sábado, 21 de novembro de 2015

De regresso, ao século XXI



«As intervenções do PSD e do CDS são reveladoras do ajuste de contas que PSD e CDS queriam fazer com o referendo de 2007 e com a decisão soberana do povo português relativamente à despenalização da interrupção voluntária da gravidez. À boleia da taxa moderadora, o que vem atrás é um aspecto revanchista, retrógrado e profundamente reaccionário relativamente à emancipação e autonomia social das mulheres. (...) Um governo que durante quatro anos atirou para o desemprego, para a precariedade, para a pobreza e para a emigração milhares de mulheres, no último dia da anterior legislatura aprovou uma outra medida que humilha as mulheres. Uma medida de menorização das mulheres e da sua livre escolha quanto à saúde sexual e reprodutiva. PSD e CDS quiseram impor um ajuste de contas com o que foi uma conquista progressista das mulheres e do país. O problema do aborto é uma matéria de saúde pública e por isso mesmo representou uma conquista civilizacional para o nosso país».

Rita Rato



«Neste dia, em que as crianças estão a ouvir-nos, estamos a reparar a ofensa que a casa da democracia lhes dirigiu na legislatura passada, negando-lhes o direito (...) de a lei reconhecer quem já é seu pai ou sua mãe. Contra o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, contra o consenso científico favorável à adopção e à co-adopção, contra a posição oficial do Instituto de Apoio à Criança, sujeitando tentativamente os laços afectivos permanentes de crianças de carne e osso a um referendo. (...) Agredindo famílias concretas, já existentes, desesperadas por segurança jurídica. (...) Aprovar este projecto de lei é acabar com o Estado que faz campanhas anti bulling homofóbico, ao mesmo tempo que, num bulling legal, diz a gays e a lésbicas e a crianças "tu não és pai", "tu não és mãe", "vocês não podem adoptar", "não reconhecemos a tua mãe como tua mãe", "não reconhecemos o teu pai como teu pai". Aprovar este projecto de lei é afirmar uma sociedade que integra e não expulsa, que abraça a diversidade e não impõe modelos únicos de família. Que respeita a diferença contra o medo da diferença».

Isabel Moreira

7 comentários:

Jose disse...

Tenho uma dúvida: os esquentamentos pagam taxas moderadoras?

Anónimo disse...

Tem de se compreender que numa sociedade com altos níveis de desigualdade e na qual os mais altos rendimentos são pouco taxados, a receita fiscal necessária para o investimento público em educação, infraestruturas ou tecnologia so´ pode ser penalizada. E´ a verdade!
E, o pior, pior, e´ que todos sabem disto mas não se resolvem a modificar este estado de coisas…uns grupos de cidadaos perferem manter o estado actual, que assim e´que o povo gosta…
Outro grupo de cidadaos contesta e diz que o povo quer de outra maneira…
Ainda outro grupo de cidadaos que não senhor, ambos estao errados - o que o povo quer e´ outra coisa e por ai fora…
Bem, neste arrazoado contexto, afinal o que quer o povo? E que povo e´ este?
E andam prai´ a se vangloriar de ser uma patria de 9oo e tal anos, una e indivisivel…Sem exclusoes… Olha se não fosse, aen..? De Adelino Silva




Dias disse...

“Les beaux esprits se rencontrent”.
E a direita conservadora e retrógrada encostada às cordas.

Rui Branca disse...

Ó Jose, volta prá caverna e nao chateies.

Anónimo disse...

A grande maioria do povo português sabe dos males e perigos do Aborto Humano, mas tem-no considerado coisa a não mexer.
E´ que o ser humano esta´ perante o dilema mais profundo da vida em sociedade. Este dilema meus amigos, ao mesmo tempo nos leva a pensar sobre a nossa existência…Por isso o escrevinha-lo, legisla-lo e julga-lo sem levar a lugar algum…
Acho que devemos ir ate´ ao mais recôndito elemento da cultura humana – ir as causas que lhe deram e lhe dão origem. Não basta aqui debitar palavra, não basta fazer lei nem basta sequer plebiscitar…simplesmente, por as causas naturais não poderem ser passiveis com a artificialidade do homem.
Aquando do referendo sobre o Aborto o inimaginável aconteceu – Tal como criminosos, despoletaram o pior que um ser humano possa assistir, tanto em imagens televisivas como escritas. Por isto mesmo, o País viveu tempos conturbados!
Ainda hoje a promiscuidade social pulula por montes e vales, ruas e avenidas, matas e florestas, parques e jardins, ate´ nas Universidades, por não quererem respeitar o que a´ Natureza pertence. Para quê a guerra? Não me dirão…Para quê a ganancia? Hoje em dia tudo e‘ comerciável. Ate´ o Corpo Humano. Não e´ verdade!
De Adelino Silva



Álvaro disse...

onde andava a isabel moreira quando o ps de socrates teve medo de consagrar este direito? quantos anos se perderam? quantas vidas ficaram enfiadas na mesma merda em que estavam? um pouco de memoria historica nao fica mal. pode nao ser comum nesta cultura politica mediocre em que toda a gente depende de padrinhos e favores para se manter a tona, mas acrescentava a retidao de carater. o mesmo se diga da procriacao assistida que ai vem, finalmente.

meirelesportuense disse...

Estou convencido que se o aborto fosse livre no tempo em que o Zé nasceu, este não existiria. Ele por si só é a confirmação da necessidade da livre adopção do aborto nas relações entre homens e mulheres. Crianças não amadas e não desejadas, mas nascidas de erros de cálculo no, tiro(?), não tiro(?), dão nisto. -Parecem Cruzados, Kamikazes ou Jihadistas Islâmicos!...