terça-feira, 28 de outubro de 2014

A gaffe de António Costa não é tecnicamente colossal, politicamente...

António Costa meteu-se numa alhada. Referindo os dados apresentados no Relatório do Orçamento de Estado para 2015 (quadro III.3.1, na página 104), acusou o governo de estar a desperdiçar os fundos comunitários, já que as transferências da UE vão diminuir em quase 1,5 mil M€ em 2014 e outros tantos em 2015.

Acontece que as transferências da UE registadas no Orçamento têm pouco a ver com a execução efectiva dos fundos estruturais em Portugal. Por um lado, porque parte dos fundos é transferida logo à partida, antes ainda de haver investimentos no terreno. Por outro lado, porque os pagamentos a quem tem apoios do QREN são feitos antes de se pedir o reembolso respectivo a Bruxelas.

Serão poucos os leitores que resistiram a ler este texto até aqui. É normal: o assunto é técnico e desinteressante. Apenas os entendidos - e são poucos - percebem estas minudências. Mesmo entre estes, a maioria valoriza pouco esta questão.

Ou seja, do ponto de vista técnico, o erro de António Costa não é uma 'gaffe monumental' - como lhe chamou Castro Almeida, actual Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional. Bem-humorado, o ex-dinaussauro autárquico, que anda há muitos anos a virar frangos (como hoje se diz), acrescentou que António Costa estava a confundir 'quilos com metros' e que 'não basta andar com dossiers debaixo do braço, é preciso lê-los'.

Se do ponto de vista técnico a questão é menor, do ponto de vista político a gaffe não é de somenos, por dois motivos.

Primeiro, António Costa passou uma imagem de impreparação, algo que não lhe deveria assentar e que os seus conselheiros poderiam ter evitado. (Poiares Maduro não deixou escapar o deslize, acusando Costa de "incompetência ou má-fé"Costa tentou responder, mas não convenceu.)

Em segundo lugar, o futuro líder do PS revelou-se inclinado para marcar pontos na agenda política de forma superficial. É que, erro técnico à parte, a discussão sobre os fundos europeus não deveria centrar-se nos níveis de execução, mas antes na sua qualidade (gastar é fácil, díficil é fazê-lo bem).

Esta gaffe de António Costa é um alerta. É-o para aqueles que parecem já dominados pela complacência, perante a perspectiva de umas eleições ganhas à partida. Mas também para aqueles que, de tanto quererem ter esperança, se esquecem que é preciso muito mais do que um bom líder para fazer um bom governo.

32 comentários:

Anónimo disse...

Numa alhada estão-se a meter todos os que alimentam ilusões no PS/Costa.

Muito mais que as "gaffes" na questão dos fundos estruturais deveria valer o que bem se poderia chamar de "abstenção violenta" (à la Seguro) nas resoluções de reestruturação da dívida votadas esta semana na Assembleia da República.

Que o LIVRE, partido dos fretes aos socialistas, e de facto à continuação do fundamental da política de direita, que entre outras questões estruturantes recusa a inevitável reestruturação da dívida, conviva bem com isso, posso perceber e, para falar verdade, só o contrário me surpreenderia.

Agora que o grupo Manifesto, supostamente constituído por gente de esquerda mais séria, ou que assim gosta de parecer, tolere, ou pior ainda, silencie mais esta confirmação da continuidade da política "troikista" no país, é algo que já custa mais a engolir.

A parceria com o Livre, empenhado na viabilização de um governo PS, que obviamente - e começa a parecer cada vez mais tolo quem não vê - deixará tudo fundamentalmente na mesma, é a ilusão pateta e megalómana da pulguinha que julga que por se pôr atrás da orelha do elefante PS lhe inflectiria a marcha neoliberal.

Só há progresso social neste país com a redução da base de apoio dos partidos da troika - PS, PSD, CDS - de todos e de cada um deles. É para isso, e não para o contrário, que devem trabalhar todos os que se dizem de esquerda e sinceramente desejam uma alternativa, e não uma mera alternância, política em Portugal.

Ricardo Paes Mamede disse...

Anónimo,

elucide-nos lá em qual dos documentos da Associação Fórum Manifesto se nega ou oculta a necessidade de reestruturação da dívida, que eu não conheço.

Anónimo disse...

