sábado, 24 de fevereiro de 2018

A realidade e os «mas» do FMI

A propósito das visitas regulares do FMI, agora já não podemos invocar o senhor Subir Lall, entretanto substituído pelo mexicano Alfredo Cuevas. Mas a liturgia da visita não mudou muito. Apenas o choque com a realidade, que expõe e contradiz, de forma cada vez mais clara, o fracasso dos mantras da instituição, complica a vida dos seus técnicos, obrigando a maiores concessões e a um esforço acrescido de dissimulação.

A parte mais difícil será essa: reconhecer que os avisos sobre as políticas seguidas, ao arrepio das recomendações do FMI, não tiveram as consequências nefastas então profetizadas, como quem anuncia a chegada do diabo. O desemprego, por exemplo, não aumentou com a subida do salário mínimo - antes pelo contrário - e a economia cresceu mais do dobro que o previsto. E por isso tornou-se necessário reconhecer que o risco da dívida «moderou significativamente» e que o Governo português merece nota positiva.

Feita a parte mais difícil, seguem-se dois tipos de «mas». Os primeiros servem para defender a honra do convento, alertando por exemplo para a necessidade de proteger as reformas laborais e facilitar os despedimentos. Os segundos, que já merecem ser tidos em conta, servem para sinalizar problemas novos (como a necessidade de vigiar a evolução do mercado imobiliário ou de estar alerta para o peso que o turismo tem na recuperação da economia), ajudando também o FMI a melhor acomodar o seu próprio «virar de página», no plano discursivo, sobre os benefícios da austeridade.

24 comentários:

Anónimo disse...

A bolha imobiliário foi criada pelas políticas do FMI. O Turismo tem um peso baixíssimo no PIB.

Jose disse...

Antes bolha imobiliária do que o pasmo na construção promovido pelas leis de arrendamento progressistas; boa parte do contributo é em investimento estrangeiro.
O turismo é um forte factor de emprego e decisivo na recuperação de imóveis.
Algumas industrias cavalgam a recuperação económica europeia, e fazem-no com ganhos de produtividade que as tornam potencialmente sustentáveis - e essa é uma boa notícia.
O crescente endividamento das famílias é forte factor de uma nova bombagem a partir de um otimismo idiota promovido por uma maioria de treteiros.
Só nesta deriva otimista pode ser identificada uma política atribuível ao actual governo.

No essencial o país vive de uma conjuntura excepcionalmente favorável, pela riqueza de alguns(UE, China) ou pelos problemas de outros (Mouraria, Brasil, ...).

Paulo Marques disse...

Ó Jose, o endividamento privado é consequência natural de um défice demasiado pequeno. GDP = C + I + G + (X – M). Milagres, só em Fátima, que o capital tem mais que fazer.

Jose disse...

A questão laboral é matéria cultural, política e social.

Cultural por promover a estabilidade do trabalhador no emprego, acomodado a uma falsa segurança imitadora do emprego público; o estímulo a que se proponha a obter uma valorização pessoal e que busque as oportunidades de mercado está ausente.

Política porque o que é valorizado e lhe é proposto como valor maior é essa acomodação, e que aguarde: que seja o Estado - por benesses e direitos - a cuidar de lhe melhorar a vida; ou um qualquer sindicato a obter salários que promovem uma mediania salarial em que sempre a valia do desempenho individual está ausente.

Social, porque múltiplos factores convergem para a estabilidade do princípio imobilista.
- Um arrendamento improvável e caro reflecte a intenção vertida em lei de 'estabilizar' os inquilinos e impede a mobilidade das pessoas; acrescente-se-lhe o ideal e estímulo da casa própria, essa amarra maior.
- A legislação que assegura a estabilidade do emprego, cria obstáculos à admissão de pessoal e do mesmo passo dispensa o patrão de cuidar de evitar que o seu pessoal o abandone.
- As baixas médicas e outros meios ora são consequência ora pretexto para situações profissionais degradadas ou insatisfatórias.
- O ideal do rame-rame domina, e o futebol preenche as horas livres...

