quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Tiveram e têm razão

É incompreensível que todos os anos se assistam às ameaças e chantagens em torno do défice das contas públicas, quando o verdadeiro e real problema do país é o facto de Portugal ter uma das maiores dívidas públicas e externa do mundo. É impensável prolongar por muitos mais anos uma dívida pública insustentável, recusando iniciar a sua renegociação, nos seus prazos, juros e montantes (...) e que pode e deve ser articulada com a libertação do país da submissão ao Euro.
Jerónimo de Sousa, 4 de Dezembro de 2016.

A moeda única fragiliza e põe em causa o aparelho produtivo nacional. É ou não verdade que a moeda única, um euro feito, como é inevitável, à imagem e semelhança do marco, super valorizado em relação ao curso normal do escudo, vai tornar ainda mais difícil a competitividade dos produtos portugueses nos mercados europeu e mundial quando confrontados com os nossos principais concorrentes, os países fora da zona do euro, os países asiáticos, os países do continente americano, com as suas moedas e taxas de câmbio próprias? (…) A moeda única e os critérios de Maastricht são um factor de aumento do desemprego. 
Carlos Carvalhas, 19 de Março de 1997.

A União Económica e Monetária implicaria um maior domínio das transnacionais sobre a economia dos Estados-membros, um novo reforço da supranacionalidade, a perda de capacidade de decisões soberanas dos membros da CEE. A União Política, a concretizar-se, significará novas limitações da soberania nacional, atingindo os países mais fracos, entre os quais Portugal se situa iniludivelmente.
Álvaro Cunhal, 20 de Maio de 1990.

Na questão mais importante da economia política nacional do último quarto de século, os comunistas portugueses tiveram e têm razão. Não foram os únicos, mas a certa altura pouco faltou. Hoje estão cada vez menos sozinhos, já que é brutalmente claro que a UE e a sua moeda, por alguns confundidas com uma realidade geográfica com várias declinações políticas reais e potenciais, a Europa, nunca estiveram connosco. Também por isto, talvez seja tempo de olhar para a reflexão colectiva aí produzida sobre esta e outras questões sem preconceitos, ou seja, abandonando velhos hábitos ainda presentes na comunicação social (por exemplo, os que levam a caracterizar posições sensatas deste tipo como sendo “anti-europeias”).

Panfleto de 1997

106 comentários:

Jose disse...

A tónica central é a da COBARDIA!

Cobardes que não se atrevem a desvalorizar salários a não ser pela manipulação dos câmbios.
Cobardes que anunciam o pleno emprego, ocultando a desvalorização salarial que eventualmente o trará.
Cobardes que se equiparam a asiáticos e sul-americanos e propõem salários da Europa produtiva, disciplinada e esforçada, capitalizada e não inimiga do capital.
Cobardes que, cuidando tão só do que acreditam aproximá-los do poder, propalam como fácil e exequível um caminho que só com esforço, por caminhos já por outros percorridos, será alcançado.

Anónimo disse...

O Capitalismo global/ neoliberalismo está a desagregar-se a cada dia que passa e com ele vão as estruturas que foram criadas para o suportar.

Anónimo disse...


Tem razão quem escreve assim e faz lembrar aos demais que sempre houve alguém que soube dizer não.
Todavia, hoje o 1º ministro em sede parlamentar, disse que não esta´ em causa a saída da Eurozona «Moeda Única».
Muito embora o PR tenha dito não ao referendo, importava muito que se fizesse uma proposta de referendar a manutenção ou não neste imbrincado sistema que nos atrofia. Ate´ para repor a verdade democrática! Já que os “democratas do centro” incluindo o PS, entenderam que o povo português não tinha direito a voto em matéria europeia, que não tinha o direito de defender sua soberania!
De Adelino Silva

Anónimo disse...

Caro João Rodrigues:

Louvo-lhe este post e a sua coragem

Jaime Santos disse...

Taticamente, Costa é que tem razão. A não ser, claro, que alguém defenda uma suspensão unilateral dos pagamentos dos juros e a saída imediata do Euro, o que poderá ter efeitos muito perversos na nossa Economia que ninguém verdadeiramente conhece (não é Jerónimo de Sousa que diz que isso tem que ser estudado?). E isto porque, muito simplesmente, um pedido de renegociação da dívida provavelmente faria disparar os juros, o que levaria a um novo resgate, ao fim da Geringonça e ao regresso da Direita ao poder, naturalmente com a ajuda do Presidente da República que, recorde-se, é deste espaço político. Se é isto que o João Rodrigues realmente deseja (e às vezes, pelo que aqui escreve, até parece), é uma excelente tática, caso contrário, é um desastre...