Nada disso, se não apreciasse a sua honestidade intelectual, diria que estava a desconversar. Prefiro acreditar que não percebeu.

A contradição que aponto é exactamente o Fórum Manifesto defender a reestruturação da dívida, mas alimentar ilusões numa governação do PS que nunca a fará, mais do que a faria um governo PSD/CDS, isto é, salvo quando a isso for obrigado, na estrita medida dos interesses dos credores e absolutamente confinada aos limites da posição subalterna em que a UE neoliberal circunscreve o nosso país.

Pior ainda, o Fórum Manifesto associa-se ao Livre para viabilizar essa governação (neoliberal) do PS.

A grande contradição está aí e não será difícil prever que, mais adiante, quando tudo for ainda mais evidente, aparecerão as almas envergonhadas a distanciar-se e a arrepiar da continuação do rumo nacional a que o PS se propõe dar continuidade.

Mas até lá, quantas ilusões semeadas, quantas acções contraproducentes, quanto tempo perdido?

Não contem sair limpos do lodaçal da política neoliberal para que o PS vos arrasta. Partindo do princípio que têm os sentimentos e as opções da esquerda, então diria que já têm idade para ter também o juízo de saber onde e como devem defendê-los.

Anónimo disse...

Mas alguém acredita que o PS de Costa é a favor da saída do euro?

Que vai reestruturar a dívida pública impondo perdas aos credores?

Que vai nacionalizar as empresas que operam em sectores estratégicos?

Que vai estabelecer uma política industrial com o objectivo de aumentar o peso da indústria no VAB nacional?

O PS é um fraude e não tem condições para ser considerado como partido de esquerda.

O Costa & amigos não passa da continuação da política dos laranjas. Vão meter lá mais um Campos e Cunha que na prática vai fazer o mesmo que estes fazem.

Ricardo Paes Mamede disse...

Estamos de acordo quanto a alimentar ilusões e quantos ao riscos que daí derivam. De resto, o que penso sobre o tema escrevi-o aqui: http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/09/sem-o-ps-nao-havera-governacao-de.html.

Manuel Silva disse...

Ao Anónimo de 28 de Outubro de 2014 às 17:51, que umas vezes é Anónimo mas outras é DE:
Mas que é sempre fiel defensor à «outrance» da retórica da sua pequena tribo partidária, que vê mais depressa as alhadas em que ou outros se estão a meter do que as alhadas em que o seu partido se meteu (e nos meteu), não nos metendo mais porque a maioria dos eleitores sabe distinguir retórica de prática.
Os resultados eleitorais desde 25 de Abril de 1975, data da 1.ª eleição democrática e livre em Portugal, até às últimas (disponíveis em vários portais públicos), comparando os universos eleitorais, o número total de votantes e as percentagens obtidas, são bastante elucidativos.
Isto devia levar a meditar os dirigentes e os militantes desse partido sobre a sua autossuficiência, a arrogância com que veem os outros e são incapazes de dialogar com eles, tão seguros que estão das suas certezas.
O Ricardo Paes Mamede não se cansa de advogar, e de trabalhar, no sentido de, à Esquerda, haver diálogo, não conversa de surdos, para se atingirem plataformas de entendimento e de responsabilização com vista à governativa alternativa.
Em vão, infelizmente.
Nem a falta de eficácia do discurso e da sua luta constante em defesa do povo que não quer ser defendido por tal retórica e, especialmente, por tal prática, espelhada nos resultados que acima deixei, leva certas pessoas, como este Anónimo, a meditarem.
Não, tal como a mãe do soldado que levava o passo trocado no juramento de bandeira, mas que veio dizer que os outros é que o levavam trocado, só o filho dela tinha o passo certo, também este Anónimo e os seus camaradas são os únicos com o passo certo.
Se vivesse num município governado pelo seu partido como eu vivo, e ouvisse, por um lado, a retórica contra o «roubo» do governo nos impostos mas fosse «roubado» nos impostos municipais, os mais altos do país entre 308 câmaras: o IMI, a Derrama de IRC e a devolução dos 5% do IRS, sabia do que falo.
Bem prega Frei Tomás, fazei o que ele diz mas não o que ele faz!
-----------------------
P. S. Esse verdadeiro ódio contra o Livre é do receio de ele vos tirar uns milhares de votos das franjas que veio captar? Com mais outros milhares de votos de outras franjas que veem no Costa alguma esperança, mais outros milhares das franjas dos descontentes que vão para o Marinho Pinto lá se vão os 2 dígitos mais uma vez, aproximando-se do partido do táxi.

