1. Alegrai-vos. Graças à máquina de liberalização que é a UE, vamos comer picanha mais barata, com vinho argentino para empurrar, enquanto vemos na TV a Amazónia a arder ainda mais, com os nossos campos esvaziados a serem pasto, mas só para mais fogos igualmente televisionados. Haverá cada vez mais fumo e não será branco.
2. Sim, o social-democrata Lula também erra e de forma crassa, como os setores estruturalistas brasileiros, na tradição de Celso Furtado e de Maria da Conceição Tavares, sabem. É de facto um “tratado [UE-Mercosul] ultrapassado e neoliberal”. A poderosa bancada brasileira do “boi, bala e bíblia” agradece.
3. As multinacionais do centro europeu terão mais mercados para escoar o que os chineses já não precisam, uma distopia liberal sem fim. Agora é mascarada de sabedoria geopolítica, como se esta pudesse ser desligada dos impactos assimétricos deste protecionismo dos mais fortes a que chamam convencionalmente de “comércio livre”.
4. Por cá, os neoliberais de quase todos os partidos, do chamado centro-esquerda à extrema-direita, autênticos vende-pátrias, saúdam mais esta abdicação de soberania económica. Não lhes bastou todas as outras. As mãos só invisíveis para quem ainda distraído acabarão de escavacar e de sucatear os circuitos mais curtos da produção nacional.
Adenda. A fotografia é de Lalo Almeida, parte da sua Distopia Amazônica, e pode ser vista na magnífica exposição Complexo Brasil, patente na Gulbenkian, em Lisboa, até fevereiro.


1 comentário:
"João Oliveira critica Acordo UE-Mercosul"
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https://www.abrilabril.pt/nacional/joao-oliveira-critica-acordo-ue-mercosul
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