.
Miguel Relvas já tinha sido consultor do banco de investimento do BPN antes da nacionalização. Na altura, o deputado e administrador da Kapaconsult (que tinha como único cliente o Efisa) era crucial para abrir as portas da política e dos negócios no Brasil.
Em 2012, foi o seu Governo a nomear Francisco Nogueira Leite, ex-administrador da Tecnoforma com Passos Coelho, para presidente da Parvalorem. Para além de chamar outros quadros próximos da Tecnoforma, Nogueira Leite manteve homens da confiança de Oliveira e Costa em lugares críticos da empresa. E foi ele, enquanto responsável máximo da Parvalorem, a conduzir a venda do Efisa à Pivot em 2015.
Já fora do Governo, é Miguel Relvas quem aparece, mais uma vez, a prestar serviços de consultoria à Pivot. Mas na semana passada o consultor Relvas foi promovido a acionista, e pede agora ao Banco de Portugal que ateste a sua idoneidade para ser dono de um banco, o Efisa.
Miguel Relvas e idoneidade, uma contradição nos termos capaz de arrancar uma boa gargalhada a qualquer um se não corresse o risco de vir mesmo a ser declarada.»

Jose disse...

Manelzinho, oportuno contributo pela lembrança da licenciatura Relvas. Entre tantos casos em que, após longa permanência em anfiteatros da treta, saem como incompetentes licenciados de que não reza a história, Relvas sobressai por fazer história como conforto maior da treta esquerdalha.
Quanto aos bancos falidos temos no governo a clique que mais promoveu a bandalheira bancária, mais colonizou os bancos, e que já dá abundantes e histéricos sinais de inconformismo com o facto de não ter um dos seus lacaios no governo do Banco de Portugal.
Fica em sossego que cedo vais ter comunas na CGD, e isso para princípio de conversa...

Anónimo disse...

Um pouco acossado mais não resta a um tipo que tentou atirar a bola para o canto que ir a jogo.
Não sabemos se cumpre os critérios para "calhordas" porque isso é conversa de caserna fétida. O que sabemos é que de repente o paradeiro dos doutorados com que tentou entreter a malta é convertido num manifesto que confirma por inteiro o postado pelo Ricardo Paes Mamede.

Um hino. Um hino odiento ao conhecimento e ao saber. Duma penada estigmatiza mestrados e doutorados ("Por conta do orçamento", diz ele, logo ele, cujas palavras em prol de Relvas são um insulto à inteligência e à dignidade. Relvas que faz parte da elite dos empresários e do aparelho partidário troikista. E é um exemplo acabado do "É o capitalismo estúpido").

Não compreende o citado comentador porque motivo o autor do post expõe os gráficos acima apresentados. irrita-se com o facto.Esbraceja.Zanga-se.Enfurece-se. Confirma outra coisa. O neoliberalismo é um chavão de axiomas falsos que não resiste a uma análise minimamente séria dos factos. Achará que as comparações lhe arruínam o discurso salazarento? Encontrará nestes gráficos uma exaltação à balda? Será possível?
E depois um outro dado chocante, que é o elogio à "obscura noite" e aos filhos família que deram no que deram. Veja-se bem até onde vai a pesporrência ideológica. Passa-se a citar:" não havia filho de industrial que não se fizesse engenheiro". Desta forma a aldrabice mais bacoca vai de par com o ensino de classe que defende desta forma grotesca. A defesa do ensino dual tão cara aos seus mestres ideológicos perpassa por aqui com mais algumas coisas mais

Mais uma vez se confirma. Basta agitar um pouco as águas e os tubarões aparecem lá do fundo, mostrando a sua visão do mundo e da sociedade. A "felicidade geral" é um disparate, um non sense, mas quem assim se expressa esgrime-a como se argumento fosse. Mostra involuntariamente contudo outra coisa. Que aquela, a felicidade, é algo que lhe mete engulhos.

Não é por acaso que os franquistas gritavam os seus "viva la muerte".
De facto a vida tinha e tem para eles um outro significado. Estava e está reservada aos filhos dos industriais a caminho de Londres e de Paris.

Anónimo disse...

Sabemos todos de fonte fidedigna que a austeridade produz exatamente aquilo que pretende evitar.
Como aceitar, entao, com sorriso nos labios, as recambulescas piruetas de ministros e deputados
sobre o manhoso tablado da economia e finanças e da politica em geral?
Fala-se muito para desculpar do Pec 2 - 3 – 4, outros do - FMI- BM – OMC- BCE – CE – e etc. e tal, e ainda outros da taxa Tobin ou a de Robin Wood, para amansar a besta. Ninguem quer lembrar, por isso não falam, de um 1º ministro de Portugal – Sebasteao Jose de Carvalho e Melo- o Marquez de Pombal, por que e´ mais conhecido, e porque sera´ que o não lembram!? De Adelino Silva

Manuel Silva disse...

