terça-feira, 29 de setembro de 2015

Pode ser


Fernanda Câncio faz uma pergunta pertinente: “Campanha. Que é feito dos empresários faladores e interventivos de outrora?”Creio que o silêncio relativo das fracções mais poderosas deste capitalismo diz muito sobre o seu triunfo, num contexto, é certo e sabido, de um país mais pobre e dependente; diz muito sobre anos de reforçada transferência de recursos do trabalho para o capital, processo articulado com a transferência de recursos de dentro para fora do país; diz muito sobre a sua satisfação com a actual correlação de forças e com a tutela externa tão reforçada quanto por desafiar, que é, tudo somado, ainda seu melhor seguro político contra veleidades de recuperação democrática de instrumentos de política económica. Estes poderiam constituir freios e contrapesos ao seu poder.

Satisfação também pela possibilidade de uma alternância sem verdadeira alternativa a esta política. É claro que eles também não precisam de se maçar, até porque grande parte da comunicação social está cada vez mais domesticada e, de qualquer forma, os que mandam só falam fora dos corredores do poder, na praça pública, em situações excepcionais, de algum perigo. No entanto, pode ser que a sua aposta, até agora aparentemente acertada, no “aguenta, ai aguenta, aguenta” se venha a revelar mais frágil. Pode ser que, por exemplo, graças ao crescimento das forças de esquerda portadoras de uma verdadeira alternativa nas próximas eleições, eles ainda tenham de vir a terreiro. Pode ser que não tenham sempre o mesmo sucesso. Pode ser.

11 comentários:

Anónimo disse...

VOTEM CONTRA A DIREITALHA !!!

https://www.youtube.com/watch?v=vURB904XIDA&feature=related

Jose disse...

Quando o politicamente correcto falava dos patrões como de quem tinha por destino vir a ser, quando muito, chefe de uma cooperativa, eles iam-se mostrando para que se percebesse que não seriam voluntários em tal processo.
Agora que essa ideia se apagou - o efeito útil de extremar posição é clarificar posições - deixam a política para os políticos, que como patrões não têm aí lugar.
A má notícia é para os sindicatos que, saindo da confortável prática da política, têm que abraçar as tarefas de sindicalistas, conhecendo as profissões que representam, avaliando os processos que lhes estão associados, medindo o que têm a dar e o que têm a receber, no maçador exercíco de demonstrar a viabilidade das sua propostas.

Anónimo disse...

"Pode ser que, por exemplo, graças ao crescimento das forças de esquerda portadoras de uma verdadeira alternativa nas próximas eleições, eles ainda tenham de vir a terreiro. "

Se das próximas eleições não resultar uma maioria absoluta, ou um governo estável, o eleitorado vai novamente considerar que votos fora do arco da governação (PS, PSD, CDS) não servem para nada. E daqui a 6 meses haverá novas eleições onde o voto útil no arco da governação (PS, PSD, CDS) vai novamente obliterar qualquer crescimento temporário "das forças de esquerda portadoras de uma verdadeira alternativa". É o meu vaticínio.

Jaime Santos disse...

O meu vaticínio e que vamos assistir a uma nova maioria absoluta da Direita. António Costa partiu para a Campanha contra Seguro na premissa de que recusaria acordos com o PSD e o CDS. Esta pois a ser coerente ao dizer que chumbara um Programa de Governo de um Executivo Minoritário PSD+CDS. Um Governo de Minoria do PS será chumbado por todos os outros partidos, por muito que PPC diga o contrario. Os Partidos a Esquerda do PS recusam o consenso europeu (e estão no seu direito), mas ao mesmo tempo não apresentam um programa claro de rotura com esse consenso (ficando-se por referencias mais ou menos vagas sobre a preparação da saída do Euro, no caso do PCP, ou sobre a rotura em caso de recusa de reestruturação da divida, no caso do BE). Como isto levaria a que Portugal ficasse sem Governo ate Abril de 2016, adivinhem para quem ira o voto da Classe Media preocupada com as suas poupanças, reformas (o que ainda sobra delas) e por ai a fora. As pessoas são racionais, mesmo que votem com um dedo no nariz. Claro, Costa e a sua estratégia afundarão na noite de 4 de Outubro, e a responsabilidade será dele pela escolha dessa estratégia, abrindo caminho a um PS-muleta do Governo, se Seguro ou alguém próximo dele suceder a Costa. Infelizmente, João Rodrigues, não basta a Esquerda ter princípios e viver arreigada a eles, precisa ainda de mostrar que tem competência para governar, como o triste exemplo grego bem mostrou. A não ser que tudo isto não seja mais que a habitual guerrilha para roubar uns quantos votos ao PS. Por isso, eu acho mesmo que não, não pode...

Anónimo disse...

Pode ser, mas não nos tempos mais próximos!
Aquilo a que chamam esquerda, quer dizer o quê?
Se aquilo a que chamam esquerda, fosse de facto esquerda (Mas não e´) Não se criariam tantos agrupamentos, cada qual com sua figura tutelar, mostrando na sua infantilidade uma doença já muito antiga a que alguém intitulou “Doença infantil do comunismo”. Doença essa que não tem antidoto para ela. E, no entanto, Pode ser. De Adelino Silva

João disse...

