sábado, 27 de junho de 2009

Um manifesto com prioridades

O debate deve ser centrado em prioridades:
só com emprego se pode reconstruir a economia


Estamos a atravessar uma das mais severas crises económicas globais de sempre. Na sua origem está uma combinação letal de desigualdades, de especulação financeira, de mercados mal regulados e de escassa capacidade política. A contracção da procura é agora geral e o que parece racional para cada agente económico privado – como seja adiar investimentos porque o futuro é incerto, ou dificultar o acesso ao crédito, porque a confiança escasseia – tende a gerar um resultado global desastroso.

É por isso imprescindível definir claramente as prioridades. Em Portugal, como aliás por toda a Europa e por todo o mundo, o combate ao desemprego tem de ser o objectivo central da política económica. Uma taxa de desemprego de 10% é o sinal de uma economia falhada, que custa a Portugal cerca de 21 mil milhões de euros por ano – a capacidade de produção que é desperdiçada, mais a despesa em custos de protecção social. Em cada ano, perde-se assim mais do que o total das despesas previstas para todas as grandes obras públicas nos próximos quinze anos. O desemprego é o problema. Esquecer esta dimensão é obscurecer o essencial e subestimar gravemente os riscos de uma crise social dramática.

A crise global exige responsabilidade a todos os que intervêm na esfera pública. Assim, respondemos a esta ameaça de deflação e de depressão propondo um vigoroso estímulo contracíclico, coordenado à escala europeia e global, que só pode partir dos poderes públicos. Recusamos qualquer política de facilidade ou qualquer repetição dos erros anteriores. É necessária uma nova política económica e financeira.

Nesse sentido, para além da intervenção reguladora no sistema financeiro, a estratégia pública mais eficaz assenta numa política orçamental que assuma o papel positivo da despesa e sobretudo do investimento, única forma de garantir que a procura é dinamizada e que os impactos sociais desfavoráveis da crise são minimizados. Os recursos públicos devem ser prioritariamente canalizados para projectos com impactos favoráveis no emprego, no ambiente e no reforço da coesão territorial e social: reabilitação do parque habitacional, expansão da utilização de energias renováveis, modernização da rede eléctrica, projectos de investimento em infra-estruturas de transporte úteis, com destaque para a rede ferroviária, investimentos na protecção social que combatam a pobreza e que promovam a melhoria dos serviços públicos essenciais como saúde, justiça e educação.

Desta forma, os recursos públicos servirão não só para contrariar a quebra conjuntural da procura privada, mas também abrirão um caminho para o futuro: melhores infra-estruturas e capacidades humanas, um território mais coeso e competitivo, capaz de suportar iniciativas inovadoras na área da produção de bens transaccionáveis.

Dizemo-lo com clareza porque sabemos que as dúvidas, pertinentes ou não, acerca de alguns grandes projectos podem ser instrumentalizadas para defender que o investimento público nunca é mais do que um fardo incomportável que irá recair sobre as gerações vindouras. Trata-se naturalmente de uma opinião contestável e que reflecte uma escolha político-ideológica que ganharia em ser assumida como tal, em vez de se apresentar como uma sobranceira visão definitiva, destinada a impor à sociedade uma noção unilateral e pretensamente científica.

Ao contrário dos que pretendem limitar as opções, e em nome do direito ao debate e à expressão do contraditório, parece-nos claro que as economias não podem sair espontaneamente da crise sem causar devastação económica e sofrimento social evitáveis e um lastro negativo de destruição das capacidades humanas, por via do desemprego e da fragmentação social. Consideramos que é precisamente em nome das gerações vindouras que temos de exigir um esforço internacional para sair da crise e desenvolver uma política de pleno emprego. Uma economia e uma sociedade estagnadas não serão, certamente, fonte de oportunidades futuras.

