Em articulação com as organizações políticas e sindicais de classe do proletariado dos seus respectivos países, as mulheres socialistas de todos os países devem assinalar anualmente o Dia da Mulher, com o propósito principal de obter o direito de voto. Esta reivindicação deve ser conjugada com a questão da mulher na sua totalidade, de acordo com os preceitos socialistas. O Dia da Mulher deve ter uma natureza internacional e deve ser cuidadosamente preparado.
Já é tradição do blogue neste dia dar a palavra à socialista alemã Luise Zietz. Em 1910, fez a proposta deste dia na conferência das mulheres socialistas da Segunda Internacional.
Entretanto, na foto estão duas mulheres imprescindíveis, de suave aço temperado, das que pensaram sempre, organizaram sempre, até ao fim: Clara Zetkin (1857-1933) e Rosa Luxemburgo (1871-1919). Marxistas, eram parte do SPD, da Segunda Internacional, antes da Primeira Guerra Mundial. Mais teórica uma, mais prática a outra, como se houvesse distinções, teoria prática.
Foi Clara quem presidiu à conferência de 1910. Quatro anos depois, em face da rendição do SPD ao imperialismo alemão, fizeram as ruturas que se impunham em pleno crime contra a humanidade.
Rosa foi assassinada em Berlim pela social-democracia. Clara continuou a luta, ajudando a fundar o Partido Comunista Alemão. Presidiu ao Reichstag por um momento, era a mais velha, no fatídico ano de 1932, apelando à resistência antifascista. Teve de partir para o exílio, para Moscovo, em 1933, morrendo aí e sendo enterrada no Kremlin, o maior reconhecimento.
Já não viu 1935, a viragem antifascista necessária para as frentes populares do VII Congresso da Terceira Internacional, muito menos viu 1945; aprende-se sempre, mesmo nos, com os, momentos mais sombrios e mais luminosos da história, com os erros e sucessos mais tremendos.
Sim, sem marxismo, não há vitórias para a esmagadora maioria das mulheres, as da classe trabalhadora. Como argumentou detalhadamente Domenico Losurdo, a luta de classes tem três declinações: social, internacional e de género.
O sindicalismo de classe, a CGTP, sabe isso na teoria e na prática, da Greve Geral à solidariedade internacionalista pela paz, passando pelas lutas concretas em torno dos direitos das mulheres que criam tudo o que tem valor, incluindo através da “dupla exploração”. Maria Lamas, um exemplo entre tantos, sabia isto.
Sim, só a luta pelo socialismo emancipa, incluindo sexualmente, como argumentou com dados empíricos uma grande continuadora intelectual desta tradição imorredoura chamada Kristen Ghodseen em Por que as mulheres tem melhor sexo sob o socialismo e outros argumentos a favor da independência econômica (infelizmente, só em edição brasileira).
Haja referências, haja dias como este, haja esperança.






























