segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Paralelismos noutra dimensão

"Apesar do rápido crescimento económico e das profundas transformações estruturais, as políticas de regulação conjuntural continuaram a ter características marcadamente conservadoras. Não se imitaram entre nós as políticas de tipo keynesiano de controlo da procura, que então estavam em voga na maioria dos países europeus. A política orçamental dos governos do Estado Novo continuou, como em décadas anteriores, a ser dominada pelo objectivo de evitar os défices orçamentais, ainda que com sacrifício de despesas públicas essenciais com a educação, a saúde, a segurança social e mesmo, embora em menor grau, os investimentos em infra-estruturas económicas"
(José da Silva Lopes, A economia portuguesa desde 1960, Gradiva, sobre a economia em Portugal durante a ditadura de 1960 a 1973)

27 comentários:

Jaime Santos disse...

Nessa linha de argumentação, João Ramos de Almeida, também se pode concluir que, como Hitler aplicou políticas keynesianas, Keynes era um fascista. Não, esses paralelismos são intelectualmente desonestos, porque procuram meter no mesmo saco Conservadores e Corporativistas. E são-no também porque procuram fazer o paralelo entre uma era histórica que se caracterizava por um preço baixo das matérias primas e por zero preocupações ambientais com outra em que isso não é de todo verdade.

E depois fica a pergunta: aonde se vão buscar os tais recursos que permitem o endividamento contínuo do Estado (suspeito que sei a resposta, aos depositantes dos bancos, pelo menos enquanto a moeda valer alguma coisa)? A instabilidade durante a I República e que levou ao aparecimento do Estado Novo também se deveu à situação financeira do País, fruto da falência no final do sec. XIX (e que condenou primeiro a Monarquia). Falência aliás que esteve longe de ser a primeira da nossa História, note-se.

Portugal precisaria de uma política mais expansionista, irá ter aquela política que os credores lhe permitirem ter, com ou sem Euro. Para dispor de soberania, é preciso igualmente de dispor dos meios financeiros para tal...

Anónimo disse...

Jaime Santos, a tua capacidade para ler coisas que não estão escritas é fantástica. Mais vale ler devagar...

Anónimo disse...

No texto de JRA nada permite tirar a ilacção de Jaime Santos.

De facto Salazar seguiu uma linha económica retrógrada assente no entesouramento de ouro quando no resto da Europa esse referencial já tinha sido substituido pelo sistema de Bretton Woods.

Também recusou os financiamentos do plano Marshall, e se algum paralelo há a fazer é com o conservadorismo abjecto de Bruning, o chanceler da fome.

Parece-me inteiramente justa a critica de que enquanto todo o resto da Europa usava políticas keynesianas com bons resultados que se evidenciaram durante décadas e que numa situaçao política normal Portugal poderia ter corrigido o rumo, devido à ditadura e ao obscurantismo económico de Salazar isso não foi possível.

No final o ouro que Salazar acumulou acabou por nunca cumprir a função de expandir a economia, e os sacrifícios exigidos pela sua acumulação foram em vão.

A relação entre a sobrerania e os meios financeiros é a oposta do enunciado por Jaime Santos.

Não são os meios financeiros que precedem a soberania.

É a soberania que cria condições para a criação dos meios financeiros.

Como pode um protectorado acumular riqueza se os colonizadores criam justamente mecanismos para drená-la em seu proveito?

Sem se quebrar o quadro institucional neocolonialista nenhum país colonizado poderá prosperar.
S.T.

Anónimo disse...

Chama-se delicadamente a atenção a Jaime Santos que o texto exposto é de José da Silva Lopes. Referem-se a um outro tempo mas abarcam o tempo que refere, ou seja o tempo do fascismo. E abordam tal tempo com um rigor e um distanciamento que deviam envergonhar JS.

Também se sublinha que a linha argumentativa de JRA ( no seguimento do preclaro texto de Silva Lopes) não permite tirar qualquer conclusão do estilo "como hitler aplicou políticas keinesianas era um fascista". Este paralelismo não é só intelectualmente desonesto como é ofensivo. Para Silva Lopes, para JRA e até para Keines. E curiosamente vai no seguimento de todo um argumentário neoliberal que pulula entre as hostes dos fundamentalistas do fundamentalista Mises

Jose disse...

A independência nacional tem custos.
Os independentistas d'agora acreditam que podem ter dívida e independência, mas dentre líricos, estúpidos e treteiros não há muito mais a esperar.

Anónimo disse...

