quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Ranking de escolas: três perguntas simples


1. Por que continua o Ministério da Educação e Ciência a não exigir, aos colégios e demais escolas do ensino particular e cooperativo, informação de natureza socioeconómica sobre os alunos que as frequentam (nível de escolaridade dos país e percentagem de alunos beneficiários de Acção Social Escolar, por exemplo), à semelhança do que sucede com os estabelecimentos de ensino básico e secundário do sistema público de educação?
Como concilia o ministro Nuno Crato esta duplicidade de critérios com a proclamação e defesa de uma concepção una e abrangente de sistema educativo, que não diferencia o público do privado na relação com o Estado, ao qual caberia unicamente assegurar o cumprimento do direito à Educação, no matter how?

2. Por que continuam os órgãos de comunicação social a elaborar rankings que misturam, de forma superficial e leviana, resultados de escolas públicas e do ensino privado, quando toda a gente sabe que o principal factor explicativo das hierarquias obtidas decorre das diferenças de contexto socioeconómico, não sendo por isso sério nem credível elencar estabelecimentos de ensino a partir da simples arrumação de resultados dos exames?
Não deveriam os meios de comunicação social que se dedicam a estes exercícios (e unidades de investigação que se lhes associam) recusar-se a produzir rankings conjuntos (com escolas públicas e privadas), até que o Ministério da Educação se digne assegurar a disponibilização de dados que permitam calibrar adequadamente, para os dois sistemas, os resultados nos exames com os dados de caracterização da origem socioeconómica dos alunos?

3. Que explicação minimamente aceitável tem Nuno Crato para justificar que as bases de dados com os resultados dos exames (e respectiva informação complementar), fornecidas aos órgãos de comunicação social, não se encontrem disponíveis online (na página do MEC ou da DGEEC, por exemplo), de modo a permitir que quaisquer investigadores, unidades de investigação ou simples cidadãos a elas possam ter acesso, não ficando assim dependentes das análises e exercícios de construção de rankings efectuados pelos órgãos de comunicação social?

Há uma resposta relativamente simples para estas três questões: é que o segredo, deliberado ou cúmplice, é parte integrante da alma dos negócios privados em Educação.

5 comentários:

R.B. NorTør disse...

E para o ponto 1 falta os cheque-ensino e as condições sócio-económicas dos mesmos...

Anónimo disse...

Há coisas giras nos rankings. Escolha-se uma escola. Uma qualquer. Do meio da tabela, por exemplo. Agora compare-se os dados nos rankings do Público, do Expresso e do Diário de Notícias. O que vemos? Três posições diferentes no ranking? Isso! Mas pelo menos o número de provas realizada coincide? .... também não!

Antonio Cristovao disse...

"hierarquias obtidas decorre das diferenças de contexto socioeconómico"
Olhe que nem toda a gente sabe e nem toda a gente concorda.
O que muitos concordam é que se faça uma avaliação séria da gestão e qualidade do ensino, e confrontar os lugares comuns repetidos até cansar com os números dessa avaliação.

Gil Nata disse...

As bases de dados estão disponíveis on-line, na página do júri nacional de exames, mais especificamente aqui: http://www.dgidc.min-edu.pt/jurinacionalexames/index.php?s=directorio&pid=33&ppid=4

Da Silva disse...

O Salazar e o Adriano Moreira provinham de ambientes socio culturais de lavoura e pobreza; já o Barreirinhas do Cunhal e o Mário Soares provinham da média-alta burguesia triunfante e todos singraram na vida. Os primeiros com óbvias dificuldades económicas, Ora estas dissonãncias sócio culturais só servem para entreter palermas e arranjar trabalho para professores que não souberam ou quiseram arranjar outro ofício e vem para aqui debutar bojardas igualitárias e políticamente corretíssimas sem equacionar sequer que 20% da população deste jardim á beira mar plantado tem as cabeças mais duras que seixos (embora pintem o cabelo) e que serão sempre analfabetos funcionais mesmo que os doze anos de escolaridade obrigatórios passem por eles, em boa verdade quando muito dariam uns criados de lavoura, moços de estrebaria ou vendedeiras na praça ou de fruta na beira da estrada. Mas garantem muitos lugares de doc~encia aqueles que não sabem fazer mais nada