segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fiem-se nas virgens e não cresçam


Até há bem pouco tempo, as orações iam todas, direitinhas, para a Nossa Senhora dos Mercados. Com uma austeridade rigorosa e abnegada - diziam-nos - eles comover-se-iam e recuperaríamos a sua confiança. Ainda recentemente, depois da assinatura do acordo de «consternação social», o ministro Álvaro renovava a sua fé nos poderes da penitência e o ministro Gaspar, em êxtase místico, garantia ter já encontrado o «Ponto V», de viragem. E até a pitonisa lusa do FMI, Estela Barbot, viu no dito acordo um sinal positivo aos mercados.

O problema, porém, é que não há meio de os mercados darem igual sinal de retorno. Desde o início da crise, como mostra o gráfico, a sua irritação não pára de aumentar. Nem mesmo depois (ou talvez também por isso) da promessa solene de Carlos Moedas, feita ainda antes das eleições: «com as reformas que o PSD vai implementar, eu digo-lhe que ainda vão subir o rating, não sei se nos próximos 6 meses, se nos próximos 12 meses, ainda não se sabe quando haverá um novo Governo». Se tinha dito «taxas de juro», em vez de rating, Moedas acertava em cheio.

Perante a ingratidão dos mercados, as preces do governo começaram a virar-se para Nossa Senhora Merkel. Portando-nos bem, cumprindo tudo direitinho, com sacrifícios a horas e suplícios a triplicar, para lá do que foi pedido, o reforço da ajuda não falhará, está garantido. Só é pena é que também esta santa já tenha começado a dar sinais de pouca fé, em Davos. Perante a proposta de reforço atempado da contribuição para o fundo de resgate, a chanceler tratou de lançar um aviso à navegação: «não queremos uma situação em que prometemos e no final não podemos cumprir».

4 comentários:

Luís Coelho disse...

Isto não vai lá não. O propósito é muito claro.
Empobrecer, empobrecer...depois exigem não o pagamento mas a fiança.
A soberania e aquilo que por aí houver...

Foi a Grécia e depois Portugal. Será a Espanha e depois a Itália...

Às armas, amigos da liberdade...às armas...antes que as levem todas e os exércitos sejam apenas os deles e só aqueles que eles querem ...

Anónimo disse...

Muito bem, Ó Luis Coelho.!

Vejamos os mercados têm nome disse...

É o Luis Coimbra do 31 da armada que especula no BCP, é o juiz aqui do lado que tem tudo em dívida alemã, vá-se lá saber porquê.
É o senhor coronel ou o senhor magalhães que compraram casa em Jacarepaguá e na Baía e transferiram os seus fundos de reforma para a banca brasileira.
O Arthur C. clarke fez o mesmo em rupias cingalesas durante 30 e tal anos...
e há muito barão petrolífero europeu com residência na indonésia e filipinas

ora se nem os mercados europeus acreditam num sul da eurropa que demora 3 meses a negociar com os credores...enfim Às armas, velhadas

infelizmente não fabricamos munições...temos de importá-las..e as da suécia são caras...ou balas do paquistão ou granadas made in china
as minas podemos reciclar as que vendemos para Angola e prá guerra Irão-Iraque

Anónimo disse...

Parabéns Nuno Serra. Texto cheio de verdade e boa disposição,
essencial nos dias de hoje.Quanto aos outros comentários, cuidado
com as armas que vamos escolher. O amor e a verdade, são as armas
mais poderosas,quanto às outras, está mais que provado historicamente
que não funcionam, provocando somente mais sofrimento na humanidade.
Gandhi, derrotou o maior império que o mundo já viu.As balas são as
armas dos cobardes e dos fracos .
O amor e a verdade são as armas dos fortes.