A pretexto dos desequilíbrios externos da economia portuguesa, dizem-nos que devemos esperar que a retoma venha de fora através de um aumento da procura dirigida às exportações. Propõe-se assim uma atitude passiva que corre o risco de se generalizar entre os governos, prolongando o colapso em curso das relações económicas internacionais, e mantendo em todo o caso a posição periférica da economia portuguesa.

Ora, é preciso não esquecer que as exportações de uns são sempre importações de outros. Por isso, temos de pensar sobre os nossos problemas no quadro europeu e global onde nos inserimos. A competitividade futura da economia portuguesa depende também da adopção, pelo menos à escala europeia, de mecanismos de correcção dos desequilíbrios comerciais sistemáticos de que temos sido vítimas.

Julgamos que não é possível neste momento enfrentar os problemas da economia portuguesa sem dar prioridade à resposta às dinâmicas recessivas de destruição de emprego. Esta intervenção, que passa pelo investimento público económica e socialmente útil, tem de se inscrever num movimento mais vasto de mudança das estruturas económicas que geraram a actual crise. Para isso, é indispensável uma nova abordagem da restrição orçamental europeia que seja contracíclica e que promova a convergência regional.

O governo português deve então exigir uma resposta muito mais coordenada por parte da União Europeia e dar mostras de disponibilidade para participar no esforço colectivo. Isto vale tanto para as políticas destinadas a debelar a crise como para o esforço de regulação dos fluxos económicos que é imprescindível para que ela não se repita. Precisamos de mais Europa e menos passividade no combate à crise.

Por isso, como cidadãos de diversas sensibilidades, apelamos à opinião pública para que seja exigente na escolha de respostas a esta recessão, para evitar que o sofrimento social se prolongue.

Manuel Brandão Alves, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Carlos Bastien, Economista, Professor Associado, ISEG; Jorge Bateira, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; Manuel Branco, Economista, Professor Associado, Universidade de Évora; João Castro Caldas, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural do Instituto Superior de Agronomia; José Castro Caldas, Economista, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Luis Francisco Carvalho, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; João Pinto e Castro, Economista e Gestor; Ana Narciso Costa, Economista, Professora Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Costa, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Artur Cristóvão, Professor Catedrático, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; Álvaro Domingues, Geógrafo, Professor Associado, Faculdade da Arquitectura da Universidade do Porto; Paulo Areosa Feio, Geógrafo, Dirigente da Administração Pública; Fátima Ferreiro, Professora Auxiliar, Departamento de Economia, ISCTE-IUL; Carlos Figueiredo, Economista; Carlos Fortuna, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; André Freire, Politólogo, Professor Auxiliar, ISCTE; João Galamba, Economista, doutorando em filosofia, FCSH-UNL; Jorge Gaspar, Geógrafo, Professor Catedrático, Universidade de Lisboa; Isabel Carvalho Guerra, Socióloga, Professora Catedrática; João Guerreiro, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; José Manuel Henriques, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Hespanha, Sociólogo, Professor Associado, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Leão, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; António Simões Lopes, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Margarida Chagas Lopes, Economista, Professora Auxiliar, ISEG; Raul Lopes, Economista, Professor Associado, ISCTE-IUL; Francisco Louçã, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Ricardo Paes Mamede, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Tiago Mata, Historiador e Economista, Universidade de Amesterdão; Manuel Belo Moreira, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural, Instituto Superior de Agronomia; Mário Murteira, Economista, Professor Emérito, ISCTE- IUL; Vitor Neves, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; José Penedos, Gestor; Tiago Santos Pereira, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Adriano Pimpão, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; Alexandre Azevedo Pinto, Economista, Investigador, Faculdade de Economia da Universidade do Porto; Margarida Proença, Economista, Professora Catedrática, Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho; José Reis, Economista, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Rodrigues, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; José Manuel Rolo, Economista, Investigador, Instituto de Ciências Sociais; António Romão, Economista, Professor Catedrático, ISEG-UTL; Ana Cordeiro Santos, Economista, Investigadora, Centro de Estudos Sociais; Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Carlos Santos, Economista, Professor Auxiliar, Universidade Católica Portuguesa; Pedro Nuno Santos, Economista; Mário Rui Silva, Economista, Professor Associado, Faculdade de Economia do Porto; Pedro Adão e Silva, Politólogo, ISCTE; Nuno Teles, Economista, doutorando, School of Oriental and African Studies, Universidade de Londres; João Tolda, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Jorge Vala, Psicólogo Social, Investigador; Mário Vale, Geógrafo, Professor Associado, Universidade de Lisboa.

