quarta-feira, 22 de julho de 2015

O momento a partir do qual se torna difícil dizer «não sabíamos»


Pode supor-se que algures no decurso da Segunda Guerra Mundial tenha existido um momento em que a informação disponível era já suficiente para que «os alemães» não pudessem, com facilidade, alegar desconhecer o que se estava a passar. Sobretudo, não suspeitar sequer dos horrores para lá do horror da própria guerra. Imaginar que assim foi não permite porém julgamentos morais liminares, assentes no preconceito xenófobo que se estende a todo um povo (e que não se distingue, na sua essência, do que atribui «aos gregos», «aos italianos» ou «aos portugueses» uma espécie de propensão genética para a preguiça, a corrupção, o desleixo orçamental ou outros traços de personalidade colectiva).

A não ser, claro, que se prefira subestimar os efeitos de uma máquina implacável de propaganda e desinformação (então como agora), desvalorizar medos e sentimentos de impotência para enfrentar internamente uma ditadura (militar ou financeira), ou relativizar os efeitos de um nacionalismo cultivado até patamares demenciais de alienação. Seja como for, da Segunda Grande Guerra ficará para sempre esta perplexidade, na sua formulação mais simples: como foi possível que um povo tenha contemporizado, permitido ou pactuado com o «mal»? Como foi possível que não se tenha erguido contra esse mal, que não tenha posto cobro às atrocidades que estavam a ocorrer?

Nos últimos meses, e em particular nas últimas semanas, marcadas pela realização do referendo grego e posterior imposição, à Grécia, de um «acordo» meramente punitivo, ficámos a conhecer o verdadeiro rosto desta Europa, usurpada por «instituições sem cultura nem projecto, apenas detentoras de poderes que inventaram para si mesmas e que se auto-atribuíram de maneira ilegítima e insensata». A máscara que escondia esse rosto desfez-se, ora por erosão lenta e quase imperceptível, ora por momentos de desmoronamento súbito. E o resultado está hoje à vista de todos os cidadãos europeus, que podem assim contemplar uma estrutura de governação em que «nenhuma dissidência é tolerada [e na qual] a austeridade é o castigo que está reservado a qualquer povo que ouse eleger um governo que lhe queira por fim».

Quando se fizer a história dos tempos que correm - e salvaguardando qualquer intuito de comparação com o passado (não é evidentemente disso que se trata) - tornar-se-á difícil aceitar que o povo europeu não tenha percebido o que lhe estava a acontecer. A menos que, de novo, se desvalorize a propaganda, o medo, o sentimento de impotência ou o empenho colaboracionista de alguns governos (entre os quais socialismos e social-democracias). A tarefa imediata que temos pela frente, e que não exclui nenhum país, é pois a de pôr freio a esta Europa. E isso não se consegue pela simples deposição de alguns governantes (como Schäuble) ou através de fugas para a frente, no esteio do federalismo. A «construção europeia» a que chegámos é hoje um solo demasiado salgado e estéril para que se pense que dele possa emergir outra coisa que não monstros ainda maiores e mais fortes.

27 comentários:

Antonio Cristovao disse...

Ajudava muito uma informação credível, sem linguagem cifrada e assente em factos e menos em processos de intençaõ. Como vemos, tristemente, quem se interessa por actuar na vida publica, através dos diversos media,mostra uma agenda própria, a que tem todo o direito, mas sofre dum afastamento dos factos reais, agora porquê, é que é mistério.
Quem tem força e vontade, para recordar uns tempos depois, o que disseram certos personagens, e compara com o que dizem agora (deliotopiniao.blogs.sapo) , percebe como havia mentira (agora ou antes).
Em Portugal muitos dos arautos(mentirosos) da "solidariedade" são os mesmos que alguns anos antes defendiam a nossa exclusão da UE, e fazem por não ler o que dizem os tratados, sobre a responsabilidade de cada país.E está lá bem claro que a única responsabilidade da actuação financeira é dos governos de cada país.
Como na Grécia!!!

Carlos Sério disse...

