quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O que é que os mercados querem?

No Le Monde diplomatique deste mês defendo que tentar desenhar políticas a pensar nos voláteis e especulativos “mercados” é um exercício votado ao fracasso. Os cortes comprimem o mercado interno, o que gera recessão e aumenta o desemprego. Ao prever um crescimento de 0,2%, assente exclusivamente nas exportações, o governo mostra a mesma miopia face ao desastre de que foram vítimas outros governos: por exemplo, na precoce Irlanda previa-se um crescimento de 1% para 2009, no seguimento da austeridade, e acabou-se com uma quebra de 10%.

Enfim, em Portugal pergunta-se de forma cada vez mais obsessiva e subserviente: o que é que os “mercados” querem? Através de Paul Krugman, descobri uma resposta original e arrojada e provavelmente mais próxima da verdade do que as neoliberalices dos Cantigas Esteves desta vida, os que monopolizam a opinião nessa coisa que dá pelo nome de serviço público de televisão: “os mercados querem dinheiro para droga e prostitutas...” A explicação está aqui...

11 comentários:

Carlos Albuquerque disse...

A explicação que Krugmann apresenta parece-me boa, mas incompleta.

É que nós dependemos dos mercados como o toxicodependente depende do traficante. Criticar o traficante está certo, mas não é isso que dará uma vida melhor ao toxicodependente.

Para quando a capacidade de enfrentar este orçamento e criticar abertamente as opções do governo em atacar os mais pobres enquanto garante que o TGV é para manter?

D., H disse...

Krugman dá-nos um cheirinho do perfil desse mostrengo chamado Mercados.
(Dizem que a pesada vicia e que não há orçamento que aguente…)

O Puma disse...

e eu a pensar que apenas queriam

fornicar a democracia

LUSITANO disse...

Caro
João Rodrigues,
Ainda há pouco coloquei um comentário no seu artigo sobre o indíce de pobreza em Portugal, e versei esse comentário exactamente sobre o aumento da prostituição quer "profissional" quer "amadora" ou temporária, se calhar, como um dos indicadores da miséria moral e económica do país, mas que igualmente se pode aplicar a outros países.
Os tais jovens que procuram droga e prostitutas, fazem-no porque a oferta é fácil e talvez, também, porque sabem que não há um projecto consistente de futuro para as suas vidas neste sistema capitalista selvagem, daí, há que aproveitar enquanto é possível.
Não sou bota-de-elástico, mas os meus 60 anos fazem-me ver cada vez mais claramente, que o Mundo se encaminha para o deboche total, e só vai haver uma saída, a destruição de parte importante deste verme que corrói ao planeta, o Homem, não nos iludamos.
Daí, eu pensar que a ausência cada vez maior de valores tem como meta "animalizar" o Homem de forma a que este aceite a destruição da sua vida e a dos seus como um "acto natural".
Isto, pode parecer algo estranho, alguns pensatrão que isto é uma patetíce, mas não somos cada vez mais bombardeados com filmes e tetelenovelas, de drogas, de sexo fácil e alta violência???
Qual o fim disso? Não será exactamente, tornar esses actos vulgares???
o Homem é um animal de hábitos (e de vícios), logo, assim que aceitar tudo isso como "normal" pode-se esperar o quê???
Cada vez mais nos encaminhamos para uma "Sodoma e Gomorra" e o fim irá ser o mesmo!
Há dúvidas???
Cumprimentos.
LUSITANO

Rick disse...

Provavelmente o dito cujo Krugmann não anda de todo longe da verdade,mas os boys(rapazes que querem ganhar muito em pouco tempo à custa de tudo e todos) de que fala estarem ao serviço dos bosses é uma questão essencial pois quem são os bosses dos bosses??
Por trás de todo o caos especulativo está concerteza uma estrategia de controlo do poder por uma elite financeira globalizada que não é outra senão a face oculta dos ditos "mercados"!

Matos disse...

A respeito de drogas não sei ao certo, mas o mercado das prostitutas tem um espectro muito largo e vai desde adolescentes até reformados, passando por homens de meia idade, gestores e especuladores muito bem remunerados que fazem a sua passagem regular pelo elefante branco e afins. Que o que os mercados querem é putas, não tenho a menor dúvida. Mercados, empresários, investidores, especuladores, etc. Quem tem pouco dinheiro avia-se na beira da estrada, quem tem a carteira bem recheada esvazia-a no elefante branco. Sei de vários casos de pequenas empresas que faliram porque os seus “empresários” se perderam com putas brasileiras. Isto é um facto que quase toda a gente conhece. Grandes quantidades de dinheiro geralmente servem para satisfazer grandes vícios. Ninguém precisa de ser rico para comer bem, para dormir numa boa cama ou para tomar um bom duche de água quente. Mas putas de qualidade são muito caras…

V.Aleixo disse...

Prof.João Rodrigues gostaríamos de enviar para sua ponderação convite para uma conversa/debate.
Caso haja abertura da sua parte agradeço que nos comunique o seu endereço de correio electrónico.

Vítor Aleixo
vitor.aleixo@mail.telepac.pt

Anónimo disse...

Em primeiro lugar farei uma declaração de interesses, para que fique clara a minha posição; Sou acompanhante, call-girl, escort, prostituta.
Tendo esclarecido este detalhe que torna clara a perspectiva com que analiso a questão, passarei à minha opinião.
Por conhecer e respeitar o trabalho de Paul Krugman não posso deixar de discordar com a interpretação que é feita das suas palavras.
Ao afirmar que os mercados querem dinheiro para prostitutas e drogas, Paul Krugman pretende evidenciar os processos egoístas e egocêntricos que regem os stakeholders dos mercados internacionais e não está a tecer juízos morais sobre a droga e sobre a prostituição em si.
O seu artigo faz uma caracterização sócio-demográfica dos especuladores de títulos, para que seja perceptível a irracionalidade e inconsistência do próprio mercado.
Pretender que a razão pela qual os mercados se comportam de forma selvática e canibal, tem a ver com a existência da prostituição é no mínimo demagógico.
A prostituição já existia muito antes do estabelecimento do sistema capitalista internacional e tenho sérias dúvidas que a sua complexificação e construção a ela se tenha devido.
O impulso sexual é algo intrínseco ao animal humano e não é nele que residem os males do mundo. O que me parece importante reter neste artigo é a falta de escrúpulos dos meios e não o seu fim.
A reflexão que importa fazer é se deveremos submeter as pessoas à ditadura dos mercados ou repensar o próprio sistema para que a economia, mercados e finanças sirvam o ser humano e não o contrário.
Repensar o sistema é custoso, dá muito trabalho. Provavelmente é mais fácil tecer considerações sobre prostitutas e prostituição estabelecendo relações causa-efeito de forma simplista e linear.
Este pode ser o ponto de partida para construirmos uma verdadeira mudança ou vamos só culpar as prostitutas?

Anónimo disse...
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Anónimo disse...
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