segunda-feira, 30 de março de 2015

Perguntas fáceis e perguntas difíceis

Desde a primeira metade de 2013 que o desemprego oficial deixou de abranger 197,7 mil pessoas. Mas o emprego apenas aumentou 54 mil pessoas. Para onde foram os outros?

No seu livro “Pensar depressa e devagar”, Daniel Kahneman conta que, uma vez, visitou um chefe do departamento de investimentos de uma grande firma financeira que lhe contou que comprara uma grande quantidade de acções da Ford Motor Company.Quando lhe perguntou como tomara essa decisão, ele respondeu-lhe que visitara uma exposição de automóveis e que ficara muito bem impressionado. Intuição.

“Quando a questão é difícil e uma solução proficiente não está acessível, a intuição tem ainda uma hipótese: pode surgir na mente rapidamente uma resposta – mas não é a resposta à questão inicial. A questão que o executivo enfrentava (deverei investir nas acções da Ford?) era difícil, mas a resposta a uma questão relacionada mais fácil (gosto dos carros Ford?) surgiu rapidamente na sua mente e determinou a sua escolha.”

Lembrei-me disto quando ouvi, na passada 5F, a ministra das Finanças, na comissão parlamentar.

O debate ficou centrado na lista VIP e Maria Luís queixou-se disso, dado que havia um assunto mais importante: a situação económica do país. Mas quando quis debatê-la – e confrontada com a análise de João Galamba de que o crescimento económico registado não era nem considerável nem sustentável (porque nada mudara e a procura interna iria deteriorar outra vez, e muito rapidamente, as contas externas), Maria Luís optou pela falsa questão. Disse que era inquestionável que a tendência era de aceleração do crescimento económico.

A pergunta difícil era como absorver nos próximos tempos um desemprego real que atinge 25% da população activa e fez emigrar mais 5 pontos percentuais? E sem essa absorção, como se manterá o Estado e a Segurança Social? A pergunta fácil era a ilusória: há sinais positivos na situação económica?

A resposta à pergunta inicial é: emigraram (a população total com mais de 15 anos reduziu-se em 64 mil pessoas e os inactivos aumentaram 15 mil). E mesmo o emprego criado teve apoio público - os desempregados ocupados somaram, nesse período 61,1 mil pessoas.

19 comentários:

disse...

até poderias perguntar como se manterá o país, não é somente a Segurança Social ou as pensões que estão em causa com estas políticas (José Luís Albuquerque)

Jose disse...

Acredito que tem razão:
1 - senão há emprego a emigração é uma boa coisa.
2 - Se aumenta a procura - vá-se lá saber porquê no meio de tanta desgraça! - lá se vai o equilíbrio externo.
3 - Se o emprego é todo financiado pelo Estado, lá se vão as contas públicas.

Nada como seguir a treta do Galamba para atrair o investimento estrangeiro, única solução para o crescimento sustentado. Por outras palavras: brinquemos à política que eleições e tachos é que importam ao caso.

João Ramos de Almeida disse...

Caro José,

Simplifica demasiado. Cá fico à espera da sua análise sobre o mercado de trabalho e como melhorar a vida das pessoas.

Luís Lavoura disse...

A pergunta difícil era como absorver nos próximos tempos um desemprego

A resposta óbvia a essa pergunta é: continuando com a emigração.

Se a emigração tem até aqui atenuado substancialmente o problema do desemprego, deverá continuar a fazê-lo.

É uma solução impecável tanto do ponto de vista da teoria económica como do ponto de vista prático. Quase sempre os países enriquecem quando sofrem uma substancial emigração.

Jose disse...

Caro joão,
Eis um programa de três pontos muito patriótico e de esquerda:
1 - Ponha-se a trabalhar o nadosuspenso artigo 35º do Código das Sociedades - aquele que diz que gerente que perca mais de 1/3 do capital sem gritar por socorro vai de cana (acabam-se os casos, dos BPNs às PTs).
2 - Taxa liberatória aos juros de empréstimos a empresas, sejam sócios ou terceiros (lá se vão os spreads de manter mordomias a bancários e protopolíticos).
3 - Lei das falências com conversão das indemnizações a pessoal em capital de cooperativa, como meio admissivel de programa de recuperação de empresas liderado por credores.
4 - Programa nacional de recuperação da valia do trabalho como meio de resolver problemas, com slogans do tipo 'trabalhar é muito de esquerda'.

