quarta-feira, 15 de junho de 2016

Coragem


“É um Primeiro-Ministro que leva a cabo uma política corajosa e que não foi necessariamente a política pela qual foi eleito”, com “reformas bem mais corajosas do que aquelas que levamos a cabo com a lei do trabalho”. Em visita recente a Atenas, o Primeiro-Ministro francês, Manuel Valls, expôs o programa euro-liberal com toda a clareza, tendo ainda pelos vistos dito que tinha “alguma inveja de Tsipras”.

Pudera, aceitando o protectorado e tendo ignorado o movimento popular, o do Oxi, assim desmobilizado pela desesperança mais do que natural, Tsipras consegue passar no Parlamento toda a legislação regressiva da troika e são milhares de páginas de privatizações maciças ou de redução dos direitos laborais e sociais, a tal política corajosa, a tal UE com a qual pelos vistos alguma esquerda britânica, totalmente desorientada, conta para proteger direitos dos de baixo.

Valls foi, por sua vez, obrigado a usar a figura do decreto para contornar a Assembleia e é confrontado por um notável movimento popular, esse sim corajoso e ainda em crescendo, como se viu esta semana em Paris. No fundo, Valls está só a revelar uma constante das elites francesas dominantes nas últimas décadas, como certa história crítica da integração tem sublinhado: a sua aposta na integração europeia é a aposta num mecanismo disciplinador das rebeldes classes trabalhadoras francesas.

Desculpem insistir nestes temas, mas por aqui e por ali ainda se escreve sobre questões europeias como se estas experiências não existissem, como se não estivessem perante nós. A verdade é que neste quadro estrutural europeu, as políticas social-democratas são uma rematada utopia. Por isso, é profundamente errado falar-se em social-democratização do que quer que seja no campo que conta, o das políticas públicas. Os ventos que sopram de Espanha, e aos quais ainda voltaremos, não estão desligados disto.

17 comentários:

Onde está a recuperação? disse...

Há anos que a Europa está a ser alvo de uma política reacionária, mas enfim, não critiquemos as vacas sagradas Euro e UE.
Não, não, continuemos na senda fanática do “+ Europa” porque se esperarmos mais um pouco tudo entra nos eixos.
O António Costa vai-se encontrar com a Merkel e depois de uma noite de muito champanhe e pinocada o Costa vai convencer a Merkel a meter o neoliberalismo na gaveta!

Anónimo disse...

"Desculpem insistir nestes temas"...

Mas é precisamente isso. É preciso continuar a insistir nesses temas.
Pelo que o apelo é que nunca lhe doa a voz, caro João Rodrigues

Anónimo disse...

Valls é uma vergonha. Tal como Tsipras. Estão bem um para o outro. Carreiristas da traição ou apenas assumidos defensores dos interesses que sempre defenderam.

Sem quaisquer escrúpulos.

Escumalha humana por tudo o que fizeram e fazem.E pelas consequências (premeditadas) que daí derivaram e derivam.

As classes trabalhadoras francesas resistem. E por cá ainda não se percebeu que ou se resiste ou se perde tudo.

Mas vejam-se estes dados curiosos sobre o que pensam os europeus da UE
http://otempodascerejas2.blogspot.pt/2016/06/pois-pois.html#links

José Corvo disse...

A Europa tem saudades da guerra da morte e da destruição. Não o povo que é a principal vítima mas os donos da indústria do comércio e do capital que são os americanos. Desta vez nem os alemães sabem o que hão-de fazer à vida. Os Ingleses como é costume optam pela retirada para depois voltarem como triunfadores. O inimigo situa-se sempre a oriente difuso já que ainda ninguém conseguiu localizar com precisão em que coordenadas se situa o Polo Norte mas como maiores devedores do Mundo têm a sua independência comprometida. Num ápice o Império desmorona-se e nem são precisas armas de destruição maciça basta que uma ordem de venda se concretize. Esse vai ser o minuto fulcral da luta contra o mal e depois o lobo e cordeiro alimentar-se-ão com novas técnicas se sobrevivência animal e os humanos finalmente irão competir com a natureza de uma forma absolutamente inovadora em que a felicidade regressará ao paraíso perdido.

Jose disse...

A esquerda propaga a fraqueza da Europa mas recusa-se a concluir que essa fraqueza impede a Europa de manter privilégios que acumulou num tempo em que de império colonial. militar e político prosseguiu com um império tecnológico que se dissolveram.
Mas quem melhor que a esquerda para viver corajosamente contrassensos?

Anónimo disse...

A esquerda propaga a fraqueza da Europa?
A esquerda é que propaga a fraqueza?
Sério?

É muito má a esquerda mais a propagação do que não deve

Anónimo disse...

Mas porque motivo a Europa tem que manter privilégios ?

Saudades dos tempos coloniais?

Todos iguais ,todos diferentes . Pessoas e povos. Algo que não entra na cabeça de alguns xenófobos

(Depois com tempo, há que explicar essa de se viver "contrassensos". Será o "contrassensos comum"?)