Vamos lá pôr a coisa em perspectiva. É também de José da Silva Lopes a frase: "O milagre económico por que passou a economia portuguesa entre 1960 e 1973."! Além disso o analfabetismo em Portugal passou de 60 % em 1930 para 25.6% em 1970. Em termos de Saúde temos esperança média de vida de 38 anos em 1920, 50 anos 1940 e 67 anos em 1970. Outro indicador que mostra uma evolução curiosa é o índice de desenvolvimento humano, em que ocupávamos aproximadamente a 20º posição em 1975 e a 41º posição actualmente... Enfim alguns dados para tornar a discussão mais interessante.

Avelino Paos disse...

Jaime Santos ,mas as políticas econômicas de Hitler não podem ser dissociadas das suas violentas políticas anti semíticas e de genocidio...

Jose disse...

«É a soberania que cria condições para a criação dos meios financeiros.»

Assim é que é falar!
Denota um profundo conhecimento histórico, em que mouros, africanos, indianos e americanos sofreram uma experiência directa da aplicação desse princípio.
Às armas, heróis do mar, pela soberania que nos trará riqueza!

Jose disse...

«Também recusou os financiamentos do plano Marshall...»

Não é verdade.
Passados anos Salazar mandou pagar o que tinha recebido, o que causou problemas sérios à administração americana que não tinha sequer cobertura legislativa para uma receita de devolução do que nunca esperaram receber.
Insistiu soberanamente e o congresso autorizou a receita.

Soberania exige balls e carácter!

esteves, ayres disse...

Este artigo (excerto)foi retirado num contexto um pouco diferente, daquele que se esta analisar, mas entendia, coloca-lo, e já lá vão cerca de três anos (mas esta sempre actual) quando foi escrito, mas que nunca foi divulgado pela dita "comunicação social", cada vez mais controlada pela burguesia e pelo imperialismo internacional.(...)"Em Portugal, há cinco partidos do Euro: CDS, PSD, PS, Bloco e PCP. Se estiverem no poder, sozinhos ou acompanhados, têm todos a mesma política fundamental: a política da Tróica.só posso dizer que o PS, seja aliado ao PSD/CDS, seja aliado ao PCP e ao Bloco, aplicará sempre a política de Bruxelas, da Europa alemã, do capitalismo germânico, de Ângela Merkel e de Schäuble, dos credores estrangeiros, da Tróica. Claro… com caras novas, diferentes das caras que nos esmifraram durante estes últimos quatro anos, mas a mesmíssima política"! Por fim:"Tu dirás porventura isso, porque não és grego nem francês, porque se foras heleno ou gaulês saberias, na tua própria pele, que o socialista François Hollande é pior e está mais à direita do que o quase fascista Nicolas Sarkozy, assim como o socialista Pasok é pior e desapareceu já à direita da Nova Democracia. Dá-se até o caso de que na Grécia, o Bloco de Esquerda lá do sítio, que dá pelo nome de Syriza, já está à direita não do Pasok mas da Nova Democracia"!..
Assinado pelo Advogado Arnaldo Matos.. Agradeço desde já, o seu contributo, para este ou outro tipo de discussão...

Anónimo disse...

O Sr Jaime Santos costuma chegar ao LdB, normalmente, em estado acossado. Para começar, por causa do euro, depois por causa da social-democracia que já não vislumbra na sua vizinhança, mas da qual ninguém do LdB pode falar, do que foi nem do que já não é. E quando não encontra, no imediato, um dos seus pratos favoritos de disputa, parte na mesma para o ataque nem que tenha de se comportar de forma desonesta atribuíndo ao autor do post a atitude que revela.

Depois, recorrer a Hitler como exemplo de política expansionista, em que os meios só serviram para atingir objectivos bélicos, imperialistas e de extremínio, é bater no fundo do poço da desonestidade e desfaçatez. E como foi dito num comentário acima é ofensivo para com Silva Lopes, JRA e Keynes. E digo mais, é nojento e revelador de um desespero em muito semelhante com o exibido pelos trolls de serviço.

Anónimo disse...

Soberania exige balls?

Mas o jose assume-se hoje como um vulgar vende-pátrias ao serviço da Alemanha uberalles...há muitos textos que o confirmam

E balls? O salazar? Aquele que reunia todos as semanas com o director da pide para combinar as pulhices habituais?
Como o assassinato de Humberto Delgado?

Balls? O tipo que vivia obcecado com os gorilas do exército e acompanhado pela brigada do reumático?

