segunda-feira, 8 de abril de 2013

Que força é esta?

A reacção de Passos à decisão do Tribunal Constitucional confirma pela enésima vez que a grande força deste governo é o facto de ser a corrente de transmissão interna da tutela externa. É o país que tem de se conformar às necessidades dos credores externos, garante Passos secundado por Cavaco. Gaspar é inamovível porque é o BCE em Portugal, o homem aí formado para todas as engenharias neoliberais. Com esta estrutura europeia, todas as conjunturas nacionais, mesmo as mais aparentemente desfavoráveis para as forças sociais reaccionárias, são boas para destruir o Estado social.

Trata-se então, garantiu Passos, de avançar ainda mais resolutamente nos cortes na despesa pública. Os cortes feitos, os programados e os por programar são o que de mais economicamente recessivo e injusto socialmente se pode fazer, já que estamos a falar de empregos públicos destruídos, de serviços públicos fragilizados, de prestações sociais reduzidas, de necessidades sociais que irão deixar de ser satisfeitas. Estamos a falar de procura popular que se reduz garantidamente, acentuando uma crise que é precisamente de procura e aumentando nesse processo as desigualdades, elemento indispensável na eclosão e perpetuação da crise.

A sabedoria convencional, que domina o debate público e que aplaudiu o discurso de Passos, ouvi-os por essas rádios e televisões, é composta por gente preconceituosa e egoísta, que tende a não usar os serviços públicos e que só os vê como uma maçada fiscal e/ou por gente que trabalha para, ou quer estar na boa graça de, intocáveis grupos económicos rentistas que prosperam e prosperarão no meio desta devastação.

Adenda: Schaeuble avisa que Portugal tem de tomar mais medidas depois de veto do TC; Bruxelas acredita que Governo português vai encontrar rapidamente uma solução.

5 comentários:

O Raio disse...

Dificilmente haverá saída desta situação para Portugal prosseguindo a política de colaboração com a Troika e sem se encarar a hipótese de sair do Euro.
Para já, as discussões com a Troika deviam ser o mais públicas possíveis, o que é que o Governo propõe e o que é que a Troika diz deviam ser públicas.
Caso haja algum acordo sobre a privacidade das discussões o Governo devia permitir uma fuga generalizada de informação sobre estas discussões (pode pedir apoio à Procuradoria da República que é perita em deixar sair a público o que é confidencial).
Depois devia-se encarar que estamos perante duas alternativas, sair do euro e termos um ou dois anos catastróficos ou ficar no Euro e continuarmos a definhar nos próximos vinte ou trinta anos (o próprio Governo avança com este número).
Assim o Governo devia, na maior das confidencialidades, adquirir notas e moedas novas, notas e moedas a correr em Portugal depois da saída do Euro.
A seguir preparar um plano que incluía:
Submissão à Assembleia da República numa Sexta-Feira às 15:00 de um projecto-lei que alterava a moeda de Portugal, elevação da CGD ao estatuto de banco emissor (o Banco de Portugal não poderia ser pois é do BCE), suspensão das caixas Multibanco até estas terem notas novas e fecho dos bancos na Segunda e terça feira seguintes.
Conversão de todas as dívidas, públicas e privadas, na nova moeda.
Depois deixava sair para a Comunicação Social estas notícias todas (mais uma vez pediria ajuda à Procuradoria da República).
Claro que o Governo negaria terminantemente que tal fosse verdade mas, na próxima reunião com a Troika estes saberiam que se fossem demasiado inflexíveis, Portugal poderia manda-los passear.
Uma saída de Portugal do Euro causaria um terramoto por todo o lado, não duvido que as reuniões alterar-se-iam profundamente.

L. Rodrigues disse...

Uma boa maneira de combater a sabedoria convencional podia começar por deixar de lhe chamar uma "sabedoria".

Algumas sugestões:

Estupidez Convencional
Teimosia Convencional
Sociopatia Convencional

e por aí for.

Carlos disse...

Cada vez mais se torna evidente que isto não vai lá com falinhas mansas! O Presidente Cavaco é um cúmplice incondicional do Governo de Passos Coelho, e este um empregado incondicional da Troika, e esta só faz o que a Merkel manda!

Cada vez mais nos parece evidente que este Governo se irá manter nos próximos 2 anos, e que a Merkel irá ganhar as eleições alemãs, e que as suas ideias para a Europa se manterão inalteráveis!

Cada vez mais se vai tornando evidente que só uma via Revolucionária nos irá conseguir fazer sair deste estado a que chegámos. No 25 de Abril próximo não vamos coemorar uma Revolução, mas sim Fazer uma Revolução Nova! Sair do Euro, suspender o pagamento da dívida, nacionalizar a Banca, limitar o movimento dos capitais, fazer um perdão das dívidas internas, nomeadamente das dívidas resultantes do crédito à compra de casa.

D., H disse...

Passos Coelho chantageou o povo português, e prepara-se para a vingança após o chumbo de algumas normas pelo TC. Não há qualquer desvio na política, apenas rancor.

Isto ía no melhor dos mundos, o governo preparava-se para cortar mais 4 mil milhões (ninguém sabe como e onde), mas eis que aparece essa decisão do TC que hipotecou todo o “futuro risonho” que tínhamos. Não, não são esses 4 mil milhões, ou os 1.1 mil milhões injectados recentemente no Banif que estragaram o estado de graça em que vivíamos…Foi a decisão do TC!!!
(Sem vergonha, ainda teve a lata de insinuar que o TC sugeria o aumento de impostos para fazer face à situação...)

Anónimo disse...

Todos estes acontecimentos vêem provar sem qualquer sombra de duvida
que em Portugal o Estado de Direito tem os dias contados e Portugal é uma colónia da Alemanha com a colaboração total do actual Governo que será julgado severamente no Tribunal da História. Os ataque violentos ao TC são inadmissíveis numa democracia e mostram as tentações autoritárias deste Governo. Este governo foi reincidente na apresentação inconstitucional do orçamento pois no anterior já tinha sido advertido pelo TC, desobedecendo a essa advertência