sábado, 22 de agosto de 2015

O discurso do medo é a confissão da derrota


No Facebook, alguém resumia assim o estado de alguns países após a saída do euro: “moedas sem valor no mercado internacional, inflação galopante, extrema pobreza, sistema bancário de rastos, corralito e corralón, incapacidade de as empresas se financiarem e consequente desemprego, inexistência de meios para importar produtos de necessidades básicas, etc.” De facto, com desemprego em massa pior que o actual, inflação galopante e dificuldade em importar alimentos, medicamentos, etc., temos a combinação perfeita dos males que convém associar à saída do euro.

Quando os argumentos chegam a este nível, isso tem um significado político: a UE dos “amanhãs que cantam” já não convence, pelo que apenas resta a estratégia do medo para controlar o povo.

Repare-se que este quadro negro da saída do euro é inspirado pela realidade que hoje estamos a viver. Nos países mais frágeis da zona euro, já temos desemprego de massa que, no caso da Grécia, é idêntico ao da Grande Depressão dos anos 30 do século passado. Tudo o que a Grécia já sofreu com a política de austeridade, além de cruel e ineficaz, é muito superior ao que teria de suportar se tivesse saído do euro em 2010. O mesmo se poderia dizer de Portugal.

Evidentemente, os partidários do euro a qualquer preço ignoram que um governo com moeda soberana tem autonomia e recursos para promover o pleno emprego. Ignoram que o Banco Central cria dinheiro “a partir do nada” quando credita a conta do Tesouro para que este possa financiar um programa de criação de empregos socialmente úteis, em colaboração com as autarquias locais e agências de desenvolvimento. Ignoram também que o actual modelo de crescimento da Alemanha, gerador de excedentes e do correspondente crédito externo, é intrinsecamente gerador de tensões à escala internacional – as exportações de uns são as importações de outros – e é absolutamente insustentável no contexto da zona euro. Os países que não se integraram na cadeia de valor da indústria alemã não beneficiam da sua dinâmica e, ao mesmo tempo, têm de competir com os salários da Ásia. Esses países europeus, economicamente frágeis, necessitam da política cambial para travar o assédio dos bancos dos países excedentários que oferecem crédito para as importações. Quem defende a manutenção da Grécia, Espanha ou Portugal dentro do euro não diz como se paga a dívida externa privada que se acumulou desde a entrada no euro, nem como se evita a acumulação de nova dívida. Com a austeridade praticamente suspensa em Portugal, na falta de uma desvalorização que torne as importações relativamente mais caras, o défice externo reapareceu e, para o financiar, a dívida externa aumentou. Como se sai disto permanecendo no euro?

A inflação que decorreria da desvalorização da nova moeda tem sido outro espantalho usado para meter medo. Importa lembrar que um país com controlo dos movimentos de capitais tem margem de manobra para gerir o ritmo de desvalorização da sua moeda. Por outro lado, o impulso dado às exportações leva a uma maior procura da moeda, decorrido aproximadamente um ano, pelo que a taxa de câmbio estabilizará num valor compatível com o equilíbrio comercial do país, o que assegura que as exportações geram as divisas necessárias às importações. Ao contrário do que se costuma dizer, o impacto sobre os preços no consumidor é muito inferior ao da percentagem da desvalorização (40% desvalorização x 30% importações no cabaz de consumo = 12% inflação ao fim de dois anos, com tendência a descer).

Com isto, não pretendo dizer que a saída do euro não tem custos. A saída o euro é uma condição necessária ao desenvolvimento do país, mas não suficiente, e tem custos temporários. Um governo preocupado com a justiça social deve endereça-los às classes mais abastadas e aos cosmopolitas que só pensam em si quando invocam os incómodos do câmbio e os custos agravados (ou mesmo o racionamento) das suas viagens ao estrangeiro. O que pretendo dizer é que não há qualquer teoria económica credenciada, nem qualquer precedente histórico de abandono ou de desmantelamento de uma união monetária que dê suporte empírico ao discurso do medo. Basta de ignorância e manipulação.

(O meu artigo no jornal i)

33 comentários:

Jaime Santos disse...

