quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Greve Geral

Elogio da Dialéctica

A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.


Bertolt Brecht

5 comentários:

M disse...

Acho que só tinha lido isto uma vez, há muitos anos.

Que bom relê-lo nesta altura tão relevante em que todos, do mais desprezado e humilhado estudante ao mais douto professor, se insurgem contra a corrupção e a injustiça.

E que curioso que a frase anterior seja facilmente encarada como panfletária quando não passa da dura realidade...

Márcio Cabral

ariel disse...

Talvez os vencidos de hoje sejam os vencedores de amanhã, mas vai demorar algumas gerações. É só dar uma volta pelo sector privado para perceber que a adesão à greve é zero, o medo e o pânico estão instalados.

João Carlos Graça disse...

Obrigado, caro João Rodrigues. Eu também já não lia isto há muito tempo, e também gostei de reler. Mas, nesse caso, que fazer quanto ao problema do desenho político fundamental da UE?
Lembra-se do que o João Pinto e Castro (meio à Jonathan Swift, meio não)escrevia aqui há tempos, num artigo para que o João remetia a 20 de Outubro? Bem-vindos, de facto, à distopia neoliberal!
"Aprovado o novo regime de governação económica da UE, os contestatários poderão espernear, manifestar-se, promover motins; decretar greve geral por 6 meses; ou trocar de governo dia sim, dia não, que isso em nada modificará as circunstâncias. Zapatero mostrou perceber a que níveis de impotência estão desde já reduzidos os governos nacionais quando declarou o seu apoio à greve geral que teve lugar em Espanha. Quem ainda não tiver entendido só tem que olhar para a Islândia e para os países bálticos para saber o que no futuro espera os descontentes: ou se submetem ou são despromovidos a sem-abrigo".
Se realmente não queremos que seja assim, que fazer da UE?

Jah Akabou? disse...

Quem ainda está morto não diga: nunca estarei pior do que ontem

O que é seguro não é ter seguro
As coisas continuarão a ser como são
Depois de os dominantes
dominarem os dominados
alguns dominados dominarão sobre os restantes
sempre assi foi

De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
Por isso não esperes que ela acabe

pois se no capitalismo o homem escravizava o seu semelhante

o que se conseguiu nos últimos 50 mil anos foi inverter este estado de coisas

Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
Infelizmente os vencedores de amanhã são sempre poucochinhos

e vão ter as manias dos vencedores
de ontem

COMUNA disse...

AI DE QUEM NÃO COLABORAR COM A GREVE!!! LEVA!!