sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Roteiros da memória


Carlos Costa
● «A medida de resolução agora decidida pelo Banco de Portugal, e em contraste com outras soluções que foram adoptadas no passado, não terá qualquer custo para o erário público, nem para os contribuintes.»
[3 de Agosto de 2014]
Cavaco Silva
● «A autoridade de supervisão, entre as alternativas que se colocavam, escolheu aquela que melhor servia o interesse nacional e que não trazia ónus para o contribuinte
[26 de Setembro de 2014]
Pedro Passos Coelho
● «O que no passado tivemos e que não deveria voltar a repetir-se, e não vai voltar a repetir-se, é serem os contribuintes a serem chamados à responsabilidade por problemas que não foram criados pelos contribuintes, por isso é natural que sejam os accionistas e a dívida subordinada, nos termos da nova legislação, a responsabilizarem-se pelas perdas que venham a ocorrer.»
[4 de Agosto de 2014]
● «Este processo não é equiparável a outros processos que ocorreram na banca portuguesa: o Estado não fez uma recapitalização do banco, nem assumiu com dinheiro dos contribuintes a recapitalização do banco. Não há nenhuma consequência directa para aos contribuintes. É conhecido que o Estado detém um banco. E se essas perdas vierem a ocorrer também terão impacto na CGD. (...) Nesse sentido, de forma indirecta pode haver algum prejuízo.»
[Outubro de 2014]
Maria Luís Albuquerque
● «A solução de financiamento encontrada – um empréstimo do Tesouro ao Fundo de Resolução a ser reembolsado pela venda da nova instituição e pelo sistema bancário – salvaguarda o erário público. (...) Os contribuintes não terão de suportar os custos relacionados com a decisão tomada hoje. A nova instituição será detida integralmente pelo Fundo de Resolução. (...) O reembolso deste empréstimo é independente do momento e do valor pelo qual o Novo Banco seja vendido. Quem é o responsável pelo reembolso deste empréstimo é o fundo de resolução. E o fundo de resolução é alimentado exclusivamente por fundos que vêm do sector financeiro. (...) Os contribuintes receberão necessariamente de volta o seu montante. Não há risco neste empréstimo. (...) Aconteça o que acontecer ao Novo Banco, [o Estado] não vai ser chamado a pagar eventuais prejuízos. Isso tem de ficar muito, muito claro
[Agosto de 2014]
● «A CGD é um banco do sistema financeiro, que participa no sistema com as mesmas regras de todos os outros: como o BPI, o BPI, o Montepio, o Banif e todos os outros, está sujeita, por via do mecanismo de resolução, a ter perdas, assim como está sujeita a ter um ganho. (...) A CGD pode sentir um impacto: é o preço de ter um banco público.»
[8 de Outubro de 2014]

Excertos das citações hoje sistematizadas pelo Jornal de Negócios, no artigo de Diogo Cavaleiro. Para depois andarmos a ouvir Cavaco Silva perorar sobre o «risco de implosão do sistema partidário» como fruto da falta de consenso e da instabilidade governativa, dada a «tendência das forças partidárias para rejeitarem uma cultura de compromisso».
Deve ser a isto que chamam os benefícios de ter, à direita, uma maioria, um governo e um presidente.

12 comentários:

Diogo disse...

Caro Nuno,

Isto não são simplesmente pessoas incompetentes, estúpidas ou mentirosas.

São corruptos a soldo do Grande Dinheiro. São funcionários bancários no pior sentido do termo.


A questão é: depois destes cortes todos na vida da população para encher a mula aos seus Senhores Banqueiros, quando é que a população lhes começa a cortar o pescoço?

Quando um Estado está sequestrado por ladrões genocidas, o que é que se deve fazer?


Fernando Madrinha - Jornal Expresso de 1/9/2007:

[...] "Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. [...] os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais." [...]

Jose disse...

Malhas que o Estado tece...(por ser banqueiro)

vernon disse...

Bem descrita a responsabilidade institucional na sequência das fotografias.

A importância real esbatesse porque são todos colegas na empresa privada de saque dos bens públicos.

Claro que há um dentro da institucionalidade que tem mais responsabilidades que os outros, e como colega mais velho, ao bom estilo da sua saudosa juventude, distribui as tarefas pelos restantes.

Anónimo disse...

Curiosa esta repetição monocórdica e obcessiva do formato ideológico neoliberal proferido pela coorte governamental.
"é o preço de ter um banco público.»
transforma-se no seu equivalente "Malhas que o Estado tece...(por ser banqueiro) pelas palavras do jose.

Só isto diz muito.Mas muito mais dirá o silêncio ensurdecedor sobre o que há de verdadeiramente significatico no modo de funcionar do governo, da forma como mente e manipula a realidade, da forma como se contradita e se comporta.

Eis a farsa e os seus farsantes. Eis o núcleo duro neoliberal, servidor fiel dos interesses privados dos banqueiros e seus interesses.

A conclusão não está no "preço a pagar pelo estado ser banqueiro" . A questão está nos verdadeiros motivos porque se deixa aos privados uma coisa tão mportante como a banca.Quem a privatizou, quem lucrou com as privatizações, quem agiu com dolo, quem se comportou como se comportam os actores deste jogo sujo e decadente guiado pelos mercados e pelo lucro acima de todas as coisas.

Porque os criminosos têm um bilhete de identidade e um nome. Quem mente e tenta esconder os factos também.

Cabe a todos nós dar a resposta adequada a este estado de coisas.

De

Anónimo disse...

Já agora um parenteses para concordar com Vernon.