Jose disse...


Esqueci-me das novelas esse cenário maior da vulgata canalha!

«O ideal do rame-rame domina, e a novela e o futebol preenchem as horas livres...

Anónimo disse...

O futebol preenche as formas?

Ou a insatisfação da propaganda neoliberal obriga Jose a preencher o texto com as bojardas claras e lúcidas dum salazar de opereta e incompleto?

Anónimo disse...

"Antes bolha imobiliária do que o pasmo na construção promovido pelas leis de arrendamento progressistas; boa parte do contributo é em investimento estrangeiro."

Não é um mimo?

Um tipo que vive de rendas a promover a promoção do seu néscio negócio

Adivinha-se até a baba. Mais os seus direitos de proprietário e de herdeiro a procurar as bolhas de que o Capital se alimenta

É este o espectáculo degradante dum capitalismo predador e vil

Anónimo disse...

Há aqui uma coisa que todavia não passa, para além do articulado rame-rame do jose. E da idiotia do discurso cansativo de patrão a debitar discursos "claros e lúcidos" a pensar que está na sua confederação patronal...alimentado pelos fundos sociais europeus

"problemas de outros (Mouraria, Brasil, ...)"

O pé-de-chinelo xenófobo manifesta-se e continua a manifestar-se. De forma marcadamente imobilista.


Anónimo disse...

É um pouco acanalhado isto de aparecer aqui um patrão falar de baixas médicas...e falar nestas pelo lado do que devem ser as margens das mesmas.

Situações profissionais degradadas, insatisfatórias...

Adivinha-se um discurso salazarento e cheio de carácter proclamar irado, iracundo, mas baboso:
"Desapareçam as baixas médicas, para conforto do sacro-santo direito ao lucro e às rendas".

Abjecto tal tipo de discurso. Porque vai ao encontro dum discurso outro, também dum patrão-patrão

Anónimo disse...

"Numa entrevista recente ao jornal i, Pedro Ferraz da Costa acusou os portugueses de não quererem trabalhar, uma afirmação forte mas que não traz nada de novo vinda da boca de um patrão. Aliás, o discurso de Ferraz da Costa mudou muito pouco nas últimas décadas.

Em todas as entrevistas recentes, o presidente do Fórum para a Competitividade fala em «reformas», umas vezes «estruturais», outras não. Já em 1986, o termo constava do léxico do então presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), como comprovam declarações ao extinto Semanário.

Na altura, também lamentava as oportunidades «perdidas» com as primeiras duas intervenções do Fundo Monetário Internacional (FMI), em 1977 e 1983. Há cerca de um ano, disse ter «pena que a troika tenha ido embora». Ao longo das últimas três décadas, nada mudou no seu discurso.

Quando trabalhou Ferraz da Costa?
Pedro Ferraz da Costa é presidente do conselho de administração do grupo Iberfar, enquanto herdeiro da presença familiar quase centenária no sector farmacêutico. É ainda presidente do Fórum da Competitividade, uma associação de defesa dos interesses dos grandes grupos económicos. Nos órgãos sociais, cruza-se com gente habituada aos corredores do poder, tanto político como económico: Nogueira Leite, Luís Todo Bom, Mira Amaral, Daniel Bessa, João Salgueiro, Óscar Gaspar ou Vítor Bento.

Antes, passou 20 anos na presidência da CIP, entre 1981 e 2001, sucedendo ao primeiro responsável da organização: o patriarca de uma das famílias da elite económica do regime fascista, António Vasco de Mello.

O que não se conhece, de todas as suas biografias públicas, é em que período Pedro Ferraz da Costa fez o que acusa os portugueses de não quererem fazer, trabalhar".

Também incensará as bolhas imobiliárias e as outras.

Anónimo disse...

O discurso do jose está cheio de pérolas:

"Só nesta deriva otimista pode ser identificada uma política atribuível ao actual governo."

Como é que o coitado se esqueceu das suas convocações ao diabo e dos seus apelos lancinantes à permanência da troika?