Pobre(zito) José(zito) e Senhor Cristóvão:
E mais esta a propósito do Dr. Instantâneo Relvas e do seu Banco Efisa.
Desta vez fala do vosso menino de oiro, o Passos Coelho, e do que esta considera um «não assunto».
Pudera.
Mas nada disto vos incomoda, como sempre.
JOÃO MIGUEL TAVARES
«Miguel Relvas, o Efisa e a selva
16/02/2016 - 00:10
O Efisa não só é um assunto, como é um assunto muito feio.
Pedro Passos Coelho foi entrevistado no fim-de-semana pelo Jornal de Notícias, e quando questionado acerca da venda do banco Efisa a uma sociedade com ligações a Miguel Relvas, respondeu: “Isso é um não-assunto.” Ora, se o ex-primeiro-ministro considera o tema um “não-assunto”, eu considero meu dever esclarecer-lhe porque é que o Efisa não só é um assunto, como é um assunto muito feio.
Nos últimos dois anos, o Estado, através da Parparticipadas – sociedade anónima criada em 2010 para gerir o processo de reprivatização do BPN –, injectou 90 milhões de euros no Efisa. A última injecção, de 12,5 milhões, foi feita em Janeiro, antes da venda do antigo banco de investimento do BPN à Pivot SGPS. Essa venda terá sido realizada por um valor a rondar os 38 milhões de euros. Segundo o Tribunal de Contas, o preço do BPN para os contribuintes já vai em 2,7 mil milhões, estimando-se que o buraco possa derrapar até aos 5,5 mil milhões.
O Efisa, como explicou ao Diário Económico o fundador e accionista da Pivot Ricardo Santos Silva, possui um trunfo precioso numa época em que se tornou bem mais difícil criar bancos: “uma licença bancária universal, que abre muitas oportunidades”. Oh, se abre – e quando cheira a oportunidades, logo surge Miguel Relvas e o seu oportuno nariz.
Já depois de acordada a venda do Efisa, os jornais deram conta da entrada no capital da Pivot de um pequeno grupo de accionistas, entre os quais Relvas. Miguel Relvas, destacado ex-ministro do Estado, surge a fazer negócios com o Estado, para a compra de um banco. Mais. O actual presidente do veículo estatal Parparticipadas, que vendeu o Efisa à Pivot SGPS, chama-se Francisco Nogueira Leite. O mesmo Francisco Nogueira Leite que trabalhou com Pedro Passos Coelho na administração da Tecnoforma. A mesma Tecnoforma que em 2004 usou e abusou de fundos comunitários geridos pelo então secretário de Estado da Administração Local Miguel Relvas.
E o não-assunto não fica por aqui. Miguel Relvas já havia trabalhado para o Efisa em 2007, prestando consultadoria ao banco no Brasil, numa altura em que era deputado do PSD e líder da Comissão das Obras Públicas. Tudo legal, claro. Até porque, em 2011, Relvas garantiu ao PÚBLICO que nunca recebeu “um cêntimo da Efisa”. Claro que não recebeu. Ele apenas recebeu da empresa Kapakonsult, da qual era administrador, e que na sua curta existência teve um único cliente: o banco de negócios do BPN, Efisa. Vamos então resumir. Relvas trabalhou para um banco que faliu. Trabalhou para o governo que geriu a falência desse banco. E agora recupera o banco devidamente recapitalizado pelo governo de que fez parte – não se está mesmo a ver que isto é um “não-assunto”?
Uma achega final. Há quem recorde o papel de Dias Loureiro no BPN e garanta haver mãozinha sua neste negócio. A mim parece-me mera insinuação, fruto de más línguas. Estou certo que desde que o então ministro Miguel Relvas passou o réveillon de 2012 para 2013 no Copacabana Palace na companhia de José Luís Arnaut e Manuel Dias Loureiro, eles nunca mais voltaram a ver-se. Portanto, só resta à autoridade de supervisão apressar-se a conceder a idoneidade a Miguel Relvas, para que possa exercer com o garbo e a competência reconhecidas a profissão de banqueiro. Depois, é só enviar essa informação para Bruxelas, devidamente assinada por Carlos Costa, Governador do Banco da República das Bananas Anteriormente Conhecida como Portugal.»

