quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Aviões, caravelas e o Portugal dos pequenitos

«Pode a importância actual da TAP ser comparada à que "as caravelas tiveram no século XV para os Descobrimentos"? Pode, é um pouco forçado, mas pode. As caravelas não foram feitas pelo Estado, nem a sua tecnologia dependeu de instituições públicas, mas sem o apoio do Monarca a história teria sido bem diferente. (...) Uma das melhores histórias económicas europeias recentemente publicadas defende precisamente a tese de que o Estado foi fundamental para garantir o bom funcionamento das instituições, incluindo os mercados. (...) A Holanda é o caso paradigmático disso. E o Portugal das caravelas não terá ficado atrás. (...) A ideia de que o Estado é um empecilho não faz sentido para além de um determinado limite e a dificuldade é determinar esse limite. No Portugal de Passos e da troika, obviamente, esse limite foi há muito ultrapassado. (...) É bom ter estes temas no topo da agenda política e, se for preciso ir buscar argumentos ao antigamente, que se vão buscar. Claro que nada disto é apenas economia, propriamente dita. É mais.»

Pedro Lains, TAPvelas

«Quanto custa a privatização da EDP, paga pela economia com uma factura energética sufocante? E a privatização da ANA, cujas tarifas triplicaram poucos dias depois da privatização? Quem compensará a perda dos dividendos dos CTT e dos 20% da EDP? Acho interessantíssimo saber quanto perde o turismo nacional por não a ter a TAP a funcionar no fim do ano. Mas quando perderá o turismo nacional quando os novos donos da TAP decidirem que há prioridades mais interessantes ou escalas mais vantajosas do que os aeroportos nacionais? Ou quando a venderem a outros e Portugal ficar sem companhia aérea?»

Daniel Oliveira, E quanto custará não travar a privatização da TAP?

«Na fúria de vender o país a qualquer preço, o governo resolveu vender também a TAP, que é um dos grandes símbolos nacionais. Fá-lo porque só tem por objetivo obter receitas a qualquer preço. É o único critério que o move. Contudo, a TAP é um instrumento fundamental de afirmação da nossa política interna e de todos os países lusófonos. Este governo não tem nenhuma cultura lusófona e não entende, de todo, a importância que têm para Portugal os países independentes que falam a nossa língua. Neste mundo global, onde somos a quinta língua mais falada do mundo, perder o controlo deste instrumento de soberania que é a TAP é de extrema gravidade. (...) Sejamos claros - é algo de antipatriótico que não é aceitável.»

Mário Soares, Uma greve patriótica


Adenda: Para os que ainda acreditam nas virtudes das privatizações para os consumidores, associadas aos impactos positivos na concorrência resultantes da abertura dos mercados, com consequentes descidas no preço dos bens e serviços, a ERSE acaba de confirmar que a conta da luz vai aumentar 3,3% em 2015 (e sobre a relação entre o preço do petróleo e da electricidade, que ora convém enfatizar, ora convém aligeirar, revisite-se este post de António Sousa).

17 comentários:

Anónimo disse...

Há algo que nunca é referido e que tenho muita pena. Da última vez que a TAP esteve para ser vendida falavam-se em X milhões de €. Para a pessoa comum até poderia parecer uma quantia razoável. Uma simples análise do mercado aeronautico diz-nos que o preço pelo qual a TAP estava para ser vendida era o preço de o motor de UM avião.

Penso que este facto tem de ser repetido até à exaustão.

Anónimo disse...

O estado não financiou os descobrimentos por uma razão simples, não tinha capacidade financeira.
Sempre me disseram que quem financiou os descobrimentos foram os capitalistas da época. A saber:
Os templário e mais tarde Bartolomeu Marchionni ( que iniciou a sua carreira como simples trabalhador dos Cambini) e chegou a ser um dos homens mais ricos de Lisboa, juntamente com D.Alvaro de Portugal entre outros.
Mas isso agora não interessa nada para o "reality show" apresentado pelo inefável António Costa.

cumps

Rui Silva

Anónimo disse...

Rui Silva, acho que é melhor rever o que lhe ensinaram sobre os descobrimentos. Que não foi de certeza nem nas escolas dos Estado Novo, nem nas da Democracia e muito menos na Universidade.

Patranhas templárias dignas de um Dan Brown ou de um José Rodrigues dos Santos podem dar para encher romances de cordel, não substituem a realidade tanto mais que há muito que os templários tinham sido varridos da face da terra.

