sexta-feira, 18 de setembro de 2015

É melhor do que nada


Devemos aprender com este golpe de Estado financeiro. Este euro tornou-se o instrumento de dominação económica e política da oligarquia europeia, escondido atrás do Governo alemão e que se regozija por ver a Sra. Merkel fazer todo o ‘trabalho sujo’ que os outros governos não são capazes de fazer. Esta Europa só produz violência dentro e entre as nações: o desemprego em massa, dumping social feroz, insultos atribuídos aos líderes alemães contra a Europa do Sul e repetidas por todas as ‘elites’, incluindo as daqueles países. A União Europeia alimenta a ascensão da extrema-direita e tornou-se um meio de anular o controlo democrático sobre a produção e distribuição da riqueza em toda a Europa.

Jean-Luc Mélenchon, Stefano Fassina, Zoe Konstantopoulou, Oskar Lafontaine e Yanis Varoufakis

A proposta em termos de plano a e de plano b, recentemente defendida por gente politicamente muito respeitável da esquerda europeia, surge com vários anos de atraso e é ainda apresentada em termos pouco claros no que ao plano b diz respeito (a saída do euro é aventada entre outras...). No entanto, baseando-me na minha própria experiência de alinhamento com posições deste tipo há uns anos atrás, ainda que em termos mais simples de colocação do Estado à mesma escala da moeda, seja em termos supranacionais, seja nacionais, parece-me que tal tipo de proposta, necessariamente transitória, pode ter efeitos positivos, ajudando muitos europeístas de esquerda a abandonar o fetiche do euro. Isto pode ser assim porque é muito mais claro nestes tempos DG (Depois de Grécia) que o plano b, de preparação da ruptura com esta ordem monetária, tem de ser o plano a dos que não querem ter o triste fim do syriza.

Dada a lógica do desenvolvimento desigual e o necessário desalinhamento dos ciclos eleitorais, as rupturas ocorrerão à escala nacional, ainda que se possa apostar em efeitos de contágio dos bons exemplos e no internacionalismo que acompanha a aposta nacional, o tal “nacionalismo internacionalista”. O mau exemplo dos que esperam por amanhãs europeus que cantam, enquanto privatizam e cortam, é perigosamente contagioso. É possível formular planos coordenados para um sistema cambial europeu depois do euro, que combine estabilidade com flexibilidade, requerendo também controlos nacionais de capitais, com ajustamentos cambiais em função das posições da balança corrente dos diferentes países, mas a transição dificilmente começará pela escala supranacional. Bom, o que é importante é que os que subscreveram esta proposta claramente querem evitar a repetição da tragédia grega. Aprender e convergir sempre, ainda que lentamente, é melhor do que nada.

5 comentários:

Anónimo disse...

"A União Europeia alimenta a ascensão da extrema-direita"
Curiosamente alguns dos exemplos mais mediáticos e consequentes são de ascensão da extrema-esquerda: Syrisa, Podemos, ...

Jose disse...

A esquerda fez da União Europeia o pretexto para promover um nivelamente artificial de rendimentos, sem consideração por produtividade ou capitalização das econonias, até que bateu na parede da realidade expressa em dívida privada e de Estado.

Atada aos preconceitos de sempre, só vê na manipulação da moeda o suporte a manter um qualquer papel relevante, numa política de aparências em que a inflação corrige as promessas que ganham votos.

Aleixo disse...

Que a direita não se subordine ao Povo...

Agora a Esquerda, defenda a que defender,

terá de aceitar a vontade do Povo...ou não será assim?!

Soberania do Povo, ou das castas instaladas?

Anónimo disse...

Aleixo o seu comentário é absurdo e primário. Temos todo o gosto em ler o que escreve mas se não se esforçar um pouco mais dificilmente iremos aprender algo consigo.

Antonio Cristovao disse...

No entanto muitos cidadºaos do mundo, alheios a esses alertas terríveis, seguem com afinco e determinação. entrarem neste campo minado!!
E negam esses pontos de vista certeiros!!