Balls? Aquele que andava nos chás canastas com as dondocas do regime?

Balls? Um tipo que não saía sem um bando de facínoras à volta, guarda-costas da pide com cheiro nauseabundo?

Balls? O tipo que fez chás de caridade em apoio às forças fascistas de Franco, para recolha de fundos junto dos grandes empresários e patrões DDT?

Balls? O tipo co-responsável pelos crimes inenarráveis da guerra civil espanhola?

Quanto às balls...O 25 de Abril teve um efeito curioso em jose. Mas suba-se o nível da conversa porque de salazarentos personagens já estamos todos fartos

Anónimo disse...

Os dados do anónimo que quer a discussão mais interessante, mostram interessantemente um sujeito em jeito de propaganda ao regime que mandava morrer e matar em África.

Tal gente deve ser apodada da forma como merece. Mas já lá iremos

Em 1975, salazar aquela figura grotesca e criminosa já dera o tombo há muito. Já fora substituído por Marcelo

E já ocorrera a Revolução de Abril que abrira as portas a uma lufada de ar fresco.


Anónimo disse...

Mas esta gente da discussão "mais interessante" devia saber mais.

O IDH? Em 1975?

Por acaso esses dados foram extrapolados e a partir de dados fornecidos já após a revolução portuguesa

Porque o IDH surje no fim da década de 80, em que um grupo de economistas reunidos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) se dedicou a uma tarefa complexa: traduzir, em números, o bem-estar social nos países. O resultado do trabalho foi apresentado em 1990, ano em que a entidade divulgou, pela primeira vez, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O indicador surgiu como um contraponto ao já consolidado Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos em um país), criado no pós-crise da década de 1930 e, até então, considerado a melhor forma de mensurar o nível de desenvolvimento de uma nação.

Só tretas. Estes amantes dos tempos do salazarismo....

Anónimo disse...

Históricamente a conquista da soberania sempre precedeu a prosperidade das nações.

Assim foi com os USA, com a China, com o Japão, com a India e com todos as nações que tenham sofrido o jugo colonial.

A começar pela Revolução Americana contra as políticas mercantilistas da colonialista Inglaterra da altura.

Precisamos lembrar a Marcha do Sal de Gandhi? Precisamos de lembrar os milhões de mortos na fome de 1943-44 e as suas razões?

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/8/84/Statesman_j.jpg

Esperar por uma prosperidade que numa situação de condicionalismo monetário nunca virá é como esperar por sapatos de defunto.

Esperar por mecanismos compensatórios pelos prejuízos que o Euro nos causa é a mesma atitude conformista dos socialistas europeistas. Também isso é esperar por sapatos de defunto.
S.T.

Anónimo disse...

"A relação entre a sobrerania e os meios financeiros é a oposta do enunciado por Jaime Santos.

Não são os meios financeiros que precedem a soberania.

É a soberania que cria condições para a criação dos meios financeiros".

Nem mais

Anónimo disse...

O índice de desenvolvimento humano, mesmo que extrapolado, conta a história da queda vertiginosa neste ranking, de Portugal até à actualidade. Ninguém está a defender nada, apenas se está a forncer vários dados para enriquecer o que seria uma discussão pobre!

Anónimo disse...

Não.

Ninguém está a defender nada. Mas a discussão podre começa pelas inverdades. E estas não podem passar.

1974/1975 foram boas colheitas. E até se reflectiram no IDH...extrapolado

Anónimo disse...

Mais uma vez o vocabulário de jose resume-se a estes mimos: "treteiros e estúpidos".

Uma pena. A educação deste patronato que vivia à sombra de salazar é uma tristeza

Sublinhe-se contudo esta ideia. Para jose a "independência nacional tem custos". Sabemos isso. Tem o preço em euros que lhe paguem os lucros e lhe permitam assumir-se como um pequeno vende-pátrias. Todavia nos idos tempos do salzarismo assumia-se como um assumido colonialista. Malhas que o império tece.


«A soberania (é) que cria condições para a criação dos meios financeiros» é uma frase portentosa. Tanto que deixa o ex-colonialista eriçado. Sabemos que das colónias os colonialistas sacaram bem as suas riquezas. À custa de tantas mortes e tanta miséria.

"mouros, africanos, indianos e americanos" sabem bem o que se passou. A Índia é um bom exemplo.

(Mouros é linguagem de caserna. Os angolanos mal ou bem a eles cabe decidir das suas riquezas).

