sábado, 8 de agosto de 2015

A retoma com pés de barro


A questão não é apenas a fragilidade da retoma, como também a sua insustentabilidade intrínseca.

A batalha da propaganda em torno dos indicadores económicos está no auge e no seu centro está a questão do emprego. Isso deve-se em parte à importância central que este tem para a vida das pessoas, mas também à inconsistência entre a evolução da taxa de desemprego e a dinâmica de criação de emprego. Num contexto de emigração substancial, de não contabilização dos desempregados integrados em programas de emprego ou formação e de aumento do número de inactivos desencorajados, torna-se possível que haja simultaneamente menos 26 mil desempregados e menos 210 mil pessoas a trabalhar do que quando este governo entrou em funções. Daí que dois indicadores – taxa de desemprego e volume de emprego – apoiem narrativas diametralmente opostas em relação ao sucesso da estratégia do memorando e ao efeito das políticas deste governo.

O contraste estes dois indicadores não é caso único, porém. Por cada argumento aduzido para apoiar a ideia que o pior já passou e que Portugal tem perante si reais perspectivas de desenvolvimento (como o crescimento do PIB nos últimos trimestres), encontramos outros em sentido contrário (como o aumento dos níveis de pobreza, do número de empresas insolventes ou do crédito malparado). A narrativa da bonança após a tormenta fica naturalmente posta em causa quando encontramos tantos indicadores económicos e sociais que não só não estão em retoma, como se encontram em deterioração.

O problema fundamental, porém, não é sequer a verosimilhança da retoma: quando o PIB contrai tanto como sucedeu em resultado da austeridade em Portugal (-8.5% a preços correntes entre os quartos trimestres de 2010 e 2012, segundo o Eurostat), é sempre de esperar que a atenuação da austeridade permita alguma recuperação. Mais do que isso, o problema de fundo é a insustentabilidade intrínseca mesmo desta débil retoma, que imediatamente se fez acompanhar pela deterioração dos saldos público (-5.1% do PIB trimestral no primeiro trimestre de 2015) e externo (regresso à situação deficitária nos primeiros meses deste ano). Trata-se de um dos trilemas da economia portuguesa – para usar a expressão do meu amigo e colega Ricardo Paes Mamede – em todo o seu esplendor: a impossibilidade de conciliar crescimento económico, redução da dívida externa e redução da dívida pública nas condições actuais da economia portuguesa.

Ou, pelo menos, a impossibilidade de fazê-lo no contexto da moeda única e sem reestruturar a dívida pública.

(publicado hoje no caderno de Economia de Expresso)

24 comentários:

Anónimo disse...

A economia portuguesa sofre de graves problemas que se manifestam em desequilíbrios macroeconómicos.

Já era expectável a incapacidade de ajustamento da economia num modelo em que a taxa de câmbio é fixa.

Portanto, o problema só pode ser resolvido com a abertura do canal cambial para que o ajustamento possa proceder.

Enquanto continuarmos a insistir na permanência no Euro é impossível garantir um crescimento sustentável da economia sem a acumulação dos défices externos.

Jose disse...

Um hino à cobardia, com palavras nebulosas.
Tudo acaba com a referência à renuncia à moeda única e ao que essa renúncia significa: uma austeridade de 30%; ou serão 40%, ou 50%?

Mas entretanto declara-se que é tempo de terminar a austeridade quando os indicadores dizem que será prudente pelo menos mantê-la.

Mas o sonho húmido e secreto da esquerda é sempre o mesmo: que as medidas mais penosas a esquerda as compensará com extorsão bastante para que a felicidade da igualdade compense a miséria geral.
Incidentalmente eles, os iluminados, usufruirão do papel e das mordomias de dirigentes no processo.

Manuel Silva disse...

José(zito):
És tão pobre de espírito que nem distingues a discussão séria de quem apresenta argumentos económicos sólidos da tua banha da cobra que te venderam os teus mentores na campanha eleitoral (permanente, desde há 4 anos).
A grande figura da cultura europeia, Umberto Eco, disse recentemente numa entrevista: «No momento em que todos têm direito à palavra na internet, temo-la dada aos idiotas.»
Ele não se referia a ti porque nem te conhece, mas sabe que a Internet está cheia de tipos como tu.
Pobre alma!

Paulo Marques disse...

Jose, é a economia, estúpido. Vai estudar.

Anónimo disse...

