quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Banca

A sua passagem, ainda que breve, pelo BES/Novo Banco, onde terá certamente tido amplas oportunidade de constatar o horror do capitalismo financeirizado, explicará parte do que me parece ser uma evolução do pensamento de Vítor Bento no que à banca diz respeito, agora aventando as potenciais vantagens da nacionalização da nova instituição e sua integração num polo público revigorado, pelo menos até que a burguesia nacional recupere o fôlego.

Seja como for, é, de facto, a única forma de garantir o controlo nacional mínimo de um bem público, o crédito, de outra forma entregue à predação, particularmente prejudicial às periferias, dos mastodontes bancários internacionais, promovidos pela UE realmente existente, diluindo com tempo os prejuízos das aventuras da banca privada.

Na realidade, como lembraram ontem os comunistas portugueses não se trata bem de uma nacionalização, mas antes de reafirmar e de clarificar a propriedade pública do banco: “Para todos os efeitos, o capital do Novo Banco atualmente é exclusivamente público e uma operação de assunção política da sua direção poderia enquadrar-se nos gastos públicos já assumidos.” É preciso evitar neste caso a custosa, mas reveladora, humilhação registada no Banif.

16 comentários:

Jose disse...

Estando a economia a ser conduzida para o desastre os bancos desvalorizam-se todos os dia.
A geringonça está´- cada qual pelo seu lado - a trabalhar para as próximas eleições.
Um banco público seguramente acomodará uns lugarzinhos geringonçosos.

Anónimo disse...

Que mediocridade bestial esta,aí em cima, deste verdadeiro amante dos banqueiros e das suas negociatas privadas.

A privatização da banca trouxe um rombo aos cofres publicos de cerca de 40 mil milhões de euros.A realidade é demasiado má e está aí presente em toda a sua extensão.
O dinheiro sabe-se para onde foi. Os lugarzões geringonços dos banqueiros e seus gestores, ao serviço de nogociatas privadas são o alfa e o omega de coisas assim.Os factos são tão indesmentíveis que nada mais resta aos defensores dos agiotas e dos corruptos, aos defensores do Capital e do lucro acima de todas as coisas, se possível guardado em offshores como medida de auto-defesa, do que esta baboseira aí expressa às 23 e 59.

E depois esta anedota saída mesmo do bojo da mais mediocre e desavergonhada propaganda neoliberal pesporrenta: "estando a economia a ser conduzida para o desastre, os bancos desvalorizam todos os dias".
Ah! Que obscena esta pieguice insuportável perante algusn dos principais responsáveis pela presente situação.
Esquecidas as odes de amor ao Ricardo Salgado restarão apenas estes esgares tontos e vazios?

Manuel Silva disse...

Oh desgraçado José:
Só consegues parir esses geringonçados arremedos de pensamento?
Lê isto que vale a pena, se fores capaz de perceber algo do que lês.
Mas acho que o teu papel está reservado a soletrares os papéis que os teus donos te põem nas mãos para que nós ouçamos a voz deles aqui no LB.
Aqui te fica, desgraçado:
https://oeconomistaport.wordpress.com/2016/02/25/mecanismo-de-insolvencia-soberana-merkel-propoe-se-impedir-nos-oacesso-ao-mercado-financeiro-o-governo-das-esquerdas-psd-e-cds-apoiam-na/

Anónimo disse...

Agrada-me a ideia da nacionalização do NB, num contexto em que, segundo uma análise da UBS, os países com «strong domestic funding» crescem e os que dependem do investimento estrangeiro ficam para trás. O problema é que , mais uma vez, o setor financeiro pode vir a escapar ao merecido castigo. A dívida que a banca (atualmente, com exceção da CGD, em grande medida nas mãos do capital estrangeiro, angolano, espanhol...) tem ao Estado, por via da sua participação no Fundo de Resolução, desaparece e melhora a sua situação de um dia para o outro (talvez isso explique mais do que qualquer outra consideração a posição expressa por VB). A alternativa seria criar/aumentar o imposto especial sobre o setor financeiro, de forma a que servisse para pagar a nacionalização, medida plenamente justificada pelos riscos acrescidos que o setor representa. Não pode ser tratado de forma igual aquilo que não é igual e há claramente um risco (será este o tal risco moral?) acrescido no setor financeiro. Afinal eles nunca podem falir...