Do livro "Glauben und Kampfen" publicado pela SS, mais especificamente no capítulo sobre raça: "...O povo alemão não é a soma de 85 milhões de pessoas, mas sim uma grande unidade, uma comunidade, na qual a genética Nórdica predomina. Esta genética se demonstra não somente na forma física e aparência, mas também se expressa acima de tudo em uma alma racial com uma direcção comum.
Dentre as muitas teses da doutrina Nazista podemos destacar algumas:
•A superioridade da Raça Ariana, defendida por Hitler quando dizia que o povo alemão era descendente de uma raça superior, que ele chama de Arianos, e que, por este motivo, tinha o direito de dominar as raças ditas “inferiores”.
•E uma outra tese também muito divulgada era a do expansionismo, que dizia que o povo alemão deveria conquistar seu espaço “vital.

fgcosta disse...

Não fosse o facto de se estar a insultar com esta comparação a memória das vítimas do nacional socialismo, comparando filas de multibanco com filas para as cãmaras de gás ou Sintagma com Aschwitz, a argumentação seria apenas ridícula.
A diabolização da Europa em cursos trata-se de uma nova agenda mal disfarçada, manobra desesperada de uma certa esquerda a quem aconteceu o óbvio: ter poder e o consequente desastre (apenas mais rápido que o habitual) que sempre sucedeu (URSS, China. Coreia, Cuba, Europs de Leste, Albânia, Cambodja, PALOPS, Venezuela, Bolivia...). Conhecem alguma exceção?

Anónimo disse...

o Dimar votaria a favor de qualquer coisa que o Pasok dissesse. Como o Livre/Tempo de Avançar faria em Portugal, se eventualmente as pessoas de esquerda estivessem dispostas à desistência que representa este projeto inútil e pessoal de Rui Tavares.

Anónimo disse...

Os países estão cheios de gente boa, honrada e séria, estes cidadãos apenas precisam de uma explicação válida para a barbárie. As sociedades que conhecemos são de uma hipocrisia inaudita, a agregação que hoje temos nestes espaços é a do explorador e a do explorado mas ainda assim estamos do bom caminho, e devemos aprofundar esta saudável relação, é este o discurso ridículo vigente, a imbecilidade não tem limites.
Concordo com o anónimo das 16:18, o Livre/Tempo de Avançar é um projecto inútil.

mistéria disse...

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Godwin

Anónimo disse...

fgcosta nem sabe ler (deixou escapar o pedaço em que Nuno Serra diz "salvaguardando qualquer intuito de comparação com o passado (não é evidentemente disso que se trata)"), mas tenta construir argumentos. O pior é que nem são dele, nem são bons, é apenas a habitual cassete dos alarves de turno. Uns dias invadindo a Espanha a partir de Marrocos, outros dias cantando e rindo.

Anónimo disse...

Há qualquer coisa de absurdo na tese de António Cristovao. Não estamos propriamente num sítio onde seja preciso descodificar passo a passo o que se publica, mas adiante.

Mas a estranheza advem de alguns comentários a raiar o non sense como esta espantosa afirmação que "em Portugal muitos dos arautos(mentirosos) da "solidariedade" são os mesmos que alguns anos antes defendiam a nossa exclusão da UE".É hoje quase consensual que a integração na UE obedeceu a outros critérios que não os duma vaga e pretensa solidariedade entre os estados membros. Invocar os "tratados" da forma como se faz e a sua obediência acéfala e tonta, faz lembrar a invocação das leis ditadas pelos torcionários de todos os quadrantes, não se questionando nem num caso nem no outro por um lado a legitimidade democrática de tais tratados por outro a legitimidade das leis dos tais torcionários.

Talvez seja preciso lembrar que a hipoteca da soberania nacional não cabe na pesporrência obediente e submissa, interesseira e de classe de nenhum governo do mundo. Como também se regista que o tal conhecimento dos tratados não impediu a Alemanha de não cumprir os ditos cujos. Como também a "actuação financeira cabe aos governos de cada país" é uma falácia de todo o tamanho". Já em 1996, o insuspeito Profº W. Hankel, da Universidade de Frankfurt avisava: “Mas não, o “euro” não é o cimento da Europa moderna, mas a dinamite que a fará explodir.”! Confronto, que põe a nu/desmascara toda a propaganda, todas as fraudes e mentiras que ao longo de 30 anos foram impingidas sobre uma União Europeia de “coesão económica, social e territorial, e a solidariedade entre os Estados-Membros” (ainda hoje inscrita nos tratados).
Daí que o se o Sr antónio quer fazer tábua rasa da informação que aqui também se tem aduzido isso é lá com ele, mas ao menos que não nos faça passar por tontinhos

Será que nem a farsa da proposta do hollande faz abrir os olhos a ?