Os josés não são idiotas, e tanto querem o bem da nação e do povo que nos avisam que a barbaridade deste status quo é pouca, quando comparada com a barbaridade vingativa e mesquinha que seria dirigida ao país pelos beneficiários deste status quo caso os portugueses escolhessem caminhar erguidos. Abençoados sejam os josés

Jose disse...

Manelzinho, és um palerma presumido.
Interessa-me pouco a palha que envolve a treta de esquerda. Nada sabem dizer de coerente para além da saída do euro.
Traduzir isso em austeridade para a sua clientela na 'Agenda dos Coitadinhos' é que não se atrevem a fazê-lo.
Conclusão lógica: falam como se fizessem uma revolução que sabem não poder - e acho que não querem - fazer.
E agora vai fazer queixa ao Eco ou à tua tia!

Manuel Silva disse...

Caro Alexandre:
Seria possível pôr aqui o link para lermos o artigo completo?
Obrigado.
Cumprimentos.

Anónimo disse...

Não diga asneiras, jose tretas.

Vossemecê nem sequer sabe fazer contas. Confissão do próprio, com as suas próprias palavras, num manifesto hino simultaneamente à cobardia e à ignorância. Parece que os "jornais" lhe bastam o que lhe assegura a idiotia típica dos propagandistas do regime que expelem a propaganda vomitada pelo dito.

Uma espécie de plumitivo do poiares e do portas e do maçães, com a mediocridade inscrita em cada palavra que escreve. Seja ela húmida (palavra tão do agrado do dito tretas que torna suspeito tal apetência) seja ela austeritária ( tão do agrado dos troikistas que assim postam a suja assinatura no seu modelo de "desenvolvimento" para o país)

E aqui perante um post sereno de Alexandre Abreu, que expõe objectivamente em quatro parágrafos e sem ponta de pesporrência ou de acrimónia a insustentabilidade intrínseca da retoma, o que vemos é um jose tretas a mostrar que continua sem saber nada de contas ( isso é para os funcionários públicos, dirá numa lembrança dos seus tempos coloniais) e sem aduzir nada mais do que o lido nos pasquins do regime.

Um tretas, assumido defensor acérrimo dos seus privilégios de classe e das medidas penosas para os outros.

Mas que não consegue esconder os seus verdadeiros e sinistros objectivos

De


Edgar disse...

Por que é que a saída do euro significa obrigatoriamente austeridade, por que é que a desvalorização da moeda significa obrigatoriamente austeridade, sabendo-se ao utilizar o termo "austeridade" se está sugerir redução de salários, pensões e reformas, serviços públicos, privatizações, etc, isto é, aumento da exploração dos trabalhadores e do povo?
Com um governo patriótico e de esquerda tal não acontecerá.
É tempo de fazer a balança pender a favor dos que, até agora, pagam tudo!

Anónimo disse...

o Jose já disse que a sua enorme sabedoria está nos jornais
ele lê jornais e prontos...sabe tudo!

olha sabujo cobardolas
o único aqui que tem sonhos húmidos és tu
sempre que lambes o cu embalsamado do salazar ficas com a anilha a tremer de emoção

Anónimo disse...

o Jose sabe tudo através dos jornais, ele já disse qual a preciosa fonte da sua ilimitada sabedoria, não precisa de mais nada para tecer as suas análises profundas e chegar ao cerne da Verdade
verguem-se ao seu poder cosmológico-alquimista, esquerdalhos da treta
isto é que é um homem culto e sabedor de toda a extensão da ciência politico-económica.
Qualquer economista esquerdalho é um merdas ao pé deste ávido leitor de jornais

Anónimo disse...

Jose
não passas dum sabujo ignorante e cobarde
são os adjectivos que melhor te definem
ignorante e cobarde

Jose disse...

O enxame zumbe, o enxame agita-se...
Valha-me o Edgar para me compreender.

Sem dúvida, Edgar, com um governo de esquerda as agruras da saída do euro seriam, para começar, para quem tivesse algum de seu e, supostamente, a Agenda dos Coitadinhos defenderia a sua clientela tradicional.
Mas isso, Edgar, far-se-ia cumprindo as leis da física que diz que: onde há uma acção haverá uma reacção.
E aí, Edgar, teríamos a revolução, e os credores e tudo o mais que os esquerdalhos julgam ter tomates para enfrentar, mas que é treta da mais treteira.
Um pouco mais adiante, uma questão de semanas, a miséria alastraria à pseudo-clientela dos esquerdalhos, e logo a seguir ver-se-ia algo de verdadeiramente interessante, que por pudor me abstenho de antecipar.