Anónimo disse...

Caro Ricardo Paes Mamede,

Acho que é altura de a esquerda começar a fazer uma lista das esperanças (só as "realistas", se quiser) que tem no PS de António Costa e no próprio. Porque a partir de agora vai ser sempre a riscar ilusões da lista. E tem de ser a esquerda a fazer esta análise porque senão a direita ainda é acusada de uma análise enviesada.
Pode começar por colocar na lista "melhor preparação e competência" (em comparação com o ministro Castro) e começar desde já a riscá-la. Posso também sugerir um ponto: acabam os erros de previsão, as derrapagens orçamentais, e os orçamentos rectificativos.
Tudo para memória futura, até se convencerem que não há homens providenciais e que os tempos são outros (há efectivamente uma nova normalidade).

André disse...

ò Anónimo você ainda se afoga em tanto sectarismo... Os partidos da Troika são o PSD o CDS o PCP e o BE. Esses sim os partidos que fizeram tudo o que estava ao seu alcance para derrubar um governo de esquerda sabendo bem as consequências e o que viria aí. Para Santinhas da Ladeira já nos basta o Pires de Lima!
O BE implodiu e o PCP é um partido que vai a eleições há mais de 30 anos e por mais de 20 vezes cerca de 90% da população portuguesa disse não os querer como governo. Cheira-me que isso não vai mudar. Diga lá então qual é a solução de governo que preconiza?

Anónimo disse...

"Diga lá então qual é a solução de governo que preconiza?"
Nenhuma em particular dentro do arco PS/PSD/CDS que é onde voto, infelizmente na perspectiva do mal menor. A minha proposta ia apenas no sentido de sistematizar o acabar de ilusões que lentamente se vão instalar. Para que quando se criticar o próximo governo deixe de ser utilizar críticas completamente desfasadas da realidade que infelizmente é a actual.
Mas também começo a achar que ainda não vai ser com o próximo governo (PS com certeza) que vai deixar de surgir o sebastianismo.

Antonio Cristovao disse...

Acho que foram prudentes os que ainda não colocaram a maquina do nevoeiro nestas ultimas aparições do sebastião Costa

Anónimo disse...

Manuel Silva:

Nem sequer li o que escreveu. Só a primeira linha. E o que li é desastroso.Porque indiciador dum carácter ( ou falta dele) que o define e define a sua forma de estar. Ética, social, cívica.Também necessariamente política.

Irei ler o que escreve o tal anónimo e os outros. De você nem por isso. Está já destinado ao lugar ocupado por.

Eu assino sempre os meus textos ( só por esquecimento é que posso alguma vez o não ter feito).Não é o caso.

Daí que fico à espera que prove o que diz que " umas vezes é Anónimo mas outras é DE". O ladrões de bicicletas pode confirmar ( se quiser) a proveniência necessariamente diferente dos comentários.

Por agora basta. E mais não digo porque isto é um sítio de pessoas civilizadas.

De

Jose disse...

Dê-se ao Costa o benefício de que tem como única arma disponível manter e incrementar a confusão, que soluções tem nenhuma.

Anónimo disse...

Foi o Sócrates que chamou o FMI.

Foi ele que negociou o programa com aquelas metas irrealistas que nunca conseguimos cumprir.

Foi ele que se vangloriou que o programa era leve e não incluia cortes nas pensões e nos subsídios.

Portanto não digam que o PS fará melhor.

O Sócrates e o PS podiam ter declarado o incumprimento da dívida em 2011 e talvez a história recente tivesse sido muito diferente.

Acho que fica claro quem são os partidos da troika.

Neste momento o PCP é a única força com condições para retirar o país do estado em que este se encontra.

Não é de certeza o PS que apesar de se intitular socialista nunca defendeu verdadeiramente os interesses das classes trabalhadoras.

Veja-se o valor do SMN e podemos ver que o mesmo perdeu poder de compra face ao valor de 1975 em termos reais.

Veja-se a distribuição do rendimento e podemos verficar que cada vez mais a fatia do factor trabalho é mais pequena.