De

edgar disse...

A ofensiva é forte, a desinformação é grande e o medo é evidente, mas a força do povo é enorme.
"O que faz falta é acordar a malta!"

Anónimo disse...

Quanto ao espantoso comentário dum tal jgcosta que dizer a este senão aconselhá-lo a ler de novo o que se escreveu e depois reflectir antes de se auto-passar um atestado de indigência intelectual.
Ninguém fez a comparação que o sujeito de forma ridícula mas sobretudo desonesta apregoa. Ninguém diaboliza a europa, bem pelo contrário, o que se chama a atenção é para não permitir "julgamentos morais liminares, assentes no preconceito xenófobo que se estende a todo um povo" (donde a todo um continente). ( já agora seria interessante ver até onde vai a ignorância dum coitado que entende que a Europa é o espaço da UE ou o espaço ainda mais limitado do euro, mas adiante).

Mas onde o referido sujeito perde por completo o pé, é quando faz a sua colecção de"consequentes desastres" da forma primária como o faz, empurrando para um colectivo coisas que são necessariamente diferentes.Poderíamos dizer em forma de gozo que a China está tão mal que a governança troikista e abjecta se encarrega de vender ao desbarato a esse país uma parte importante da riqueza nacional.Ou que Cuba se comparado com os países com o seu desenvolvimento à altura do derrube de Baptista está milhares de milhas à frente ( ex: Haiti) Mas não vale a pena porque há um pormenor delicioso do jcosta que o desmascara para além do que ele supõe. É quando ele junta à sua colecção de "conhecidos" os Palops. Involuntariamente ( ou não ) o que sobra são os tiques dum colonialismo ainda mal ultrapassado.
E como todos os colonialismos o cheiro impede uma discussão mais séria

De

Anónimo disse...

Caríssimo DE, e se deixássemos o zé e o tóvão a cantarem sozinhos. Replicar dá-lhe trabalho a si, eles não aprendem nada e a gente já há muito que os topou.

Replicar-lhes é valorizar o que dizem, dar importância a argumentos, velhos tontos. de gente que mesmo que os ricos lhes urinassem na cara ainda gabariam o cheirinho a maresia.

se ficarem a falar sozinho e não desistirem das duas uma, ou não tem mais nada que fazer, já não encontram quem se sente à mesa com eles para uma partida de bisca, ou então há quem lhes pague para cá andarem. A direita tem sempre o que fazer ao dinheiro. Como não tem razão, paga para ver os argumentos publicados.

Anónimo disse...

Os nazis e demais fascistas puseram os deles (aqueles que com eles colaboraram) com trabalho, pão e tecto. Aos restantes deram guerra, fome e morte. Só quem consegue o primeiro sem o segundo pode ser considerado de esquerda. É perigoso ser de esquerda e por isso poucos são.

Anónimo disse...

Urge tratar a ignorância como uma doença endémica perigosa para as sociedades humanas.
Nosso povo viveu quase 50 anos de obscurantismo quase absoluto e por muito que uma Revolução como a nossa fizesse no campo da cultura, as poderosas forças económicas, sociais, políticas e culturais de classe, tudo tem feito para nos manter no limbo por tempo indeterminado. Ate a entrada para a CEE/U.Europeia…
De Gaulle falava da Europa do Atlântico aos Urais. Da Independência europeia face as duas potencias de então
Pessoalmente não via nem vejo com bons olhos a EU, mas não impede de verificar alguns efeitos benéficos, incluindo este caso antagónico GREGO.
Em qualquer caso a luta para defesa das amplas liberdades dos povos europeus tem de ser amplamente divulgada.
Os Movimentos Sociais – todo o povo – O que esta em cauda e´ a vida democrática dos povos. De Adelino Silva


Dias disse...


“ a austeridade é o castigo que está reservado a qualquer povo que ouse eleger um governo que lhe queira por fim”

Pior ainda, no caso português, é sofrermos com o princípio de Peter…
De ter um governo com a obsessão doentia do “bom aluno”, do querer ir “além da troika” e do “Portugal não é a Grécia”, de andarmos a pagar uma dívida com a língua de palmo.

Estes gajos deviam ser julgados pelo mal que causam:
http://economico.sapo.pt/noticias/juncker-passos-travou-alivio-da-divida-grega-por-causa-das-eleicoes_224386.html

Anónimo disse...