Anónimo disse...

José,

eras tu que estavas a fazer de Giselle para o doutor Duarte lima, quando o gajo se atirou aos 5 milhões de aérios da velha, seu grande cabrão de merda?

Anónimo disse...

Creio que essa coisa da moeda única – o Euro – e´ um falso dilema.
Tenho para mim que se os homens e as mulheres quiserem as contas serão sempre certas. Pode ser com euros, dracmas, escudos ou libras, coroas ou mesmo rublos!
Basta somente quererem tratar da moeda como um instrumento ao serviço das sociedades humanas!
Sair do euro, entrar no euro ou ficar no euro vai tudo dar no mesmo…Para mim, o essencial e´ que o euro ou escudo, pouco importa, esteja ao serviço dos homens. Povo!
O corte nas pensões e nos salários não tem a ver com a moeda única…a diminuição dos incentivos ao ensino, principalmente no ensino superior, a exterminação do SNS, têm a ver com uma política reacionária a favor dos grandes potentados capitalistas.
Os últimos governos têm apostado no Portugal ignorante!
Os do Arco da Governança apostam no Portugal doente!
Não lhe demos mais ouvidos… Acabemos com o sair ou entrar no euro…temos no próximo acto eleitoral uma oportunidade de mudar de agulha – mudar de rumo! De Adelino Silva

Anónimo disse...

É tempo mesmo de fazer a balança pender para o lado de quem é explorado, como alguém aí dizia acertadamente e que não merece de todo a pieguice insuportável do tretas das 11 e 44.
E não seguir nem a ameaça desse tipo que se escondeu no fundo da caserna a 25 de Abril, à espera que o Kaulza lhe oferecesse uma prenda e que passou 1975 com substantivo medo (palavras do próprio que evoca agora a 3ª lei de Newton sem sequer saber do que fala)

Pois é,aquele que presto fala em "tomates" e em ameaças vagas sobre o futuro que pode desabar se não lhe seguirmos as manhas, fala em pudor. O pudor, o pudor tem destas coisas. Funciona de acordo com as virgens. Há as que são e as que são o que são. Ora quem assim tenta agitar o medo leu nos pasquins que o Pote à Frente ( PaF) tem como programa eleitoral exactamente isso, o medo.Pelo que o que temos é a réplica replicante deste exemplar exemplo. Vem nos "jornais"

Quer adoptar as leis da física à condição humana.Ainda está neste estádio, mas que fazer, os "jornais" que usa ainda não o ensinaram. Quer no fundo cumprir a primeira lei de Newton, a lei conhecida como da Inércia e que diz mais ou menos o seguinte: "Por inércia, um corpo em repouso tende a continuar em repouso".

Eis o el dorado dos que se apropriam da riqueza alheia e dos defensores do status quo. Que tudo fique na mesma.O velho sonho dos esclavagistas e dos senhores feudais à época. Podemos então voltar à Física Newtoniana e lembrar a segunda Lei de Newton também chamada de princípio fundamental da dinâmica, pois é a partir dela que se define a Força como uma grandeza necessária para se vencer a inércia de um corpo.

É pois necessário Força.Podemos usar a palavra Luta mas aí suspeitamos que o Tretas teria uma outra manifestação de um outro princípio da física (dos corpos), o da incontinência. Mas isso seria voltar aos terrenos húmidos do dito de que estamos todos fartos.

É preciso algo mais do que ler pasquins para fazer eficientemente o papel de capacho dos agiotas.

"Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer"

https://www.youtube.com/watch?v=A_2Gtz-zAzM

De

Anónimo disse...

A "retoma" é um slogan do actual Governo ou uma brincadeira de mau gosto, pois é do conhecimento geral que os ultimos anos foram de completa estagnação económica , de retrocesso social e e de uma marcha de forma acelarada para a desindustrialização total e para o desastre.
Conforme já foi citado por diversas vezes neste Blog , devido à presença no Euro qualquer Governo está impedido de fazer uma política monetária e cambial pelo que difícilmente pode equilibrar as contas externas. Tambem é duvidoso que seja possível equilibrar simultaneamente o deficit externo e o publico, tanto mais que este está relacionado com o PIB , isto é, está em forma de racio .
Alem disso a zona Euro adoptou como política económica o Monetarismo que tem dado resultados desastrosos em toda a parte onde foi aplicado.

