domingo, 24 de maio de 2026

Da estupidez repulsiva


Paulo Coimbra tem razão, no triângulo político onde se inclui um indivíduo que sacrificou todos os valores chamado António Costa, Kaja Kallas ganha o campeonato das declarações de “uma estupidez repulsiva, mas uma estupidez em conformidade com as necessidades da ordem imperial made in USA”. 

Desde apodar a China de “cancro” até responsabilizar Cuba, em plena visita ao México, pelos resultados do cerco genocida que os EUA montaram, sem esquecer a duradoura cumplicidade ativa com Israel e com o genocídio do povo palestiniano, o liberalismo autoritário das instituições europeias, encarnado por Kallas, é de uma monstruosidade sem fim. 

O que levanta a questão, já colocada a propósito de Borrell, o da selva e do jardim: para que serve uma alta representante da UE para os negócios estrangeiros e a política de segurança? O mal está desde logo aí. A UE não é um Estado, nem pode ser, felizmente. 

A política externa é assunto de Estados. Este açambarcamento antidemocrático de competências tem de parar e tem de ser revertido, dado que só prejudica a prossecução de uma política externa decente pelos Estados realmente existentes. Na ausência desta, resta o subimperialismo, estruturalmente cúmplice em relação ao eixo EUA-Israel. Não é defeito, é feitio de todo o impulso, tão federalista quanto neoliberal e belicista, da UE.

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