O texto de Nuno Serra tem, na minha humilde opinião, um pequeno problema: faz equivaler as mais que válidas queixas que muitos povos europeus têm dos alemães aos reparos chauvinistas que os alemães lhes (a esses povos) fazem. Vamos chamar as coisas pelos nomes e contextualizar os actores: foi a Alemanha que invadiu a Grécia e massacrou os gregos, e não o contrário; foi a Alemanha que invadiu (após a queda de Mussolini) a Itália e massacrou os Italianos, e não o contrário (e falo só de países do Sul). As posturas corrosivamente críticas de uns e de outros não são simétricas e não se equivalem em termos de retroactiva verdade histórica, posicionamento moral e abordagem ética, ainda que todas elas errem ao cometerem o pecado da presente generalização.
Outro problema: quando se terá o povo alemão, no seu conjunto, apercebido da monstruosidade do nazismo? Essa pergunta só tem uma resposta: quando deixou de com ele lucrar e, pelo contrário, passou a ser o principal paciente das tempestades que ele havia desencadeado. O saque da Europa e, sobretudo, do Leste, alimentou o nível de vida e aumentou a riqueza do povo alemão; o saque dos judeus também. Não se quer saber da sorte alheia, quando esse terrível destino dos outros é aquilo que nos faz prósperos e nos confirma como a "Herrenvolk". Mais: não se monta uma máquina industrial de extermínio (e não me refiro somente aos campos de concentração e/ou de extermínio, mas a todo um complexo industrial-militar e repressivo) sem que nela tomem parte activa milhões de pessoas. Nenhuma dessas pessoas sabia o que quer que fosse durante os 12 anos do regime nazi? As máquinas de controlo e propaganda explicam muita coisa, mas não explicam de forma plausível a cobardia, o alheamento, a conivência ou o entusiástico voluntarismo psicopata que convergiram no puro horror que foi o III Reich.
Tudo o que supra ficou dito diz respeito ao "antes", ao "durante" e aos respectivos epílogos. Vamos ao "depois": após uma breve e muito benévola "desnazificação", a Alemanha gozou de sucessivos perdões de dívida e de um "Plano Marshall" que possibilitaram o chamado "milagre alemão". Compreende-se: a "realpolitik" ditava as regras e havia que fazer da RFA a forte vanguarda contra as "hordas bolcheviques". Só que a mesmíssima "realpolitik" engendrou uma guerra civil de extermínio na Grécia, Grécia essa que não chegou a ver um marco das indemnizações de guerra devidas pela RFA. Neste contexto e com estes antecedentes, seria do mais chão bom senso que a actual Alemanha unificada mantivesse o "low profile" e não desse a mínima das razões para que coisas velhas de 70 anos viessem, de novo, à baila e começassem a azedar. Contudo, não é nada disso que está a acontecer, pois não? E por culpa de quem? Dos gregos?
Nesta floresta de enganos em que todo este "projecto europeu" se transformou tento não cair na esparrela de pensar que a culpa é (ou será, mais provavelmente) viúva de um só marido: se a quadradice chauvinista alemã nos levará à desgraça, ela não está só nesse seu obtuso percurso e conta com o precioso contributo de muitos outros países e/ou governos, incluíndo o nosso.

Anónimo disse...

Adenda ao comentário das 23.52.

Concordando com o facto de as generalizações serem perigosas, também tenho presente que toda a terrível actual situação europeia tem algumas das suas mal disfarçadas raízes nas incongruências das ditas democracias liberais do pós-guerra. Os casos da Alemanha e da Grécia já anteriormente foram referidos. Mas que dizer dos percursos históricos de alguns dos países que Monsieur Hollande agregou no seu idealizado "Bando dos Seis"? Todos eles foram mais ou menos afectados pela obsessão anticomunista que enformou toda a Guerra Fria, obsessão essa que foi a mais forte e perene guardiã da mitigada e pertinaz sobrevivência dos fascismos semeados antes e durante a guerra. Se os grupos neofascistas italianos foram a força de choque contra a vitória eleitoral do PC italiano, já as formações flamengas ultra-nacionalistas (as herdeiras das formações SS ao serviço do III Reich) não viram entraves de maior à sua expansão; se a caríssima Finlândia, aliada de cruz gamada do Eixo, se viu lamentada como uma pobre vítima do expansionismo soviético (e agora temos os "Verdadeiros Finlandeses"), já os belicosos neofascistas franceses fizeram o seu tirocínio racista e genocida na Indochina e na Argélia (e hoje temos a dinastia Le Pen). Quando a democrática Europa da "moderação" rasga as vestes pela "ascenção dos extremismos", é cega do olho direito, e dá-se a exercícios de amnésia ao esquecer-se das suas graves responsabilidades no ressuscitar dos velhos cadáveres da direita extrema. E essa cegueira vai sair-nos cara. Já está, em abono da verdade, a sair-nos muitíssimo cara.