Isto é capitalismo e nada tem de socialismo. Ou mudam de políticas ou mudam de nome.

Anónimo disse...

Caro Ricardo Pais Mamede:

O endereço que postou está correcto?
Quando tento abri-lo diz-me que a página não existe

Quanto à substância da coisa tenho a dizer que os partidos troikistas (por mais que André o tente ocultar) incluem o PSD o PP e o PS. E que as esperanças depositadas por alguns em Costa são, para mim, infelizmente perfeitamente infundadas.

"Quem aspira a uma sociedade diferente tem de actuar contra isto de acordo com as condições concretas de cada país. No caso de Portugal e de outros países europeus que se encontram em situação semelhante o grande cavalo de batalha terá de ser o combate ao peso da dívida. Somente o combate ao peso da dívida e a enunciação clara e objectiva dos seus inevitáveis efeitos poderá mobilizar as pessoas para uma política diferente. E será pela posição relativamente à dívida que as águas se irão definitivamente dividir. Pelas posições assumidas pelas diferentes forças políticas se saberá quem realmente está “contra isto” e quem está a favor, qualquer que seja a fraseologia usada para escamotear esta crua realidade."
JM Correia Pinto

Daqui:
http://politeiablogspotcom.blogspot.pt/2014/10/a-proposito-da-carga-fiscal-e-do-corte.html

Depois falaremos na questão do euro.

( quanto ao sr manuel silva quem quiser perceber um pouco mais daquele arrazoado que posta pode sempre consultar estes dois posts, se bem que sinceramente o que ressalta é demasiado medíocre para.
Mas não adjectivemos mais a "questão" e que cada um tire as suas conclusões:
http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/09/nao-sabem-o-que-e-uma-depressao.html

http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/09/a-europa-como-problema-e-o-principio-da.html
)

De

Manuel Silva disse...

Senhor DE:
Se não se quer identificar crie um nic para que entre automaticamente nos seus comentários e não haja estas confusões.
Não é preciso apelar ao papel de polícias dos gestores do Ladrões.
Quem frequente o Ladrões e perceba um pouquinho de análise textual é capaz de identificar com razoável grau de certeza os autores dos comentários pelas construções gramaticais, outros recursos linguísticos usados, análise, propostas e concepções políticas explanadas.
Sei que o incomoda a exposição pública das contradições do seu partido, paciência, fale com o serralheiro-mecânico.
Quanto ao julgamento do carácter dos outros, presunção e água-benta cada um toma a que quer.
E hipocrisia, cada um usa a que quer no dia-a-dia e acção política.
É por causa do que se diz e do que se faz que é possível vocês falarem como falam de quem governa e apresentarem as propostas mirabolantes que apresentam: que não funcionaram em sítio nenhum, do mundo mas funcionariam cá… apenas porque não as aplicam, pois só pensam na sobrevivência como partido e não nas soluções governativas (a este propósito leia a história do seu partido escrita pelo João Madeira, vale a pena).
Por isso é que, onde governam, nas câmaras, não querem que se saiba o que se passa (veja diariamente o blog Má Despesa Pública e o despautério nas vossas câmaras, p. ex. Almada, com relógios de ouro de 800 euros oferecidos a todos os funcionários aos 25 anos de serviço, adjudicados sem concurso sempre ao mesmo relojoeiro, ou às jarras para o Cristo-Rei, ou aos almoços de 19 mil euros aos professores, etc. etc.)

Manuel Silva disse...

Senhor DE:
Esqueci-me de um pormenor.
Eu tenho 3 computadores em casa (meu, mulher, filho), com 3 IP diferentes, pois até têm servidores diferentes.
Se enviar 3 comentários anónimos, um de cada um deles, sou 3 pessoas diferentes.
Percebe agora?
Mas os meus comentários saem automaticamente sempre com 2 dos meus 4 nomes (isto é, com 1 nome e um dos 3 sobrenomes).
Mesmo que duvide de eu me chamar Manuel Silva, quando o senhor, ou outro qualquer me responderem sabem exactamente a quem se estão a dirigir e todos os outros sabem entre que 2 pessoas é o diálogo.
Difícil?
Nem por isso!
Depois eu é que não tenho carácter, voltamos à dualidade: Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz não o que ele faz.

Anónimo disse...