Antonio Cristovao disse...

Continua a conversa sem resposta valida. Quem cria empregos? o estado?
Onde, na Russia, Cuba?
Faz de conta pode encher egos, mas não deixa de ser uma mentira.

Anónimo disse...

Aqui ha´dias jose pospegava um comentário exaltado contra um projecto-lei que pugnava pela transparência da vida política e do cargo de deputado.
Era contra.Manifestamente contra. Não lhe agradava o tema porque ia colocar em causa os privilégios e as benesses da governança institucionalizada e dos partidos que a suportam. A promiscuidade geradora de corrupção e espelho directo do neoliberalismo não poderia ser posta em causa nem ameaçada por legislação que promovia a clareza das relações entre o poder político e o económico.

Que faz jose? Retoma o tema dum artigo dum código pelo qual
passou dias a fio a fazer comentários e que tinha sido suspenso em 1986 e que, segundo ele, metia na cadeia os gestores que delapidassem capital das empresas. Agora tenta fazer o papel de prestidigitador. Queria manter a promiscuidade entre o capital e o poder político e as negociatas a la carte. Mas invoca um artigo suspenso como obstáculo aquilo que faz parte da natureza do neoliberalismo em acção, como forma de fazer parar os casos do BPN e da PT.

Seria ridículo se não fosse trágico. Ou dito de outra forma, quantas leis e quantos artigos não foram violados pelos banqueiros laranja e seus rapazes?Quantos casos de crimes de colarinho branco foram julgados e condenados "sem gritar por socorro e ir de cana" (naquela linguagem que diz tanto de quem a usa?)

Mas há um pormenor que justifica esta postura um pouco arruaceira. Quem suspendeu tal artigo não foi outro que...cavaco..Esse mesmo, o endeusado presidente do jose.

De

Anónimo disse...

Mas o programa de três pontos do jose tem outras coisas mais.
A pressa permitiu acrescentar um quarto ponto que só por si revela (para além de dificuldades numéricas) que estamos no foro , não da apresentação de argumentos mas no dislate puro e duro.Quando alguém avança com slogans do género "trabalhar é muito de esquerda" poderemos assumir com tranquilidade que roubar os que trabalham é próprio da governança neoliberal a soldo dos patrões e do grande poder económico.
E isso de facto é muito de direita.
Ficamos felizes por indirectamente jose o assumir desta forma tão cândida

De

Anónimo disse...

As mordomias que jose se refere como pertencentes a "bancários" não deixa de também revelar o carácter verdadeiramente de classe, sem classe nenhuma deste mesmo jose.

Jose fala em "bancários" como forma de ilibar os sues amigos banqueiros?Os detentores da banca?Os que são protegidos pelos tais protopolítifcos que afinal são exactamente os tais que jose passa aqui o tempo a defender?
Mas porque não a nacionalização da banca como forma de obstar à acção dos parasitas que sugaram e sugam o país e os trabalhadores?
É de todo curial lembrar que é para cobrir a banca e os seus agentes que as medidas de austeridade foram também implementadas.

A tal que jose classifica eufemisticamente como "bancária"

Mas afinal o program de jose resume-se a falências e a taxas.

Nada sobre as PPP ou sobre os Swap ou sobre os juros a dívidas que afinal foram contraídas pelos que nos governam, ou sobre medidas que possam promover o emprego ou sobre outras taxas.

Taxas aos ganhos do capital.Às rendas.Taxas ao produto do saque que o capital tem feito e que tem tornado os ricos ainda mais ricos.

Aí o silêncio é confrangedor. Embora ainda seja de esperar um artigozito duma lei suspensa como álibi para o efeito

De

Jose disse...