Não percebo bem as suas contas. O peso das importações na economia nacional anda à volta dos 40%. Imaginemos que a desvalorização é de 35%. Ela deve ocorrer imediatamente a seguir à saída do Euro, porque se for feita de modo suave ao longo de um período longo, obrigaria igualmente a impor controle de compra de divisas externas de modo a que as pessoas não fossem comprar Euros para substituir por Escudos, antes que estes últimos perdessem o seu valor. Ora, não faz sentido nenhum limitar essa compra durante um longo período, a não ser que se queira uma Recessão. Portanto, temos 40% X 35%=14% de perda efectiva de poder de compra imediata. Suponhamos uma inflação adicional de 12%, acumulada ao fim de um Ano causada pela necessidade do Governo aumentar ainda mais a massa monetária face à dita desvalorização (não acredito nem por um momento que os 14% fossem acontecimento único, dados todos os imprevistos, sobretudo a quebra inevitável da receita fiscal). Se a taxa de juro nominal subir para 8%, de modo a compensar em parte essa inflação, temos algo como uma taxa de desvalorização adicional de 1,08/1,12, aproximadamente 4%, nada que não tivéssemos visto nos anos 80. Portanto, a desvalorização efectiva do dinheiro ao fim de um ano é 18% e não 12%, como diz. Eu não sou Economista, mas uma multiplicação simplista de percentagens como a que fez não convence ninguém. O que a Esquerda tem que fazer é criar um modelo económico de uma saída do Euro e estudar o 'worst case scenario' e deixar o Povo decidir se quer uma sangria momentânea, se uma Morte Lenta. Ora isto não é meter medo, é dizer a verdade às pessoas, em vez de nos resguardarmos por trás de um escudo moral como fez o Syriza, relativamente ao qual os nossos 'parceiros' europeus se estão nas tintas. Enquanto estas contas não estiverem feitas e não existir uma lista de medidas a tomar antes e depois da saída do Euro (cunhagem de nova moeda, racionamento de bens, recapitalização do sistema bancário, etc), não há mesmo mais nenhuma alternativa senão a Austeridade imposta por Berlim. Porque se nos metermos em aventuras, o que acontece é que as pessoas se sentem enganadas e mal por mal, acabam a votar na Direita e depois voltamos à modorra do costume, só que pior...

Jose disse...

«Um governo preocupado com a justiça social deve endereça-los às classes mais abastadas e aos cosmopolitas...»
Como já vamos em mais de 50% dos rendimentos elevados - com cortes de pensões alguns referem 70% - a proposta é a comuna pura e simples. Quanto aos cosmopolitas é fechar fronteiras...

«A saída o euro é uma condição necessária ao desenvolvimento do país, mas não suficiente, e tem custos temporários.»
Aqui os detalhes também são nenhuns, não vá a comuna assustar os comunas!

Aleixo disse...

Os instrumentos, têm de se adequar ás necessidades;
a Economia, como outro instrumento qualquer, terá de conseguir dar a melhor resposta.

O curioso, é haver tantos ( democratas?! ) a delegar...o seu FUTURO!

Anónimo disse...

Vamos lá explicar as coisas.

A desvalorização cambial não altera o valor das exportações em moeda estrangeira.

Ou seja, se Portugal exportava 1000 Euros e o Escudo passa a valer 0,75 euros então nós recebemos 1333 escudos.

O que acontece é que os preços de bens importados aumentam, logo as importações diminuem.

Assim, o país continua a exportar os mesmos 1000, aliás até pode aumentar.

Mas em vez de importar 1100 passa a importar 1000.

Esse é o efeito da desvalorização cambial.

Nomeadamente, a alteração dos preços relativos.

Quanto à inflação, nada impede a actualização das pensões e salários para compensar a inflação.

O escudo passa de 1:1 com o euro para 1:0,75.

A moeda desvalorizou 25%.

O impacto nas importações pode ser calculado assim 25% x 40% (o conteúdo importado anda pelos 30% mas vou assumir 40%) = 10%.

Ou seja, os salários são aumentados em 10%.

Mesmo assim há um aumento de competitividade.

Salário em euros passa de 10 para 7,5

7,5 x 1,1 (aumento de 10%) = 8,25

8,25 - 10 / 10 = - 17,5%

Ou seja, assumindo uma desvalorização de 25% há um aumento de competitividade de 17,5%.

Isto é aritmética. Não há como escapar a isto.


Anónimo disse...