As fotografias são um achado

De

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Afinal em que é que ficamos....????

Antonio Cristovao disse...

Será que as vezes que vemos comentar as declarações no seguimento de amenizar os efeitos de atitudes desatrosas e criminosas dos espiritos santos comparado como as analises sobre os verdadeiros culpados tem algum significado? ou é só porque está na moda? é que com tanta gente a não bater nos culpados e a bater no que segui um caminho até traçado por Bruxelas me parece "curioso"!!

Anónimo disse...

Caro luís rodrigues coelho Coelho:

Ficamos em que mais uma vez o governo e os seus agentes mentiram e aldrabaram, tentando fazer passar a falsa mensagem que a "solução" encontrada para o caso BES não teria qualquer custo para o erário público.

A sequência destas frases ( os "roteiros de memória") é particularmente elucidadiva da "evolução" do"discurso" governamental. Repare-se que à data das primeiras declarações do presidente do conselho e dos seus "colaboradores" já era do conhecimento destes todos os dados que hoje invocam para "corrigir"o discurso desta forma matreira e manhosa. Ou seja, nada de novo do ponto de vista do enquadramento jurídico foi produzido que motivasse a alteração do contexto geral em que nos encontramos.~

A conclusão é óbvia.A manipulação é de facto rasteira e medíocre mas continua a funcionar para o grande público , sobretudo se servida por poderosos meios de comnicação social, servis e ao serviço da estratégia neoliberal.

Pelo dito torna-se "incompreensível a tentativa de absolvição da quadrilha em exercício.Não vale a pena invocar os apertados,ternurentos, cúmplices, fraternos laços entre o poder político e o poder económico, representado aqui pelos "espírito santo".A submissão do poder político aos grandes interesses económicos é um dado concreto e irrefutável.
"Existem fortes indícios de que o Banco Espírito Santo, o Grupo Espírito Santo e a família Espírito Santo, foram acumulando ao longo dos últimos 25 anos (...), um poder na sociedade portuguesa que dá a entender que boa parte dos negócios da família estão associados a jogos de poder. Nós não nos podemos esquecer que desde o 25 de Abril houve 34 ministros e secretários de Estado que passaram pelo Grupo Espírito Santo. (...) E portanto o que nós sabemos é que há um grupo, que tem raízes familiares, que tem tido uma influência brutal na sociedade e na economia portuguesa; que teve muita influência, tanto quanto se sabe, em algumas decisões estratégicas que foram tomadas, não apenas sobre como utilizar dinheiros públicos, mas até como se faz em Portugal a regulação do sistema financeiro. E sabemos que esse grupo tem problemas muito sérios, que está a colocar todo o sistema financeiro e toda a economia portuguesa sob pressão" (Ricardo Paes Mamede).

Quanto ao papel da UE e da governança é bom não esquecer o papel das
oligarquias dos diversos países e suas clientelas com vistas à acrescida exploração dos trabalhadores. Nos países dependentes, como em Potugal a oligarquia caracteriza-se por perder as referências nacionais. Tornam-se "correias de transmissão" dos centros imperialistas para conservar um certo domínio político e económico no país e partilhar os seus recursos. Uma "correia de transmissão" sem a qual a ação externa seria ineficaz ou não rentável."(Daniel vaz de Carvalho)

Isto tem mais de criminoso do que curioso

De

dumoc disse...

O "mistério" de em Portugal, aqueles que vivem do trabalho se encontrarem neste momento tão completamente "lixados" reside no facto de os nossos dirigentes se concentrarem somente em defender os interesses dos lobies internacionais em 1º lugar e de só pensarem nas suas próprias contas bancárias em 2º lugar. O povo é carne para canhão.

http://dumoc-and-me.blogspot.pt/2014/09/o-misterio-de-portugal-estar-tao.html

Daniel Ferreira disse...

" A CGD pode sentir um impacto: é o preço de ter um banco público."

Das duas, uma: ou a CGD deixa de fazer parte do sistema financeiro (não sei se é possivel, torná.lo uma especie de banco de serviços mínimos, e deixar-se de aventuras com dinheiro dos depositantes / contribuintes / pensionistas), ou o estado deixa de ter um banco publico, e privatiza-se

mexilhão disse...

I have a dream em que Portugal aprove novo regime jurídico bancário de forte regulação das atividades financeiras privadas,

I have a dream de que seja alterado o poder de fiscalização do Banco (novamente) de Portugal em que o seu governador seja mais um caça-banqueiros (maus) do que um padrinho dos padrinhos"

I have a dream em que a CGA como banco público seja para servir o povo, que empreste sem juros a particulares e micro/pequenas empresas (juros só moratórios em caso de incumprimento, mas não usurários/especulativos)

Anónimo disse...

Já se adivinhava o desejo dos neoliberais pelo fim da CGD como banco público.
As declaraçoes de srª swap apontam já nesse sentido.As de outros tubarões negros do regime também

Perante o descalabro da goernança neoliberal, o que fazem os neoliberias?
Querem mais.Querem menos estado para precisamente continuarem a dominar os interesses dos mais fortes.
O sonho dum neoliberal é que um país nem sequer disponha de qualquer banco. Quer inviabilizar este instrumento fundamental de autonomia, para hipotecar de vez a soberania nacional. Para que aconteça o mesmo que tem acontecido aos secotres básicos da economia., passando-os para as mãos dos grandes interesses, as mais das vezes monopólioso sediados noutros países.

É um facto,. A cobiça mistura-se com o aviltamento do país e com a traição pura e simples.

Nada de novo que já não tivesse acontecido nesta terra

De