quinta-feira, 5 de maio de 2011

Não escapa ao entendimento

Uma coisa que talvez não escape ao entendimento: como é que se pode ler o programa eleitoral do PsemS-PSD-CDS redigido pela troika, com muito copy-paste de projectos que já eram os deste governo rendido, e concluir que se aprenderam as lições da Grécia e da Irlanda? É que estamos em período eleitoral e para alguns vale tudo. É que está lá tudo, com ligeiras adaptações à economia política nacional: a austeridade violenta, a fragilização dos serviços públicos e a arrogância de que se controla o défice com políticas recessivas, deixando a porta escancarada para aprofundamentos no círculo vicioso que já é o nosso há muito; o apoio sem condições ao sector financeiro, confirmando que o neoliberalismo é a ideologia da hegemonia deste sector; as privatizações a preço de saldo de sectores estratégicos, de serviços públicos como os correios, de sectores que dão lucro, tudo feito para investidor estrangeiro ver e beneficiar; o aumento dos preços de bens e serviços essenciais e a mesma obsessão com a liberalização, ou seja, com o aumento da discricionariedade empresarial privada em sectores com poder de mercado estrutural e que têm de ter, também por isso, controlo empresarial público directo; e, sobretudo, a transferência de custos para o mundo do trabalho com a facilitação de despedimentos, a promoção da redução dos salários directos e indirectos, a fragilização dos sindicatos, a mesma ideia de que o desemprego é um problema de “incentivos” e não de procura. Os apoiantes do governo, tentando dizer algo de esquerda, algo civilizado, agarram-se a uma formulação propositadamente ambígua, a uma intenção vaga de vir a "apresentar uma proposta" para eventualmente alargar um subsídio de desemprego mais frágil a certas categorias. De vagas intenções está este concreto inferno europeu cheio...

Ilustração de gui castro felga.

2 comentários:

Anónimo disse...

Críticas e mais críticas. Podes criticar como bem entenderes mas enquanto não apresentares medidas que resolvam a crise mundial mais a nossa velha crise as tuas palavras não fazem qualquer sentido. São ocas porque vagas. É falar por falar sem qualquer sentido. Podia aqui explicar porque nos vimos encravando desde 25 de Abril. Muito de errado se fez e isso conduziu a esta situação com ou sem Sócrates.
Cito apenas alguns erros cometidos: não ajustamento das rendas de casa que iriam aumentar o valor do irs pago pelos senhorios. Tenho um andar arrendado hoje por 18 euros ouviu bem? 18 euros. Ainda hoje falei com uma pessoa que tem 2 andares na Alameda com rendas de 40 e 60 euros. E os estabelecimentos comerciais? Aqui estaria uma boa receita do estado. E a reforma dos comerciantes que nunca descontaram? E a reforma das empregadas domésticas que nunca descontaram? E a reforma dos agricultores que nunca descontaram? E a saúde para todos (hospitais, centros de saúde, maternidades, medicamentos) para quem nunca descontou para tal. E escola, universidades para quem nunca contribuiu para isso. E a economia paralela. Os que fogem aos impostos e por não terem declaração de rendimentos têm saúde e educação de borla para eles e filhos. E os recibos verdes que descontavam 5 anos e tinham direito a reforma. E os que descontavam pouco ao longo da vida e nos últimos 5 anos faziam grandes descontos para terem chorudas reformas. E os que andam nas auto-estradas (scuts) à borla com o dinheiro de todos nós.
Fico por aqui porque nunca mais terminava.
Isto é o país que temos e se não fôr alguém de fora nós não seremos capazes de voluntariamente entrar nos eixos.

Ricardo Amaral disse...

As causas da crise são mais profundas do que a situação política,economica e social.