Detalhes são nenhuns? ( que linguarejar monótono)

Isto vindo dum tipo que tem tiques de prima dona histérica quando se avança com números, dados ou factos é de cabo de esquadra.
(Como dizia ele? Ah que as contas era coisa de funcionário público.Com ponto de exclamação no fim para se ajustar à monotonia e à personalidade histriónica)

Já a invocação da comuna como que para assustar os demais vem confirmar o já debitado aqui, no processo conhecido do sujeito ao fazer o trabalho de propagandista néscio à governança e ao capital.

Escrevia jose há meia dúzia de dias:
"O único remédio e a única esperança é a acção dos credores e o medo que daí decorre."

O medo. A repetição acanalhada do leit motiv da tropa fandanga.Eis o serviçal ao serviço dos seus mandamentos e dos seus orden(h)ares.

A resposta também está aqui ( para infelicidade do dito jose):
http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2015/08/regresso-ao-discurso-do-pontal-de-2011.html

De

JS disse...

Felizmente esta e outras intervenções insistem no tema, independentemente dos bons e maus argumentos pró e contra.

E se o peso das importações é 40% agora, com um novo escudo não é de crer que o Estado continuasse a comprar/importar tantos Audis para dar de prémio ...

Cedo ou tarde terá que ser instituída: ou uma "moeda local" (digital ou não)

ou um todo poderoso Governo europeu em (Bruxelas) Frankfurt.

A primeira hipótese está mais de acordo com séculos de nacionalidades...
Percebe-se que muitos jovens erásmicos pensem que na segunda opção seriam (como os) "alemães". Não seriam. Nem nos benefícios, nem culturalmente.
Seriam, serão sempre alemães de segunda ...

Anónimo disse...

Este José....

Anónimo disse...

A propaganda com que o das 20 e 37 tenta esconder a porcaria imunda do seu governo de classe não pode passar.

"Crise tirou 7,6 mil milhões a salários e deu 2,5 mil milhões ao capital"

Não , não é de nenhum jornal revolucionário
http://www.dinheirovivo.pt/Economia/interior.aspx?content_id=4731209


"Sob o governo de direita/extrema-direita do PSD-CDS o país conheceu uma recessão de 6%, o número de milionários aumentou 28%, três deles detêm individualmente mais de 1000 milhões de euros. Para isto, tal como disse Almeida Garrett, o número de pobres passou de 2 para 3 milhões desde 2011. O desemprego é mascarado pelos estágios, pelos inactivos disponíveis, pelo "emprego de inserção e formação profissional . São 457 mil retirados dos números oficiais, além da emigração de 350 mil trabalhadores!.

O IRS aumentou em média 43%, a taxa de pobreza que o governo mascara com degradantes apelos à caridade passou para 24,7%, e a infantil para 30,9%. O RSI deixou de ser concedido a 116 mil pessoas, o complemento solidário para idosos a menos 83 mil, mais de 70 mil empresas arrastadas para a falência, menos acesso a cuidados de saúde e educação, uma dívida pública que atinge 130% do PIB."

Entretanto da mesma forma que tenta mascarar e proteger os rendimentos do capital, faz o seu papel em prol da deutschland uber alles:

"Economia alemã ganhou 100 mil milhões de euros com crise na Grécia"

De

António Silva disse...

Se "um governo com moeda soberana tem autonomia e recursos para promover o pleno emprego" porque razão não existiu pleno emprego em Portugal enquanto teve o Escudo? E porque razão não existe pleno emprego em todos os países com moeda soberana?

Anónimo disse...

A proposta de "jose" é que se aplique este modelo ad eternum:
http://resistir.info/v_carvalho/imagens/rendimentos_eua.gif

A proposta é a do capital puro e simples:
http://prensarural.org/spip/IMG/jpg/capitalismo2.jpg

De

T.P. disse...

"A inflação que decorreria da desvalorização da nova moeda tem sido outro espantalho usado para meter medo. Importa lembrar que um país com controlo dos movimentos de capitais tem margem de manobra para gerir o ritmo de desvalorização da sua moeda."

Tudo isto parte do princípio que os depositantes em bancos portugueses nao retiram o seu dinheiro dos bancos quando sabem que existe a possibilidade de eleicao de um partido que defenda a saída do euro. Como se viu pelo exemplo grego tal nao aconteceu.

