domingo, 27 de setembro de 2015

A coligação de direita tem um projecto claro e coerente para o país

A coligação de direita tem um projecto claro e coerente para o país. Assume que a economia portuguesa, tal como existe, não tem possibilidade de vingar no mundo globalizado. Como tal, defende que o país tem de ser profundamente transformado, de modo a torná-lo mais atractivo ao investimento. Para isso, é preciso tornar o investimento empresarial mais rentável, o que só se consegue no curto-prazo reduzindo os custos para as empresas.

Grande parte dos custos que as empresas enfrentam são receitas de outras empresas (por exemplo, a energia, os transportes, as comunicações) e nesses não se pode tocar, pois estar-se-ia a retirar lucros a uns para dar a outros. Há que reduzir os custos das empresas noutros lados, onde os investidores não saiam prejudicados. Onde? Nos salários, nos impostos e nas contribuições para a segurança social.

Os salários reduzem-se desregulamentando as relações laborais, destruindo a negociação colectiva, permitindo a generalização da precariedade, mantendo o desemprego elevado e reduzindo as condições de acesso ao subsídio de desemprego (para forçar os trabalhadores desempregados a aceitar salários mais baixos). Os impostos reduzem-se restringindo ao mínimo, e de forma duradoura, os compromissos do Estado com a educação, a saúde e a protecção social. As contribuições sociais das empresas reduzem-se diminuindo as pensões e outras prestações sociais financiadas pelo orçamento da segurança social, bem como exigindo aos trabalhadores que paguem do seu bolso uma parcela cada vez maior da protecção contra a doença, a invalidez, o desemprego e a velhice.

O resultado será um país com mais pobreza, mais desigualdade, onde a precarização da vida é a regra e onde todos os que podem procurarão construir o futuro noutras paragens. Vários exemplos históricos mostram que uma sociedade assim está condenada a prazo. Eu olho para este projecto e vejo Portugal a transformar-se numa reserva de mão-de-obra barata do continente europeu, onde a paz social dependerá cada vez mais do exercício de um poder autoritário e repressivo.

A coligação de direita diz que não, que é assim que se constrói o futuro. Foi isso que procurou fazer nos últimos quarto anos e é isso que continuará a fazer se ganhar as eleições. Quem acredita que é este o caminho faz bem em votar PàF.

22 comentários:

Manuel Silva disse...

Caro Ricardo:
Que desmancha prazeres.
As coisas estão tão bem encaminhadas, com «sondagens» diárias de resultados fabricados para influenciar o curso dos próprios resultados do futuro acto eleitoral e o caro vem para aqui lembrar verdades inconvenientes?
É preciso ter descaramento, confesse lá, que sim.

Filipe Tourais disse...

Por que é que escreve apenas "coligação de direita" se o que escreve se aplica integralmente também ao PS?

Jaime Santos disse...

O Ricardo esqueceu um elemento na sua análise: a venda do País ao desbarato. Começou com as privatizações e com o facilitar da construção em áreas sensíveis. Agora que quase tudo o que se pode privatizar está privatizado ou em vias disso, a Coligação prepara-se para simplificar a exploração de minérios e de hidrocarbonetos (páginas 120 e 121 do Programa da PàF, claro como água). Como o fracking já está a ser testado, não me admirava nada se o próximo passo, agora que já se sugou quase tudo o que está sobre a terra, seja fazer o mesmo com o que está por baixo dela (http://www.sol.pt/noticia/105686/portugal-testa-g%C3%A1s-pol%C3%A9mico). Não é apenas na redução do custo do trabalho que o País se tornará mais atractivo ao Investimento. Será igualmente na possibilidade de degradar (ainda mais) o Meio-Ambiente. Pena que até agora ninguém tenha trazido estes temas à Campanha, mas se calhar falar do Meio-Ambiente não dá muitos votos...

Anónimo disse...

