quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A vertigem sectária da esquerda mínima (II)

Mas o mais preocupante, porque revelador de uma visão sectária e conspirativa do debate de ideias (e, no fundo, de quem não tendo argumentos usa apenas rótulos e preconceitos), vem a seguir. Disse RPP, referindo-se a uma posta minha citando um artigo de Mário Crespo: “Porém, quando se cita Mário Crespo para criticar a “qualidade da nossa democracia e a credibilidade dos agentes políticos”, há muito que se esbateram as fronteiras entre esquerda e direita em favor de uma pragmática congregação de todas as oposições ao Governo do momento. E o resto é conversa para confundir quem quiser ser confundido.”

Ou seja, o sectarismo e a visão conspirativa da esquerda mínima são de tal ordem que RPP acha que, primeiro, uma pessoa de esquerda não pode citar pessoas que se situam à direita (mesmo que considere que pelo menos parte do que dizem é pertinente e deve ser levado a sério: eu disse que eram levantadas questões pertinentes no artigo, embora não concordasse com todas as associações aí feitas) porque se o fizer é porque está a pactuar com a direita e, por isso, em segundo lugar, estará envolvido numa conspiração contra a “verdadeira esquerda” (que será, de acordo com a visão sectária de RPP, o governo).

Não me revejo nisto, eu considero as pessoas todas pelas suas qualidades pessoais e profissionais e pelo que elas dizem. E se pessoas de direita (ou de esquerda, do governo ou sem ser do governo) disserem coisas com que concordo (ainda que apenas parcialmente, como era o caso e o sublinhei com clareza), então não hesitarei em concordar com elas e em citá-las. Recuso-me em absoluto a raciocinar por preconceitos, rótulos e visões conspirativas (amigo versus inimigo: “quem não está connosco é contra nós”): para mim, no debate de ideias, o que valem são mesmo as ideias e o seu suporte empírico. O resto é, na minha perspectiva, puro sectarismo.

2 comentários:

Portaria ILEGAL disse...

Bom blogue

João Sá disse...

Parece que os maniqueísmos ainda fazem escola em muitas cabeças. E muitos dos defensores deste governo parecem não ser excepção.
A propósito, porque será que o Canhoto não admite comentários?