E como testemunhava que o diabo era mais do que certo pelo facto de se terem revertido alguns dos crimes maiores do governo criminoso de Passos e Portas, Cristas e Albuquerque?

Como berrou, protestou, incomodou, chorou pelo (quase) fim dos cortes nos salários, nas pensões, nos feriados, até no horário de trabalho, no IVA da restauração?

Será que ele pensa que está a debitar num daqueles antros em que debita sem lhe esfregarem os prórpios disparates na cara?

Anónimo disse...

"uma conjuntura excepcionalmente favorável..."

Esta deve ser pelas bolhas a crescer..imobiliárias e outras.

E pelo dinheiro desviado para os offshores. Quem estava ligado ao tal desvio era do mesmo partido de quem estava responsável pelo ordenamento do território. Um sinalizava o transbordo por debaixo do tapete;a outra (Cristas) promovia as rendas dos proprietários rentistas

Anónimo disse...

Espanta este débito torrencial de jose sobre a "questão laboral", um tema do post é certo, mas que não ocupa a sua centralidade.

Parece uma discursata vulgar de um agente da CIP, depois de beber noutra vulgata canalha. Tida provavelmente como clara e lúcida por quem assim a despeja desta forma tão espantosamente contra o trabalho

Parece um arremedo de um breviário, aprendido e soletrado, passando ao lado do que é a questão laboral, mas travestindo-a de todos os mantras tidos como religiosos por quem se apropria das riquezas criadas pelo trabalho

Espanta mesmo que, quem assim reza papagueante tal arrazoado, termine invocando «O ideal do rame-rame domina, e a novela e o futebol preenchem as horas livres..."

As horas-livres é um assunto de cada um. Era o que faltava o patrão agora querer determinar o que fazer dos momentos de fruição dos que trabalham. Também gostava que outros modos de viver ocupassem o tempo dos cidadãos, a começar pela tomada nas próprias mãos do seu destino colectivo. E assumir a luta contra este estado de coisas, às ordens de coisas como o FMI e parelhas.( sim, a própria palavra "luta" pode provocar indisposições)

Mas enquanto uns se entretêm com novelas, outros impingem-nos novenas, como é o caso aí em cima exposto dum sujeito de nickname Jose

Anónimo disse...

"De acordo com a edição de ha cerca de uma semana do Diário de Notícias, o salário médio líquido no sector no ano passado foi de 632 euros, apenas mais 45 (7,7%) do que 2011. Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que, em média, estes trabalhadores perderam salário real nos últimos anos, já que a inflação acumulada foi bastante superior (mais de 9%).

Se os salários estiveram praticamente congelados nos últimos anos, o mesmo não se pode dizer dos cofres dos patrões. Em receitas, os operadores turísticos encaixaram mais de 12 mil milhões de euros em 2017, um crescimento de 19%. Se esta realidade tivesse sido reflectida nos salários, estaríamos a falar de um valor médio de 752 euros mensais.

A associação patronal defende-se com um curioso argumento: na verdade pagam mais, só não é no salário. Em declarações ao DN, o presidente da CTP lembra vários subsídios a que estes trabalhadores têm direito, mas esquece que esse direito resulta da exigência das funções que cumprem: trabalho nocturno, ao fim-de-semana, por turnos. O patronato, sem conseguir esmagar ainda mais os direitos destes trabalhadores, aposta em cortar nos salários que paga".

Anónimo disse...

O Produto Interno Bruto cresceu 2,7% durante o ano de 2017, de acordo com a estimativa rápida do INE. Este é o valor mais elevado desde 2000, quando a economia cresceu 3,8%. Desde o desaparecimento do escudo que a economia não crescia a um ritmo tão elevado como durante o ano passado.

Segundo a nota do INE publicada esta manhã, a subida do consumo interno terá sido o principal factor para a dinâmica económica do ano passado.

Paulo Marques disse...