Anónimo disse...

Jose

vê lá se a abelha Maia te vai ao pandeiro

Anónimo disse...

Jose

o único aqui sem tomates és tu
sabujo eunuco e cobardolas
no 25 de Abril nem apoiaste a revolução nem defendeste os teus
és um borrado que só diz cagada
vai lá ler os teus jornais, sabujo
tem cuidado senão ainda ficas demasiado culto

Anónimo disse...

Jose

tu és tão ignorante e idiota que tomaste o Edgar como um camarada teu
dum sabujo que nem um texto/comentário sabe interpretar que há a esperar ?

perdigotos e cagalhões

Jose disse...

ZZZZZZZ.....ZZR...ZR...ZRRRRR...
O enxame zumbe e ensaia fazer força como se força fossem palavras e sons.
Força é o que vence a inércia do peso de gerações a proclamar...É MEU!
Força é a revolução, criaturas ilustradas em pasquins que lhe vendem a ideia que gritaria é força.
Revolucionários de merda que só sabem usar as palavras para exprimir a vossa frustração e chamam-lhe força!
Onde quer que se fez socialismo foi com sangue; enormes quantidades de sangue.
Mas os treteiros querem fazê-lo a grito, e o que conseguem é cavar miséria e injustiça acrescida, mas chamam-lhe luta! Pior, chamam-lhe justs luta!

Anónimo disse...

“O capitalismo hoje parece muito mais afundado na crise do que a maior parte das pessoas, incluindo mesmo muitos na esquerda, imaginam.”
Em Portugal, esta acersão e´ de tal modo verdadeira que implica o governo de Passos Coelho/PSD a justificar o injustificável e o António Costa/PS com ocas evasivas do mesmo teor!
Aquela coisa chamada de Democracia Cultural, Politica, Económica, ecológica e Social Europeia deu o Berro.
A coisa ira´ piorar com a invasão forçada dos povos do outro lado do Mediterrâneo visto não poderem navegar para os states.
Invasão, evasão, emigração instruída pelos jogos de guerras imperiais. “Temos de pagar o mal que fizemos a` velhinha” Com colonialismo, neocolonialismo. Pena e´ que os culpados fiquem de fora!
La´ vamos pedir mais um emprestimosito a` banca, tasse mesmo a ver não tasse…
Qualquer dia vem um neoliberal Plano Marshall qualquer, como solidariedade daqueles que semeiam o mal. Eles fazem a guerra, os governantes da Eurolândia sofrem e ainda tem de pagar… Vassela´ entender isto… De Adelino Silva

Anónimo disse...

Por muito que custe ao das 16 e 59 o seu vocabulário exprime apenas a raiva dum que se ficou atolado naquilo que ele expressamente expressa.

Que não interessa mesmo para nada. Apenas o que fica é o seu posicionamento ideológico emparelhado com o seu amigo portas, com as suas incontinências várias


E a ignorância que desponta de forma abissal e cretina.Na física também de forma semi-patética,semi-piegas

De

Anónimo disse...

( Já agora usemos a definição de Força da própria Wikipédia, de forma a que até o das 16 e 59 perceba:

"Força é um dos conceitos fundamentais da Física newtoniana. Relacionado com as três leis de Newton, é uma grandeza que tem a capacidade de vencer a inércia de um corpo, modificando-lhe a velocidade (seja na sua magnitude ou direcção, já que se trata de um vetor). Como corolário, chega-se ao constructo de que a força pode causar deformação num objeto flexível
Força: qualquer agente externo que modifica o movimento de um corpo livre ou causa deformação num corpo fixo"

Daí que constituam disparates de monta e enviesamento típico da trafulhice escrever-se calinadas como estas:
"Força é o que vence a inércia do peso de gerações a proclamar...É MEU!" ( que grande treta. E ainda por cima com laivos de histerismo)
"Força é a revolução, criaturas ilustradas em pasquins que lhe vendem a ideia que gritaria é força."( isso só mesmo tirado dum pasquim de tretas, pela certa)


Pelo que infelizmente se confirma o vaticínio
O uso da palavra Luta conduziu ao que suspeitámos. Que o Tretas teria uma outra manifestação de um outro princípio da física (dos corpos), o da incontinência.

De