Anónimo disse...

"A tónica central é a da COBARDIA!"

A histeria não é boa conselheira.

Porque o conteúdo do dito histérico é nada. Niente. Um zero à esquerda.
Apenas a perturbação irada e rancorosa dum poltrão cobarde e impotente a chamar cobardes aos outros que mostraram tê-los no sítio.

E estiveram à altura onde outros se decompuseram em fluidos variados no próprio 25 de Abril

Anónimo disse...

Excelente táctica a de Jaime Santos.

Faz lembrar um desmiolado que berrava que Putin era de extrema-direita. Provavelmente esperançado em mais tácticas a levarem a um novo resgate, a uma nova invasão, ao regresso dos terroristas ao poder.

Não tem um mínimo pudor caro Jaime Santos?

Anónimo disse...

Sejamos francos.

O que esta Europa tem para oferecer aos povos desta mesma Europa?

Desemprego? Fim do estado social? Racismo? Xenofobia? Privatizações? Mais pobreza para os 99%? Mais riqueza para o 1%? Mais fraudes eleitorais? Mais traidores? Mais promessas por cumprir? Mais dinheiro para guerras? Mais a "França é a França"? Mais chantagens e ameaças? Mais corrupção? Mais fraudes fiscais? Mais partilhas de soberania a esconder a submissão? Mais roubos de salários? Mais austeridade? Mais fraudes de banqueiros? Mais exploração para os que trabalham?

Afinal a que chegou esta Europae em que os seus cabeças de cartaz não passam de corruptos e servis servos dos grandes interesses económicos?

Anónimo disse...

O que será esta pieguice em torno dos que que não se atrevem a desvalorizar salários a não ser pela manipulação dos câmbios?

Mas este não era aquele que justificava os roubos de salários e de pensões com urros de satisfação a pedir que o governo de Passos/ Portas fosse mais além do que a própria troika?

E vem falar em salários e na desvalorização destes?

E não era este que de cada vez que ouvia falar no aumento do salário mínimo puxava da pistola, como fazia o outro quando ouvia falar em Cultura?

E a propósito mais uma vez de salários, sempre se confirma que este era um dos patrões escolhidos pelos patrões de alto coturno como perito dos interesses dos patrões nas relações de trabalho?

Ah...está assim explicada muita coisa. A começar pela histeria histérica dos berros desconexos

Anónimo disse...

E pelo mesmo personagem, com os interesses que defende e com a ideologia que abraça, vem mais esta curiosa frase:
"Cobardes que anunciam o pleno emprego, ocultando a desvalorização salarial que eventualmente o trará"

Esta a confissão que os que defendem esta sociedade, regida pelo lucro e nada mais do que o lucro, já não têm peias de mostrar que almejam uma sociedade em que haja cada vez mais desempregados? Num número que permita obter a mão-de-obra barata para que se satisfaçam os apetites destas bestas desumanas em busca de taxas de lucro cada vez maiores?

É "isto " que nos querem vender? Como Europa modelar?

Anónimo disse...

E o que esconde esta frase assassina:
"Cobardes que se equiparam a asiáticos e sul-americanos e propõem salários da Europa produtiva, disciplinada e esforçada, capitalizada e não inimiga do capital".

O racismo larvar é o de Trump? É o de le Pen? É o dos abnegados nazis que se esforçaram por não se equipararem a mais ninguém senão os de raça ariana?

E a Europa de que se fala é a Europa em que o esforço produtivo da grande maioria é saqueado por meia dúzia de parasitas, banqueiros e afins, donos de grandes empresas oligo-monopolistas, senhores à força a mandadores sem lei?

E a disciplina aí em cima defendida é a disciplina imposta pelos senhores aos seus escravos? Afinal quem fala em disciplina é o mesmo que ameaçava todos os que não obedeciam à disciplina neoliberal troikista e Passista com esta frase torpe e ameaçadora. Cito ipsis verbis: " "Às bestas serve-se a força bruta se forem insensíveis a outros meios"?

