sexta-feira, 12 de novembro de 2010

As virtudes das caixas de comentários...

Álvaro Santos Pereira, um distinto economista neoliberal com jeito para a popularização ideológica (atenção, o neoliberalismo não é um slogan ou um insulto), faz um daqueles exercícios convenientes de colocar um gráfico com a dívida pública em valores absolutos para tirar conclusões que interessam à sua agenda sobre o “monstro” que, na realidade, ninguém dispensa numa economia capitalista avançada, complexa, democrática e tal. Vale tudo para mostrar que a crise do capitalismo financeirizado foi um detalhe. Como eu o compreendo.

Felizmente, na caixa de comentários, ruy coloca um pouco de bom senso, de política da verdade, na coisa: o que conta é a dívida em percentagem do PIB, claro, e aí a história é um pouco diferente da que afirma Pereira. É a estagnação e a crise que fundamentalmente fazem mover as finanças públicas e explicam a evolução deste indicador, sobretudo desde o início do milénio quando, graças à forma como o euro foi instituído, entrámos no que se sabe. É preciso evitar reduzir a economia a um moralismo de finanças públicas, como fazem os Duques que nos saem, muito conveniente para todas as imoralidades que estão em curso. Tentação repreensível a que a esquerda também nem sempre escapa, claro.

6 comentários:

Frato disse...

Por falar em comentários, aproveito para sugerir/perguntar: não seria importante os autores deste blogue fazerem uma pedagogia sobre conceitos económicos que nos "assaltam" quotidianamente? Ver jornais e televisões com discursos que parecem exigir que todos sejam doutorados em economia/finança...
A pergunta: existe algum bloque ou página da net, em portugues, que nos dê o baba dos conceitos económicos?
Grato pela atenção
F.Soares

José Luis Moreira Santos disse...

Em face de "posts" como este, sou sempre levado a pensar que quando se acredita que o mundo pode ser melhor pela acção de um ser transcendente, reza-se; se se acredita que o mundo melhora pela acção de todos os homens,medita-se e age-se; mas se se acredita que apenas alguns homens têm o dom e o saber para mudar as coisas,serve a acomodação como remédio. Eu, João Rodrigues, que leio o que escreve, sobretudo no diplomatique, com gosto e a maior atenção, não gosto de o ver a misturar estas posturas num mesmo "post". Bem sei que às vezes a urgência de se tomar posição pode levar uma menor precisão entre o que é moral, ético ou político, mas isso fazia um professor de micro e macroeconomia,porém, esse era, é, do grupo Amorim, quero dizer, da seita neoliberal que tem a certeza nos calcanhares, e por isso, precisam de um argumentário tão sincrético como vulgar a cada momento. Um abraço.

Diogo disse...

Os meus amigos dos Ladrões de Bicicletas são todos economistas, não é verdade?

Já ouviram falar em fractional reserve system? Já leram em algum lado que os bancos criam dinheiro a partir do nada e que cobram juros desse dinheiro?

Querem que vos recomende um livro de professores que ensinam em universidades portuguesas?

Será ignorância ou falta de inteligência?

Diogo disse...

Excerto de "The Mystery of Banking"

[O Mistério da Banca, por Murray N. Rothbard]


«Donde é que veio o dinheiro? Veio – e isto é a coisa mais importante que se deve saber sobre o sistema bancário moderno – veio do NADA (out of thin air). Os bancos comerciais – ou seja, os bancos que utilizam o sistema de reservas fraccionais – criam dinheiro a partir do nada. Basicamente fazem o mesmo que os contrafactores (falsificadores). Os falsificadores, também, criam dinheiro a partir do nada imprimindo alguma coisa que fazem passar por dinheiro ou por um recibo de depósito de dinheiro. Desta forma, retiram fraudulentamente riqueza da comunidade, das pessoas que ganharam verdadeiramente o seu dinheiro. Da mesma forma, os bancos que utilizam o sistema de reservas fraccionais contrafazem recibos de depósitos de dinheiro, que depois fazem circular como equivalentes ao dinheiro entre as pessoas. Há uma excepção a esta comparação: A lei não trata estes recibos dos bancos como falsificações.»

A versão completo do vídeo em inglês (47m): Money as Debt


E a versão completa do vídeo em espanhol (47m): El Dinero es Deuda
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Anónimo disse...

The regulators in Nevada and New Jersey (United States) are in possession of a report with implications for international security.
On September 8, 2005, the Wall Street Journal reported in its pages that the United States Secret Service, the Department of Treasury for Terrorism and Financial Intelligence (TFI), the U.S. Department of Immigration and Customs and Homeland Security Department to investigate money laundering by a bank in Hong Kong controlled by tycoon Stanley Ho's game.

According to the report, Stanley Ho, a Chinese man of 84 years (at the conclusion of the report) which held the monopoly on gaming in Macau for 40 years, has deep connections, documented with the Triads (Chinese organized crime).

Stanley Ho saw denied licenses for casinos, which called on all regulated jurisdictions outside Macao. Recently, regulators have forced Singapore to the local utility company to cut links with Stanley Ho before the opening of a casino in Singapore ...

It is with this status that the government accepts a massive layoff of 112 people from the Estoril Casino and replace them with precarious without the slightest investigation. Who investigates that dismissal with millions of profits and 50% state.

Maquiavel disse...

A desinformaçäo e desonestidade intelectual grassam nos defendores do neoliberalismo. O modelo Thatcher-Reaganómico faliu estrondosamente, gerando crescimentos do PIB fictícios, concentraçäo de 80% da riqueza em 5% da populaçäo, desemprego, obviamente crescimento do crime (violento).

O economista ASP faz-me lembrar os discursos do PCP em 1989, que defendiam a validade da URSS. A diferença é que o povo dos países que viviam nesse modelo revoltaram-se, e deitaram-no abaixo rapidamente e com pouca violência. Hoje em dia, levamos diariamente lavagens ao cérebro como nos tempos de Estaline, e ninguém (a näo ser pelos vistos os franceses e gregos) mexe uma palha, tudo acomodado, tudo a acreditar piamente e de olhar feliz a pensar que "ah, depois da crise vem a bonança". Häo focos de esperança, podem vir das caixas de comentários, ou de petiçöes para igualdade nos "debates económicos", mas no fim de contas é apenas uma minoria esclarecida... BEM HAJAM!