Os especuladores podem não causar dano quando são apenas bolhas numa corrente empresarial incessante. Mas as coisas tornam-se preocupantes quando a empresa se converte numa série de bolhas no turbilhão especulativo. Quando o desenvolvimento do capital dum país passar a ser um subproduto das actividades de um casino, a obra sairá provavelmente torta.
John M. Keynes, Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, 1936.
Os investimentos especulativos ilegais de Álvaro Santos Pereira são um problema político. A incensada e fictícia independência dos bancos centrais não passa de real dependência do capital, como temos insistido.
Ao comprar ações da Galp e da Jerónimo Martins, o Governador sabe que estes mastodontes empresariais estão sempre em condições de lucrar com a atual instabilidade, à custa do povo português. A privatização da Galp foi ruinosa.
Como afirma voluptama: “Ter sido o BCE e não as nossas instituições a fiscalizar isto. Mostra bem o nível de subserviência enquanto país.
Ir para presidente do BdP e achar que pode continuar a especular como se nada fosse. Mostra o nível de falta ética.”
E mais: “Se um país considera normal que um PM receba avenças de privados enquanto governa, e que seu governo aprove medidas que favorecem aqueles que as pagam, como poderia o Governado do BdP achar errado comprar ações enquanto ocupa o cargo?”


6 comentários:
Creio que as conclusões são erradas. O que espanta é que ele desconhecesse as staff rules and regulations do BCE. Sendo que no caso são evidentes.
O problema político é outro: esta criatura perdeu toda a credibilidade no BCE entre os colegas governadores e os directores de departamentos. Ah sim, esse...pois...
E sendo um casino e sendo o Presidente do BdP a demonstrar interesse - e a efetivá-lo - em comprá-las, alguéns saíram muito beneficiados com esta notícia.
Falta saber quanto é que ele abichou com essa ilegalidade.
Ao que li tiraram-lhe o osso dos dentes.
sinal para os ‘investidores’ está dado: comprem estas, vale a pena, vão ganhar.
mas não era necessário: o contrário terá sido verdade.
do poleiro de onde cacareja, viu uma oportunidade de ‘empreender’ e assim fez.
ainda por cima agora, que dispõe de uma renda que lhe dá bastante cabedal.
abana-se uma mão - o valor da reforma do anterior GdP e antecipação desta (que este provocou), para distrair, e com a outra vai-se ao pote.
(naquele caso faltou dizer quanto ele ganha, e mais do que isso, qual a sua função que justifica esse valor… mas prontes, nada de novo)
neste caso:
- se não sabia o óbvio, demita-se - por incompetência para o cargo
- se sabia, obviamente, demita-se - por falta de honra.
mas claro, como vem dizendo o autor do postal: estes organismos são um estado de intocáveis, dentro do estado
em suma, o sr não vale um caracol, qual pastel de belém.
rui
Ainda o melhor que fez na vida foi a justa promoção dos pasteis de nata.
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