A expressão ´"não inimiga do Capital" será a confirmação das ameaças trauliteiras? A confirmação que pode haver roubos de salários e de pensões e cada vez mais desempregados, mas que o capital e os capitalistas são vacas sagradas?

João Pimentel Ferreira disse...

A esquerda a mostrar ao que verdadeiramente vem: empobrecer toda a gente com a desvalorização cambial e assim tornar Portugal mais competitivo. O Escudo torna Portugal mais competitivo pela via do empobrecimento geral da população. Cortar os rendimentos a toda a gente em 30%, como no ano de 1984 (ver dados da PORDATA), não preocupa a PCP, BE, o TC, Carvalho Rodrigues, a CGTP e nenhum dos camaradas aqui da casa; mas cortar nominalmente pensões ou salários em 5% é um crime lesa-pátria levado a cabo pelos capangas neo-liberais. Lamento meus caros, desisto de ler este blogue pois atingiu o cúmulo da demagogia e populismo e quando perco tempo em algo gosto que seja construtivo.

Anónimo disse...

E a treta espelhada nesta frase sem sentido: "cuidando tão só do que acreditam aproximá-los do poder, propalam como fácil e exequível um caminho que só com esforço, por caminhos já por outros percorridos, será alcançado".

é a confirmação da iliteracia da nossa direita extrema, da nossa coorte neoliberal que nem sequer consegue perceber o que está escrito e é denunciado aqui neste post de João Rodrigues?
"Não foram os únicos, mas a certa altura pouco faltou"

Mostrando que os tiveram no sítio enquanto este mesmo tipo se gabava de sacar numa tarde o correspondente ao salário mínimo nacional? E escondia o vestuário manchado pelas alturas do 25 de Abril de 74?

João Pimentel Ferreira disse...

Maldito Euro, dá poder de compra à malta e e malta desgraça-se na Worten e e nos stands de automóveis.
https://www.dinheirovivo.pt/economia/portugal-e-bronze-europeu-na-compra-de-carros-e-eletrodomesticos/
Esta notícia não será mencionada aqui na casa, certo?

Jose disse...

Alguns iletrados que por aqui pululam parece terem a ideia de que o capital bom é o que sai das impressoras de uma qualquer Casa da Moeda.
Acontece que o bom capital é sempre mais-valia poupada.
E onde ele não existe o crescimento não acontece.

Nem sei porque me meto a falar para paredes. Que fique à conta de serviço cívico.

Anónimo disse...

É bom lembrar a forma como Carvalhas encarava, já em 1997, a entrada de Portugal no Euro, a qual viria a ser concretizada em 1999, no chamado "pelotão da frente". Vale a pena comparar a posição então assumida pelo PCP com a posição assumida por Vítor Constâncio três anos depois, quando - com Guterres em S. Bento e Sampaio em Belém - tomou posse como Governador do Banco de Portugal:

https://www.bportugal.pt/intervencoes/discurso-de-tomada-de-posse-do-governador-0

Repare-se, p. ex., nestas considerações em matéria de balança de pagamentos:
"Não voltaremos a ter problemas de balança de pagamentos iguais aos do passado. Não existe um problema monetário macroeconómico e não há que tomar medidas restritivas por causa da balança de pagamentos. Ninguém analisa a dimensão macro da balança externa do Mississipi ou de qualquer outra região de uma grande união monetária."

Tal como Guterres e Sampaio, Constâncio acreditava - ou fingia acreditar - numa caminhada
gloriosa da União Europeia rumo a uns míticos Estados Unidos da Europa, alimentada pela "moeda única" acabada de criar e por uma "solidariedade europeia" que, desde 1974, sempre esteve muito presente no discurso do PS. Neste contexto, é deveras curioso que Constâncio tenha optado por referir o estado do Mississipi, ano após ano na cauda do pelotão norte-americano, apesar da permanente "solidariedade" no âmbito da meia centena de estados da federação:

https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_U.S._states_by_GDP_per_capita

https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_U.S._states_by_American_Human_Development_Index

Constâncio saltou em 2010 do cargo de Governador do Banco do "Mississipi da Eurozona" para o cargo de Vice-presidente do BCE, em que deverá manter-se até 2018 (se a actual União Económica e Monetária aguentar até lá).

Infelizmente, o PCP é hoje o único partido português a defender, em Portugal e na Europa, a dissolução da União Económica e Monetária.



A. G. Correia

Anónimo disse...