Fundamental nesta altura de ofensiva sem limites e sem vergonha do capital e dos seus acólitos circunstanciais, é garantir que o Estado conserva ainda o resquício de democracia liberal que permita precisamente às forças da alternativa inevitável conservarem a liberdade de falar, de propor e de reagir. Para isso, é crucial romper o "consenso social" que se alimenta da amálgama tripartidária - PS/PSD/CDS - mobilizando um cada vez maior número de consciências para o plano das alternativas políticas, que não espelhem meras alternâncias. A batalha ideológica, nestes tempos medievais, volta a colocar-se como um tema central, que importa tanto que seja desenvolvida junto da classe operária e dos estratos mais desfavorecidos da população, como junto de estratos intermédio, em especial uma pequena burguesia que se julga pertencente a esse enigma chamado classe média, espécie de redoma (ainda que em contração permanente e inexorável) personagem de um "modus vivendi" em que a agilidade para viver dentro do capitalismo (esperteza "empreendedora" e agilidade servil para se dobrar perante a força, que o Mundo é como é...), compatibilizada com a sua contida, educada e muito respeitosa contestação, é uma espécie de imagem de marca dos convivas; isto, naturalmente, até que o poema de Martin Niemöller se faça ouvir com toda a força e o som cavo e profundo das vozes que ascendem do centro da Terra:
"Quando os nazis vieram buscar os comunistas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era comunista.

Quando eles prenderam os sociais-democratas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um social-democrata.

Quando eles vieram buscar os sindicalistas,
eu não disse nada;
eu não era um sindicalista.

Quando eles buscaram os judeus,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um judeu.

Quando eles me vieram buscar,
já não havia ninguém que pudesse protestar

Por tudo isto é bom que possa ser, é bom que seja, é importante que seja. Antes que para muitos, seja mesmo tarde de mais.

Anónimo disse...

"VOTEM CONTRA A DIREITALHA !!!"

Cheguei ao final desta campanha eleitoral indeciso. Agora sim, graças ao video já decidi. Obrigado blogoesfera!

Anónimo disse...

De forma que, os conservadores vão ganhar as eleições…
Sem meter requerimento para nascer, ainda por cima, num regime totalitário, entre os finais da Guerra Civil de Espanha e a 2ª Grande Guerra Mundial -- só por um escasso momento vivi alegria mesmo, poucos meses, mas intensos – O processo de abril de 74
Curto período em que vislumbrei numa das frestas da porta uma “Democracia socialista” e na outra fresta a “Democracia burguesa” tal como a vejo agora.
Por isso não admiro que os conservadores vençam a parada de 4 de outubro…
Os conservadores são o rebotalho da história, sim senhor, são 800 e tal anos de história, claro!
Ainda hoje a republica alegra-se com os trajes monárquicos nas praças de toiros, batem palmas ao latifúndio e levam aos ombros a “Servidão”. Que tristeza me vai na alma senhores…Aqui, onde nasci e me criei, (ou fui criado?) foi implantada a república a 4 de outubro de 1910…foi verdade. Hoje, com maioria absolutíssima de republicanos no governo local, ate o relógio do edifício sede da camara municipal bate as horas em tonalidades clericais. Isto só visto…Aqui, em que a FEPU, APU e agora CDU governam desde o PREC74. De o “Catraio” com respeito

Antonio Cristovao disse...

A mistura enviesada dos negocios na politica é boa em que sentido? No sentido da Venezuela ou Cuba? !!

meirelesportuense disse...

Não creio que o Fascismo seja um perigo neste momento para nós, o que existe é uma movimentação revanchista da direita Portuguesa que pretende destruir tudo o que se conquistou em termos Sociais desde o 25 de Abril. Alicerçados num programa aparentemente "imposto" pelos credores Internacionais, que eles -PPD/CDS/PP/Cavaco/Salgado/Banca- teimaram em chamar para se "isentarem da responsabilidade" da concepção do Programa, mas que teve imediatamente a concordância e entusiasmo de toda a Direita Nacional...Catroga foi o gestor do Programa, Cavaco o mentor Político, Salgado o aparentemente neutro mas sériamente interessado por razões óbvias. Ainda hoje, faz campanha "Pafiana" por terras estrangeiras, enquanto os jornalistas "não têm acesso" ao teor das suas conversas com os Emigrantes Lusos, obviamente!...
Eu estou num beco quase sem saída, ou voto PCP ou voto PS para evitar a vitória do Passos!

meirelesportuense disse...

Domingo antes de colocar o meu papelinho na urna lembrarei de novo as minhas primeiras eleições: -Recém saído das FAs, estava condenado, por lá ter sido inscrito, a ter de me deslocar a Lisboa para poder votar, mas fui e votei naquele que foi a partir daí a minha grande aposta política!
E depois, já em casa rebentou o escândalo, tinha votado exactamente naquele que era o alvo do ódio e desprezo de quase toda a gente!...
-Eu que nunca tentei influenciar os mais próximos em termos Políticos -discutindo abertamente-, sempre pensei que somos maduros, sabemos bem qual é o nosso melhor caminho.
Por isso não compreendo, como é possível condenar quem lutou sem desfalecer, nalguns casos até à morte por um País que finda a Ditadura o anatemiza sempre!
Ele representa o contrário do Portugal submisso, medroso, calculista, hipócrita, sacrista, beato, reaccionário. E mais não digo.
E viva a Felicidade.