terça-feira, 19 de junho de 2018

É preciso que algo mude...

Num excelente trabalho do Negócios da passada semana sobre as alterações na área laboral, o insuspeito António Monteiro Fernandes, Professor de Direito do Trabalho e antigo Secretário de Estado de Guterres, afirmava perceber “bem que a parte patronal tenha aceitado de modo seráfico este acordo”, já que no fundamental nada muda em relação a 2012, ou seja, em relação à troika: “o fantasma que podia existir em face das negociações [à esquerda] foi completamente afastado”, “tudo o que era essencial para os empregadores mantém-se”, afirmou então.

Perante isto, há quem valorize alterações de detalhe, sublinhando, por exemplo, que é a primeira vez desde a instauração do euro que a contra-reforma não avança. Na melhor das hipóteses, o que alguns chamam de governo de esquerda não passará de um compasso de espera na mais fundamental das questões. Os representantes dos patrões estão naturalmente satisfeitos e deram sinais disso.

Afinal de contas, é hoje claro que o governo do PS aceitou a pesadíssima herança da troika ou não estivessem as verdadeiras preferências políticas de António Costa, um homem da terceira via, a revelar-se de novo, sobretudo desde que Rui Rio é líder do PSD. As propostas de comunistas e bloquistas nestas áreas têm sido sistematicamente chumbadas. Estes últimos até constituíram um grupo de trabalho sobre a precariedade, cujas conclusões foram em geral ignoradas, confirmando que este modelo de articulação não permitiu avançar em nenhuma área.

Agora, o bloco central informal aí está, com Rio e Marcelo a acompanharem o governo, os representantes dos patrões e uma central sindical que se não existisse tinha de ser inventada para assinar tudo o que o governo de turno lhe coloca à frente.

Entretanto, o PS está cada vez mais longe da maioria absoluta. O PS é muito mais frágil do que parece, sublinhe-se uma vez mais. Afinal de contas, isto é uma periferia e nas periferias os desenvolvimentos, incluindo políticos, são externamente sobredeterminados. Por isso, mas se calhar não só por isso, a pergunta não desaparece: se a terceira via colapsou por todo o lado, porque é que por cá seria, a prazo, diferente?

19 comentários:

Anónimo disse...

Mais uma vez um excelente,clarividente e directo post

Jaime Santos disse...

O PS sempre foi frágil, João Rodrigues, convém lembrar os resultados da FRS ou de Almeida Santos. Só que, como também noutros sítios, a Esquerda à esquerda do PS parece que beneficia zero com aquilo que são os atritos naturais da Governação dos Socialistas.

Isto pela simples razão de que eleitorado centrista, cujas notícias de desaparecimento são, convenhamos, algo exageradas, a última coisa que fará é ir votar em quem anda cantar loas à 'Economia de Abril'. Podemos ser um bocado ingénuos ao acreditar no PS, o que não somos é burros para ir atrás do canto de cisne de quem defende sistemas cem vezes falidos (e nada democráticos, note-se)...

Mas, se quiser, pode sempre ficar com Rui Rio. Só para ver se gosta...

Geringonço disse...

Mas há alguém que verdadeiramente acreditava que o PS tinha mudado de um dia para outro?
O PS não mudou.

Mantenho aquilo que defendi aquando da criação da "Geringonça", o PS e Costa necessitavam desesperadamente de se desenvencilhar da imagem "igual ao PSD". A jogada de Costa foi inteligente e arriscada, admito, mas era apenas um balão de oxigénio que não ia durar para sempre.
O PS para sobreviver não precisa apenas de se desenvencilhar da imagem "igual ao PSD", tem que se desenvencilhar do neoliberalismo... Vai fazê-lo? Não acredito, neoliberalismo está entranhado no Costa e no PS...

Anónimo disse...

O PS sempre foi frágil?

Francamente Jaime santos, algum respeito pela memória histórica e pela memória das pessoas.

As marés rosas que converteram a maior parte dos municípios em vitorias do PS? Ou as eleições legislativas de 2005 que deram a vitória ao PS liderado por José Sócrates, com ampla maioria absoluta?

E a referida fragilidade do PS está bem presente naquela célebre frase, que dizia que "quem se mete com o PS leva"

Anónimo disse...

Quanto ao eleitorado dito centrista...confessemos que já teve melhores dias.Esta de não ser nem carne nem peixe pode funcionar até uma determinada altura.