"Nem sei porque me meto a falar para paredes"

Mas nós sabemos.

Anónimo disse...

"Nem sei porque me meto a falar para paredes"

Caro Jose´:

Estas pieguices não são aconselhadas por mim. Veja se cumpre bem o serviço cívico

Ass: Passos Coelho

Anónimo disse...

Pimentel Ferreira:

Já se reparou que o senhor é o que é. Para quem quiser saber pormenores basta consultar o seu histórico
Por exemplo aqui:
http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2016/12/ciao-renzi.html

Mas esta mania descortês e suja de colocar em dúvida a integridade dos outros não pode passar incólume.

Portanto veja se aprende que nem todos são como vossemecê

Anónimo disse...

Pimentel Ferreira:

Vamos lá, não diga disparates feito k7

Foi Passos Coelho que defendeu que Portugal só conseguiria sair da actual crise "empobrecendo".

Não se lembra? Registado , anotado e confirmado. Apesar do pobre coitado querer agora dar o dito pelo não dito

Pelo que a sua afirmação a negrito "O Escudo torna Portugal mais competitivo pela via do empobrecimento geral da população" foi parida provavelmente pelo capanga Aonio. Saiu da sua ou da cabeça dele.
Mas é apenas um slogan manhoso dum tipo com uma agenda equivalente

Anónimo disse...

Mais notas para o João Pimentel:

"Cortar os rendimentos a toda a gente em 30%, como no ano de 1984"

Mas ...mas...mas
Quem estava no governo nessa altura?

O IX Governo Constitucional de Portugal que tomou posse a 9 de Junho de 1983, tendo sido formado através de um acordo de incidência parlamentar entre o Partido Socialista e o Partido Social Democrata.

Pimentel , mas então vejamos. Aquilo que fala sobre "PCP, BE, o TC, Carvalho Rodrigues, a CGTP e os camaradas aqui da casa"é apenas o bolsar rancoroso e sem sentido, escondendo por um lado a responsabilidade de quem tomou tais medidas e por outro revelando um anti-comunismo primário que até tem o topete de arrastar o TC com esta missa.

Anónimo disse...

Mais para o Pimentel:

"cortar nominalmente pensões ou salários em 5% é um crime lesa-pátria levado a cabo pelos capangas neo-liberais."

Pimentel? 5% ?
É o que diz a sua cartilha?
Ora vá lê-la de novo.

E sim, o roubo de salários e de pensões é um crime de lesa-majestade. Levado a cabo pelos seus capangas

Anónimo disse...

Mais ainda para o Pimentel:

"Lamento meus caros, desisto de ler este blogue pois atingiu o cúmulo da demagogia e populismo e quando perco tempo em algo gosto que seja construtivo"

Não faça estas cenas patéticas e tolas. Assuma-se. tenha coragem. Em vez de debitar lugares-comuns de troikista assumido e europeísta trauliteiro, prove que o que diz não é demagogia e populismo e que não nos está a fazer perder tempo com slogans primários e toscos.

E prove que este blogue atingiu o cúmulo de qualquer coisa e que por ter atingido tal cúmulo não lhe resta mais do que lamentar-se.

Anónimo disse...

João Pimentel Ferreira gosta de gente "poupadinha". É pena o nosso querido companheiro de comentários ser, a avaliar pela foto da sua "chipala", tão novinho, pois, caso tivesse mais uma décadas de vida, poderia ter experimentado o que era viver num Portugal verdadeiramente virado para a "poupança": as montanhas de dinheiro que se poupavam na Educação, na Saúde, no Saneamento, na Cultura (qual Worten, qual FNAC, qual porra, catano - tinto, missinha e muita porradinha na famelga, aos domingos, quando o "Glorioso" perdia!), na inexistente Segurança Social...
E onde se aplicava e multiplicava, posteriormente, a maçaroca poupada em tão fúteis quanto desnecessários luxos? Pois certamente nesse grande, lucrativo e inteligentíssimo empreendimento territorialmente tripartido que foi a Guerra Colonial. Bons tempos, meu caríssimo JPF, ótimos tempos que, infelizmente, Vossa Excelência não teve a sorte de viver...
Se os tivesse vivido, moderníssimo JPF, o seu divertimento, ainda que espartano, seria quotidiano e muito pouco dispendioso: com a sua jovem idade, lá estaria a cavalo numa GMC, numa espécie de safari enxertado de roleta-russa em que o papel de caça e de caçador alternaria entre si e os seus alegres compinchas de fortuna e os "turras".

