quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Ajustem-se

“O ajustamento vai durar 20 anos. Demorando 20 anos, todos vão ser chamados à responsabilidade.” Esta ideia de Guilherme de Oliveira Martins é para levar a sério? Não? Sim? Não, se for entendida como uma previsão. Oliveira Martins, como qualquer pessoa, não tem dons divinatórios: o tal “simplesmente não sabemos” é uma das coisas mais sensatas que podemos dizer face à incerteza radical do longo prazo. Sim, se a ideia for entendida, e é por aqui que devemos ir, como uma aposta política, representativa do melhor planeamento das elites nacionais que não querem pensar fora dos termos da UEM e dos seus ditames de austeridade, com retórica das gorduras ainda à mistura. A ideia, com base em hipóteses heróicas, expostas pelo Ricardo no post abaixo, sobre crescimento, saldo orçamental primário e taxas de juro, é chegar, em meados da década de trinta, a uma dívida de 60% do PIB, um número mágico. Antes disso, espera-se, talvez, que o centro europeu tenha pena de um país, uma região seria mais apropriado, que está disposto a tudo e aligeire o fardo em troca de mais controlo externo e do esvaziamento total da soberania, que as relações internacionais são como são feitas. É este o plano? Parece que sim.

Na entrevista, onde diz coisas sensatas na sua área de actuação, Oliveira Martins ainda consegue dizer insensatamente que a UEM é um factor de estabilidade face às turbulências financeiras e monetárias, usando agora o exemplo de outros semiperiféricos. A Islândia também já serviu o discurso convencional no início da crise. Sabemos que apesar de todas as dificuldades, os Estados soberanos têm mais ferramentas na sua caixa de política económica. A nossa está vazia para efeitos de progresso. De resto, quanta mais turbulência interna é necessária para sabermos que a UEM foi, é e será parte dos nossos problemas? Um país estagnado há bem mais de uma década, com uma das piores performances do mundo, a taxa de desemprego duradouramente próxima do dobro do máximo histórico antes do euro, uma banca presa por fios, um país prestes a sentir os efeitos renovados de uma crise do capital financeiro sem controlos? Mais vintes anos disto, do tal ajustamento, é o melhor que o melhor pensamento dos consensos centrais consegue apresentar? Parece que sim. Ajustem-se.


4 comentários:

manuelpereirabarros Meira disse...

Imagens dos JOGOS OLIMPICOS DE INVERNO,procuram-se,animadas ou estáticas.Bendita Liberdade que nos deixa ver o que entendemos.A salutar diversidade de informação a contribuir para o engrandecimento do papel de Alexandre Nevsky na História Universal!

D., H disse...

O status quo só interessa a muito...muito poucos!

Anónimo disse...

Qdo virá o dia em q personagens destas da 'oposição' e dos desgovernos serão corridos dos tachos?Esperemos q seja em breve pq, a médio/curto prazo,se os povos não abrirem a pestana, se está a preparar uma nova guerra. Estes 'democratas' precisam do tratamento q eles deram a Gadaffi...A Puta que os Pariu!

Anónimo disse...

Oliveira Martins, como muitos outros "socialistas", tem por hábito dar uma no cravo e outra na ferradura. Eles, os ditos "socialistas", há cautela não vá o Diabo tece-las, gostam muito de se dar com Deus e com o Diabo.
É por estas e por outras que no nosso país dificilmente a esmagadora maioria das pessoas que trabalham para viver(hoje sobreviver), os reformados e os pensionistas, alguma vez poderão ter uma vida digna.
Pois se estes indivíduos ditos "socialistas" estão de acordo e seguem a par e passo, quando estão no governo, as politicas miseráveis da Direita como é que as pessoas podem acreditar nesta gente.