A última frase do texto é inconsistente. Dá a impressão que Costa é um bom líder, depois de lhe notar impreparações destas. Costa é um líder desejado, mas falta-lhe muito para ser um bom líder. E o desejo pela figura vem do lastro autoritário que muitos confundem com convicção e persistência e que tanto tem feito os eleitores portugueses errarem elegendo figuras como Cavaco, Sócrates, Costa e Rio.

Anónimo disse...

Manuel Silva, obviamente o estilo dos comentários anónimo nunca seriam de De - mais facilmente seriam meus, que também nunca assino e nem sequer participei até agora nesta discussão tirando o comentário em que discordo da última frase de RPM.

Perde demasiado tempo a procurar achar autorias das intervenções, para o que manifestamente não tem jeito, e a babujar contra o anonimato inócuo, em vez de explicar em torno do que espera concretamente ver o PS ter entendimentos governativos (e uso entedimento no sentido do entendimento que o PS faz desses assunto e não enquanto sinónimo de aliança) de esquerda.

É a reestruturação, é renegociação, é o quê?

Ricardo Paes Mamede disse...

DE,

o endereço é o correcto:

http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/09/sem-o-ps-nao-havera-governacao-de.html

talvez tenha posto um ponto a mais.

R.B. NorTør disse...

Quando li a primeira linha do primeiro comentário, pensei que estava a ler um comentário do troll de serviço, ao abrigo do anonimato.
Claro que quando cheguei à importância que dá ao Livre percebi que era alguém de uma área política contrária.

Sejamos francos. Realisticamente nenhum partido de esquerda será governo sem ser apoiado no PS. O facto de se recusarem sequer a negociar essa possibilidade fala mais de ditaduras encapotadas do que em democracia. Procurar consensos ou uma plataforma de entendimento é uma negociação e já se sabe o que se diz de uma negociação, só correu bem quando ambas as partes sentem que perderam. Que alguns sejam tão hedonistas que se recusem a submeter a esse sentimento, diz mais da responsabilidade deles do que outra coisa.

Sejamos francos, há todo um mundo que vai de não apoiar António Costa até dizer à boca cheia que António Costa é igual a Passos Coelho. A verdade é que no que chega ao comum dos mortais o pior de Sócrates está uns patamares acima do melhor de Cavaco e em termos sociais o Governo de Guterres dá 15 a 0 a qualquer outro Governo dos últimos 30 anos. Ou seja, se ideologicamente até podem ser a mesma coisa, na aplicação da sua agenda há um mundo de diferença. Quem hostiliza o PS por hostilizar, ignorando todas essas diferenças, está isso sim a fazer um frete à coligação que nos desgoverna.

Acontece que dificilmente se pode esperar outra coisa de quem não tem soluções para o país. É profundamente lamentável que duas forças parlamentares se tenham recusado, há quatro anos, a comparecer nos encontros com a troika. Até podia ser que não desse em nada, mas o dever dessas forças era ir lá e dizer o que achavam que devia ser feito. Agora sim poderiam dizer "nós dissemos e ninguém nos ouviu". Não foram. Para o bem e para o muito mal, não foram. Se querem falar de coisas iguais, essas forças parlamentares são iguais aos portugueses que se queixam na esplanada e depois votam no mesmos. Cresçam!

Manuel Silva disse...

Anónimo das 09:51,
Está a ver a confusão que dá os anonimatos (para além da cobardia que representam)?
Sobre o que será um putativo governo do PS, o João Pinto (do FCP) é que tinha razão: prognósticos só depois do jogo. Ou como diz o povo, só se sabe se os melões são bons depois de os abrir.
Mas a sua obsessão com o governo do PS é bastante elucidativa de que interesses defende, que receios o povoam...
Por mim chega de responder a cobardes anónimos que nem têm coragem para se identificarem com um nome, para que se saiba com quem se dialoga.
A blogosfera está cheia dessas personagens sinistras, que destilam ódio sobre os outros a coberto do anonimato.

Anónimo disse...

Caro Ricardo Paes Mamede: tem razão. Um ponto a mais.

Obrigado.

Ponto final parágrafo

(manuel silva por favor poupe-nos e esta exposição um pouco grotesca, mistura de má fé e de ignorância.Confessemos que também um pouco patética.

É possível saber o local de origem dos comentários, independentemente do número de computadores que "teclam" do local.