Anónimo disse...

Relvas como "conforto maior da treta esquerdalha"?
A linguagem abastardada dum admirador de Relvas? Anteriormente em público , agora em segredo?
Relvas que faz parte da elite dos empresários e do aparelho partidário troikista.
Não há por aí um pedaço de coluna vertebral que se porte à altura perante o anteriormente dito a respeito de tal personagem?
Relvas, um dos exemplos da escola dual ,em que os filhos dos "industriais" ultrapassam tudo e todos e singram na vida e no ensino. Ensino "privado"como é de tom.
Relvas ou outra forma de dizer que de facto há classes sociais e que quem detem op poder se governa muito bem

Luís Lavoura disse...

As comparações internacionais não são muito úteis. Trata-se de saber se o número de doutorados em Portugal é adequado àquilo que os empregadores portugueses querem absorver, não de saber se é adequado àquilo que os empregadores europeus querem absorver.
Da mesma forma, o desemprego de doutorados em Portugal diz pouco, pois é sabido que muitos doutorados emigram.
A questão é sabr se estadmos a formar doutorados em Portugal para eles trabalharem em Portugal, ou se estamos apenas a financiar um brain drain.

Anónimo disse...

As comparações internacionais são por demais importantes.
Percebe-se que às segundas, quartas e sextas seja apetecível fazer comparações com uns.Nos outros dias invertem-se os postulados.
A formação vai muito para além do mercado de trabalho. Sobretudo dos empresários portugueses, que como se sabe se posicionam num vergonhoso lugar na tabela. Por causa dessas e doutras é que assistimos aqui a tanto ódio ao saber e ao conhecimento.
"Dados de 2010: Em 2010, cerca de um em cada dois trabalhadores por conta própria (54%) não tinham mais do que a antiga 4ª classe e quatro em cada cinco (82%) atingira, no máximo, o 9º ano de escolaridade. Na União Europeia, verifica-se uma inversão total destes valores: em termos médios, apenas 27% dos trabalhadores por conta própria (empresários e trabalhadores independentes) se haviam ficado pelo correspondente ao 9º ano de escolaridade. Por outro lado, 25% dos residentes na União Europeia que trabalham por conta própria detém um diploma do ensino superior, enquanto em Portugal apenas 9% das pessoas nessa situação o possuem. "

Anónimo disse...

Mas niguém consegue meter algum senso, um mínimo de bom senso, a quem profere estas atoardas:"Quanto aos bancos falidos temos no governo a clique que mais promoveu a bandalheira bancária".
Ou estas outras atoardas insultuosas :"abundantes e histéricos sinais de inconformismo com o facto de não ter um dos seus lacaios... "
Ou ainda estas disparatadas e bolorentas atoardas "cedo vais ter comunas na CGD"
Para terminar numa ameaçadora atoarda "isso para princípio de conversa".

A primeira questão provavelmente será um teste à nossa memória. O BPN não tinha reuniões na comissão política do PSD? Ou no gabinete do governo de Cavaco Silva?
E o caso BPP? E as relações com o BES? E o caso BIC? E agora o Efisa e o Relvas, o que apoia a recandidatura de sua Exª, o Passos?

Os governadores do banco de Portugal são o que são. Mas é tocante ver como o actual governador do banco de Portugal recebe a solidariedade de alguém desta forma tão apetitosa. Provavelmente pelo facto de Carlos Costa ser o lacaio de Cavaco e de Passos? (utilizando a linguagem em uso desta forma tão azeda).

Não me parece ver qualquer "comuna" na administração da CGD, mas só esta menção faz tanto lembrar os do III reich e a sua caça às bruxas. O que gostariamos de ver sim era a Banca sob controlo público. Para negociatas privadas , ao serviço de interesses mais que privados e corruptos privadíssimos já basta

Anónimo disse...

O que os empresários portugueses querem absorver sabemos nós o que é - mão-de-obra barata e disponível ao preço da uva mijona. Não é por nada que a percentagem dos doutorados com contratos temporários é muito superior em Portugal.
“A Empregabilidade dos Doutorados nas Empresas Portuguesas”, coordenado pela Advancis Business Services foi um estudo apresentado em Fevereiro de 2015.O estudo destacava a falta de doutorados no conjunto da população activa e a fraca empregabilidade dos doutorados pelo tecido empresarial.Os doutorados em Portugal estão mais sujeitos a vínculos contratuais precários que os restantes trabalhadores. É no domínio das Ciências Naturais que os doutorados estão mais sujeitos aos contratos temporários de trabalho (55%). No total da população portuguesa empregada, no terceiro trimestre de 2014, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, os trabalhadores por contra de outrem com contratos temporários (com termo) ou outros não permanentes, correspondia a um valor próximo de 18%.