Anónimo disse...

Crédito sem garantias:
Os dados publicados pelo Banco de Portugal no boletim estatístico de Fevereiro indicam que 46,7% do total de 23.874 milhões de euros de crédito ao consumo e outros fins concedido pelo sistema financeiro português existente no final de 2015 não estava abrangido por nenhuma garantia que previna a entrada em situação de incumprimento dos seus titulares. Esta percentagem corresponde a um total de 11.149 milhões de euros. Qual o problema? Simples: os balanços das instituições financeiras estão presos por arames.(D.N.)
Adivinhem quem vai pagar a factura ....

Pena Preta

Anónimo disse...

O das 23 e 59 trabalha para a banca ..sobretudo a alemã, mas qualquer banca privada o satisfaz.
"O gigante financeiro alemão Deutsche Bank corre o risco de colapsar. É um choque de frente para toda a direita neoliberal e para todas os seus sonhos e expectativas, um mundo que se arruína e naufraga, deixando um cortejo de suplicantes gemendo e chorando a sua perda. Um banco, para mais privado, para mais alemão, para mais empreendedor, para mais proactivo, e dinâmico, e acostumado a bater punho, esfarelar-se assim, sem mais nem menos. Teria maus gestores? Mas se todos sabemos que só o Estado, porque não tem a noção de estar a gerir o que é seu, é mau gestor! Teria havido incompetência dos supervisores? Mas se sabemos que só os supervisores portugueses são incompetentes! Há-de ter sido culpa dos trabalhadores alemães, esses calaceiros que vivem acima das possibilidades e depois não pagam os empréstimos que pediram. Mas acaso não nos disseram que os calaceiros éramos nós, os trabalhadores portugueses? E que por nossa culpa o Estado devia dinheiro que pediu emprestado para construir escolas, e os bancos deviam ao estrangeiro para comprarmos férias em Cancun"

Anónimo disse...

Crise económica e má gestão na banca em Portugal
De Eugénio Rosa

http://www.odiario.info/b2-img/12016crisebanca.pdf

Anónimo disse...

"Queremos acabar com as crises financeiras?
Queremos acabar com as "bolhas" disto, daquilo e daqueloutro?
Queremos acabar com a falta de investimento?
Queremos acabar com o défice e com a dívida pública?
Queremos acabar com o desemprego?
Queremos uma economia saudável?
Queremos?
Então, acabemos com a banca privada. Nacionalizemos a banca. [NR]
Ponhamos a economia ao serviço do país e das pessoas, em vez de pormos as pessoas e o país ao serviço da economia de mercado – dos mercados, querem eles dizer – que é o outro nome do Capital Financeiro (que não é o Sistema Financeiro) ou dos Investidores.Porquê?

Porque acabaremos, assim, com os mecanismos que permitem a transferência da riqueza produzida no(s) país(es) para os bolsos dos chamados Investidores, o que depaupera as finanças nacionais e obriga o(s) país(es) a endividar(em)-se e a pagar(em) juros que o(s) subjugará(ão) ad eternum per secula seculorum.

Por outro lado, se a banca for estatal, o dinheiro não desaparece em offshores, nem em rioforte nenhum, nem em créditos para os amigos (que não é para pagar), nem em quadros Miró."

http://resistir.info/portugal/ditadura_banqueiros_05jan16.html

A nacionalização da banca é condição necessária mas não suficiente. Será preciso também retirar à banca o poder que ela tem actualmente de emissão monetária (através da concessão de crédito a partir do nada) – o qual terá de ser devolvido ao Estado. Além disso será indispensável o controle dos fluxos transfronteiriços de capital, bem como muitas outras medidas.