Infelizmente na América os índios nunca tiveram direito à sua soberania. Foram em grande parte chacinados, num processo de genocídio ainda hoje por avaliar

"É a soberania que cria condições para a criação dos meios financeiros". Percebe-se que há quem nãogoste e prefira as balls de salazar

Anónimo disse...

Sobre salazar e o plano marshall lastima-se que as fontes de jose sejam o Diabo e outros pasquins

A direita, a direita-extrema, gosta do diabo. Monta-o ou é montada por ele, à discrição. Mas o processo de efabular e de apresentar como factos as histórias apresentadas pela propaganda do estado novo e pelos discursos de salazar, não pode passar.

Sabemos que estes discuuuuursooos, tidos anedoticamente como claros e lúcidos por alguns dos seus viúvos,estão impregnados daquela cobardia própria de quem dizia uma coisa e a limitava na frase seguinte. Mas isto fica para uma outra abordagem.

"O envolvimento de Portugal no plano americano de reconstrução da Europado pós-guerra — tema que tem permanecido praticamente virgem no campo da historiografia portuguesa —, para além das repercussões que registou e do significado que alcançou, quer a nível externo, no que se refere ao posicionamento de Portugal no mundo do pós-guerra, quer ao nível da vida política e económica nacional, representou uma das mais significativas alterações da política externa portuguesa conduzida pelos governos de Oliveira Salazar.
Na verdade, no escasso período de praticamente um ano, que se inicia com as primeiras reacções das autoridades portuguesas ao discurso do general Marshall (início de Junho de 1947) e culmina em Agosto-Setembro de 1948, as autoridades portuguesas operam uma mudança radical na sua posição face ao auxílio financeiro norte-americano. De uma inicial atitude de rejeição do auxílio, formalmente anunciada em Setembro de 1947, as autoridades portuguesas viram-se compelidas a solicitá-lo precisamente em Setembro do ano seguinte.

Anónimo disse...

A história que envolve Portugal e o plano Marshall é rocambolesca e arruína alguns mitos construídos tão cuidadosamente pela propaganda do regime.

A começar pelas balls de salazar, tão apreciadas e elogiadas por alguém aí em cima. Testemunha também o carácter do ditador, que começa pelos seus floreados típicos e converte-se depois numa outra coisa bem diferente e rasteira

Temos que até meados de Agosto de 1947 a propaganda oficial assentava nas velhas tretas da não necessidade em acordos comerciais bilaterais e que os diferentes países se encontravam em grave crise e que Portugal não precisava do auxílio financeiro e outras escritas esdrúxulas que podemos apreciar na correspondência ministerial e diplomática.Freire de Andrade, o nomeado representante português para a Comissão Financeira internacional envolvendo os países interessados, joga numa linguagem ambígua.

Mas a situação económica em Portugal agrava-se. Relativamente ao ano de 1947, nesse Agosto de 1947, possuem-se apenas os dados referentes às reservas públicas e divisas para o mês de
Julho, que, apesar de tudo, permitiam verificar um forte agravamento da situação já negativa da balança de pagamentos portuguesa comparativamente com os dados referentes a 31 de Dezembro de 1945 e 1946.
Depois dos jogos de poder tão típicos da corte salazarista, com a intervenção directa ( e incompetente de salazar) Portugal rejeitou oficialmente o auxílio proposto pelos EUA. Propangueada tanto interna como externamente tal posição serviu durante muito tempo como propaganda às "qualidades" do regime. No entanto a breve trecho regista-se um volte-face
na posição do governo português em relação ao auxílio americano.

Sucedeu que ao longo dos primeiros meses de 1948 se assistiu a uma deterioração acentuada da situação financeira e cambial portuguesa.A balança de pagamentos de Portugal e colónias, que exibira um superavit de 4543 milhões de escudos em 1942, descera para 509 em 1946 e registava um saldo negativo de 2970 milhões de escudos em 1947,provocado sobretudo pelo aumento do défice que a nossa balança comercial vinha apresentando desde 1947. Como resultado de tudo isto,registou-se uma acentuada diminuição das reservas em divisas, sobretudo nos anos de 1947 a 1949, ameaçando assim o equilíbrio financeiro, que constituía uma das «pedras de toque» da política económica do regime.