18 comentários:

Ricardo Castro disse...

Concordo no que é essencial e valorizado neste manifesto: a prioridade das políticas públicas e da sociedade civil portuguesa e europeia deve ser o combate ao desemprego.

Não só é um problema económico e social, como também é um problema humano. Combater o desemprego é uma agenda humanista, que está ligada ao problema da resiliência social. No fim da crise estaremos mais preparados para "agarrar" as oportunidades se tudo for feito para minimizar as marcas psicológicos e sociais que estes momentos difíceis tendem a deixar.

Parto deste documento para deixar algumas propostas de reflexão complementares:

i. Como é que se faz uma política de promoção de emprego sem cair em proteccionismos excessivos? Considero que nas causas da crise falta inumerar aspectos da globalização, em particular da entrada de uma massa gigante de trabalhadores para o comércio mundial. Com toda a pressão que isso coloca nas economias e no trabalho. Um dos seus efeitos, penso eu, será provocar ciclicamente ajustamentos nas economias do mundo ocidental. Portanto, um conjunto articulado de política de emprego podem significar a redução de empregos, por exemplo, em África, na Amércia do Sul e na Ásia.

ii. Outro factor inerente a esta crise é o próprio movimento de transição da "economia do petróleo" para a economia baseada noutras fontes energéticas. Também me parece que este é mais um factor que deve ser avaliado. Teremos de responder à seguinte questão: como fazer uma política de transição com minimização do seu impacto no emprego? Só é possível se a destruição do emprego (e da sua produtividade), que se verificará no sector petrolífero e seus associados, for compensado com geração de emprego nos domínios do ambiente, energias renováveis, urbanismo verde, etc.

iii. A articulação das políticas públicas ao nível europeu e mundial faz depender da vontade dos outros povos e governos nacionais uma parte da resolução do nosso problema. Como é que o estado português e a sociedade portuguesa podem, conjuntamente, influenciar essa dinâmica? Por exemplo, ao nível do estado o combate ao desemprego (e do mau emprego) passa pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e da nossa diplomacia. Está ela consciente e preparada para promover este movimento global?

iv. Considero que não podemos hipotecar o presente em nome do futuro. Mas a discussão dos impactos futuros não é descabida. Uma boa política é aquela que responde às questões colocadas por vários sectores da sociedade. Portanto, considero fundamental responder à seguinte questão: como é que no futuro se pagarão os encargos assumidos no presente para combater a crise?

Finalmente, desafio todos estes "manifestantes" a criar um conjunto de fóruns, abertos, descomprometidos e plurais, que discutam estes e outros temas com um objectivo: desenvolver metodologias de transição e de combate à crise. Algo mais que concretize os princípios afirmados neste manifesto.

João Dias disse...

Parabéns pela iniciativa, faltava pluralismo na economia.

RM disse...

Apoiado
Raul Ventura Martins, economista, prof. adjunto, ISCA-Universidade de Aveiro

CCz disse...

Como se eu fosse muito burro, é possível encaminhar-me para um documento onde, à custa de um desenho, que ilustre os feedback loops da dinâmica de sistemas, se mostre como esta proposta ao fim de algum tempo gerará emprego auto-sustentável?
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Antecipadamente agradeço.

CCz disse...

