O progressismo não conseguiu superar o pensamento económico dominante. O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança; provocou crise atrás de crise, ainda assim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo.
Lula da Silva, Global progressive mobilization, Madrid, 20 de abril de 2026.
O Presidente brasileiro é profundamente contraditório, claro: basta pensar que apoiou o acordo UE-Mercosul, uma peça retintamente neoliberal.
Mas sem este reconhecimento, não há mudança, de facto.
A depauperada social-democracia europeia está longe desta autocrítica e também por isso vai continuar a morrer. Aceitou o neoliberalismo pelo menos desde Maastricht, toda a tralha institucional europeia que tornou a democracia economicamente impotente e que temos descrito e criticado desde 2007 neste blogue. Esta tralha é cada vez mais pesada.
Agora, aceita a corrida armamentista e mais federalização furtiva e estruturalmente antidemocrática. Esta social-democracia está a morrer e, pior, merece morrer. Fora da UE, há vida, claro. Dentro da UE, há, aqui e ali, vida que resiste, mas a pulsão de morte está a ganhar e isto não é defeito, mas sim feitio institucional.


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