segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Melhor só mesmo o armamento?


Será que Isabel Vaz, agora da Luz Saúde (antiga Espírito Santo), tinha razão quando afirmou que melhor do que a saúde só mesmo a indústria do armamento? Ficámos a saber, numa notícia que dá voz à Associação de Hospitalização Privada, que, nestes últimos dez anos, a facturação dos hospitais privados mais do que duplicou. Não sei como foi no armamento, mas se calhar Vaz foi pessimista.

Numa década perdida de estagnação e crise económicas, a prosperidade do capitalismo da doença muito deveu à contracção da provisão pública, mas também à promoção pública directa, por via do financiamento público ao privado e das parcerias público-privadas, de uma lógica que faz mal à saúde pública e à saúde da vida pública, dando incentivos aos grupos privados para viverem à custa do controlo sobre a procura e da influência sobre políticos do bloco central dos interesses. Isto num contexto de provisão cada vez mais iníquo. Todo um modelo, toda uma política.

10 comentários:

Jose disse...

Uma oportunidade perdida para o Estado fazer mais 105 hospitais, contratar mais uns milhares de funcionários e dar lugar a um bom pacote de boys!

Anónimo disse...

Há dias dei uma volta pelo Arco ribeirinho Cacilhas/Alcochete tanto quanto possível junto a margem, Bacia a sul do Tejo.
Fiquei revoltado com o que vi…Ate´ parece que não existe um ministério de agricultura e pescas, um ministério do ambiente e autoridades marítimas, ate parece que os municípios
Também desapareceram.
Entre os concelhos de Alcochete e Moita zona de Salinas por excelência, grande produtora de Sal, fechou por negligência da Tutela e baixo rendimento dos coproprietários. Embora sazonal, compreendia centenas de postos de trabalho.
Desde o Ribeira das Enguias, Alcochete, ate´ a´ Praia da Barra-a- Barra, Barreiro, vivia-se uma natureza ambiental sadia onde as Aves marinhas nidificavam, onde os homens produziam e o Sol imperava. As parcelas de terra cultivadas eram o arranjo familiar das populações… Mas também havia luta laboral reivindicativa.
Hoje, não se vê as brancas serras de sal, as salinas viraram, em muitos casos, Pântanos Infeciosos, as terras de cultivo, na sua maioria foram abandonadas, deixou-se de ver o vai-e-vem dos “produtores associados” Sobra a caça rasteira e a apanha da lambujinha e Berbigão. Aquela Natureza Ambiental e Paisagistica JÁ ERA. A Bacia a Sul do TEJO esta em coma, não vegetativo .
De Adelino Silva

Anónimo disse...

Bem podemos agradecer ao centrão e com dor o digo, aos deputados, secretário de estado Pizarro e governo do PS por esta acomodação e ideias que moldam uma visão da saúde como negócio! As ideias tem consequências reais. Assim, assim aqui à volta.... reduziram os horários dos SASU em Gondomar, para dar "ajudinha" ao hospital privado da Fernando Pessoa a pouco mais de 1,5 km e encerraram o Serv de Urgência do hospital de Valongo para alavancar os hospitais privados S. Martinho em Campo a cerca de 1,0 Km e o Trofa Saúde em Alfena a 3 km.
Esta é a realidade da nossa própria vida, uma espécie de tempo-escravo e uma lenta desconstrução do Estado rumo à mercantilização global.

Anónimo disse...

Faltou ao João Rodrigues assumir um corolário: fim da ADSE já!

Anónimo disse...

Uma balada pro coelho

https://www.youtube.com/watch?v=6ITNqqYVbKs

Zepovo Ze disse...

https://www.youtube.com/watch?v=6ITNqqYVbKs

Anónimo disse...

Assim falava a Vaz toda contente em 2007 em pleno consulado PS-Sócrates (e o Jose contentíssimo mais o seu espírito santo), sendo que o sector do armamento ainda pode dar um contributo para o crescimento do sector da saúde, especialmente quando aleija.

Anónimo disse...

A indústria da saúde não é só composta por hospitais. Assim, para além da nacionalização total do sector hospitalar há que defender:
- O fim da liberalização do sector médico, passando a existir apenas centros de saúde públicos;
- o fim da liberalização do sector farmacêutico, passando a existir apenas farmácias públicas;
- o fim do sector privado da produção de medicamentos, com a nacionalização de toda a indústria farmacêutica (pelo menos a Portuguesa);
- o fim dos prestadores privados de serviços de diagnóstico (análises, ...), nacionalizando-os;
...

Ou seja. Sendo um sector altamente lucrativo, o sector da saúde deve ser nacionalizado, revertendo assim os lucros para o Estado. A saúde é um bem precioso que não deve estar à mercê do lucro privado.

Outros sectores igualmente lucrativos e essenciais para a vida humana (alimentação, habitação, vestuário, ...), que correspondem aliás a direitos constitucionais (habitação), não devem ser alvo de lucro pelo que devem ser nacionalizados na totalidade.

Anónimo disse...

E´ verdade, a indústria do armamento tem sido um mana´… Para uns, uma riqueza de vida, para outros uma corrida de vida para a morte.
Recordo as lutas intestinas e clandestinas para acabar com as fábricas de material de guerra mesmo antes da Revolução e logo após o 25 de Abril.
Por um lado as chefias militares diziam que era um sector estratégico pra segurança nacional, por outro lado os sindicatos diziam que era preciso não desmantelar centenas de postos de trabalho…
Os pacifistas e beligerantes de então, estavam de acordo.
A esquerda formal, unia-se na defesa intrazigente dos postos de trabalho, não lhes incomodando as agressões contrarrevolucionarias em Africa, América Latina e Asia.
Em nome da paz mata-se muita gente! Hoje e´ considerado uma fonte de riqueza (insubstituível ?)
Será? De Adelino Silva


meirelesportuense disse...

E estão interligadas claro, o armamento "normalmente" degrada a "saúde geral" dos seres humanos e a saúde trata a "degradação geral" da saúde dos seres humanos a que o armamento os conduziu...Mas o armamento tem uma vantagem sobre a a saúde quando trata da saúde aos terráqueos, ao contrário da saúde que nesse aspecto falha muito, o armamento é mais eficaz e alcança percentagens de sucesso elevadíssimas.
Consegue tratar de igual forma seres saudáveis e aqueles que não o são.
Também não exige a quem atinge, pagamento ou inscrição antecipadas, trata sem descriminação negros e brancos, amarelos ou vermelhos e ou vice-versa. Muitas vezes trata dos seus próprios criadores. E lucra sempre porque tem a sua venda completamente assegurada.Basta assanhar e pôr em confronto meia-dúzia de seres humanos em disputa entre si. Por isso tem tido o seu sucesso garantido ao longo de toda a nossa existência.
Aliás é vermos o sucesso deste Governo, trata-nos da saúde retirando-nos a saúde, explorando e maltratando os interesses dos jovens, dizendo-lhes que a culpa é dos mais velhos, pondo-os em constante guerra com os idosos que por sua vez são o grupo que os sustentam, aos jovens e ao Governo. Só faltam as armas letais para o tratamento ser mais fecundo, mas atenção que elas andam por aí.