Mas depois as pessoas começam a mandar para as urtigas as políticas de traição e compadrio. Os blocos centrais de interesses podem também acabar por ter os seus dias contados, embora haja sempre quem o queira reviver. Os tachos e as prebendas a dividir por dois ou por três são sempre muito fortes


Embora seja legítima a pergunta que este pequeno texto suscita:
"... eleitorado centrista, cujas notícias de desaparecimento são, convenhamos, algo exageradas, a última coisa que fará é ir votar em quem anda cantar loas à 'Economia de Abril'. Podemos ser um bocado ingénuos ao acreditar no PS, o que não somos é burros para ir atrás do canto de cisne de quem defende sistemas cem vezes falidos (e nada democráticos, note-se)..."

Isto quer dizer que Jaime santos já se considera como fazendo parte do eleitorado centrista?

Anónimo disse...

Quanto ao Rio e a quem quer ficar com este...

Francamente, essa é de cabo de esquadra. Basta ter os olhos semi-abertos e alguns sentidos, ainda que embotados.

Já sabemos onde o Rio anda a fazer o ninho, pelo que essa não passa. Já não estão na fase de namoro.Já foram apanhados juntos na cama, com o código de trabalho e com a questão dos professores. Não sabemos bem é qual a natureza do acto sexual que praticam juntos

Anónimo disse...

Antonio Costa propõe um código laboral "amigo" dos patrões que garante e aprofunda a desigualdade. Quem são de facto estes senhores que apregoam uma coisa e fazem outra? O que se pode construir de sólido e seguro com esta gente?

Anónimo disse...

Mário Centeno, ministro das Finanças que teve como ambição presidir um órgão ilegítimo e não democrático, cargo que actualmente ocupa com grande orgulho e sentido de pretensa. Vieira da Silva ministro do trabalho, da solidarieda e da segurança social, homem experiente na função que acompanha a perda generalizada de direitos laborais, o crescendo da desigualdade e a regressão no proposito e na abrangência da segurança social. Que gente é esta?

Anónimo disse...

"Pertença", claro.

Jose disse...

“tudo o que era essencial para os empregadores mantém-se”

Se é assim, ainda bem, que o que é essencial para os empregadores é essencial para o emprego.

Jose disse...

Mas talvez algum dos treteiros de serviço explique, sem transformar patrões em cooperantes ou gestores por conta do orçamento do Estado, porque afinal não é essencial para os empregadores recusar as propostas da esquerdalhada, numa economia capitalista e aberta à concorrêmcia.

Anónimo disse...

Cá seria diferente porque Portugal tem uma válvula de escape ("redes" de emigração) que funciona muito bem e que alivia um pouco o estado das coisas. Aliás, se durante o período 2011-2015 não houve uma derrocada das intenções de voto em nenhum dos partidos de governo, torna-se bastante provável que tal não aconteça num futuro relativamente próximo. Talvez na próxima grande crise económica. Mas até lá…
Infelizmente é assim. Ou seja, não basta a quase-estagnação económica de décadas (e que continuará) para acontecer uma mudança de fundo.

Anónimo disse...

Olha a boçalidade patronal todo contentinha pelo rumo laboral do governo e do PS

Até não falta a identificação salazarenta dos interesses do patronato con o emprego. Segundo o credo dos patrões, claro

A trampa corporativa do estado novo a sair pelas costuras saudosas dos seus aficionados

Anónimo disse...

Olha a boçalidade de um comentador , um tal José ou Jgmenos, a pedir batatinhas a quem apelida de treteiros

Mete alguns repugnância quem andava sistematicamente a azucrinar-nos com os coitadinhos vir agora com este choradinho a pedir que o elucidem bla-bla-bla.

Não se enxerga o vetusto treteiro que salmodia tretas por tudo o que é sítio?

Anónimo disse...

Essa do não descalabro dos partidos do governo troikista tem muito que se lhe diga
Tal como essa das redes de emigração, a tornar real alguém a construir essa rede que só existe na imaginação do comentador.

Quanto à mudança de fundo apregoada... talvez ler de novo o texto

Anónimo disse...

Este post do João Rodrigues é um post ao serviço dos direitolas. Este é um Governo de esquerda que virou a página da austeridade e da troika!!!!!

esteves, ayres disse...

O que me espanta é que ninguém tenha coragem de denunciar o acordo que o PS, BE, PCP/VERDES e mais tarde o PSD! Acordo esse imanado da V/querida "União Europeia, sim eu digo querida porque todos nós estamos a ser vitimas dos partidos que defenderam a entrada da UE/CEE Euro e Troica em Portugal… Eu nunca votei para a entrada da UE e Euro!!!
Hipocrisia meus senhores…
Não ao Euro!
Não à UE!

Anónimo disse...

23 e 48

Surge de novo o joão Ferreira Pimentel aonio eliphis.

Com a raiva própria de um passista desgovernado

Com a desonestidade própria de um neoliberal governado

Albino M. disse...

Foi você que pediu um... José?
(Sape gato, passa cão...)