quarta-feira, 8 de abril de 2026

Debater o caos para sair dele


O mundo está em perigo. A operação militar lançada em 28 de fevereiro pelos governos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão ateou o fogo em todo o Médio Oriente e ameaça a estabilidade regional e global. A guerra entre Kiev e Moscovo, após a invasão feita pela Rússia, dura já há quatro anos e as negociações chegaram a um impasse. Os bombardeamentos, a ocupação e o genocídio perpetrados pelo exército israelita em Gaza e na Cisjordânia (com os ataques militares a estenderem-se já então ao Iémen, à Síria, ao Qatar, ao Irão e à Líbia) duram há mais de dois anos. 

Os Estados Unidos, que ameaçam até a Gronelândia, procuram impor o seu domínio global na América Latina, obrigando os governos a conformarem-se à sua política, como aconteceu na Venezuela e poderá alastrar-se a Cuba, após o endurecimento do bloqueio americano. A operação «Fúria Épica» no Irão, com contornos vagos, representa uma escalada bélica cujas consequências já se fazem sentir com intensidade. Israel e os Estados Unidos, envolvidos num genocídio e em agressões, anexações e guerras ilegais, não se limitam a desrespeitar o direito internacional e instituições como as Nações Unidas. Deixaram também de prestar contas aos que designam como «aliados». 

Na União Europeia – onde só o presidente do governo espanhol defende claramente o multilateralismo, a aplicação do direito internacional e a via da paz –, os governantes reagem a uma aventura militar desastrosa sem capacidade, ou vontade, de evitar a escalada dos desequilíbrios geopolíticos que ela acarreta, nem a crise socioeconómica em que ameaça mergulhar o continente. Enquanto se avoluma a crise resultante da dependência dos hidrocarbonetos, da interrupção das cadeias logísticas, da inflação galopante nos bens essenciais e da perda de poder de compra dos cidadãos, até quando vão os governos europeus (incluindo o português, que presta apoio à guerra americana) manter a cumplicidade ou até o apoio a Donald Trump e a Benjamin Netanyahu? 

Acima, algumas das interrogações que servem de mote para debate (inscrição). 

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