"só com emprego se pode reconstruir a economia"
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É se bem me lembro o mesmo raciocínio por detrás da estratégia de Lisboa e que etá destinado a falhar.
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Mas tal como uma empresa que trabalha para o lucro vai falhar, porque se esquece que o lucro é uma consequência, e não um objectivo a que se possa chegar directamente de forma sustentada. Também o emprego sustentado é uma consequência do sucesso económico, não um objectivo directo, nem uma causa desse sucesso.
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O capital investe, arrisca, aposta mos recursos e infra-estruturas (pessoas, máquinas, sistemas de informação, ...).
Esses recursos e infraestruturas são a terra boa e adubada onde as actividades estratégicas são executadas com mestria.
Esse trabalha bem executado vai satisfazer clientes que vão trocar o seu dinheiro pelos bens ou serviços que lhe vão satisfazer as suas necessidades.
É esse dinheiro que pode ser novamente investido em recursos e infraestruturas e aí vamos outra vez.
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Fugir a isto obriga sempre à intervenção periódica de alguém para introduzir mais dinheiro.

João Marco disse...

Eu fico sempre admirado quando tantas luminárias se juntas, dizem um conjunto de banalidades e esperam que o resto aconteça por intervenção divina? Piada1: quantos economistas da escola de chicago são precisos para se mudar uma lâmpada? Nenhum; a lâmpada substitui-se a si própria. Piada2: quantos economistas, e não só, são precisos para que a crise em Portugal abrande? Nenhum; o que interessa é continuar com o "processo", o "movimento" e quejandos.

Para dizer a verdade, só li o manifesto na diagonal; porque verdade seja dita, fiz o mesmo com o dos "outros economistas" e ainda acho que o que mais interessa é construir a linha de TGV de T deitado! Agora parece que os economistas de esquerda, ou coisa que o valha, têm um fetiche com os sectores dos "bens transaccionáveis"! Meus Deus, as voltas que o mundo dá; bem, isso
é só uma maneira de se dizer que têm um problema com a balança comercial; mas assim já não é apelativo, pensam. Afinal transaccionáveis são eles todos desde a lavadeira à costureira, passando pelo talhante, pelo negociante, pelo industrial de máquinas em excesso de capacidade; já para não se falar dessa mercadoria-mãe: a força de trabalho, o sustentáculo do nosso Sistema de Segurança Social,um saldo na nossa economia que é ao menos superavitário, mas não percebo porque é que não se dedica mais tempo a pensar nisso.
O pá; eu acho que o cúmulo era o A.Mateus assinar os dois. Aí é que ia valer a pena, e ele tem sempre umas coisas a dizer sobre competitividade e investimentos infraestruturais.

Mas todas as iniciativas são bem vindas. E guita não parece falar. Enquanto fôr assim podem aparecer todos os manifestos que nos apetecer, nada vai mudar. O Governo já não quer saber do défice; os Ladrões são hoje os puristas do ciclo económico; resta saber: com ou sem simetria? Ou basta a recorrência? Ou será rotina apenas? Melhor, não serão tudo "clusters" moleculares?

De qualquer das formas vivemos num tempo sem paralelo. As restrições caíram todas; agora bora lá a procurar as "actividade que criam emprego"! Tou mortinho por dá soluções; num tenho o caranhol; será que o BES? o BCE? a CAIXA? ou o FIGO? Bem, ordenem-se; dêem financiamento à economia (se conseguirem) e deixem lá os manifestos. Não deixem o corpo exangue, já basta quem o sugue e precisamos de efeitos multiplicadores como de pão para a boca, o externalidades, ou spill-over; mais spin-offs é que não! Viu-se aquilo na PT; títeres do Sócrates, até o Granadeiro no fundo era um homem do Estado, mas agora os homem-macaco que lá estão; isto é um gozo: os japoneses inventaram o game-boy, nós temos o MEO, só mesmo para deixar a malta distraída!

Mário Moniz disse...