Anónimo disse...

"A morte do euro está inscrita nas realidades económicas. Mas as condições, e sobretudo a data desta morte, dependem da vontade política. Se se tem uma vontade política para dizer que o euro chegou ao fim da vida, que hoje ele é uma instituição não só nefasta como também perigosa, então poderia haver um fim do euro que se verifica sem problemas. Esta é a via da razão. Seria preciso, na realidade, dissolver o euro de comum acordo. Mas, para que se tenha uma massa política crítica decisiva a este respeito, seria preciso que houvesse um acordo entre a França e a Itália, no mínimo. Eis porque, se o "não" vencer no referendo italiano, será muito importante eleger entre os candidatos declarados, aquele que estiver em melhores condições de realizar uma frente comum com o novo governo italiano para falar aos alemães de modo decisivo acerca deste ponto.

Do contrário, nós ainda nos atolaremos numa vontade de fazer viver o euro a qualquer preço, com programas de austeridade cada vez mais violentos, em detrimento dos povos e das economias, e não só experimentaremos inelutavelmente uma ascensão do desemprego e das suas consequências, como a anomia social e as diferentes patologias que dela decorrem. Mas estou convencido que mesmo esta situação será transitória –´pois os problemas económicos permanecem. Os factos são teimosos dizia Lenine; isso é ainda mais verdadeiro nos factos económicos. O problema portanto é abreviar os sofrimentos, tanto sociais como individuais, que o euro provoca. Para além disso, é preciso fazer explodir o obstáculo que impede o retorno ao crescimento. O euro hoje proíbe conduzir políticas centradas num crescimento forte. Nisto, tornou-se completamente obsoleto".

(Jacques Sapir)

Anónimo disse...

"Se o euro é uma catástrofe económica, e isso agora é reconhecido por um número crescente de economistas, as consequências políticas do euro não são menos graves. O euro construiu um quadro político que se verifica incompatível com a expressão democrática da soberania popular. Ele conduz os dirigentes europeus a tomarem posições cada vez mais liberticidas.

O euro faz parte de um projecto, aquele de instaurar uma Europa supranacional, uma Europa federal, mas sem consultar as populações. Aliás, Jean-Claude Junckers já o disse. Sobretudo nada de referendo, sobretudo nada de debate político . Esta declaração, bastante assustadora, vai a par daquela que ele havia feito em Janeiro de 2015, a seguir às eleições legislativas na Grécia (em que ele igualmente interveio ), em que dizia não poder haver escolha democrático contra os tratados europeus .

De facto, o euro não é simplesmente uma instituição económica; é também – e talvez sobretudo – um modo de governação. Se se considera sua declaração de Janeiro de 2015 deve-se ver ali a afirmação tranquila e satisfeita da superioridade de instituições não eleitas sobre o voto dos eleitores, da superioridade do princípio tecnocrático sobre o princípio democrático . A única legitimidade de que Jean-Claude Juncker pode invocar é apenas a legalidade de um tratado. Temos então um exemplo imediato e directo da circularidade de raciocínio mantido nas instâncias europeias. É preciso legitimidade para contestar um direito legal num outro país. Mostrei isso, e todas as consequências que daí decorrem, no livro que publiquei no princípio deste ano, Souveraineté, Démocratie, Laïcité . Mas esta legalidade não provém ela própria senão da legalidade de um tratado fundador. Em que esta legalidade será superior à legalidade do escrutínio na Grécia, ou por exemplo na Itália ou em França? Não há nenhuma base para estabelece-lo, pois seria preciso então referir-se a um princípio de Soberania, o que as instituições europeias não querem sob pretexto algum"

(Jacques Sapir).

Anónimo disse...

"
"Numa saída do euro, e qualquer que seja o cenário, temos uma decisão de redenominar todos os pagamentos e todas as contas do euro em franco (ou qualquer outro nome dado à moeda francesa). Uma pessoa que receba 1400 euros por mês, que paga um aluguer de 650 euros, que está endividada em 10 mil euros e que tem no total 30 mil euros em diversas contas bancárias encontra-se de um dia para outros com 1400 francos de salário, aluguer de 650 francos, uma dívida de 10 mil francos e haveres bancários de 30 mil francos. Dito de outra forma: para ela não muda nada.