Como DE continua no canto reservado aos treteiros impenitentes e não me lembro se o António Cristóvão lá pertence, sempre vou dizendo:
É o capital que cria emprego.
Se não há leis que protejam o capital, não há quem invista e os bancos tornam-se meros penhoristas.
Se o Salgao soubesse que estaria na cadeia e não em casa a tentar provar a sua inocência, acha que ele não teria pedido socorro há 3 ou 4 anos atrás?

Anónimo disse...

Deixemos para lá os qualificativos toscos (como "treteiros") com que jose adorna os seus comentários.Vamos a factos concretos

José há apenas algumas horas postava uma frase fundamentalista e acanalhada dum gerente dum edge fund.
Agora jose vem chorar em defesa do capital. Os edges têm que ser acarinhados desta forma. Com as consequências que todos conhecemos

Há algo de definitivamente obsceno nesta posição de defesa a todo o custo de quem se apropria da riqueza dos outros para se tornar ainda mais rico. A coberto de postulados ideológicos fundamentalistas e axiomáticos que a vida sistematicamente desmente.

"O custo da mão-de-obra caiu 8,8 por cento, em Portugal, no último trimestre de 2014, face ao mesmo período do ano anterior.
•Segundo dados do Eurostat divulgados dia 19, trata-se da maior queda do custo do trabalho entre os estados-membros da União Europeia (UE).
•O gabinete oficial de estatísticas europeias revela que, entre Outubro e Dezembro de 2014, o preço por hora da mão-de-obra cresceu 1,1 por cento na zona euro e 1,4 por cento no conjunto dos 28 países da UE.
•Em Portugal, depois de o custo horário da mão-de-obra ter aumentado nos segundo e terceiro trimestres (3,2% e 0,5%, respectivamente), no quarto trimestre voltou a afundar-se.
•Os salários e vencimentos caíram 9,7 por cento, enquanto as despesas não salariais diminuíram 5,8 por cento.
•Além de Portugal, os países em que o custo da mão-de-obra caiu no quarto trimestre foram Chipre (2,2%), Croácia (0,5%), Itália (0,3) e Irlanda (0,1%).
•Em sentido contrário, verificaram-se os aumentos na Roménia (7,9%), Estónia (6,5%), Letónia (6,1%), Lituânia (5,7%) e Eslováquia (5,1%).

É o resultado das leis tão necessárias para a proecção do capital

De

Anónimo disse...

Mas há mais, muito mais dados:

"5800 milhões de euros foram retirados aos rendimentos do trabalho nos últimos três anos.
•O capital arrecadou mais 4400 milhões de euros de lucros e dividendos nos últimos três anos.
•No mesmo período foi gasto pelo País em juros da dívida mais de 7670 milhões de euros.
•O que representa cerca de três vezes mais dos 2620 milhões de euros atribuídos ao investimento público.

Tudo em nome da defesa do capital e do investimento do capital e doutras pulhices humanas

De

Anónimo disse...

Torna-se também demasiado ridícula a tentativa de "pendurar" o caso BES a uma alínea dum código das sociedades.

Para além de jose não responder a nada do que se argumentou, mantemo-nos sem saber que casos de colarinho branco foram julgados e condenados,quais as condenações resultantes de tal lei, que processos se conseguiu impedir com tal "legislação".

O sentido do ridículo perde-se algures no tempo. Como se o facto de salazar saber que estava a cometer um crime o tivessse impedido de mandar assassinar Humberto Delgado. Ou como se o facto de passos saber que estava a cometer fraude o tivesse impedido de roubar a segurança social. Ou como se a ameaça de prisão no caso dos submarinos tivesse impedido os seus actores de cometerem os crimes nunca julgados. Ou como se a metade da direcção laranja e do governo de cavaco envolvida com o BPN alguma vez se tivesse incomodado com a legalidade para fazer o que fez.

Mas há aqui um motivo para jose sair do silêncio a que se remete quando os factos desmontam o seu argumentário.
É que jose tem que obrigatoriamente fazer passar a mensagem que a questão do BES é uma questão de um pedido de socorro atempado. Em vez de ser um exemplo paradigmático do funcionamento dos mercados e do tal capital, tão endeusado pelo jose, mas que atesta a verdadeira natureza do neoliberalismo.