O PS/PSD através dos Srs. António Costa e Coelho, tem vindo a invocar os problemas com que temos vivido, esquecendo que ocultando as causas é utilizar os problemas para garantir a continuidade das mesmas causas.
E´ que nos últimos 40 anos, Portugal tem sido governado ora pelo PS, ora pelo PSD..! Agora estes compadres parecem iguais às comadres…vem com uma de zangados…vejam só…coitadinhos que eles são…
Apoiam a destruição do Afeganistão, Iraque, Líbia, Somália e Sudão entre outros. Como membro da NATO apoiaram a destruição de um país europeu, a Jugoslávia, apoiam o cerco a´ Rússia e apetrecham a Ucrânia…
Agora, muito misericordiosos, vem com lágrimas de crocodilo, que ate´ podem ser comoventes… Mas, ao esconder os dentes, continua o problema por resolver.
Ate aposto que os refugiados não vão residir para as piscinas de Belém ou Sá Caetano A´ Lapa, Largo do Rato nem vão a banhos pra S. Bento…mais uma vez e´ o povo a sofrer o principal impacto, tal como com os austríacos e húngaros em outro tempo. Desculpem qualquer coisinha. De Adelino Silva


Barata dos Santos disse...

O Filipe tem toda a razão

Jose disse...

Pode perfeitamente construir-se uma mentira juntando verdades.
O exercício consiste em não dizer todas as verdades e em fazer do pacote uma mentira.

Posto isto, nem sequer recuso a possibilidade de que o que aqui é dito dever acontecer (e em certa medida vem acontecendo) na medida em que sucede a uma outra mentira: a de que podíamos usufruir indefinidamente do que tinhamos alcançado pela asneira e pela dívida.

Tortuosos são os caminhos da mentira...

Jaime Santos disse...

O Ricardo Paes Mamede não acusa aqui ninguém de mentir. O programa da Coligação está afastado do discurso de todos os dias de Passos e de Portas, mas é bem conhecido, e só é uma surpresa que não seja mais escrutinado (de facto, não é surpresa nenhuma). Nós sabemos ao que eles vêm, embora o eleitorado em geral não saiba (também por culpa dos Partidos da Oposição, com o PS à cabeça). A questão que se coloca (e que se pretende abafar) é saber se é possível outro caminho que não este. E é esse o ponto em que a Direita Ideológica mais tem insistido, o TINA. A punição da Grécia também foi uma maneira de esmagar veleidades a esse respeito, a ponto de Passos Coelho agora referir Tsipras como um bom exemplo de Governação (Reformista?). Dada a intransigência do Norte da Europa relativamente à renegociação da dívida dos Países da Periferia, qualquer Alternativa Real passará provavelmente por uma Ruptura com a Zona Euro. Mas, como o exemplo do Syriza bem mostra e Sotiris aliás reconhece, isso implica uma preparação que levará vários anos. Espero que da próxima vez aquilo que aparecer seja mais do que a análise do processo pelo qual a Austeridade é imposta e qual o seu objectivo e que nos seja igualmente indicado o caminho para sair desta Prisão. Dada a eterna fraqueza de meios da Esquerda perante a Direita, só a concentração de forças e uma estratégia bem desenhada podem impedir uma nova derrota...

Manuel Silva disse...

O troll José disse: «Tortuosos são os caminhos da mentira...»
Eu digo, e da inteligência humana.
Há muitos Josés com uma incomensurável dívida para com esta faculdade humana que nos distingue dos irracionais.

meirelesportuense disse...

Dizia hoje num Diário de Campanha Televisivo, um iluminado jornalista:
"-Há sempre aquele efeito de manada!..."
Estava a referir-se a uma intervenção de Passos de Coelho, versus outra de António Costa, um estaria a falar no meio da multidão, o outro a falar num espaço deserto...
Gostei..."Aquele efeito de manada!"
E reforçou com "em Doses Cavalares" a respeito dos dados estatísticos!
-Deve ser Ribatejano.
RTPInformação

Anónimo disse...

Quando foi a última vez que foi proferida a expressão "pleno emprego" por algum dos governantes? Deixe de "fingir" que não vê o que é para os mais atentos evidente, nenhuma sociedade dita desenvolvida pode aceitar que existam cidadãos que vivem sem dignidade. Que os governos e os partidos tenham deixado de discutir o país e as pessoas ainda percebo agora não aceito que os intelectuais alinhem pelo mesmo "diapasão".

Anónimo disse...

O projecto do PSD é governar para uns poucos o do PS é governar para mais alguns.

Anónimo disse...