A partir de determinada altura a situação toma-se dificilmente controlável. No início de Março, dias antes da abertura da segunda Conferência de Paris, o embaixador Teotónio Pereira envia para o Ministério um telegrama «alarmante».
Face ao progressivo agravamento da situação do comércio externo português,acompanhado de uma visível deterioração da posição financeira e cambial do país,o ministro das Finanças acciona mais uma medida destinada a aliviar a «crise». Nos finais de Junho de 1948, Costa Leite redige um memorando onde formula uma proposta do governo português para obter cooperação financeira dos EUA sob a égide da ECA. A proposta é, como era habitual nos discursos ditos claros e lúcidos de salazar,uma trapalhada cheia de condicionais e de evasivas, de contra-propostas idiotas e chico-espertezas bolorentas.

Anónimo disse...

No dia 15 de Julho o secretário de Estado norte-americano George Marshall responde ao telegrama do embaixador MacVeagh e à proposta portuguesa.
A resposta é peremptoriamente negativa: «Não há hipótese de os EUA ou
de a ECA poderem aceitar créditos esterlinos portugueses em troca por dólares
conforme sugerido no telegrama 389 de 3 de Julho. Além disso, acrescenta Marshall para conhecimento exclusivo do embaixador,"qualquer assistência da ECA a Portugal deve assumir a forma de crédito ECA nos termos usuais".

De Lisboa, é o próprio presidente do Conselho, que intervém directamente no assunto: «Extrema reserva e laconismo resposta americana [...] não nos permitem fazer ideia exacta pensamento Estados Unidos acerca sugestão por nós apresentada [...] Telegrafou-se Washington a recomendar esforços sentido obter máxima discrição esclarecimentos possíveis.

Nota-se o cagaço de salazar. Mas o cagaço é a dois níveis. Com a posição americana e com a possibilidade de deixar fugir dos gabinetes aquilo que o regime temia.Que a muito breve trecho Portugal mudaria de posição. Estamos em Agosto de 1948, nas vésperas de se operar uma alteração radical na atitude do governo português e na consequente decisão de rejeitar o auxílio financeiro Marshall para Portugal. Nos meses seguintes o governo português vai solicitar e bater-se para que Portugal seja contemplado na distribuição dos créditos Marshall e, directamente ou através dos seus representantes diplomáticos, envidará todos os esforços no sentido de obter junto do governo norte-americano, da ECA e da OECE o máximo no montante de auxílio financeiro norte-americano a atribuir a Portugal.

Na altura detectam-se alguns sinais de desespero e impotência das autoridades portuguesas perante a crise financeira e comercial que alastra em Portugal.

A 20 de Julho de 1948 é Oliveira Salazar,que, apreensivo face aos acontecimentos,e dando mostras de uma flexibilidade que até aí tinha evitado usar, coloca,por fim, a hipótese de se recorrer ao auxílio Marshall.

A hipótese de conseguir a comparticipação de Portugal na distribuição dos créditos relativos ao primeiro exercício Marshall já não era, contudo, viável.
Excluída a possibilidade de obter auxílio financeiro no primeiro ano Marshall, até Julho de 1949, o governo português aposta na sua candidatura ao segundo ano.

A admissão de Portugal entre os países comparticipantes do auxílio Marshall pressupunha, como condição indispensável, a apresentação de um programa económico a longo prazo e do programa para 1949-1950 que justificasse o auxílio solicitado.

O programa apresentado em Paris, em Novembro de 1948, estimava em 625 milhões de dólares o capital necessário à sua execução, e foi esse o montante solicitado por Portugal à ECA.
A administração americana, tomando conhecimento do programa económico português, sugere que se atribuam a Portugal no ano Marshall 1949-1950, 10 milhões de dólares, montante que, como é óbvio, ficava muito aquém do que havia sido pedido pelo governo português.
Em Portugal, a notícia, já divulgada internacionalmente, de que a ECA havia proposto uma adjudicação preliminar de 10 milhões de dólares ao nosso país é mantida fora do conhecimento geral. A censura actua da forma como actua a canalha e nada transparece da enorme discrepância. Estávamos em vésperas das eleições presidenciais de 13 de Fevereiro de 1949, que haveriam de reconduzir Óscar Carmona à Presidência da República e tal informação só poderia mesmo ter "efeitos negativos"

Anónimo disse...

Em Julho de 1948 Portugal apresenta na OECE, com a assistência de funcionários da ECA, a revisão do seu programa para 1949-1950, demonstrando a deterioração crescente de que vinha sendo objecto a economia portuguesa.

