sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A austeridade é necessária para Portugal sair da crise?

Esta é a pergunta que o blogue Massa Monetária do Negócios nos colocou. Álvaro Santos Pereira diz que "A austeridade é necessária mas não é suficiente". "Austeridade permanente? Não, obrigado", digo eu.

13 comentários:

Irokumata disse...

A austeridade devia ser imposta toda de uma vez e não este step by step que mais não é que comer o zé povinho às prestações!
O step by step é muito simples,dá-se um passo em certo sentido o qual mais cedo que tarde vai obrigar a outro passo no mesmo sentido e assim sucessivamente até um ponto em que já nem se consegue ver o filme desde o inicio(nem sequer voltar atrás),ou seja como todo o pesadelo começou!

Maquiavel disse...

Iro-Olho, mas a ideia é mesmo essa! Chegarmos ao ponto em que näo nos conseguimos lembrar de como toda a treta começou, e desse modo já näo culparmos os especuladores financeiros (que iniciaram a crise) mas apenas e só "o sistema". Por mero acaso li no outro dia uma resenha do pensamento de Gramsci, fosga-se mas é que o homem estava certíssimo, quase 100 anos antes do seu tempo!

Carlos Albuquerque disse...

O que interessa não é saber se há ou não austeridade mas sim saber se há melhores ou piores condições de vida. E muitas das soluções que formalmente não são austeridade ameaçam com uma situação que poderia degenerar em isolamento do país e uma crise alimentar e de combustíveis, só para começar.

São precisas alternativas à governação actual tendo em conta o contexto em que Portugal se insere e não tendo em conta um contexto ideal que não existe.

Acho lamentável que nos dias que correm seja a direita que esteja à beira da maioria absoluta, mas a esquerda só pode culpar-se a si própria.

Jorge Bateira disse...

Carlos Albuquerque

Ser de esquerda significa, também, não se conformar com o quadro institucional que existe. Os países da UE que estão hoje em dificuldades deveriam conjugar esforços para mudar as regras do jogo. Infelizmente, não parecem muito inclinados a explorar esta via.
Se a cooperação das periferias não for viável, ou for infrutífera, ainda resta a possibilidade de Portugal infringir as regras. Nesse caso, o que há que comparar é o benefício líquido de (1) uma deflação brutal "à Letónia" com emigração em massa para o Brasil ou outras paragens em crescimento, e a sujeição a um sistema de "governação económica" que vai consagrar no Tratado da União políticas orçamentais recessivas sempre que um país entre em recessão (a menos que se trate de recessão generalizada) ... versus (2) um ano de braço-de-ferro com a União (ameaçando com reestruturação unilateral da dívida, como está a fazer o Fine Gael na Irlanda), acompanhado de uma política orçamental expansionista financiada por medidas de austeridade para os mais ricos e para alguma classe média-alta, e por um "imposto de guerra" sobre a finança, não esquecendo naturalmente o congelamento e revisão de grandes projectos de investimento e das PPP.
A diferença entre estas duas estratégias genéricas é a diferença entre a política do "Centrão" que faz os mais pobres pagar uma crise que não fabricaram, e a política de uma esquerda responsável que rejeita a "macroeconomia das trevas". Em minha opinião, o povo português deveria poder escolher entre estes dois caminhos.

Carlos Albuquerque disse...

Caro Jorge

Estou de acordo que deve haver uma discussão pública sobre os dois caminhos.

Receio que alguns dos problemas portugueses não sejam meramente económicos. A forma como o governo está a tentar interferir com o trabalho do juiz que fez seguir para julgamento o caso dos submarinos, a operação Furacão e outros, levanta os piores receios.

Se o poder judicial for inócuo nos casos de corrupção com dinheiros públicos e de fuga dos grandes capitais aos impostos, as finanças públicas ficarão exangues enquanto os lucros privados crescerão. E não será isto que está a acontecer?

Mar Arável disse...

As sombras

não passam do chão

الرجل ذبح بعضهم البعض ولكن الخيول باهظة الثمن disse...

austeridade é necessária mas não suficiente

austeridade permanente é à moda da etiópia em que nem no lixo se come bem

a nossa é uma austeridade à amigo de peniche comes mas és um lorpa

austeridade a sério era racionar o gasoil só para os essenciais

que isto de andar de gasoil para percursos de 20 metros

é mania de novo-rico

mania de novo pobre é achar que isto é austeridade

الرجل ذبح بعضهم البعض ولكن الخيول باهظة الثمن disse...

as sombras passam do chão

só que ninguém as vê

são sombras senhô são sombras

hdias@clix.pt disse...

Step by step chegámos até aqui, devagarinho, e abraçados pelo urso: “a austeridade já não é suficiente”.

O caminho que o Jorge Bateira aponta exige firmeza, que é o que está a faltar. O Carlos Albuquerque tem razão quanto às questões que levanta, relacionadas com a justiça. Enfim, são as dúvidas sistemáticas que se continuam a pôr qualquer cidadão digno desse nome. Debates e discussão só farão sentido quando estiverem garantidos os “mínimos olímpicos democráticos”…É por aí que os portugueses têm que se entender, em primeiro lugar. Caso contrário, arriscamo-nos a tornarmo-nos nuns idiotas úteis.

José M. Sousa disse...

Infelizmente, vamos entrar num período, ou era, em que a austeridade será necessária, mas por razões muito distintas das análises económicas convencionais. Devemos é exigir que ela seja planeada e justa:

«Models guiding climate policy are "dangerous​ly optimistic​""»

«By
contrast, the logic of such studies suggests (extremely) dangerous climate change
can only be avoided if economic growth is exchanged, at least temporarily, for a
period of planned austerity within Annex 1 nations
36 and a rapid transition away
from fossil-fuelled development within non-Annex 1 nations»

asmo lündgren syaliot disse...

vamos?

a futurologia e o horóscopo

sempre foram paixões nacionais

Maquiavel disse...

Parece que o Japäo já se está a habituar à ideia de "estagnaçäo económica". Sim, crescimento zero (ou negativo) por desenho, e näo por fatalidade.

Mas assim é que é: primeiro faz-se toda a gente rica, depois pode-se perfeitamente viver com todo o conforto. E o estímulo à inovaçäo é precisamente a eficiência material, produzir o mesmo com menos recursos. E toda a gente sabe que "utilizar menos recursos" implica reduzir o PIB. Porque por cada árvore abatida o PIB sobe, por cada litro de pitrol queimado o PIB sobe, por cada ida ao médico o PIB sobe.

Há muita maneira de "reduzir o PIB" mantendo ou até elevando o nível de vida. Essa é que é essa!

Carlos, quanto ao seu comentário relativo à culpa da esquerda, concordo a 300%. Mas no RU os Trabalhistas já (re)voltaram aos eixos, parece. Como diria o outro americano "after Blair transform it into Labor, they put back the U in Labour"! :D

linkwheel disse...

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