Anónimo disse...

É um prazer ler alguns dos textos e alguns dos comentários.

De

Jose disse...

A cega-rega dos males da Alemanha e o silenciar dos males da Grécia são o atestado da debilidade intelectual e da vinculação à 'Agenda dos Coitadinhos', esse produto maior de uma ideologia em que quem seja corrupto, improdutivo ou simplesmente estúpido, se constitui no direito a ser sustentado por quem tenha atributos opostos.

A estatura moral dos defensores da 'Agenda dos Coitadinhos' mede-se pela sua obcessiva aversão a tudo o que seja caridade ou organização assistêncial, porque os coitadinhos são titulares de direitos sobre a sociedade e é no legítimo exercício desses direitos que hão-de ser assistidos e mimados.
E por alguma razão, seguramente congeminada por bestuntos internacionalistas, aplicaram essa Agenda para estabelecer o fundamento das relações entre Estados soberanos.

E tal como para os coitadinhos reclamam a plena dignidade, para os estados reclamam a plena soberania.

O caso é complexo e é preciso ser-se excelso esquerdalho para alcançar o seu pleno sentido.

Anónimo disse...

Herrr "José", pelo contrário, nutre a maior das afeições pelas entidades caritativas e assistencialistas. É a sábia, antiquíssima e eficientíssima receita para acabar com a pobreza plasmada na máxima "Adopte um pobrezinho". E, já agora, NUNCA dar ao adoptado desgraçadinho um cêntimo que seja, pois é por demais sabido que imediatamente o gastaria em vinho. As suas muitíssimo mal redigidas garatujas, caro "José", chegaram a um tal ponto de indigência mental que causam vómitos em quem as lê. Essa sua psicopatia está, decididamente, a levar a melhor sobre toda e qualquer réstia de humanidade que lhe sobrasse nesses parcos neurónios a que chama de cérebro.

Anónimo disse...

(Com um pedido de desculpa ao caríssimo anónimo das 20 e 26 ao qual dou razão )


...de forma breve e sintética :

Bestunto! dirá alguém da forma simultaneamente piegas e cavernosa.
Outra forma afinal de esconjurar a dignidade e a soberania. Outros colaboracionismos, outros colaboracionistas, outros pétains...

E perante tais pieguices cavernosas de quem afina por ver denunciados os íntimos amigos flamengos, cúmplices da cruz gamada ...só mesmo resta ao "bestunto" (não gosto da palvra, confesso, mas foi a usada)) o enfiar o "bestunto" num dos discursos da putrefacta cousa a apodrecer em santa comba....e choramingar entre dentes a velha palavra de ordem:
"Angola é nossa, Angola é nossa"
Perdão: "Angola gehört uns"; "Angola gehört uns"

De

Anónimo disse...

("seja corrupto, improdutivo"...alguma indirecta aos néscios e pútridos banqueiros ou alguma alfinetada às notícias de hoje sobre o passos mai-la sua tecnoforma?)

Mas vejamos mais em pormenor a "estatura moral do Capital" :

Entre las muchas canalladas que la Troika y el Consejo Europeo han cometido contra Grecia, quizá la más cínica ha sido la de ocultar que todo el dinero que ahora necesitan los griegos está en paraísos fiscales y ha sido evadido del país por los magnates a los que tanto apoyan Merkel y Rajoy. En concreto, sólo lo que esos potentados esconden en cuentas de Suiza asciende a unos 80.000 millones de euros –precisamente la cantidad que ahora se negocia para un tercer rescate griego–, según los expertos consultados por el programa Rundschau (Panorama) de la radio-televisión suiza (SRF).
Mejor dicho, los fondos griegos ocultos en Suiza pueden incluso duplicar o casi triplicar esa cifra, ya que las estimaciones citadas por el diario Neue Zürcher Zeitung am Sonntag de Zurich sobre la suma del dinero negro de Grecia en ese paraíso fiscal oscilan ¡entre 2.000 y 200.000 millones de euros! Una astronómica horquilla que muestra cómo el secretismo del Gobierno suizo ha permitido el saqueo de los fondos públicos de Atenas que ha arruinado el país (por supuesto, su quiebra no se ha debido al despilfarro en pensiones y jubilaciones anticipadas, como nos quieren hacer creer nuestros gobernantes). Ya que esas fabulosas fortunas no pagan un céntimo de esos impuestos que la UE no hace más que exigir que se les suban a la empobrecida población griega."