João Marco disse, redisse, embrulhou e, pensando bem, espremendo tudo, etc...
Não disse nada. É como o Manifeto dos 28, tudo para ficar na mesma.
Não sou economista, mas basta pensar que dos 28, mais de metade já tiveram oportunidade de fazer algo, porque estiveram em cargos para tal, em conjunto, em separado, por diversas vezes... O que é que fizeram? Ou nada ou pior do que já estava.
Assim sendo só servem de exemplo para o que não deve ser.
Vamos experimentar outra forma de fazer as "coisas". Pode ser que dê.

zola disse...

tirando um ou dois e' a chungaria toda associada, doutorandos eternos em universidades obscuras a debitar cartilhas desatualizadas e a fazer copy pastes dos livrinhos que lhes disseram que sao cools. mau servico ao debate e' o que prestam, enfraquecendo uma posicao que se queria forte.

Galamba? Joao Pinto e Castro? Ha minimos.

João Marco disse...

Bem, dizer, redizer e espremer já são coisas a mais para uma mentezinha como a minha, mto comesinha. Claro que eu "tb não sou economista"; sou aprendiz d feiticeiro como me chamam lá no Instituto!

Nada dizer é grave. Mas eu já só faço ironia. Eles querem passar por pessoas sérias e nada dizem na mesma. Social-demonstracia, que não demonstra nada; mas sempre publicam!

Cumprimentos. E obrigado.

Wegie disse...

ão estou de acogdo com os tegmos do vosso manifesto. O meu manifesto é melhog. É pgeciso a gente sentag-se e pensag.
Uma ideia paga os pogtugueses ega passagem tges meses na CGD e saigem de lá com uma gefogma milionagia. Eu fiz isso e agoga com mais umas coisas que faço na camanga em Angola tenho um pédemeia aggadável.
Pogtanto vou-me sentag e pensag.

Acho que vou bateg uma pívia...

Sincegamente Vosso,


Miga Amagal

torre de marfim? disse...

abrantes. houve para lá estes días uma feira de comercio7indústria e mais não sei o que. bastantes ofertas de emprego. candidatos ? zero. Cadé os que querem trabalhar? dá ideia que preferem a remuneração por falta de "emprego".ou então um bom estágio remunerado a polir corredores e cadeiras , escrever papéis e a tomar uns cafézitos , na função pública.
quando , talvez um día sejam obrigados a faze-lo , sairem dos vossos livros e ideologias e derem uma voltita pelo país da prática apanham uma big surpresa.

João Marco disse...

Ai que o céu inda nos cai em cima da cabeça! Pois, o douto, doutor Louçã, um dos assinantes, claro está, vem de um supetão fazer o cálculo que faltava: 10% de desempregados custam mais que todas as obras públicas projectadas para os próximos 15 anos.

Tá bem, que o douto protagonista da esquerda portuguesa há muito que abandonou o pensamento dialéctico, e já nem uma suposta costela trostskista chega para perceber o paradoxo em que se engendrou. Mas um pensamento quando quer muito, sempre pode: claro que o problema é a crise, a crise social, a crise económica; e os investimentos públicos não resolvem efectivamente nada; porque foi o que tivemos nos últimos 20 anos!

Mas a aporia do sujeito sempre progride, a base da contradição desloca-se no espaço e no tempo: como criar emprego sem fazer obra? Já sabemos: temos o fetiche dos b. transccionáveis; mas o que nos faz falta é saber acabar com o analfabetismo funcional, é erigir um serviço de saúde eficiente, é ordenar de modo sustentável o território! É criar protecção social que não seja uma coisa DUAL: uma coisa para o sector público, outra para o privado. É nacionalizar o uso dos genéricos... é uma porra de coisas mais que custam niqules; é a crise, são os interessees, é a luta de classes e das respectivas corporações! ahahah! O ISCTE também tem uma corporação; mais que uma até! EHEHHE; vulgo "chulice dos cursos de segundo ciclo" MÈMÈMÈ!

JBilro disse...

