quinta-feira, 16 de abril de 2026

Alternativas económicas


Apesar da sua linha editorial europeísta, esta revista mensal francesa continua a ser uma referência na divulgação do pensamento económico crítico e da política económica alternativa. Os seus números especiais sobre história económica e do pensamento económico são particularmente instrutivos. 

No ano em que se assinalam os noventa anos da publicação da Teoria Geral da Moeda, do Juro e do Emprego, este número é um excelente exemplo de haute vulgarisation da sua vida e obra, com a vantagem de lembrar o trabalho do economista canadiano Gilles Dostaler, que teve um contributo significativo na interpretação de Keynes, coautor do excelente O pensamento económico de Keynes aos nossos dias - Súmula histórica e dicionário dos principais autores (Afrontamento, 2000). 

No centro do pensamento de Keynes está a valorização da incerteza, que não se confunde com risco, como defendi em plena pandemia. No fundo, há dois tipos de economistas: a maioria, ainda neoclássica, que age como se não houvesse diferença, e a minoria, heterodoxa, que a conhece a fundo. Há outra diferença crucial e relacionada, se virmos bem: a minoria que sabe que numa economia monetária de produção é a poupança que depende do investimento; é surpreendente como tantos podem estar equivocados numa relação de causalidade aparentemente tão simples.

Sim, a revolução keynesiana foi travada na teoria, mas, na prática, a teoria é outra, embora os propósitos sociais desta prática não sejam o pleno emprego, a justiça social, as mais amplas e iguais liberdades e a socialização do que é bom e belo...

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