Os Estados Unidos, que ameaçam até a Gronelândia, procuram impor o seu domínio global na América Latina, obrigando os governos a conformarem-se à sua política, como aconteceu na Venezuela e poderá alastrar-se a Cuba, após o endurecimento do bloqueio americano. A operação «Fúria Épica» no Irão, com contornos vagos, representa uma escalada bélica cujas consequências já se fazem sentir com intensidade.
Israel e os Estados Unidos, envolvidos num genocídio e em agressões, anexações e guerras ilegais, não se limitam a desrespeitar o direito internacional e instituições como as Nações Unidas. Deixaram também de prestar contas aos que designam como «aliados».
Na União Europeia – onde só o presidente do governo espanhol defende claramente o multilateralismo, a aplicação do direito internacional e a via da paz –, os governantes reagem a uma aventura militar desastrosa sem capacidade, ou vontade, de evitar a escalada dos desequilíbrios geopolíticos que ela acarreta, nem a crise socioeconómica em que ameaça mergulhar o continente. Enquanto se avoluma a crise resultante da dependência dos hidrocarbonetos, da interrupção das cadeias logísticas, da inflação galopante nos bens essenciais e da perda de poder de compra dos cidadãos, até quando vão os governos europeus (incluindo o português, que presta apoio à guerra americana) manter a cumplicidade ou até o apoio a Donald Trump e a Benjamin Netanyahu?

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