Investimento Público versus Individamento Futuro.
Procurando utilizar uma linguagem clara,logo perceptível ao leitor, é inegável que ninguém investe (OFERTA) onde não há PROCURA.
Existe aqui um grande equívoco; é a PROCURA que pressiona a OFERTA e não o contrário, logo o nosso primeiro grande problema está no CONSUMO (ou melhor na ausência dele, por falta de liquidez-um activo é tanto mais líquido quanto mais fácil for a sua transformação em dinheiro)...resumindo, mas estando disponível para explicar melhor; como medidas de impacto e resultados conjunturais imediatos; temos o CONSUMO e a CRIAÇÂO DE INFRAESTRUTURAS PÚBLICAS ESTRATÉGICAS ( a que chamam investimento público), não só como "motor" para o relançamento do INVESTIMENTO PRIVADO, mas como elemento facilitador desse investimento. É toda esta actividade económica em movimento que cria e solidifica EMPRESAS e EMPREGO. Usando os vossos termos, O Investimento Público, paga-se com a participação da U.E. e com o aumento da DESPESA (todas estas infraestruturas construídas e todo o investimento privado por via delas, irão não só beneficiar as novas gerações, como também criar RECEITAS que amortizarão em poucos anos, as iniciativas agora avançadas. O nosso problema está no CONSUMO, no GOVERNO e nos BANCOS...mas este "tema", só abordarei, se nele houver algum interesse, se bem que já todo o País o conheça...mas como também já disse e pouca gente percebeu, para uma DECISÃO desta grandeza,(PERDÃO DA DÌVIDA, no valor do remanescente negociado) falta DIMENSÃO ao ESTADO.
Cumprimentos e todos somos poucos...

Ricardo Castro disse...

JBilro,

compreendo e concordo perfeitamente com o efeito multiplicador do investimewnto público.

Mas pressuponho que nem todos os investimentos tenham os mesmos impactos. E penso que a forma como se concebe cada projecto pode também alterar esse impacto. Não será assim? A própria capacidade de implementação de um projecto é uma variável importante neste debate, não será?

Não sou economista, falo acima de tudo com base num certo bom-senso. Como é que se criam mecanismos para melhor "regular" e "fiscalizar" o papel do estado e das suas decisões?

Quem é de esquerda tem de conceber estes mecanismos. Só assim se concilia o investimento e o seu impacto, efectivo e justo, na economia.

Acredito no papel fundamental do Estado, defendo-o todos os dias, mas também considero que um Estado em "roda livre" tende a ser um estado coercivo e ineficiente.

Quando refere a dimensão do Estado, refere-se à dimensão política e social ou significa aumentar as suas funções?

Como é que se

JBilro disse...

Bom Dia Ricardo Castro
Estou em falta para consigo, mas vou-lhe responder.
Em relação à sua intervenção, temos o efeito multiplicador do investimento, o impacto do investimento e a sua regulação e fiscalização, presumo serem estas as questões levantadas.
Apenas falei das medidas de impacto e efeito imediato, mas muitas outras terão que ser tomadas. Sobre o impacto do investimento, apesar de todos os estudos analítico rigorosos que possam ser feitos, ninguém nos garante o "sucesso",(falarei sobre esta matéria) mas repare que não lhe chamo Investimento Público, e estamos inseridos no espaço Europeu, estou certo que entendeu o que quis dizer. O Estado é o regulador e fiscalizador, logo o responsável pelo incumprimento. (neste caso é juiz em causa própria) Como sabe, somos um País com excesso de legislação, mas pouco útil, inútil, contraditória e no caso omissa. Na prática já não temos os 3 poderes (Legislativo, Judicial e Executivo). Para a humanidade, um dos crimes mais graves é o da sabotagem económica...
Quando me refiro à Dimensão do Estado, estou a falar na qualidade dos seus representantes, sua visão, conhecimento e liderança...ninguém enfrenta uma crise gigantesca com pequenas medidas de carácter social, que apenas adiam a solução do problema, mas aumentam a sua dimensão (isto são trocos)... eu sou a favor de menos Estado, mas melhor Estado.
Em Fevereiro de 2010 irá realizar-se em Londres um grande encontro de Jovens e entre outros temas irão falar sobre a reorganização do Estado, o papel da sociedade e na extinção dos Partidos Políticos...não consigo prever o futuro, mas isto constitui um passo gigantesco e é a este tipo de iniciativas, soluções e decisões que chamo DIMENSÃO.
Mas a nossa Sociedade também não tem DIMENSÃO, veja os debates, os artigos de opinião, etc...
Cumprimentos amigo.

