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O monopólio intelectual desta corrente, que Shiller desafiou empiricamente, não alimentou apenas a complacência face à instabilidade. Por mais que agora procurem escamoteá-lo, a verdade é que muitos economistas tiveram – como ideólogos, conselheiros políticos, membros dos bancos centrais ou das instituições internacionais – uma participação directa na construção política da actual arquitectura financeira global. Mais interessante ainda, muitos participaram, como empreendedores inovadores e como engenheiros de mercado, na definição e aplicação de fórmulas e modelos matemáticos em novos e sofisticados produtos financeiros que permitiram um desenvolvimento sem precedentes, por exemplo, dos mercados de derivados. Estes cresceram como resposta à instabilidade financeira crescente, abrindo, ao mesmo tempo, novas oportunidades de especulação que haveriam de alimentar ainda mais a instabilidade no futuro. Shiller, diga-se, faz parte da tradição de engenheiros sociais de mercado, embora seja mais razoável acerca dos exigentes contextos políticos e regulatórios em que os mercados florescem.
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Os lucros que podem ser obtidos na esfera financeira, por comparação com outros sectores da actividade económica, alimentam assim os excessos que geram a catástrofe paga depois por todos. Sem controlo adequado, os ciclos de crédito contribuem para a alternância de períodos de euforia e de pânico que desestabilizam as relações económicas, podendo conduzir a uma interacção perversa entre a dívida acumulada e a deflação. Hyman Minsky, cuja hipótese da instabilidade financeira do capitalismo tem inspirado alguns dos principais estudos nesta área, dizia por isso que o “sistema financeiro é demasiado importante para ser deixado ao mercado”.
O único livro de Shiller que está disponível entre nós é o que escreveu recentemente com Akerlof, um Nobel da informação assimétrica. Uma introdução razoavelmente acessível onde se argumenta que a recente economia comportamental permite um regresso a hipóteses mais realistas sobre o funcionamento macroeconómico do capitalismo global: o “espírito animal”, expressão de Keynes que os autores torcem um pouco, como base “micro”. Um retorno parcial a Keynes e Minsky. Não li a tradução portuguesa, mas tendo em conta as fracas traduções de economia que tenho lido recentemente, como o último livro sobre Keynes que o Nuno recenseou, não posso garantir uma leitura segura...
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1 comentário:
Nem tudo é mau na bancarrota....pois
Até à grande crise financeira de 1891, as dificuldades em pagar a dívida externa eram resolvidas com o aperto da economia e quem sofria eram as camadas ‘menos abastadas’. Mas a declaração da bancarrota serviu ao Governo para aumentar e prolongar a dívida mais 40 anos
e a trazer a fome das ilhas para o continente
tem razão o meu avô viveu nesses dias
eu levava um calduço
quando deixava arroz no prato
come-se porque nunca se sabe quando voltam os tempos de fome
pois e o seu euro-ouro tem flutuações pequenas?
é demasiado estável?
e não se parece com a convertibilidade em ouro ou em prata
ou em bens
e um escudo a desvalorizar-se 30% ao ano e com juros de 19% seria preferível
os ladrões de bicicletas converteram as suas bicicletas em francos suiços?
pertenceis aos que roubam com unhas agudas?
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