sexta-feira, 8 de junho de 2018

Um «Rendimento Básico Incondicional» à paisana?

Depois de anunciar a intenção de criar um cheque-saúde, através da generalização da ADSE, o PSD pretende avançar agora para o domínio das prestações sociais, propondo a conversão do Abono de Família numa espécie de Rendimento Básico Incondicional (RBI). Para tal, elimina a prestação nos seus moldes atuais e envereda pela lógica de atribuição de um «Benefício Infantil Universal». Ou seja, uma prestação que não só passa a abranger todas as crianças e jovens (sendo assim eliminado o princípio de redistribuição social) como deixa de atender às diferenças de rendimento das famílias ou a situações específicas de maior fragilidade sócio-económica (como sucede no caso de famílias monoparentais ou com 3 ou mais filhos a cargo).

De facto, como mostram os gráficos seguintes, e nos termos em que a PSD a apresenta, a opção por «universalizar» e «aplanar» o atual Abono de Família (e Abono de Família Pré-Natal) traduziria, até aos três anos de idade, não só uma quebra dos montantes recebidos pelas famílias com um filho (cerca de menos 2,3 mil euros), como prejudicaria, de forma socialmente ainda mais gravosa, os agregados familiares com três ou mais filhos (que perderiam cerca de 3,2 mil euros/ano) e as famílias monoparentais com um filho (que veriam a sua prestação anual reduzida, até aos três anos, em cerca de 4,2 mil euros).


Estamos portanto a falar de cortes que incidiriam nos primeiros anos de vida, com claros impactos em termos de combate à pobreza infantil, e que afetariam regressivamente os agregados familiares com menores rendimentos (enquadrados no 1º escalão), as famílias mais numerosas (que perderiam 52% do montante que recebem) e as famílias monoparentais (que passariam a receber, também no 1º escalão, quase menos 60% do valor que recebem até aos 3 anos de idade). Globalmente, ou seja, até aos 18 anos de idade, as situações de perda são generalizadas e, tal como sucede até aos 3 anos, tanto mais gravosas quanto menor o escalão de rendimentos em que o agregado familiar se situa.


A regressão que esta «mudança de paradigma» das políticas públicas comportaria, em termos de justiça social, redução das desigualdades e combate à pobreza e exclusão, diz muito sobre o programa político em que o «novo» Partido Social Democrata está a trabalhar. Sim, repito, do partido que se diz social-democrata, agora sob a liderança de Rui Rio.

5 comentários:

Anónimo disse...

O "novo" PSD não passa do velho PSD. Com a roupagem adequada, lavada mas idêntica à anterior.

Tudo para ver se passa o gosto da governação criminosa de Passos, mas mantendo o rumo adequado aos seus postulados ideológicos.
E com as zangas habituais entre comadres que, discordando nas fofoquices e nas formas de apresentação do "menu", se reunirão depois à mesa da governação a ver quem consegue assegurar, manter e promover o saque em benefício dos tais 1%.

(Se os deixarmos voltar a governar como naqueles anos de chumbo de Coelho e companhia)

Anónimo disse...

Por mim, sou contra qq ideia de apoio á natalidade, já somos demasiados neste planeta.

Que vamos passar um mau bocado em portugal/europa sim, sem duvida, mas a longo prazo uma taxa de crescimento populacional insustentável iria/vai provocar um drama muito, muito maior.

S.T. disse...

Não há motivo para alarme.

https://www.bloomberg.com/view/articles/2018-03-16/decline-in-world-fertility-rates-lowers-risks-of-mass-starvation

A redução populacional é um dos sonhos húmidos das elites plutocráticas.

Sonham com robots serviçais sobre que tenham poder absoluto.

É preciso perceber os plutocratas.

O resto da humanidade é para os plutocratas apenas uma chatice: Incómodos inconvenientes, imprevisíveis e eventualmente uma ameaça.
S.T.

Jose disse...

«sendo assim eliminado o princípio da necessidade»

Não é esse o princípio da caridadezinha que foi eliminado do SNS?

Anónimo disse...

Esperemos que os Altos Quadros do PS consigam distinguir as falacias e armadilhas
que possam existir nesta proposta do PSD.