Ricardo Castro disse...

Sem dúvida que existem debates muito empobrecidos na nossa praça. Mas vai melhorando, e em alguns locais já é possível usar o debate como ferramenta de aprendizagem.

As soluções encontradas para organizar o nosso estado são hoje determinantes para o nosso futuro. Mas infelizmente a discussão tem passado demasiado tempo nas questões abstractas do mais ou menos estado, mais ou menos investimento estatal. Quando há tanto a dizer sobre isso.

A dimensão nos termos em que os colocou estão mesmo na ordem do dia. A eleição de Obama levantou essa questão. E de facto a legitimidade social do estado enquanto instituição e a legitimidade pública dos nossos governantes devem estar presentes quando se pensa em soluções efectivas para o nosso país.

As políticas só são efectivas e cumpridas quando quem as executa tem essa capacidade. A dita dimensão.

Os políticos parece-me demasiado desgastados para conseguir, neste período, apresentar e implementar soluções concretas globais. Acho mesmo que as ferramentas ao seu dispor são insuficientes (como tentei explicar num comentário anterior).

Embora hoje estejamos numa encruzilhada: os empresários portugueses não tem sido capazes de chamar para si esse desígnio, nem sequer a sociedade civil (sejam think tanks, fundações, associações ou outras). A Europa deixou de apresentar um caminho, e as instituições supra-nacionais ou falham em legitimidade social e democrática ou estão muito distantes (caso da ONU).

O desafio que está perante nós é enorme. E é em grande parte da esfera da política.

Isto tudo para dizer o quê? Numa casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão. Será que o ditado é que tem razão? Estou convencido que é indiferente para efeitos de diminuição da desigualdade de oportunidades, redução da pobreza, criação de um espírito crítico e de inovação se vamos fazer investimentos estatais privado, misto, europeu, etc.

A máquina está inquinada. E não é capaz de gerar sacudidelas com força suficiente para "excitar" as forças vivas da nossa sociedade. E isso é que me deixa extremamente preocupado.

E nesse sentido concordo: o estado não tem dimensão.

Ps. Ainda bem que existe sempre uma margem subjectiva na escolha, elaboração e execução dos projectos, contudo acho que os dividendos que se retiram de cada um podem ser melhores ou piores e, em parte, depende do conhecimento aplicado na sua realização e do contexto que envolve e "aproveita" o investimento. E isso, para mim, é mais importante do que discutir se o estado deve investir ou não, uma vez que, como se tem visto, no nosso país as discordâncias são apenas de circunstância eleitoral.

JP Santos disse...

Destaco o facto do manifesto apenas apoiar os projectos de infraestruturas de transportes que sejam úteis e aceitar que, pelo menos relativamente a alguns deles, se colocam dúvidas que podem ser pertinentes e sobretudo o de num manifesto de resposta a um "apelo à reavaliação de grandes obras públicas" que apresentava argumentos concretos relativamente aos projectos em causa, este manifesto não se referir especificamente nenhum dos grandes projectos de investimento.
Também não posso deixar curisoso que num "manifesto com prioridades" se apresente uma lista áreas em que seria possível fazer mais investimento público mas não se vislumbre qualquer esforço de estabelecer quais dessas áreas se consideram prioritárias.

CCz disse...

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