Jose disse...

O primado do público!!!
Será que estes totós julgam que do privado ao público vai algum salto ético, algum passe de transcendência moral que garante menos corrupção, menos desleixo, menos compadrio, melhor desempenho?
Não vêm a todo o tempo que bastaria ao público, saber intervir com os meios de que dispõe para que o privado garantisse bem melhor desempeno?
Se nem isso fazem, o que seria se fossem autores e juízes?
Veja-se a banca: sendo as leis de regulação ineficazes, qual a solução? Pôr os bancos a pagarem os males de outros bancos para que o sistema se auto-contole.
Não faltam experiências e soluções, sendo que o público é isso mesmo, que fale de deveres que em fazeres é o paraíso do desperdício e da demagogia.

Anónimo disse...

O primado do privado para os interesses privados.
Eis o leit motiv de quem intervém mais uma vez demonizando quem se atreve a revelar a trampa da banca ao serviço de interesses bem inconfessáveis. "Tótós" dirá numa espécie de perdigoto sublimado duma outra raiva incontida

A transcendência moral do interesse público vai muito para lá dos interesses privados que vêm no lucro o seu único critério de acção e que vivem do lucro e para o lucro. Cujo espectáculo degradante, iníquo, pestilento e abjecto se desenrola aos nossos olhos, sendo a cada dia que passa mais ignominioso e bárbaro.

Fala-se no público como se fosse uma entidade separada da choldra privada. Duma penada se tenta fazer esquecer que o "público " nesta nossa sociedade está as mais das vezes ao serviço do privado. É ver os que saem dos lugares de cúpula governativa e vão ocupar lugares privados nas empresas que privilegiaram.É ver os negócios, as negociatas,o tráfico de influências, as pieguices e as mordomias que rolam entre o poder e os interesses que o poder serve.Interesses privados que nos arruínam a todos e que vão a cada dia enriquecendo mais.

Anónimo disse...

"bastaria ao público, saber intervir com os meios de que dispõe" é uma frase que bem espelha a aldrabice treteira , a pieguice manhosa e a manipulação grosseira. O público é gerido por aqueles que querem acabar com o que é público. Passos a governar para os seus interesses e para os interesses dos que defende, a governar para os interesses do Capital alemão e não-alemão. A figura central do estado a dar medalhas a canalhas como sousa lara , reflectindo as frustrações privadas de sua exª no exercício do seu lugar público. Os perdões fiscais dados pelo "publico" aos privados grandes interesses, desmentindo o primado do interesse colectivo na acção da canalha governativa.As privatizações e as PPP e os Swaps com que se premeia privada e em público os bolsos dos tais interesses privados.

Anónimo disse...

Falam as hostes neoliberais, de direita e de extrema-direita, no «Estado clientelar», formatado para «manter os privilégios de alguns – nos salários, nas pensões e na segurança do emprego». Nada obriga esta gente a conhecer a teoria marxista-leninista do Estado. Mas acusar o Estado (qualquer Estado, numa sociedade dividida em classes antagónicas) de estar ao serviço das classes dominadas constitui uma colossal fraude que toda a realidade desmente.

Veja-se um modesto exemplo de 2012. Uma auditoria do Tribunal de Contas detectou que não foram contabilizadas isenções fiscais a empresas no valor de 1.080 milhões de euros, dos quais 1.045 milhões a grandes empresas. No mesmo ano, o OE previa cortes de 600 milhões na Educação e 810 milhões na Saúde. Por pouco que uma coisa não dava para a outra.

O Estado que os «liberais» querem ver consagrado é este: para o povo, migalhas; para o grande capital, tudo.

Filipe Diniz

Anónimo disse...

"Veja-se a banca: sendo as leis de regulação ineficazes, qual a solução? Pôr os bancos a pagarem os males de outros bancos para que o sistema se auto-contole."

