quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Ainda a desunião geral dos trabalhadores

Custa-me a aceitar que uma central sindical avalize um conjunto de medidas, todas elas viradas contra aqueles que representa.

Torres Couto

6 comentários:

Falcão disse...

João Rodrigues, se puder ou quiser investigue esta matéria e vai ver que ainda há muito mais...

Sobre a UGT:

1. Foi criada primeiro pelo PS ao qual se junta mais tarde o PSD. Desde ai foi sempre um animal bicéfalo onde o seu Presidente é sempre alguém do PSD e o seu Secretário-Geral é sempre alguém do PS, assim como a distribuição dos lugares dentro da Central.

2. Não sobrevivia nem mais um dia se tivesse de viver das cotas dos seus associados. Só os sindicatos afectos à banca são regulares com o pagamento das cotas, inclusive é com esse dinheiro que muitas vezes são pagos os salários dos trabalhadores da UGT.

3. O seu centro de formação paga muitas das despesas da UGT, geralmente encapotadas como se fossem do centro.

4. Hoje com este governo PSD assim como se o mesmo fosse do PS, a UGT tem de agradar a quem o representa, pois se não o fizesse deixava de ter razão para existir enquanto braço-armado dos sucessivos governos para assinar os acordos que convêm a esses governos.

5. Convinha perceber que representatividade tem de facto a UGT no mundo dos trabalhadores.
É sabido que a grande maioria dos seus sindicatos são de "vão de escada" e mesmo aqueles sectores onde tem sindicatos com mais representatividade se colocam à margem das decisões da Central. Sindicatos como o SITRA - sector dos transportes e STE [Bettencourt Picanço]- sector dos técnicos do estado, são disso a prova mais evidente.

6. Neste acordo em particular este governo esticou a corda de tal maneira que nem mesmo a UGT poderia aceitar o aumento de 1/2 hora de trabalho, pois isso seria de facto o fim de qualquer tipo de credibilidade que nem com operações de cosmética e discursos retóricos, a UGT se safaria de ser considerada uma Central Sindical de faz-de-conta.

7. A prova é a cedência a medidas equivalentes mas não tão lineares que caibam em frases de impacto jornalistico, e nós já sabemos que os Portugueses só lêem as gordas nas 1ªs dos jornais.

8. É no minimo estranho que uma Central Sindical esteja envolvida por via direta ou por via colateral [instituições que administra] em tantos processos no tribunal do trabalho em que trabalhadores lhes move processos para se defenderem das injustiças do seu Patrão UGT.

9. Os salários pagos à maioria dos seus trabalhadores [aqueles que não são dirigentes] são verdadeiramente miseráveis para quem todos os anos emite comunicados a falar contra a politica dos baixos salários, quando em "casa de ferreiro espeto de pau.

10. Terá esta Central Sindical moral ou representatividade para assinar em nome dos trabalhadores portugueses algum tipo de acordo??

Curioso disse...

No dia em que se comemora o 18 de Janeiro é assinado o acordo sem a presença da CGTP. Como refere o Falcão, o Proença não é mais do que uma marioneta nas mãos do PS e PSD, sem legitimidade para assinar o que quer que seja. Mas há uma questão: e precisaria o governo do acordo para aprovar estas medidas ou isto foi apenas uma encenação para calar as mentes incautas?

Kirk disse...

(Off topic)

Hoje é dia 18 de Janeiro. Passam 78 anos sobre o levantamento da Marinha Grande em 1934.
Há cada vez mais motivos para relembrar datas como essa.
Não esqueçamos!
Kirk

D., H disse...

Soube que alguns sindicatos/associações sindicais que integram a UGT mostraram previamente o seu desacordo pelo “Acordo de Concertação Social” que estava em marcha. Penso que os seus associados e respectivos dirigentes devem questionar-se se valerá a pena integrar uma UGT, que de União não tem nada, além de não defender os interesses dos trabalhadores.

meirelesportuense disse...

Recordo bem uma cimeira mostrada na Televisão da época -a preto e branco- em que estavam presentes altos dirigentes do PS/PPD e CDS congratulando-se com o projecto de formação da UGT aliás passados poucos anos em 1982 a primeira provocação a sério deu em 2 mortos no Porto com um Herman José à mistura...Uma Greve Geral -creio que a primeira- foi convocada por essa razão, andava por lá o Ângelo Correia ministro da Administração Interna do Governo PPD/CDS esse mesmo o que foi patrão do Pedro Passos Coelho.Os dois jovens mortos nessa noite de 1º de Maio foram acompanhados ao Prado do Repouso por uma enorme multidão...
-Lembram-se da história dos pregos nas fechaduras?...

Zuruspa disse...

Também me custaria a acreditar, se näo fosse a UGT a fazê-lo...

... já näo me custa a acreditar é que Torres Couto tenha memória selectiva do que fez à frente dessa organizaçäo.