Anónimo disse...

A ironia meu deus! A ironia!

Então não é que o Salazarento Jose agora esforça-se ao máximo em defender a União Soviética 2.0, também conhecida por União Europeia!!

Tal como na primeira versão a União Soviética 2.0 os burocratas são do tipo “quero, posso e mando”.

Eu suspeitava que o Jose na realidade era Estalinista, agora tenho a certeza que é!

Anónimo disse...

Não miserável Salazarento Jose, a Europa do pós guerra define-se pela valorização do trabalhador e das suas conquistas, é isto seu miserável fascista que fez de muito boa parte da Europa (e ocidente) um sítio mais interessante de se viver para uma porção muito considerável da população, incluindo tu seu badameco!
Mas é isto que tu atacas!
Não atacas os biliões e biliões gastos em guerras, não atacas a trafulhice dos banqueiros, não atacas os offshore, não atacas os rendimentos obscenos atacas os trabalhadores!

Tu não prestas!!

Anónimo disse...

O Partido Socialista Francês entrou em derrapagem ideológica e poderá fragmentar-se.A sua adesão plena ao monetarismo cada vez mais fanático de Bruxelas contribui para a alta possibilidade do aparecimento de uma situação de calamidade económica e social em toda a União Europeia.

Jose disse...

A globalização que tanto contribuiu pata que milhões de trabalhadores vissem a «valorização do trabalhador e das suas conquistas» incomoda os pioneiros dessas conquistas que já estavam na fase de promoção, não do trabalho, mas do ócio!

Anónimo disse...

Os ingleses, como e´ seu apanágio, fazem-na sempre pela certa… não e´ la´ que esta´ a CITY..?!
Sede da Commonwealth, sempre praticou com desvelo a sua independência. Potência colonialista, destruidora de civilizações, surripiava o ouro e a prata da humanidade inteira.
Hoje, e ainda assim senhorialmente, protetora da “democracia ocidental”, convoca seu povo para um referendo – coisa que aos portugueses
não passou nem passa pela goela.
Quanto ao Sr. Valls, colonialista, patrocinador das ruinas de Trípoli e de D´janema, que apoia a destruição da Síria. E´ tanto socialista como Cameron, nunca foi. De Adelino Silva

Anónimo disse...

A globalização que tanto contribuiu para o quê?

Ó das 14 e 07...vocemecê ensandeceu mesmo.Já lá iremos

Por agora uma nota importante. Pelas suas palavras sobre o ócio percebe-se que é assumidamente um inimigo deste.

Com as lutas travadas pelas classes trabalhadoras foi regulada a jornada de trabalho. Tal luta ficou em alguns meios conhecida como reivindicação pelas“8-8-8" - - oito horas de sono, oito de lazer e oito de trabalho.

Percebe-se pelo seu comentário que isso lhe provoca prurido e que lhe desperta a ira .
Francamente, para vocemecê os trabalhaores é para trabalhar mesmo; o ócio é para aqueles que se aroveitam do trabalho dos trabalhadores. E que o podem aproveitar para passar o tempo a tecer comentários deste tipo ( ou pior, de acordo com os blogs) por aí, na net.

Antonio Cristovao disse...

Para quem gosta de factos uma viagem de varios dias a França e acompanhar os lirismos dos sindicatos , talvez perceba que Portugal está mais preparado para a concorrência. Uma ideia que ficará é porque a França se destaca para muito pior no confronto com os seus parceiros de países bem governados (Suecia, Holanda, Dinamarca, Alemanha)

Anónimo disse...

Lirismos dos sindicatos?
Mas porquê lirismos? A concentração da riqueza em meia-dúzia de mãos é um facto e confirma o que disse Marx há um ror de anosE contra factos os argumentos são escassos.

Pelo que a luta contra o estado de coisas que nos querem impingir tem que continuar. E aumentar

Pelo que essa história dos "países bem governados " é uma estória mesmo. A questão é quem se governa. E quem se governa sabemos nós quem é.

Comer e calar é assim, para alguns, a receita a aplicar. É por isso que a Revolução Francesa ainda hoje, passados tantos anos, é odiada pelos apreciadores dos "bons governos".E foi aquela que abriu as portas à sociedade contemporânea, para desgosto dos "bons governos" das monarquias absolutas e da nobreza parasitária

Anónimo disse...

Mas quando será que esta malta vai perceber que o aumento das desigualdades sociais leva inevitavelmente à rebeldia e à luta por um mundo melhor?

Anónimo disse...

"A globalização que tanto contribuiu pata que milhões de trabalhadores vissem a «valorização do trabalhador e das suas conquistas»...?

Isto é um credo, não?
Ou uma forma de fazer com que uma fraude passe por entre os pingos da desfaçatez?

Sobre a globalização já muito se discutiu neste post :
https://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2016/06/exit-brexit-lexit.html