segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Nacional só com nacionalização


Quer destruir uma empresa? Faça o que os accionistas da PT fizeram.” Helena Garrido contou no início da semana passada parte de uma “história triste”. O espírito santo também andou por aqui a encher-se com dividendos e mais-valias e a encher a PT de lixo, com a ajuda das luminárias financeiras que a geriam e que saem com paraquedas de mais de 5 milhões de euros: as regras do capitalismo financeirizado estão mesmo desenhadas para transferir recursos para os que estão sempre lá em cima. No final da semana, Garrido apelou, e bem, a uma intervenção do governo na PT. Pena é que, há uns anos atrás, Garrido tenha feito parte da sabedoria convencional que saudou a “santa troika”; santa por ter retirado direitos de intervenção ao Estado em várias empresas estratégicas. A sabedoria convencional justificou o desastre da perda de soberania económica.

É por essas e por outras que ainda são poucos a contar a parte da história da PT que leva à conclusão óbvia, mas ainda inconveniente: a melhor, a única, forma de manter uma empresa destas em mãos nacionais, uma necessidade para qualquer política de investimento qualificado num sector estratégico, é mantê-la parcial ou totalmente em mãos públicas, nas mãos dos que a criaram, como de resto sublinhou a economista Mariana Mortágua na melhor intervenção que li sobre a PT. A história do futuro está por escrever: esperemos que não seja tão triste, esperemos que se reverta um ciclo de privatizações, com mais de duas décadas, cujo desastre está à vista de tantas e tão variadas formas – do BES à PT.

13 comentários:

pvnam disse...

Há quem diga: «a CGD pode/vai sentir um impacto da 'solução' encontrada para o BES: é o preço de ter um banco público".»


A não existência de concorrência pública iria fazer com que o preço a pagar fosse ainda maior...
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-> Um exemplo: quiseram introduzir taxas em cada levantamento multibanco... todavia, no entanto, o consumidor/contribuinte reagiu: "o banco público C.G.D. apresentava lucros... sem ser necessário a introdução de mais uma taxa"!?!?!
-> Um outro exemplo: com a não existência da concorrência duma empresa petrolífera pública... o consumidor/contribuinte passou a ser roubado a torto e a direito no preço da gasolina.
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P.S.1.
1- ficar à espera de auto-regulação privada/(de mercado) é coisa de otários...
2- a Regulação Estatal é necessário... todavia, no entanto... é algo que poderá ser um tanto ou quanto contornável... (uma nota: ver casos do BPN e do BES).
3- para que certos sectores de actividade [exemplo 1: a actividade política; exemplo 2: sectores estratégicos da actividade económica] não venham a «ficar entregues à bicharada»... é necessário que exista uma apresentação sistemática da sua actividade [ex. 1: governo; ex. 2: EMPRESAS PÚBLICAS em sectores económicos estratégicos] ... para que... o consumidor/contribuinte possa exercer uma constante atitude crítica!
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P.S.2.
Uma opinião um tanto ou quanto semelhante à minha:
Banalidades - jornal Correio da Manhã:
- o presidente da TAP disse: "caímos numa situação que é o acompanhar do dia a dia da operação e reportar qualquer coisinha que aconteça".
- comentário do Banalidades: "é pena que, por exemplo, não tenha acontecido o mesmo no BES".

Daniel Ferreira disse...

Penso que já é evidente que a OPA da Sonaecom falhou precisamente por intervenção estatal num assunto que não era do seu foro.

As perguntas que coloco agora são:
- sendo que a OPA da Sonaecom foi rejeitada pelos accionistas (com o aval/benço/vontade do Governo da altura), se tivesse sido aceite, estaria em condições melhores? Teria perdido valor (a PT perdeu 10x o seu valor desde a OPA)?
A negociação de fusão entre a ZON e a Optimus deu-se com sucesso, e o resultado é uma empresa sólida com enorme potencial de crescimento - perguntem aos vossos amigos e familiares quantos tem abandonado a PT/MEO/TMN para a NOS? E desde quando?
Acredito que as respostas vos surpreenderão.

- entre 3 operadores fisicos (PT, Vodafone e ZON), outros tantos virtuais (UZO, Lycra, CTT...), pacotes de multiserviços (dual, triple e quadruple play), diferentes opções de tecnologias (ADSL, 4G, Fibra e Cabo), não me parece que o sector das telecomunicações esteja em risco, com o eventual desaparecimento da PT (o que, de qualquer forma, é praticamente impossivel, face à dominancia sobre a propriedade da infrasestrutura, cerca de 93%)

- só para pegar neste exemplo, apesar de haver cerca de 10 milhoes de telemóveis activos no país (o que dá 1,qualquer coisa por habitante), a taxa de penetração no movel não chega a de 30%. O potencial de crescimento é enorme, e não acredito que haja falta de oferta (tanto a nivel de operadores nacionais como operadores estrangeiros)

- Precisamos de um operdaor "de bandeira"? temos 3 operadores nacionais, porque é necessário que um deles seja propriedade estatal? Qual a vantagem? O que se está a salvaguardar (e não me venham com conversas de "em guerra, precisamos de manter as comunicações", que é a ideia mais absurda com que já me presentearam)

- Se, e um Se muito improvável, a PT vier a extinguir-se no mercado, sugerem a nacionalização de algum operador privado?

Anónimo disse...

A privatização total da PT tem um responsável - António Guterres. Quando entrou para 1º ministro estavam 27% privatizados e quando saiu estavam 100% - só ficou a "golden share" que acabou com a chegada da troyka, mas sem ter parte do capital era mais difícil justificar a influência na empresa.