Se o Franco se depreciar 30% em relação à moeda alemã, 10% em relação ao Dólar dos Estados Unidos, mas apreciar-se 5% em relação à Lira italiana, o que se passa? Quando a nossa pessoa, se tiver um carro, abastecer-se de combustível num posto de serviço este terá aumentado não 10% (a depreciação do Franco em relação ao Dólar) mas 10% sobre o seu preço sem impostos, que é apenas 15% do preço total. O custo do combustível terá aumentado 1,5%. Admitamos que esta pessoa vá depois comprar o seu pão: ela não verá nenhuma diferença. Se ela for ao supermercado comprar massas italianas, ela verá uma baixa de -5%, mas se ela quiser comprar um produto alemão, em contrapartida ela verificará que tem uma alta de 30%. Examinemos este problema. Admitamos que esta pessoa pretende trocar de carro. Ela constatará que os carros alemães aumentaram fortemente, os carros franceses permaneceram no mesmo preço (para os modelos fabricados em França), mas que um carro italiano baixou ligeiramente. Deseja ela partir de férias? Primeiro, recordemos que apenas 55% dos franceses tiram férias e neste total cerca de 25% no estrangeiro, ou seja, 14%. Se esta pessoa quiser partir para a Alemanha (há de todos os gostos na natureza...) ela verificará que as suas férias são consideravelmente mais caras. Mas se ela decidir partir para a Itália, Espanha, mesmo a Grécia (países que depreciariam as suas moedas mais do que o Franco o faria), ela constataria que suas férias lhe custam menos caro. E se ela decidir ficar em França (como a maioria dos franceses) ela verá que nada terá mudado. Esta pessoa não sentiria senão muito fracamente o impacto desta depreciação. Em contrapartida, ela poderia constar muito rapidamente que o clima económico mudou, que o seu vizinho pôde encontrar trabalho, que ela própria, que se preocupa na sua empresa e que temia um plano social, vê doravante o futuro desanuviar-se"
(Jacques Sapir)

Anónimo disse...

Que pena me faz a anunciada partida do Pimentel Ferreira, que, felizmente, só bissextamente cá tem vindo.

Leve com ele os ares pútridos dos insurgentes, dos blásfémias, dos cortas-fitas,dos delitos de opinião, dos fortes apaches, uma linguagem canalha, de ódio e vingança, de desforço do outro.

Leve com ele a desonestidade intelectual, a distorção dos factos sobre que raciocina falacioso, aqueles "meu caro" pedantes com que se dirige aos outros, convencido de que caiu num clube inglês e de quem se julga acima da piolheira - uma espécie de elite incompreendida que da elite apenas conhece o rico lado alarvo-boçal dos tea parties e dos convertidos de Trump.

mig_L disse...

Excelente texto e de uma grande pertinência

Jose disse...

Que história tão bonita a do tal Sapir.
E se a dívida externa estiver na moeda em relação à qual mais se desvaloriza o franco? O que vai acontecer em francos? O mesmo milagre que de 10% leva a um impacto de 1,5%?
E se o mesmo se passar em relação a uma vasta gama de bens essenciais?
E se a economia estiver no fim da linha dos ajustamentos, a que mais desvaloriza em relação a todos ou quase todos com quem há relações comerciais? Quanto e o quê deixaria de poder ser importado?
A resposta é simples: austeridade como não se viu ainda e longos anos de reajustamento.
Quem se propõe aparecer como guia e luz da Pátria em tempo de tal provação?

A comunada, alçando bandeiras de caça a especuladores, açambarcadores, inimigos da classe operária, traidores e outros inimigos da nação, tantos quantos convenha achar.
Um regabofe rumo aos amanhãs que cantam!
Já se viu, e voltaria a ver-se.

Anónimo disse...

Este ser que falava há pouco de brio num outro post vem agora proclsmar a ira divina para quem não seguir o quadro da submissão que proclama.

Ou nós ou o caos. Essa de brio é apenas o aspecto travestido com que interessa aparecer

Curiosamente nos idos da guerra colonial tínhamos discursos exactamente iguais. Um deles deste mesmo tipo. Junto com o apelo ao saque , à morte e imagine-se ao sacrifício pelo acumular da fortuna dos joses deste mundo

Anónimo disse...