Nesta conversata unicameral esqueceram-se da coligação CDU, também e´ uma coligação, ola´ se e´ …Afinal há uma coligação de esquerda e,e,e,e,…
Um certo dia de eleições presidenciais estávamos a comentar a vitória do actual presidente da Republica e o meu amigo, companheiro e camarada MFA disse a seu jeito: “Adelino, deixa de culpar a religião, os judeus e os nazis…na cartilha deles, só o somar e multiplicar contam…essa coisa de dividir confundem com diminuir e isso, complica-lhes a vidinha”.
Que havia de dizer… Fiquei com azia e só depois de umas borgecas restabeleci. Não há volta a dar. Este povo como os outros povos, e´ criador dos seus próprios algozes.
Desde as constituintes que o povo se mantem firme no seu querer político, social e económico – Pataca a mim, Pataca a ti e a mim Pataca. Esta´ tudo dito…De Adelino Silva

Luís Lavoura disse...

Há que reduzir os custos das empresas [...] nos salários

O Ricardo esquece o dito segundo o qual há apenas uma coisa pior do que ser explorado pelo capitalismo internacional, e essa coisa é não ser explorado pelo capitalismo internacional.

O facto é que é melhor trabalhar numa empresa internacional recebendo um mau salário, do que não trabalhar, ou então trabalhar numa empresa doméstica mixuruca (com um salário igualmente mau).

Apesar dos maus salários que as empresas pagam, o facto é que muitos países (o último dos quais a China) se têm desenvolvido, e feito a felicidade da sua população, através deles.

Anónimo disse...

"A coligação de direita tem um projecto claro e coerente para o país"

Não é isso que todos os partidos deviam ter?

Luis disse...

Oh Luis Lavoura, eu dou-lhe o ordenado mínimo para você desenvolver o país e vai ser também a sua felicidade e da sua família !

Jose disse...

Diz.me que actividades és capaz de fazer bem, dir-te-ei quanto podes ganhar.

Se ainda assim o teu país tem actividades que concorrem com quem faz bem a bom preço, prepara-te para um desconto substancial ...ou emigra.

Anónimo disse...

Este Luís Lavoura é um escroque, nem vale a pena dar-lhe conversa ainda vai pensar que o levam a sério...

Antonio Cristovao disse...

Depois de 40 anos de corporativismo e de 40 anos de xuxalismo com tres banca rotas, julgo ser preciso muita ginastica dos neuronios, para ainda defender outra coisa que não seja acompanhar as práticas que fazem da Alemanha , Holanda... países competitivos. Lendo estas narrativas líricas, quem não saiba julga que esses povos , vivem numa indigencia terrivel e na pre miséria!!

Anónimo disse...

"para ainda defender outra coisa que não seja acompanhar as práticas que fazem da Alemanha"

A Volkswagen é um bom exemplo de boas práticas, e se cavarmos um pouco mais ainda vamos descobrir mais porcarias por aqueles lados germânicos.

Ai este Cristovao e a sua germanofilia acéfala, ele quer acreditar numa perfeição do carácter germânico mas essa perfeição não existe nem nunca existiu.

Anónimo disse...

Este site por força dos inumeros "trastes" que aqui vêm descarregar as suas idiotices e alguns deles até já têm lugar cativo( o José por exemplo), está a precisar de desligar durante um tempo. Esta gente, que politicamente não valem um tostão são tão convencidos que só fazem mal a si próprios e isso faz-lhes mal á saude e nós não queremos isso, coitados.

Francisco Clamote disse...

O texto do Ricardo Paes Mamede é sério, mas, de facto, boa parte dos comentadores ou sofre de idiotice, ou de fanatismo primário. Ressalvo, naturalmente, as honrosas excepções.

Manuel A Gloria disse...

Todos estes comentários aqui mostram vem o povo que somos, somos uma cambada de clubistas e levamos a vida a dizer mal uns dos outros e nem sequer reparamos que andamos a ser enganados por um sistema que não trabalha a nosso favor, já agora faço uma pergunta, eu não conheço ninguém e eu incluído que tivesse a chance de escolher e eleger alguém e como ainda não temos essa chance acham que o que temos é democracia? Por isso eu digo dentro deste sistema todos os partidos são iguais, ainda nenhum se impôs a favor do direito que o povo deve de ter para que possa escolher quem o represent na A.R.