Giro é verificar como as fronteiras de repente se voltam a estabelecer. "Empregadores portugueses" versus "empregadores europeus". Claro que nos continuam a azucrinar a cabeça sobre o mundo globalizado mas ...Também a propaganda da ideologia dominante tenta fazer passar por intocável a ligação umbilical necessária e imprescindível entre o conhecimento e as empresas. Se
deve haver alguma relação, aquela vai muito para além da empresa. Por muito que custe aos que defendem este tipo de sociedade mercantilista, o centro da humanidade ainda não é nem a empresa nem os ditos empresários.

E há quem queira mudar esta mixórdia em que nos encontramos, que vive apenas para o lucro e só com o lucro.
E ainda bem que há quem lute pela mudança




Anónimo disse...

Bancos falidos?
Então não eram os trabalhadores que eram uns calaceiros?Que necessitavam de pagar com os seus salários e as suas pensões o terem vivido acima dos seus rendimentos? Que os funcionários públicos eram uns mariolas e que os banqueiros e os gestores é que sabiam como ganhar a vida,cobrando o que deviam pelo facto de necessitarem do "justo retorno"?

"O gigante financeiro alemão Deutsche Bank corre o risco de colapsar. É um choque de frente para toda a direita neoliberal e para todas os seus sonhos e expectativas, um mundo que se arruína e naufraga, deixando um cortejo de suplicantes gemendo e chorando a sua perda. Um banco, para mais privado, para mais alemão, para mais empreendedor, para mais proactivo, e dinâmico, e acostumado a bater punho, esfarelar-se assim, sem mais nem menos. Teria maus gestores? Mas se todos sabemos que só o Estado, porque não tem a noção de estar a gerir o que é seu, é mau gestor! Teria havido incompetência dos supervisores? Mas se sabemos que só os supervisores portugueses são incompetentes! Há-de ter sido culpa dos trabalhadores alemães, esses calaceiros que vivem acima das possibilidades e depois não pagam os empréstimos que pediram. Mas acaso não nos disseram que os calaceiros éramos nós, os trabalhadores portugueses? E que por nossa culpa o Estado devia dinheiro que pediu emprestado para construir escolas, e os bancos deviam ao estrangeiro para comprarmos férias em Cancun, e que lá fora, onde os protestantes eram comedidos e regrados (sim, eu ouvi o Viriato Soromenho Marques sair-se com esta), não havia situações assim?
É a dinâmica, que é de queda tendencial da taxa de lucro, sobreprodução, crise, e aprofundamento da exploração dos trabalhadores para que a bola continue a girar, que é a verdadeira causa das falências de bancos, sejam o BPN e o BANIF, sejam o Lehman Brothers e o Deutsche Bank. Dinâmica perfeitamente irracional, contraditória, escusada, fruto de um regime social que o desenvolvimento das forças produtivas tornou não apenas obsoleta e desnecessária, mas de facto corrosiva e destrutiva em termos sociais: a propriedade privada dos meios de produção, a exploração do homem pelo homem, o modo de produção capitalista".

Anónimo disse...

O que importa é ter mais do que é preciso para poder pagar o ordenado mínimo :-)

Rui PV disse...

Não há licenciados a mais, não há doutorados a mais, assim como não há técnicos a mais para as empresas portuguesas. Há sim falta de resposta do sistema de ensino e formação para as necessidades actuais da indústria o que se agarvará no momento em que passar a existir uma verdadeira estratégia para a economia e indústria do nosso País. Neste momento temos capacidade instalada em todo o sistema de ensino (aos diferentes níveis) para criar as necessárias respostas. Falta apenas organização e exigir que todos trabalhem em conjunto: Ensino Superior (Politécnico principalmente), Centros de Formação, Escolas secundárias e ensino profissional privado. Os investimentos feitos pelo Parque Escolar merecem ser rentabilizados. Por outro lado teremos que, definitivamente, olhar para o interior do País e ver que as instituições (nomeadamente as do ensino superior) devem perseguir objectivos diferentes e reajustar as suas estratégias deixando de ir atrás de modelos de outros.
Gostei muito do debate

José António Macedo disse...

Boa tarde Acabei o doutoramento em Biodiversidade na Universidade do Porto em 2015 e neste momento ainda me encontro desempregado. Isto vem provar que existem doutorados a mais. Cumprimentos