Pelo que tudo o que disse a seu respeito o reafirmo.Acrescido duma ainda pior opinião sobre a sua postura ética , cívica e política.

Quero lá saber se se chama manuel silva,madeira ,livre, IMI,pinto ou qualquer outra coisa.
Interessa-me o debate de ideia.Não este seu pungente "diálogo" e essa impressionante incapacidade de ver o que se mete pelos olhos dentro. Para não falar já no , mas aí entramos na diferença de opiniões saudável e democrática, considerar que o conteúdo do que escreveu é duma pobreza e duma quase que paranóia confrangedora.

Veja lá que é para que se saiba quem escreve que tenho o nickname de "De".

Está claro ou precisa de ir tirar um cursozito de análise textual? Não lho recomendo em definitivo a escola do relvas, tal como não recomendarei aos demais a sua própria "escola" ou demais "escolas"

Ponto final parágrafo.

De

Manuel Silva disse...

O último comentário de DE, em que se defende como se fosse o Anónimo das 09:51 (que afinal é, mas quer parecer que não é), falando do João Pinto que eu refiro quando me dirijo ao Anónimo das 09:51, é elucidativo do que está em causa.
Mais palavras para quê?
É um artista (um revolucionário) português!

Anónimo disse...

Ahahahah

Francamente..mas nem assim se enxerga?

Pinto...do marinho pinto ...
Cito, com algum gozo,ipsis verbis:
"...dos descontentes que vão para o Marinho Pinto"

(e quando escrevi o meu comentário ainda não estava viabilizado o comentário de m.silva das 11 e qualquer coisa)

Mais do resto é aquilo que já foi dito.Acrescentado de algum espanto como se pode ser assim...dessa forma tão...

Daí que fico à espera que prove o que diz que " umas vezes é Anónimo mas outras é DE". O ladrões de bicicletas pode confirmar ( se quiser) a proveniência necessariamente diferente dos comentários.

"Pelo que tudo o que disse a seu respeito o reafirmo.Acrescido duma ainda pior opinião sobre a sua postura ética , cívica e política".

Está claro precisa mesmo de ir tirar um cursozito de análise textual. Não lho recomendo em definitivo a escola do relvas, tal como não recomendarei aos demais a sua própria "escola" ou demais "escolas"

Infelizmente parece que isso só não basta.

De

Anónimo disse...

Deixa lá, amigo DE. O sonho do Manuel Silva é evidente. Que todos os portugueses, mais ou menos progressistas, que cada vez mais se apercebem de que, no essencial, o PS não deixará de dar continuidade à política de direita do PSD/CDS, e que, fundamentadamente, se pronunciam e alertam nesse sentido, fossem todos o mesmo, um só, um único, desdobrado em múltiplas intervenções, anónimas, pseudónimas, ou o que quer que sejam. Pobre tonto, que em cada comentador que lhe põe em causa as certezas demasiado fáceis encontra sempre o mesmo papão que lhe atormenta os sonhos cor-de-rosa.

Manuel Silva disse...

Vejo que conheço bem a escola do Relvas... a do «Não é preciso pores lá os pés».
E talvez a do Sócrates... «Vamos tirar o cuso ao Domingo».
Mas a sua: «Aprenda em casa pela cassete» também é boa.
Ajuda a ver o mundo parado entre 1848 e 1989.
Mas entretanto o sacana do mundo gira.

Manuel Silva disse...

Pois, pois, é a técnica dos Verdes.
Destacam-se uns mânfios para uma ficção chamada Verdes, elegem 2 deputados, criam um agrupamento parlamentar, falam em duplicado para repetir a cassete 2 vezes.
Aqui é o DE e o Anónimo (que também é o De).
Quem não vos topar que vos compre.
O que vocês sabem já eu me esqueci.

Anónimo disse...

Caro anónimo de 29 de Outubro de 2014 às 19:03:

Acho que acertou no alvo em meia-dúzia de linhas. De forma tão clara como sintéctica, o que convenhamos é uma outra qualidade não despiciente.


Eu,por enquanto, e enquanto aguardo as provas das espantosas afirmações do sr m.silva, devo confessar que me interessa estudar um pouco mais este género de situações, pelo que revelam da mente humana. As certezas inabaláveis, fruto de "raciocínios" truncados e quase que paranóicos. Ou o que sucede quando os mais elementares raciocínios científicos são substituídos por esquematismos empíricos a raiar os dogmas religiosos.