Por cá (um dos escassos sítios onde outra Ordem - a de Cristo - lhes herdou o património, o mestrado andou entregue ao Infante D. Henrique, que teve concessão das descobertas e fartas e sucessivas dádivas da Coroa, para passar depois a bem patrimonial da Coroa.

D., H disse...

Pertinentes artigos de opinião sobre o expediente deste governo para vender a TAP. Ilusões que se pagam caro, como a adenda do postal assinala.

PS: Mário Soarestambém tem razão no que escreve, se bem que os "anti-soberanistas da 25ª hora" achem que não. Ingénuos, acordem!

Anónimo disse...

Caro anónimo das 21:55

Você provavelmente sabe mais história do que eu. Devo dizer que não é o meu forte, mas diga-me se estou mesmo enganado:

A Ordem de Cristo não foi uma táctica da coroa portuguesa para proteger os Templários perseguidos em toda a Europa?
Ou seja em Portugal os Templários nunca foram perseguidos. Em vez disso mudou-se-lhes o nome ( Ordem de Cristo) e confiscaram-se-lhes os bens.
A riqueza confiscada serviu nomeadamente para a subsidiação dos descobrimentos. E a recompensa foi a protecção e a colocação da Cruz de Cristo nas velas das caravelas ?

cumps

Rui Silva

Anónimo disse...

Rui silva precisa mesmo de aprender História.
Senão arrisca-se a servir de guionista para o próximo "reality show" a servir diariamente pelos pupilos medíocres do neoliberalismo

Francamente que dizer desta afirmação " E a recompensa foi a protecção e a colocação da Cruz de Cristo nas velas das caravelas?"
Um rodrigues dos santos encapotado ou um crato armado em historiador poderiam subscrever tal interrogação.

E assim se fazem as estoriazinhas como se produzem as tretas axiomáticas do neoliberalismo

De

Anónimo disse...

Afinal caro anonimo,

fiquei desiludido consigo. Depois de ter criticado o que eu disse sobre alguns factos históricos, pensei que você seria um alguém que soubesse Historia e iria e corrigir-me-ia. Cheguei a pensar que teria assim uma oportunidade de aprender algo.
Mas afinal não deve ser o caso. Você prefere assobiar para o lado e criticar sem demonstrar.

Deve ser " cientista " á espera do próximo subsidio.

P.S. Em relação a José Rodrigues dos Santos e Dan Brown , não me posso pronunciar, nunca li nenhuma obra desses autores.

cumps

Rui Silva

mexilhão disse...

Tenham calma! A Ordem de Cristo foi a forma de a coroa impedir que o seu vasto património fosse confiscado pela santa sé! Tal não implicou solo sagrado e proteção para os cavaleiros do Templo estrangeiros perseguidos nas suas terras natais! Obviamente que na sequência da revolução de Lisboa e crise política de 1383-1385, o apoio da burguesia ao mestre de avis como pretendente ao trono em detrimento do pretendente castelhano apoiado pela nata da nobreza portuguesa e do alto clero levou a que as novas elites (nova nobreza e clero) tivessem sangue novo! Verificou-se em Portugal de certa maneira o Revolução francesa: a subida da burguesia ao poder ou aos seus corredores(a então classe que produzia alguma coisa, que tinha mérito, uma espécie de classe média empreendedora). Claro que não teve impacto universal como esta a gaulesa. Mas foi determinante para o empreendimento das descobertas. Mas tal sempre foi sobre o monopólio da coroa, um empreendimento público se quisermos e não privado. Basta referir as companhias das índias. Enquanto as portuguesas eram da coroa, as holandesas eram privadas (e cotadas em bolsa...) Como já referi, historicamente, a iniciativa privada em Portugal sempre foi em grande parte assegurada pelo.....Estado! Penso que o brutal investimento público na educação nos últimos 40 anos, com todos os problemas e críticas, permite algum otimismo moderado sobre o futuro lusitano de que finalmente a iniciativa privada seja pujante (e não rentista como até aqui) Mas não é com a aposta em salários baixos e desinvestimento público abandeirados por este governo de neoliberais que vamos lá. Este estão a por em causa o bem que se fez desde o 25IV1974 em vez de, apenas corrigir o que se fez de mal...

Anónimo disse...

Rui Silva, demonstrações?

Mais, além da que nem (1) templários havia, de que (2) até à sua morte, foi um infante com meios estatais que conduziu as desobertas?

