quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2013

Da solidariedade europeia

Uma das exigências feita amiúde no contexto da crise do euro é a de uma maior solidariedade orçamental dos países europeus mais ricos para com os países mais pobres. Curioso observar como o que está a acontecer é exactamente o contrário.

O BCE anunciou na semana passada os seus lucros com a dívida pública dos países periféricos comprada no mercado secundário – no caso português o valor da dívida detida pelo BCE é de quase 23 mil milhões de euros. Em 2012, o Banco Central lucrou mil milhões de euros com os juros dos títulos gregos, portugueses, italianos, irlandeses e espanhóis. Não é muito. No entanto, segundo o Financial Times, se se tiver em conta o lucro não só do BCE, mas de todo o Eurosistema - que, no caso, diz sobretudo respeito aos bancos centrais dos países mais ricos -, o seu montante sobe para 14 mil milhões. Os juros pagos pelos países periféricos permitem lucros aos bancos centrais nacionais dos países mais ricos que, por sua vez, os transferirão para os seus orçamentos nacionais. Conclusão, através do negócio da dívida pública os estados periféricos subsidiam os estados do centro. Faz sentido.

Há uma excepção neste esquema, a Grécia. Neste caso, os lucros provenientes da dívida grega serão, em princípio, devolvidos a este país. “Bom aluno”, certo?

3 comentários:

LM disse...

23 mil milhões de lucro no caso da dívida Portuguesa, 14 mil milhões para todas as dívidas juntas? Por certo há aqui uma confusão com os números.

Roethia Secunda Roetia Prima disse...

Lucros? Duma dívida europeia que nunca será paga?
Bolas isso deve ser a coca no café a falar ou a escrever no fundo tanto faz

1929 está ao virar da esquina

esperemos é que chegue só em 29 mesmo

em 2018 nã me dá jeito posso inda tar vivo

Nuno teles disse...

Caro LM,

Talvez não estivesse claro. A confusão não foi com os números. O BCE detém 23 mil milhoes de dívida portuguesa; os lucros do eurosistema com a dívida periférica foram de 14 mil milhoes. Penso que o texto está agora mais claro.

nuno