" Por outro lado, o impulso dado às exportações leva a uma maior procura da moeda, decorrido aproximadamente um ano, pelo que a taxa de câmbio estabilizará num valor compatível com o equilíbrio comercial do país, o que assegura que as exportações geram as divisas necessárias às importações. Ao contrário do que se costuma dizer, o impacto sobre os preços no consumidor é muito inferior ao da percentagem da desvalorização (40% desvalorização x 30% importações no cabaz de consumo = 12% inflação ao fim de dois anos, com tendência a descer). "

A desvalorizacao da moeda nota-se imediatamente em determinados sectores como o turismo. Contudo, nos outros sectores, embora os custos de mao de obra descam, os custos com a matéria prima, transporte e energia irao subir. Serao as empresas portuguesas muito mais competitivas nestes termos do que actualmente? Fica a questao...
Para além disso temos também de contar com a fuga de mao de obra especializada e experiente, a desvalorizacao da moeda vai fazer com que cada vez mais compense a esses profissionais ir trabalhar para outro país.

Jaime Santos disse...

A ideia de que uma desvalorização da moeda causa imediatamente uma descida das importações funciona relativamente a bens de consumo supérfluos. Não funciona em relação a bens de primeira necessidade de que infelizmente o País é largamente deficitário (combustíveis, cereais, etc). Depois, temos o problema que foi aludido acima da necessidade de controle do fluxo de capitais, antes da saída, e mesmo depois se a desvalorização não for imediata. Alguém faz ideia dos efeitos destas medidas na Economia de um País que tem uma balança comercial deficitária desde os anos 50 e que funciona como Economia Aberta (a ideia de autarcia só convence o PCP, e talvez a propaganda salazarista)? A resposta honesta é que não. Depois, podemos optar por uma saída não-negociada (que até pode ser imposta), ou por uma saída negociada, que é a alternativa defendida por pessoas como Octávio Teixeira. Alguém pensa que os 'parceiros' europeus, ou o FMI, não iriam impor condições a essa saída (mais Austeridade)? A saída do Euro faz sentido no médio-longo prazo por questões de competitividade económica, acima de tudo, mas a verdade é que o País passaria por um ou dois anos de Inferno, especialmente se as coisas fossem mal preparadas. Posto isto, a conclusão é que a saída do Euro de momento, não é nenhuma Alternativa. Só pode ser defendida por partidos que não consideram sequer a possibilidade de vir a exercer o Poder.

Anónimo disse...

350.000 Da´ um grande exército!
Tanta gente a saber tanto de economia, de finanças e de matemática e etc. e tal. Aposto ate´ que estão no activo. E o país numa situação “fio da navalha” …?
Quando vejo os campos de futebol cheios de portugueses pobres.
Quando vejo os restaurantes cheios de portugueses quase mendigos.
Quando vejo os supermercados a abarrotar de portugueses desempregados a encherem os seus automóveis de compras…
Da´ vontade de chamar vigaristas a toda esta gente.
Mente o governo sobre a adesão as greves.
Mente o governo sobre a segurança social.
Mente o governo sobre o SNS. E outras mentiras…
Mentem os ricos por serem tao ricos.
Mentem os pobres por serem tao pobres.
Mente a oposição “socialista de rosto humano” por não terem coragem de falar verdade ao povo.
Mente grande percentagem do povo por que absorveu a cultura do desenrasca.

Pois somente a verdade e´ revolucionaria!
O que me parece e´ que enganamo-nos uns aos outros!
“E´ o Portugal dos pobres de espirito em toda a sua pujança!”. De Adelino Silva

Anónimo disse...

Com o devido respeito a saída do euro é mesmo uma alternativa séria.
E tão séria que a bem ou a mal teremos que a colocar em cima da mesa.Porque a bem ou mal ela pode acontecer.
Já lá iremos.

O legado da inquisição e do salazarismo permanece infelizmente no nosso país

De

Anónimo disse...

(a ideia de autarcia só convence o PCP, e talvez a propaganda salazarista)
Sr. Jaime Santos acha que esta mix esta´ correta?
Aos democratas também e´ devida a verdade!
Falar democracia/politica sem moral implica sabujice!
Mesmo que se não goste, temos de perceber que outros poderão gostar, «o problema e´ que alguém se possa autointitular democrata e aceitar a exploração do seu semelhante».
Assim como dizia o poeta algarvio:
Do pão que sobra a riqueza
Dividido pela razão
Matava a fome a pobreza
E ainda sobrava pão!
Exageros, exageros para que Sr. J S…
De Adelino Silva

Anónimo disse...