A Portugal foram, por fim, concedidos 31,5 milhões de dólares a título de auxílio directo, mantendo-se o montante de auxílio indirecto que tinha sido previsto.
A verba não tinha praticamente expressão no total da ajuda directa atribuída nesse ano pela ECA aos países europeus, representando apenas 0,8% daquele total. Como, em qualquer caso, essas verbas só ficaram disponíveis a partir de Fevereiro de 1950, Portugal só se tornou beneficiário de facto do Plano Marshall praticamente dois anos depois dos restantes países da Europa ocidental.

Além da ajuda directa, foram, como já apontámos, atribuídos a Portugal 27,2 milhões de dólares de ajuda indirecta, constituída por direitos de saque sobre outros países participantes da OECE e destinada a cobrir os défices previstos da balança de pagamentos de Portugal com esses países.

Anote-se que no terceiro exercício Marshall, 1950-1951, Portugal recebeu ainda, a título de ajuda directa, 18,3 milhões de dólares.Todavia, no ano seguinte, o último ano Marshall, voltou a alterar-se a posição portuguesa e Portugal regressou à posição inicial de país não
beneficiário de auxílio financeiro Marshall. Poderemos saber porquê.

De todo o escrito fica-nos a certeza de que Portugal, após algumas hesitações, participou de corpo inteiro no Plano Marshall e que, para além do auxílio indirecto, mais difícil de contabilizar, beneficiou directamente de um montante total que ultrapassou os 50 milhões de dólares.

A história não acaba aqui e sobre a sua utilização haveria muito a dizer. Mas agora cabe ir ao fundo da historieta grotesca sobre as balls de salazar

Anónimo disse...

Um tipo de nome Luís Soares de Oliveira resolve postar num daqueles antros de saudosos salazaristas um post em que revela a seguinte história:

A"Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall. O embaixador incumbiu-me – ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada – dessa missão".

(O primeiro secretário vai assim com um chegue ao departamento de estado)
A narrativa prossegue em tons melodramáticos:

"O colega americano ficou algo perturbado. Disse-me que certamente havia um mal entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo ...transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo num altura em que o Tesouro Português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: "Pague já e exija recibo".

A narrativa prossegue verdadeiramente épica:

"o Secretário de Estado - ao tempo Dean Rusk - teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam" e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país – Portugal – que respeitava os seus compromissos"

É esta estória formatada para idiotas menores que um tal jose serve como prova das balls de Salazar

Quem consultar a correspondência entre portugal e os USA não encontra nada sobre este assunto.

Quem consultar a sua inteligência apercebe-se da idiotice maior de ser um primeiro-secretário a ir com um cheque na mão sem qualquer aviso prévio diplomático

Quem consultar a sua inteligência apercebe-se que não há qualquer referência a qualquer outra tranche para pagar a denominada dívida.

Quem consultar a sua inteligência apercebe-se que coisas do género "a resposta veio imediata e chispava lume... "Pague já e exija recibo" são da mais extraordinária boçalidade e comprovam o carácter da propaganda salazarista

Quem consultar a sua inteligência apercebe-se do enorme ridículo de quem ousa proclamar manchetes nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam"

Quem consultar a sua inteligência fica atónito como tais idiotices conseguiram ver a luz do dia...

E serem transmitidas assim desta forma cheia de balls pelo tal Jose

Anónimo disse...

Esta estória surge num blog manhoso Mas tentam espalhá-la por outros blogs idênticos. Porque alguns dos viúvos do fascismo, engolindo até ao tutano esta historieta apressada, assumem com ponto de honra espalhar esta Nova ao mundo.

E é extremamente cómico ler o que lá escrevem vetustos e anquilosados personagens, prenhes de Salazar, Salazar, Salazar, a insultar quem não veja a Obra do santo, a vilipendiar quem não dobre o joelho ao ditador.

Confinada todavia a tais antros, espanta como os seus frequentadores engolem tais idiotices.

Reúnem-se à volta das balls de salazar.

Sabe-se lá a fazer o quê

Jose disse...

http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223377809U6sZF1oa6Pr69UQ4.pdf

«Por outras palavras, o Plano Marshall foi o elemento causador de uma das mais significativas alterações da política externa portuguesa conduzida pelos governos de Oliveira Salazar.»

Anónimo disse...

Tudo o que este jose quiser.

Mas à falta de andar entretido com o carácter e as balls de salazar, jose ter-se-á esquecido das suas.


Como forma de fuga ao escancaramento da sua aldrabice é paupérrima

Como forma de mascarar a aparente impossibilidade de alguém com dois dedos de testa engolir tais idiotices é ainda mais pacóvio