E aí encontramo-nos com o que o preclaro anónimo disse há pouco sobre o tema.

Mas há outra questão que me interessa aprofundar.É saber a credibilidade que oferecem os testemunho de quem assim procede.

Sem adjectivar mais a situação devo confessar alguma perplexidade com a forma como esta discussão se processou.

Sem que tal elida as questões éticas, cívicas e políticas que envolvem directamente m.silva.

De

Manuel Silva disse...

A 29 de Outubro de 2014 às 19:03, falou o Vermelho [por fora, mas negro por dentro] ao Verde [por fora, mas vermelho por dentro, vulgo melancia].
Afinal, ainda foi pior do que isso.
Falou o mesmo, que se assina DE, para si próprio.
Patético.
Sim, patético, mas não novo, são técnicas bem velhas de um, apenas, ampliar o discurso fazendo-se passar por dois.
Eu, que sigo o Ladrões há anos, quase apostava que sei quem é a personagem, que se assina, na realidade, apenas por duas letrinhas também: uma delas é também um D, a outra é uma letrinha dos finais do alfabeto, mas com a ordem invertida, o D vem no fim.

Anónimo disse...

O sr m silva insiste.

Insiste desta forma patética.

Insiste desta forma patética,mas confessemos tola.

Mas porque insistirá desta forma tão patética e tão tola o sr silva?

Porque não tem mais nada a que se agarrar. O agora vir confessar que não tem razão, que de facto não sabe o que diz faz cair com estrondo a sua credibilidade cívica , social, ética e política.E expõe-o ao ridículo.

Pobre sr silva.

Não sabe, (enm sonha) que as suas tiradas um poouco simplórias escondem várias coisas.

Em primeiro lugar algum desespero.Vir chamar à discussão os verdes é próprio de quem tem a cartilha toda, mas a cartilha à montenegro. Mas os verdes é uma não questão no debate. Parte então para as melancias , fala em vermelho e negro,confabula com um "eu sei quem é o sujeito"

Pobre sr silva.

O desespero nunca foi bom conselheiro.

De

Anónimo disse...

Porque há tres coisas, três pequenas coisas que deitam por terra esta confabulação do sr silva.

A primeira.Não consegue provar nada do que afirma. Diz que sou isto ou aquilo, declama sobre o tema,cita a despropósito soldados e soldadinhos, fala em melancias...mas quando desafiado a provar o que diz,...o que faz o sr silva?Serve-se do sr silva e diz que é perito em analisar textos.Mais nada.

Não se riam por favor que o assunto é sério

A segunda "coisa" é que eu tenho 100% a certeza que tenho razão.Certeza absoluta.Pode o sr silva não acreditar e fazer os seus exercícios um pouco circenses.Mas tal é de tal forma um facto que me dá uma tranquilidade absoluta neste debate.

E o sr silva não tem esta certeza.Porque a não pode ter. Só um mentecapto pode ter a certeza advinda de leituras da sina ou de segredos segredados pelos deuses enquanto dorme. E esta tranquilidade que advém da certeza do que afirmo, confere-me uma superioridade moral à qual não pode chegar o sr silva

E depois temos uma terceira "coisinha". É que eu sei que quem trabalha neste blog, quem tem acesso aos IPs , quem tem acesso à proveniência dos posts sabe que falo verdade. Estou de consciência tranquila e de mãos limpas. Com a transparência de assumir o que digo, sem recear ser contraditado por ninguém que tenha acesso aos dados...Por ninguém

E o sr silva não sabe nada destes.Confabula e assume este triste espectáculo. E mais algumas coisas...


Mas há mais um "pequeno" pormenor que interessa dizer.Ficará para mais tarde.

Porque agora preciso de algum ar puro

De

Anónimo disse...

o meu obrigado ao livre e a pais mamede,por me poder dar a mim e a milhares de portugueses a possibilidade de ser governado por gente que naõ seja reacionaria, que defenda o sns,a escola publica e os mais desfavorecidos.quanto aos esquerdistas, o povo não vota neles, para os não tornar reacionarios das suas proprias ideias! cito de memoria as palavras de milanés (cubano) sobre o que se passa no seu pais.