António silva, é condição sine qua non, mas não condição suficiente, não é? Há gente convencida que a realidade é uma folha de cálculo de variáveis finitas e contáveis.

Anónimo disse...

"A desvalorização cambial não altera o valor das exportações em moeda estrangeira.
"

O preço das exportações só aumenta em moeda nacional? Como é que o preço das exportações em moeda estrangeira não diminui?

Jaime Santos disse...

Sr. Adelino Silva, O problema da Acção Política é que ela não se baseia apenas na Moral em abstracto, ou em saber quem tem razão ou não tem (isto é a mera constatação de um facto, não uma opinião). Eu dou de barato que a entrada no Euro foi uma má escolha para o País e já na altura eu pensava que no mínimo se deveria ter feito um referendo. O problema está no que devemos fazer agora. Porque se a realidade não se esgota nas folhas de cálculo, ignorar o que dizem as ditas é brincar com o fogo e com a vida das pessoas. Acha que todos aqueles que têm poupanças nos Bancos pertencem às 'classes abastadas' ou à categoria de 'cosmopolitas'? Acha que a essas pessoas lhes agrada perder 20% (estou a ser optimista) do que pouparam durante a vida, na maioria dos casos à custa de trabalho e sacrifícios? Acha que devemos dar esse passo e sujeitar o País a um aperto financeiro pior do que a Grécia, que pode custar vidas, se faltarem combustíveis, medicamentos ou cereais? O Sr. pode não gostar, mas o País é dependente do comércio externo em todos estes aspectos e já Salazar aceitava que a balança comercial fosse negativa nos Anos 50 (as contas só eram equilibradas pelas remessas dos emigrantes). É curioso como as pessoas de Esquerda, que deveriam entender bem o significado do termo 'Relações de Força', um conceito bem marxista, quando colocadas perante uma situação em que estão do lado fraco da corda (isto é, Portugal em relação à UE), se refugiam em posições morais em abstracto e na Ideologia (poupe-me por favor aos maus poemas do Aleixo), esquecendo o juízo prudencial que deve ser o primeiro guia de um político. P.S. E, já agora, pelo facto de o PCP e de Salazar terem posições em comum, não os estou a meter no mesmo saco. Hitler também utilizou instrumentos de política keynesiana e não era isso que fazia de Keynes um fascista...

Anónimo disse...

(a ideia de autarcia só convence o PCP, e talvez a propaganda salazarista)
Sr. Jaime Santos acha que esta mix esta´ correta?
Aos democratas também e´ devida a verdade!
Falar democracia/politica sem moral implica sabujice!
Mesmo que se não goste, temos de perceber que outros poderão gostar, «o problema e´ que alguém se possa autointitular democrata e aceitar a exploração do seu semelhante».
Assim como dizia o poeta algarvio:
Do pão que sobra a riqueza
Dividido pela razão
Matava a fome a pobreza
E ainda sobrava pão!
Exageros, exageros para que Sr. J S…
De Adelino Silva

António Silva disse...

Anónimo 23 de agosto de 2015 às 13:46, concordo consigo. O autor talvez simplifique demais a realidade ao tirar conclusões tão directas das capacidades de uma moeda soberana e do seu efeito no emprego. Talvez aprofundar um pouco mais o estudo dos conceitos base e aplicar com mais rigor o método ciêntífico às conclusões possa permitir a escrita de um artigo melhor conseguido no futuro.

Antonio Cristovao disse...

Onde as suas teorias falham, é quando olhamos para a historia. Como vivi mais anos sem euro do que com euro, sabemos todos como o atraso de Portugal em relação a Europa, se ia gravando ano após ano. Isto com a ditadura, poderemos dizer que era do salazarismo; só que depois com os democratas as bancas rotas foram duas!! isto com a dádiva de 78 mil milhoes a fundo perdido pelo meio e mesmo assim os gestores da cousa publica mostraram como se torra dinheiro!!

Anónimo disse...

"não há qualquer teoria económica credenciada, nem qualquer precedente histórico de abandono ou de desmantelamento de uma união monetária" Ponto final.
É essa completa incerteza e desconhecimento que gera o medo. Na falta de "suporte empírico ao discurso do medo", as imagens do impacto do controlo de capitais na Grécia ajudam.