Continuar a ler aqui...
http://blogs.publico.es/eltableroglobal/los-80-000-millones-que-necesita-grecia-estan-en-suiza-y-son-griegos/1211

(De)

Jose disse...

Alguém sabe se o governo Syrízico, nos seus seis meses de insano trabalho, tem em curso alguma missão visando chamar à responsabilidade os corruptos que derreteram o financiamento europeu?

Anónimo disse...

Pois é, caro De... É comovente ver como os nossos acanalhados "media" se embevecem com a corrida à compra de ilhas gregas por parte de multimilionários e estrelas de Hollywood. Entremeado entre a especulação sobre a cor das cuecas usadas pelo Ronaldo no treino da manhã e o gosto ou o desgosto da senhora Casillas pela cidade do Porto, o espectáculo de um país a ser vendido a retalho, depois de ter sido previamente assassinado e esquartejado, é edificante e traz audiências. São estes os mesmos jornalistas mercenários que não se cansaram de filmar e parlapatar acerca das filas para o multibanco que os gregos faziam em Atenas, num esforçado labor para inocular no patego indígena o saudável e profilático bacilo do medo. Agora que, completamente arrasados, os gregos vendem o seu próprio chão, é que a populaça helénica vai aprender a trabalhar a sério e a saber o que é reformar-se aos 120 anos. E, para mais, terão os "mamões" gregos o raro privilégio de servirem de mordomos e de "criadas de dentro" aos novos donos do que já foi seu, num saudável convívio estratificado (a gente "bem" em cima; a canalha semi-africana em baixo) com a nata da nata do "socialite" internacional. Assalta-me, confesso, o feio pecado da inveja, caríssimo DE, e ardentemente anseio pelo dia em que Portugal e os portugueses sejam abençoados com a ajuda de mão tão amiga quanto aquela que se apiedou da Grécia e dos seus cidadãos. Na mesma linha dos nossos queridos "media", já sonho com um "Preço Certo" - cheio de concorrentes altos, bonitos, loiros e de olho azul - em que o supremo prémio seja o Castelo de Guimarães, o Mosteiro da Batalha ou o Panteão Nacional (com Amália e Eusébio incluídos, claro está).Nessa altura, e só nessa altura, é que poderemos afirmar que somos verdadeiramente amados pelos nossos queridos parceiros europeus.

Anónimo disse...

Pois é caríssimo anónimo tenho pena que seja o culto da mediocridade e do acessório o bezerro de ouro dos nossos "media" "avacalhados". Não por acaso certamente o que torna tudo muito mais difícil e eles sabem-no e bem. A ignorância , a crendice, a superstição sempre foram deuses a cultivar tão cuidadosamente como as estórias em torno dos amores e desamores das estrelas de cinema ou do jet-set estacionado em Cascais. Os processos de identificação são assim canalizados para os sítios pretendidos e as paixões desaguam com mais força no penalty falhado de um qualquer craque ou os suspirops duma dengosa em processo de auto-promoção, do que o quotidiano dos próprios, feito de humilhações e de privações. Esta coisa de ousar tomar nas suas mãos o seu destino é complicado, é um processo necessariamente colectivo e como disse tem como contra-corrente o perpétuo bacilo do medo e a tenaz injecção da dose de resignação diária, porque melhor viver as vidas alheias do que a própria.

Por isso a ironia e o humor são bem vindos e os seus são preciosos, com a esperança de despertarem outros sentidos e outros posicionares. Que diabo a água ainda não é o principal conteúdo do sistema circulatório de todos os indígenas. Poder-se-ia pelo contrário apelar também a uma qualidade desta fazendo-a invocar o princípio que em "pedra dura tanto dá até que fura.

Mas ainda estamos no vento. E há que atiçar o borralho para o transformar em fogueira e em labareda poderosa

De

Anónimo disse...

Mais um pequeno intermezzo.