Se calhar queria que acrescentasse que o seu italiano, tinha um terco de uma das 11 embarcações que Cabral levou à Índia e que pelo caminho achou o Brasil, bendito investimento privado que em 1500 dava para dois navios em 13, e ainda assim repartido por uma mão cheia de sócios.

Nunca em Portugal existiu mercado (tirando o interno, no que toca a muito pequenos, pequenos e médios investimentos) para algo em grande que não passasse pelo Estado.

Anónimo disse...

Caro anonimo da 14:45,

Já agora e por favor pode-me indicar fontes para que eu possa informar-me ?

Obg

Cumps

Rui Silva

Jose disse...

1 – O Estado não tem qualquer bondade ou maldade congénita. Vale o que valem as suas políticas e os seus agentes.
Quem mais o defende é normalmente quem dele mais quer depender ou não raramente quer parasitar.
Quanto às caravelas… já nem do ridículo se recatam!
2 - …ou a palermice, como o exercício mais comum de quem se diz comentador político.
3 - «… instrumento fundamental de afirmação da nossa política interna» !!! Só se for a política de manter um polo de excelência em dois mundos - salários de acordo com os níveis internacionai e greves e mordomias conformes à política nacional de mobilizar e dar de mamar ao que se diz público.
4 – Alguém se lembra da tarifa social e do calote que vem do passado? Claro…desafinava o coral.

Anónimo disse...

Por mim,

Nem gostando por aí do autor, nem do género historiográfico, a biografia Dom Henrique, de Paulo Oliveira e Costa.

Por todos, A Expansão Marítima Portuguesa dirigida por Francisco Bethecourt e de Diogo Ramada Curto.

E note-se que descobimentos é diferente do comércio que veio possibilitar.

Anónimo disse...

Caro anónimo,

Obg, quando tiver um tempinho vou tentar obter.

cumps

Rui Silva

Anónimo disse...

Deixando para lá os "desconhecimentos históricos " que se traduzem em confrangedoras afirmações(misturadas até com "subsídios" de forma um pouco malcriada) entretanto já desmontadas por alguns dos comentadores, atente-se no comentário em organização numérica do sr jose.
Sobre o Estado e essa organização mítica supra todos e supra tudo que "vale o que vale" e outras valias mais.
O estado está smepre ao serviço da classe dominante.Não é nem virgem nem inocente.
Por exemplo os neoliberias que são aparentemente os mais críticos em relação ao seu papel na economia são os primeiros a acoitarem-se debaixo dele sob várias e múltiplas formas , algumas já descritas aí nalguns comentários. E sao os primeiros a açularem as polícias e os exércitos na defesa dos seus interesses e dos seus negóios.mesmo que para tal se tenha que recorrer a formas abjectas de poder como a tortura.

De

Anónimo disse...

Infelizmente há mais.

No ponto 2 jose faz aquilo que é habitual nele.Ataca o mensageiro em estilo maclriado e em jeito de slogan em vez de ter a verticalidade de criticar o que Daniel Oliveira diz.

Se a forma de fuga é relevante pelo modo de expor atitudes, já o insulto gratuito atesta que estamos no terreno desbragado para onde alguns querem arrastar o debate.

De

Anónimo disse...

No ponto 3 jose confirma mais uma vez a fuga e algum desnorte.

A pergunta directa que se impõe é esta:
Que subterfúgios os migueis de vasconcelos usaram na altura para se portarem daquela forma com se portaram durante domíno filipino?
Também terão dito que os portugueses que se revoltavam tinham mordomias e mamavam na teta dos filipes? Da forma boçal como a descrita?

Ou de como a nossa direita extrema estremece tanto pelos interesses alheios ao pais , esquecida das missas "patrióticas" e nauseabundas, rezadas no tempo do salazarismo que comungava na altura

De

Anónimo disse...

O quarto ponto do jose é ....mais uma vez a fuga e o desvio para o lado.

Perante um dado concreto , jose fala em calote do passado e em tarifas sociais.Sobre o petróleo e a sua relação com o preço da elecricidade apenas o silêncio confrangedor e a fuga apressada.

Curioso . Jose quando surgiram as primeiras informações sobre o caso ricardo salgado foi um dos que veio a terreiro defender que o "coitado " tinha assim agido porque fora antes sido roubado ( outros "calotes" a tentarem justifiar o injustificável...e mais alguma coisita)

De