Jaime Santos disse...

Caro anónimo das 20:22, A forma como parafraseou o texto do Jorge Bateira é lapidar. Há precedentes históricos de abandono de taxas fixas de câmbio (Argentina e também o Uruguai, por exemplo, neste último caso com perda de mais de 50% do valor do peso local depois do abandono da taxa fixa de câmbio: https://en.wikipedia.org/wiki/Uruguayan_peso), não há de abandono de uma união monetária. Esta é que é a questão. As pessoas que defendem a saída do Euro e que são Economistas devem desenvolver modelos de previsão relativos a isto e devem apresentar um conjunto de medidas destinadas a minorar as consequências de uma saída da moeda única. Sem isso, temos, como diz, a completa incerteza que gera o medo, com a imagens vindas da Grécia a ajudar a compor a figura. Quem quiser discutir a saída do Euro a sério tem que fazer nada menos do que isto, de outro modo é corrido pelo eleitorado e pode ficar muito contente a lamber as feridas pela sua grande vitória moral...

Anónimo disse...

Caro Jaime Santos,
não discordando do que escreve a questão é muito mais simples: as discussões técnicas entre economistas valem zero para a generalidade dos eleitores. Para esses o que conta é a percepção de que se trata de um salto para o desconhecido, cujos contornos reais de descontrolo (não são modelos teóricos) puderam observar 'ontem' na Grécia, aqui ao 'lado' na Europa. Jorge Bateira fala em 'viagens de cosmopolitas' mas a generalidade da população (dos eleitores, mais propriamente) pensa é em poder levantar dinheiro no multibanco. E a escolha dessa perspectiva revela mais de Jorge Bateira do que todo o seu argumentário.

Anónimo disse...

“Acha que a essas pessoas lhes agrada perder 20% (estou a ser otimista) do que pouparam durante a vida, na maioria dos casos à custa de trabalho e sacrifícios?”
Ah, Sr. Jaime Santos! Claro que não lhes agradaria e com inteira razão.
Entretanto, constata-se já hoje e de tal forma que, emigrantes e ou residentes ate´ podem perder os 20% ou a totalidade das suas poupanças (BES/B. Novo) estando ainda na Eurozona.
Ainda a procissão vai no adro…
Quanto as lembranças do passado, elas estão ai cheias de Hitlercibernautas a navegar a velocidade de cruzeiro.
E deixe para la o poeta algarvio…com a devida vénia de Adelino Silva



Jaime Santos disse...

Uma nota final. Ha igualmente precedentes históricos relativamente a desagregação de uma união monetária. Recentemente, tivemos o caso da Checoslováquia e da URSS, no principio do sec. XX do Império Austro-húngaro (https://en.wikipedia.org/wiki/Austro-Hungarian_krone). Mas tratou-se antes de tudo da desagregação de entidades políticas (e não sem episódios de hiper-inflacao, o que salvaguardadas as circunstancias históricas particulares, não abona muito para a tese do Jorge Bateira). No nosso caso, do que se trata e de um Pais abandonar uma moeda forte em favor de uma fraca. Que eu saiba, isto esta mais próximo do abandono de uma taxa de cambio fixa do que da desagregação de uma união monetária, mas com a dificuldade adicional de toda a logística de cunhagem de uma nova moeda.

Jaime Santos disse...

Caro anónimo da 01:15, Não me parece que as discussões técnicas valham zero. A maioria das pessoas e muito mais influenciável pelas imagens de quase pânico da Grécia do que pelos argumentos económicos, mas estaríamos a subestimar a sua inteligência ao pensar que se deixam condicionar completamente pelo medo e pelo 'caso exemplar' em que Merkel transformou a Grécia, como ela disse que queria a Papandreou (quem o pensa corre por sua conta e risco e subestima também o poder da Raiva). Os povos já se sacrificaram no passado pela sua Liberdade, em situações bem mais duras do que a presente (talvez por isso mesmo). O problema da argumentação de Jorge Bateira e que ela deriva somente da Ideologia (para alem da pesporrência de reduzir todos os que tem uma conta bancaria a membros das 'classes abastadas' ou a 'cosmopolitas', mas isso e uma questão de somenos). Para resistir ao diktat alemao, são precisas medidas concretas, ou seja armas para enfrentar a situação, e não pronunciamentos ideológicos ou de ordem moral, ou uma qualquer multiplicação de percentagens colada a cuspe, porque senão vamos mesmo pelo caminho da capitulação total, como o Syriza, de quem Krugman confessou que talvez (!) tivesse sobrestimado a competência.