Aqui há tempos alguém expunha desabridamente a sua ampla cumplicidade com os corruptores desta forma simultaneamente clara e colaboracionista:
"se há corruptores é porque há corruptos, e pelo que sei são os corruptos que promovem a corrupção e não o contrário."

Todo um programa político-ideológico. Mas também necessariamente ético

Veio-me à memória tal explicitação ao ler o desvio ( sobretudo de vero"amigo", na conotação de um qualquer filme de gangsters) que agora um sujeito (exactamente o mesmo da frase transcrita acima) faz sobre os seis meses necessários para chamar à responsabilidade os corruptos ( "o financiamento europeu" é apenas o registo piegas da camaradagem da agiotagem).
Deixemos para lá o espaço de tempo exigido a um governo (que capitulou) quando comparado com um governo que se governou e governou para os seus (o que fez este para recuperar o dinheiro do BPN ou o dinheiro empatado nos paraísos fiscais ou das PPP ou dos Swaps ou dos submarinos/tecnoformas?)

Anotemos apenas este silenciar cúmplice sobre os magnatas que se refugiam nos paraísos fiscais tão do agrado de Rajoy e de Merkel.Ou no secretismo do governo"amigo " da Suiça. Ou no calar da assessoria de "amiga"da Goldman-sachs. Ou no ocultar da cumplicidade dos governos gregos com os corruptos.

Deixemos a parte final do texto do Publico.es "falar por si:

"Pero no pensemos que sólo el bipartidismo griego (Nueva Democracia y PASOK) se ha dedicado a encubrir a los grandes defraudadores que arruinan las arcas públicas. Por ejemplo, los gobiernos laborista y conservador británicos hicieron caso omiso de las 7.000 cuentas del Reino Unido en la Lista Falciani: en ocho años, ¡sólo se procesó a uno de esos 7.000 evasores!, según la BBC, y se permitió que en ese tiempo esos potentados se llevasen a otros paraísos fiscales unos 100.000 millones de euros; una fortuna inmensa que evadieron a la Hacienda británica gracias a la inacción de gobernantes que al mismo tiempo multiplicaban la presión fiscal sobre los asalariados, a los que recortaban servicios y ayudas con el argumento de la falta de fondos públicos.

Aun así, Suiza no es más que uno de los 74 paraísos fiscales del planeta, en los que se estima (cálculos de Wall Street) que se ocultan unos 32 billones de dólares (la suma del PIB de España de aquí hasta el año 2045), gigantesca acumulación de capital que, además, crece en un billón de dólares más cada año. Es de ese tremendo stock monetario, defraudado a las arcas públicas, de donde sale el dinero de “los mercados” con el que se endeudan los Estados y que hay que devolver religiosamente, con los sacrificios y penurias de los ciudadanos, según la doctrina cuasi-religiosa de la austeridad neoliberal.

¿Alguien se cree todavía que la deuda pública es legal, moral o legítima?

Chocante a cumplicidade ternurenta, piegas, colaboracionista, "amiga" com toda esta corja.
Os fiéis acólitos também servem para isso.

De

Jose disse...

Blá, blá....~
Mas quem está em prisão domiciliária é o DDT e o 44 está agasalhado em Évora.

Que se saiba, na Grécia está tudo tranquilamente a banhos!

Anónimo disse...

Bla bla...eis o retrato ( incompleto ) de um que não tem mais nada a dizer que a pesporrência limitada ao Ricardo salgado e ao prisioneiro nº 44.
Esquecendo que tal não resultou de nenhuma acção governamental. Esquecendo o tempo de demora destas medidas.( a avaliar ainda)
E esquecendo , de forma néscia, que na Grécia quem tem mandado é a direita e a extrema-direita- até Janeiro deste ano.
E esquecendo ( mais uma vez) a forma carinhosa e asubserviente como tratava Ricardo Salgado e como o desculpabilizava afirmando que "procedera assim porque antes tinha sido roubado"

Mas a verdade tem coisas a que jose / JgMenos foge:
"Justiça grega condenou o ex-presidente da câmara de Salónica a prisão perpétua por desvio de dinheiros públicos"
"Ex-ministro da Defesa grego condenado a 20 anos de prisão"

E que já este ano o parlamento grego decidiu abrir uma auditoria à dívida

Imoral e sem escrupulos esta tentativa de esconder os afctos e de os manipular?

Isso e muito mais

De