Ó Jose, e o imobilismo diz o quê sobre a economia? Além de que não há dinheiro para sair de casa dos pais, quanto mais ter filhos?
O que é que justifica um KPI de precários sem-abrigo alto nessa teoria de Excel mal amanhada?

jose magalhaes disse...

A protecção das reformas laborais,ou seja,a maior capacidade para diminuir os custos do trabalho e,a maior facilidade na agilização dos despedimentos,são a base da manutenção de uma taxa elevada de desemprego natural,que funciona para o FMI como a verdadeira alavanca do desenvolvimento.O investimento não é neutro e a expectativa que pretende aconselhar é o da alta remuneração de cada euro de investimento efectuado,em concorrência com os movimentos especulativos de aplicação financeira que são preferidos por investidores.Por isso mesmo é que surge a referência ao turismo que configuram a especial apetência dos investimentos nacionais e externos por áreas de forte remuneração e apropriados a movimentos especulativos.

Jose disse...

A esquerda tem horror à tal taxa de desemprego natural, e sobre isso nada digo porque não conheço bem o conceito.
Ocorre-me pensar que o conjunto de trabalhadores insatisfeitos em busca de melhores condições de vida seriam naturalmente uma contribuição significativa.

Uma coisa é certo, há uma taxa de emprego aberrante quando o imobilismo é a regra.
Bons trabalhadores mal pagos em empresas mal geridas e empresas bem geridas que não conseguem recrutar trabalhadores com qualidade, é a aberrante situação do rame-rame imobilista e estúpido, que só favorece os trengos.

Anónimo disse...

O jose que vá bugiar com aqueles tiques de"sobre isso nada digo" porque não conheço o conteúdo. Mas afinal sempre digo pois a esquerda tem horror.

Anónimo disse...

Parece assim que jose só fala mesmo do que conhece, ou seja,sobre o carácter do salazar e , pede-se desculpa mas foi ele que as introduziu, as balls de Salazar.


Atente-se todavia na "contribuição significativa" do "conjunto de trabalhadores insatisfeitos em busca de melhores condições de vida"

Será que nas reuniões sobre o assunto como representante patronal , não explicaram ao senhor jose que, para a esmagadora maioria da população, essa coisa do emprego é coisa necessária e imprescindível para poder também ganhar a vida e ainda mais para ter melhores condições de vida?

Que o viver de rendas, de exploração dos outros e de negócios sujos com os offshores é coisa mesmo para uma minoria que não trabalha mesmo?

O exemplo de Ferraz da Costa por exemplo?

Uma contribuição significativa esta para o desemprego natural

Anónimo disse...

Uma coisa é certa, todavia, para quem não sabe o que diz e que sobre isto nada diz:

"há uma taxa de emprego aberrante quando o imobilismo é a regra".

Esta é a nova versão da versão caceteira e criminosa daquele génio de nome Passos Coelho, quando falava da "saída da zona de conforto" e da "necessidade de emigração". No caso de Passos Coelho, Alexandre Mestre, o inefável Relvas estão registados discursos a dizer isto mesmo, coisa que tramou o ex primeiro-ministro quando tentou negar as suas próprias palavras e as do seu governo.

Esta nova versão a versar o imobilismo desta forma estúpida merece que se aconselhe jose a deixar-se de tretas sobre o rame-rame imobilista para justificar o desemprego. E para se deixar de fazer convites(feito trengo, como adjectivou?) acompanhados daquelas pérolas já ditas como "«O ideal do rame-rame domina, e a novela e o futebol preenchem as horas livres..."

Para este tipo de novenas já demos.


Pedro disse...

Ó José, pagam-te para vires aqui debitar essa propaganda patronal estúpida ou és mesmo assim ?

Jose disse...

Quando desatam a discordar sem nada dizer sei que me fiz compreender.

Dado e arregaçado permanece um ideal de vida.

Anónimo disse...

Muito arregaça o José. A questão é saber se acompanhado de novenas ou não.

Tocado pelo nada diz e não sabe o que diz, José diz que sabe que o compreendem

Pobre José. Será que não sabe que isso já todos sabemos?


Uma questão também de balls e de carácter.?