segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A política dos grandes negócios

Alexandre Soares dos Santos é um especialista em ética e planeamento fiscais holandeses e um dos homens mais ricos de Portugal. Um patriota, em suma, com todo o espaço para exibir o seu consistente pensamento sobre a nação e a sua unidade nos jornais. Em entrevista ao Negócios de hoje mostra-nos que o espírito político das cabeças dos grandes grupos económicos, esteios maiores do anterior regime, está bem vivo entre nós, ainda que com adaptações. O 25 de Abril, já se sabe, foi uma desgraça, ai aqueles três D’s: Angola ainda podia ser nossa, mas em estilo confederal, os grupos económicos monopolistas tinham poder e havia ordem, no fundo. Não estou a brincar, esta gente sente-se com tanto poder que já não tem de disfarçar.

Mas bom, o que lá vai, lá vai. Agora não se trata de voltar à ditadura, o grande capital ainda não precisa desta fórmula política, mas sim de defender uma “democracia musculada”, “porque não podemos discutir muito”, de recorte presidencialista e com senado e tudo, tendo por base um acordo a “dez anos” entre PS e PSD para destruir o que resta da economia política do 25 de Abril, mudando a constituição, claro. Só lido. A verdade é esta gente tem de se expandir para a área da saúde, um dos grandes negócios da austeridade, por exemplo: “é assim, é assim, toca para a frente” é o mote político de Soares dos Santos. Tudo de preferência bem limitado por um quadro europeu federal, o seu horizonte, que garanta que o essencial da política fique bem entregue a uma escala blindada face a pressões soberanas democráticas, em linha com o horizonte de valorização das fracções mais extrovertidas do capital.

Do passado ao futuro, o discurso é consistente, que esta gente não brinca. Fica, uma vez mais, muito claro que a política actual é baseada numa aliança de forças sociais capitalistas e reacionárias, nacionais e estrangeiras e que a sua declinação antipatriótica, digamos, não é defeito, mas sim feitio estrutural.

6 comentários:

Francisco Morais disse...

E há uma coisa que a mim faz impressão, é que esta gente lá porque faz dinheiro, tem direito de antena garantido. Quando nada sabem da vida das pessoas. Não interessa o partido que é, nada.

Mas se é um Sindicalista a falar, cai o carmo e a trindade. Porque é comunista bla bla bla. Ainda por cima nem todos os sindicalistas são comunistas.

Anónimo disse...

Entrevista ao negócios hoje, entrevista ao DN no domingo...
A central de comunicação do pingo doce está bem oleada, não haja dúvidas.
Noutro plano, não deixa de ser interessante comparar a estratégia deste tipo com a do Belmiro.
Álvaro

Anónimo disse...

De realçar esse grande conluio do P'S',partido de 'esquerda' para com os grandes opressores.
Nas próximas eleições não se esqueçam de q o P'S' é a outra cabeça do partido do Capital.
PSD/PS o partidobicéfalo

Anónimo disse...

No fundo o que interessa a esta gente é passar a ideia de que, além deles, não há alternativa.
Por isso, e porque os políticos são todos uns malandros, a economia tem de ser uma questão técnica(fazer o que tem de ser feito, dizem eles) e apolítica(porque eles é que sabem o que é bom para os povos e são uma cambada de malandros que não querem trabalhar).
É uma tristeza.
E o pior de tudo é que esta gente que está sempre na televisão, nas rádios e nos jornais, conseguem fazer passar tais mensagens e assim obter o consentimento para as suas patifarias mas sempre sob a capa da democracia (veja-se como o A Barreto defende este jerónimo. Pudera...)

Adelino Ferreira disse...

Morais
Se todos os meios de comunicação social, estão em poder dos grandes capitalistas, como é que fica admirado que eles tenham tanto tempo de antena? Tenha em atenção que por vezes não são eles, mas sim os empregados(deles claro)

Anónimo disse...

Sim, mas não vamos lá com simplificações. Um exemplo de como as coisas são mais complicadas:

http://elogiodaderrota.blogspot.pt/

É preciso começar a afinar conceitos.