Daniel Ferreira disse...

Só uma opinião que quero partilhar ao comentário do pvnam, antes que me acusem de coisas que não disse:


-A auto-regulação pode funciona, desde que haja uma supervisão estatal, ou na falta daquela, a regulação deve ser estatal.

- A regulação deve ser externa aos players individuais (seja por comum definição de todos os players, entre produtores, fornecedores e consumidores - seja por imposição estatal)

-Esta deve existir para: impedir abusos de monopólio (por acaso, até acontece com a PT, no caso da desagregação do lacete local), vendas em prejuizo, incumprimento de regulação de defesa de consumidores (no caso das telecomns, preços, qualidades de serviço, publicidade enganosa, clausulas abusivas, cartelização).

Não é necessário uma nacionalização ou uma companhia de bandeira para prevenir isto

Aleixo disse...

Precisas das pernas?! Podes ir de carrinho!

Precisas da visão?!Podes deixar-te guiar pelos outros!
...
Precisas da língua?!
Podes deixar os outros... falar por ti!!!

Mas afinal, o que se quer do Estado?!

Talvez...
...o garante da "VIDA DE UM PAÍS"!


Nota:
Os "bota faladura",
como a Helena Garrido & companhia, para além de comerem muito queijo, julgam os outros parvos!

Anónimo disse...

Jeremias Situmba:

O Daniel Ferreira vê o que quer ver, porque e parafraseando um grande filósofo nacional: "a realidade não lhe assiste". Abençoados os pobres de...

pvnam disse...

Alan Greenspan (18 anos presidente da Reserva Federal - o banco central dos EUA): «acreditei que deixando os bancos auto-regularem a sua actividade, eles próprios estabeleceriam um limite ao risco, de modo a protegerem os seus interesses... ora, o que se passou foi o contrário: foi precisamente em nome da protecção dos seus interesses particulares que os bancos e outras instituições financeiras criaram o sistema de especulação e de risco que entrou em derrocada em 2008 e 2009».

Antonio Cristovao disse...

Por azar foram as nacionalizaçoes que criaram as condições para que estes negocios se tornem tão apetecidos = juntaram empresas e colocaram tudo nas mãos dum ministro irrevogavelmente incompetente. Agora foi só vender para pagar os desmandos.

Anónimo disse...

Com a crise há muitos Rui Pedro Soares a precisar de empregos!! E dos bons!

http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/quem_eacute_rui_pedro_soares.html

É isto que significa nacionalizar. Haja memória!

Anónimo disse...

Um bom post que como é habitual no João Rodrigues bate no ponto que mais lhes dói.

O fracasso da governança neoliberal está à vista.As cenas patéticas feitas por uma quadrilha de "empresários" aqui há anos, no sentido de se manterem as empresas nacionais em mãos portuguesas, enquanto pugnavam pela sua privatização, não passaram de cenas canalhas.O que confirmava a verdadeira natureza de tal gente

Adivinha-se o apetite virado para a privatização da CGD .Niss swap repetiu o estribilho,que já tinha sido dado pelos parceiros do saque. O alvo é apetitoso mesmo que se prive Portugal dum instrumento fundamental de soberania, o que vem confirmar o velho ditado que para um neoliberal vale tudo desde que dê lucro e que constitua uma "oportunidade de negócio".(Parece que o miguel de vasconcelos já tinha a mesma divisa)

João Rodrigues bate no ponto. É necessário reverter as privatizações, cujos resultados deram os resultados que estão à vista de todos.

É a nossa soberania que está em causa, é a vida de todos nós que está em jogo

De

Anónimo disse...

Uma boa lembrança essa frase de Greenspan.

Quanto ao regulador:
"" Quando Salgado se esqueceu de declarar no IRS pela terceira vez pequeninas somas que tinha no estrangeiro , o Governador chamou-o para opinião pública ver , mas continuou a considerá-lo idóneo para continuar como banqueiro…e quando foi descoberto o também pequenino prejuízo , a tal "enfermidade" do contabilista , como lhe chamou Salgado , o governador continuou a considerar este senhor como idóneo para ser banqueiro. Fantástico . Como prémio merece ir para o BCE tal como o Vítor Constâncio!"

Daqui;
http://foicebook.blogspot.pt/2014/07/nao-se-demite.html#links

O regulador e os reguladores. Já se sabe ao serviço de quem

( tal como os desmandos forqm feito por quem e ao serviço de quem.)

De

Anónimo disse...

Nacionalizações já! Esta na altura do governo voltar a controlar as empresas essenciais ao desenvolvimento!

Este governo não (porque é neo-liberal e corrupto) ... mas o próximo!

vernon disse...

Concordo. Muito bom.

Mais um post a acertar em cheio nos alvos.

O Luis Buñuel, que era ateu, apelidava a super(des)informação de IV cavaleiro do apocalipse.

Dispensando transcendências, pode-se ver como o trabalho sujo e manipulador de grande parte dos média ajuda a transformar a vida da maioria dos portugueses num inferno. Estão sempre prontos para papaguear, de forma acrítica e intencional, a história contada pelo (des)governo, e a promover a sua acção.

Daqueles que tardarão sempre a contar outras histórias inconvenientes, mas prementes, não se deverá esperar mais do que lágrimas de crocodilo.

O conhecimento público do colapso do BES e o buraco de 900 milhões na PT, acrescido do processo sistemático de destruição de valor na empresa, não sugestiona nada de imediato à imprensa temática porque, como refere o João Rodrigues, integram-se na sabedoria convencional, e está tudo justificado.

Haja outras opções a justificar!