Esta frase é do mesmo que defendia há dias o regulador desta forma tão comprometida como piegas;
"Quais as leis e regulamentos que o BdP através da sua administração infringiu.
Quais os factos que uma qualquer comissão de inquérito avaliou - com clareza - em que o BdP ficou aquém dos seus deveres".

Uma delícia de facto

Anónimo disse...

"Veja-se a banca: sendo as leis de regulação ineficazes, qual a solução? Pôr os bancos a pagarem os males de outros bancos para que o sistema se auto-contole."

Esta frase é de alguém que prefere,quer e pugna para que os "males dos bancos", da banca e dos banqueiros sejam pagos pelo erário público, por todos nós, pela "austeridade" com que nos andaram a enganar todos estes anos.

Uma delícia esta tão patente pieguice pela banca e pelos seus "males"

Anónimo disse...

"Veja-se a banca: sendo as leis de regulação ineficazes, qual a solução? Pôr os bancos a pagarem os males de outros bancos para que o sistema se auto-contole."

Aproveitemos estas pieguices treteiras para fazer luz sobre o Novo banco

"O Fundo de Resolução tinha que pagar 4,9 mil milhões pela resolução do Novo Banco, no sentido de satisfazer as necessidades de capital do Banco. Contudo não tinha dinheiro.
O Fundo é alimentado por um imposto pago pela banca a um ritmo de cerca de 100 a 150 milhões anuais, pago por todas as sociedades de crédito que trabalham em Portugal, na medida da sua dimensão e lucro. A Caixa Geral é, portanto, quem mais paga anualmente para o Fundo de Resolução, seguida pelo BCP, depois Novo Banco, e por aí fora. Ora, estava portanto o fundo em muito más condições de dinheiro e teve de pedir emprestado para pagar os tais 4,9 mil millhões ( 4 900 000 000 euros ) pelo banco que não era assim tão novo. Vai daí e pede emprestado aos portugueses 3,9 mil milhões de euros ( 3 900 000 000 euros ) e aos bancos pede emprestado cerca de 1000 milhões ( 1000 000 000 euros ). Portanto, neste momento, o Fundo de Resolução deve ao Estado Português 3,9 mil milhões e aos bancos mil milhões, empréstimo pelo qual paga juros aos credores, apesar de não ter dinheiro próprio.Fundo de Resolução, que é uma entidade pública cujas contas consolidam nas contas públicas,entenda-se.

Anónimo disse...

"Cenário de venda a um privado (reprivatização do Novo Banco): Se um privado oferecer, por exemplo, 500 milhões pelo Novo Banco, o Fundo de Resolução recebe esses 500 milhões e vende a parte boa do banco, ficando com os activos tóxicos (créditos não pagos, imobiliário desvalorizado, garantias inexistentes ou sobravaliadas, etc..) e com uma dívida ao Estado e aos bancos. Com os 500 milhões que recebe, paga 400 milhões ao Estado e 100 aos bancos, dos quais, 40 para a Caixa Geral. Ou seja, fica a dever ao Estado 3,5 mil milhões de euros e aos bancos 900 millhões de euros, um total de 4,4 mil milhões. Ao longo dos anos seguintes, os bancos - incluindo a Caixa - vão pagar os tais cerca de 100 milhões anuais em impostos que o Estado coloca no Fundo de Resolução e com esses 100 milhões anuais, o Fundo de Resolução vai pagando os 3,5 mil milhões que deve ao Estado e os 900 milhões que deve aos bancos mais os juros sobre esses valores. Ora, na melhor das hipóteses, tendo em conta os juros, e partindo do pressuposto de que nenhum outro banco precisará de resgate durante esse período, o Fundo de Resolução iria conseguir pagar a dívida ao Estado e aos bancos portugueses mais ou menos daqui a 40 e alguns anos. Portanto, o Estado ficaria sem Novo Banco, com um empréstimo de 3,5 mil milhões a um fundo de resolução que nunca o vai conseguir pagar e ainda teria de assumir a responsabilidade sobre as litigâncias e outros problemas do Novo Banco que o privado exigiria separar do banco que quer comprar".