Um lodaçal enorme

De

Anónimo disse...


"A situação actual da banca em Portugal e a má gestão que continua a imperar:

A implosão do grupo BES/GES e o inquérito parlamentar realizado permitiu aos portugueses ficarem a conhecer a banca por dentro e muitas das sua práticas, assim como a arrogância de muitos dos seus administradores, que se sentem "donos de tudo isto" desrespeitando as determinações das próprias entidades de supervisão, bem como o perigo que essas praticas representam quer para a segurança das suas poupanças (depósitos, investimentos, etc) quer para o desenvolvimento do país, e para a reputação e estabilidade do próprio sistema bancário. Mas a banca continua a funcionar deste modo :
-CONTINUA A REDUÇÃO SIGNIFICATIVA DO CREDITO À ECONOMIA E ÀS FAMÍLIAS E A MÁ GESTÃO
-AS "IMPARIDADES" JÁ SÃO SUPERIORES ÀS DESPESAS COM PESSOAL, E MESMO ASSIM A REDUÇÃO DOS TRABALHADORES CONTINUA A SER UM OBJETIVO DA BANCA
-A BANCA ESTÁ A SUBSTITUIR O SEU PAPEL DE CONCEDER CREDITO À ECONOMIA E ÀS FAMÍLIAS POR APLICAÇÕES FINANCEIRAS VISANDO A OBTENÇÃO DE MAIS-VALIAS
-OS PREJUÍZOS DA BANCA CONTINUAM A AUMENTAR E OS IMPOSTOS PAGOS AO ESTADO REDUZEM-SE A ZERO

Tirado dum texto de Eugénio Rosa
http://www.eugeniorosa.com/Sites/eugeniorosa.com/Documentos/2015/10-2015-banca.pdf

Há mais.
Fica para depois

De

Anónimo disse...

Quanto ao disparatado axioma parido nas caves do neoliberalismo e segundo o qual "é o capital que gera emprego..."

Este é um dos argumentos utilizados para os perdões fiscais, para a concessão de privilégios ao poder económico, para a legislação feita à medida, para a propaganda nauseabunda a quem de facto mais não quer que concentrar obscenamente a riqueza

A força de trabalho é a única mercadoria que quando
consumida produz valor, portanto, não existe capital sem trabalho.

Ora e citando directamente Marx “o motivo que impulsiona e o objetivo que determina
o processo de produção capitalista é a maior autovalorização possível do
capital, isto é, a maior produção de mais-valia, portanto, a maior exploração possível da força de trabalho pelo capitalista”

Emprego? O capital o que quer é uma mole imensa de desempregados para servir de mão-de-obra barata e servil.

Porque há muito que se sabe que a função do capital não é a criação do emprego.E que muito neoliberal ou patrão de alto coturno ou de baixa estirpe não se cansa de repetir quando isso convém aos seus propósitos. Ou simplesmente quando o álcool cumpre a sua função de lhes extrair a verdade

De

De

Jose disse...

Acordei generoso, li quatro linhas e sempre te digo DE, o seguinte: se lesses inglês e não fosses bronco, saberias que hedge significa, para este efeito, limite, e que um hedge fund significa apostar nos limites.
Um desses limites é de alto risco, e é normalmente aí que se situa boa parte da inovação e boa parte da especulação - deixo-te o exercício de estabelecer a diferença.
No outro limite está o que é tido por seguro, o conservador, e se siubesses ler saberias que o dito cujo compra terra e explorações agrícolas e outras coisas onde todod os dias se apela para que haja investimento.
Como todo o treteiro vives de slogans e reages a triggers mediáticos!

Nuno Teles disse...

josé, "hedge" e "edge" são coisas diferentes...

Jose disse...

The edges are limited by hedges

Anónimo disse...

No comments.

Para além da perplexidade pela insistência neste tratamento assim para o coloquial que parece atestar outras coisas...e lembrar outras

...e o sublinhado do silêncio do jose sobre tudo o aqui dito.

Resta isto

De