domingo, 20 de julho de 2008

Leituras de fim-de-semana no país do «Consenso da Almirante Reis» III

As intervenções, entre outros, de Vítor Constâncio, da insensata proposta do nuclear à defesa da austeridade assimétrica (tudo isto numa interpretação muito lata das suas funções...), parecem ilustrar precisamente uma das teses do último livro de Naomi Klein: a crise pode ser uma oportunidade para impor transformações regressivas a populações desmoralizadas por choques socioeconómicos, políticos ou naturais (para quando a tradução do livro?). E lembram-nos que, em Portugal, a ortodoxia neoclássica, facção neoliberal, parece estar bem entrincheirada lá para as bandas da Almirante Reis (Banco de Portugal). Como se construiu, na condução das políticas públicas, o que o historiador económico Pedro Lains designou por «Consenso da Almirante Reis», versão caseira do malogrado «Consenso de Washington»? A história do neoliberalismo em Portugal está por fazer. Sem teorias da conspiração. Isto dava um bom projecto de investigação. Instituições, programas, quadros teóricos e protagonistas. O consenso emerge no final dos anos setenta, consolida-se nos anos oitenta e para nossa desgraça ainda não tem conclusão à vista. Em Portugal não houve propriamente «think-tanks». Não foi preciso? Passou-se tudo dentro das instituições públicas?

7 comentários:

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Diogo disse...

O Vítor Constâncio é uma desbocado em relação a certas matérias. Por outro lado, nunca explicou porque é que os bancos (os campeões do lucro), só pagam 13% de IRC e porque é que Trichet sobe os juros quando não há inflação. Não devíamos ser nós a perguntar, já que Sócrates e os media não o fazem?

João Dias disse...

Aqui não é preciso "think thanks", acho que o segredo é simples, já vi alguns comentários neste blogue que materializam isso, é confundir economia com neoliberalismo-capitalismo. Não é preciso grandes elaborações intelectuais, basta manter o nível de desinformação actual em aspectos essenciais e básicos.
Dois aspectos que me parecem relevantes e que se relacionam:

-> A economia é nos apresentada como uma força da natureza incontrolável(ironia das ironias, já mostramos que as forças da natureza se interrelacionam connosco), um fado do destino que cai sobre decisores políticos e cargos dirigentes que nada podem fazer se não seguir o rumo que essa força avassaladora impõe. Obviamente, este discurso é falso e só pode passar com níveis de desinformação astronómicos, basta começar por dizer que a economia é um produto estritamente humano, as reacções da economia são causadas por seres humanos, por má/boa gestão, más/boas políticas. A política continua a ser um instrumento válido para planear a sociedade e as suas relações económicas, prova cabal disso é a proximidade/promiscuidade entre poder político e económico/financeiro. Se o paradoxo entre inoperatividade/produto humano não chegar convencer, então pelo menos assista-se às relações entre estes dois poderes, para perceber que a política é um instrumento real para regular a economia, caso contrário para que andavam CIP e afins tão interessados em que faz o governo?

-> O próprio pressuposto esconde a diversidade de pressupostos que pode haver. O pressuposto de que não podemos fazer nada perante a adversidade (por exemplo na inflação dos preços dos combustíveis) esconde que isso é uma visão liberal, em que, perante o abusos de mercado, não se deve regular/intervir no mesmo. Mas essa visão não é única, nem sinónimo de economia, é a visão que impera na actualidade e esta segunda arma passa por nunca admitir que existem alternativas. Assim o mercado nem sequer será isto ou aquilo, será "neutro" sem "cor", sem "política", quando na realidade é uma visão, é uma forma política de gestão de patrimónios que, ao contrário do que se possa fazer crer, são públicos, são comuns...

P.S. Já tinha ouvido falar neste "Shock Dotrine" e de facto promete, não pelo factor novidade, até porque a metodologia é escabrosamente clara, mas pelas relações interessantes que a autora será capaz de criar.

L. Rodrigues disse...

Os nossos "decisores" e outros lideres de opinião serviram de ligação directa aos think tanks originais e ao consenso neo-liberal das faculdades de economia.
Ainda me lembro aqui há uns anos em que a menção a MBA era acompanhada de vénias e reverências.
QUe é que se aprendia nesses MBAs? O Consenso, aposto.

Anónimo disse...

gostava de sugerir um livro muito recente mas muito interessante .
Chama-se o CISNE NEGRO é de um filosofo contemporaneo (muito conceitoado lá fora) Libanês. Mas como tem um nome um pouco esquisito não me lembro agora . Mas vale a pena ...

António Lage