Anónimo disse...

Tanto paleio verbalista só para justificar a falta de tomates a favor do sacrossanto euro.

Anónimo disse...

Neste “Admirável Mundo Novo” nem tudo depende de economistas, felizmente.
Ocorre que, a coisa que mais aborrece o povo e´ ter de ir a caixa multibanco, e´ como se, se tratasse de um intermediário.
E o povo não gosta de intermediários!
A maioria dos portugueses sabe de economia, só que não a exercem. A família, o Clube e a Associação tem de obedecer às regras da economia politica estabelecidas pelos peritos tipo DOUTOR/ENG. engendrados AOS DOMINGOS E FERIADOS pelas forças dominantes. Tem “liberdade” de escolher o que esta gente determina.
Já agora, a maioria dos portugueses precisa e´ de gente honesta e competente a´ frente dos destinos do país!
Quem do povão vai acreditar em “economistas” nomeados por ministros, Sec. Estado e deputados corruptos, alguns deles na cadeia e outros a precisarem de la ir parar? Ambição, Egoísmo e Vaidade… E´ só desenrasca, neste caso, do Arco da Governança! De Adelino Silva





Jaime Santos disse...

O anónimo das 15:07 acusa-me, em linguagem a roçar o insulto, de não ter coragem de defender o Euro. Se leu bem o meu 'paleio verbalista', deverá ter percebido que eu estou a defender o Euro, porque aqueles que estão contra o Euro não têm mais do que uma 'Visão' sobre o processo de saída. Como dizia o bom do Helmut Schmidt, se tem uma 'Visão', vá ao Médico, Senhor Anónimo! Arranje-me um plano de saída do Euro com pés e cabeça, ponha-o a Referendo, e eu voto a favor. Caso contrário, se a sua solução é do tipo Leninista colada a cuspe, feita à custa das 'classes abastadas' e dos 'cosmopolitas' que trabalham e têm conta bancária, não obrigado. Para isso, já basta a Troika. Está claro assim? E, já agora, se quer mostrar coragem, assine o que escreve!

Anónimo disse...

" Não me parece que as discussões técnicas valham zero."

Caro Jaime Santos,
as discussões técnicas valem muito. Dentro da academia e/ou para uma audiência muito restrita.
Fora desse âmbito a minha percepção é que o impacto (eleitoral) de uma discussão (técnica) sobre a saída do euro é nulo ou próximo disso. Entre num café e veja o que está a dar na TV: se conseguir arranjar argumentos a favor da saída do euro que sejam perceptíveis nas imagens que passam ... É esse o poder das imagens das filas no multibanco e dos reformados a tentar receber as pensões. São essas imagens que argumentam contra a saída do euro, que alimentam o medo do desconhecido, do pânico, do descontrolo. Quando o que existe agora, por muito mau que seja, já está assimilado.

Anónimo disse...

Meus amigos, companheiros e camaradas Fica determinado, que a partir deste momento solene, todo o cidadão tem o direito de se pronunciar contra ou a favor do Euro.
Mais, todos terão o direito a´ NEUTRALIDADE (seguem-se as assinaturas).
Assim falou no areópago (pouco mais ou menos) o ditador grego Solon aos senhores da Grécia em tempos idos sobre a Democracia, com as costas protegidas por espadas e lanças…naquele tempo não havia canhões nem misseis…
Mas por que carga de água senhores, hão-de levar a vida a se digladiarem por coisa tão insignificante…. Ate´ por que essa moeda só tem levado os dirigentes políticos ao engano, paraísos fiscais…alguns a´ prisão
Esta´ mais que aceite por todos os portugueses letrados e iletrados, doutor ou trabalhador rural que nenhum politico esta´ de “cana” pelo Euro, mas sim pelo seu próprio egoísmo. De Adelino Silva





L. Rodrigues disse...

Jaime Santos,
E qual foi a principal incompetência reconhecida ao Syriza?

Não ter como plano B a saída do Euro.