Será que Herr jose está perturbado pelo facto da saída do euro lhe perturbar as "visitas" a herr schauble?

E que o seu regabofe como especulador, açambarcador, agiota e usurário seja posto em causa?

Anónimo disse...

Quanto aos traidores.....um termo este assaz desagradável.

Porque herr jose andou com este durante os anos em que assumidamente defendia a "Pátria colonial" e a pilhagem correspondente. Até tem um soneto de pé quebrado em que defende os Pides que defendiam tal pátria.

Passados bastos anos mudou de discurso. Adquiriu o hábito de se curvar perante a Alemanha e a tudo o que lhe cheirasse a Capital ( bom, mau, travestido ou qualquer outra idiotice que alguém aí disse em cima). Não quer dizer que tenha mudado de objectivos: de facto a apropriação das mais-valias e o aumento da taxa de juros continua a ser o seu alfa e omega.
Mas "modernizou-se". Agoera faz-se passar por "isto". E "isto" não é um traidor naquele conceito de rúfia oficial e luzidio a gritar vivas a salazar ou que Angola é nossa.
"Isto" é apenas um vende-pátrias. Pequenino e a salivar. Pedindo mais, muito mais para os "ricos", e exigindo que não se mexa no saque e nos saqueadores.




Anónimo disse...

Um excelente texto de João Rodrigues; alguns excelentes fragmentos de Sapir

Os cães ladram e a caravana passa. Com o esclarecimento atempado e persistente há um facto indiscutível. Quem questionava esta opção "europeísta" está a cada dia que passa menos isolado, pois "é brutalmente claro que a UE e a sua moeda, por alguns confundidas com uma realidade geográfica com várias declinações políticas reais e potenciais, a Europa, nunca estiveram connosco".

Por isso o incómodo de quem vê ameaçado o produto do seu saque e a sua continuação. E o suor frio e pegajoso de quem não suporta ver assim o Capital posto em causa.



Anónimo disse...

O sr.Jacques Sapir explica que o euro estará no cerne da campanha presidencial francesa de 2017. Esta verá oporem-se o campo do rigor orçamental contra o da desvalorização monetária? Equivale isso a escolher entre a deflação de um lado e a inflação do outro?

Resposta:De facto, o que se confrontará na eleição presidencial é uma estratégia, de que François Fillon deu uma visão coerente, que visa realizar uma desvalorização interna, fazer baixar os salários e os preços em França, em relação a uma estratégia que visaria, recuperando a soberania monetária, também fazer baixar estes preços e estes salários para da outra vez competitividade à economia francesa. Dir-se-á então: não é a mesma estratégia?

Na realidade, os efeitos destas duas estratégias são muito diferentes. Naquela que François Fillon quer aplicar, dito de outra forma nesta estratégia que se chama desvalorização interna, a baixa dos salários e das prestações é o mecanismo que deve induzir a baixa dos preços. Mas, devido à rigidez relativa da estrutura dos preços, pelo facto de que alguns não estão directamente ligados aos salários, esta baixa dos rendimentos implica em primeiro lugar uma baixa importante da procura interna, que se traduz por uma ascensão do desemprego. Pode-se avaliar em cerca de 500 mil pessoas nos dois primeiros anos (2018 e 2019). Entretanto, é preciso saber que esta estimativa não inclui o que se chama de desemprego "induzido", ou seja, as destruições de empregos provocadas pelas primeiras destruições de empregos que são, elas próprias, provocada pela baixa da actividade. Este desemprego induzido poderia afectar cerca de 250 mil pessoas suplementares, num total de 750 mil pessoas. Mas este não seria o único efeito negativo. A alta dos lucros não provocaria uma alta da actividade, esta permaneceria deprimida devido à baixa do consumo das famílias. Ora, se o lucro representa o resultado da actividade passada da empresa o investimento representa uma aposta que o empresário faz sobre o futuro. O investimento é assim bem mais sensível às incertezas sobre a procura do que ao nível dos lucros . Os investimentos seriam na realidade bem mais fracos do que supõe François Fillon, tanto mais porque a sua política se traduziria também por um abandono do investimento público, que é essencial para a competitividade de um território. A qualidade dos serviços públicos desempenha um papel determinante na atractividade de um território . Os lucros das empresas seriam traduzidos por uma saída maciça de capitais, para investir fora da França uma vez que as perspectivas de crescimento da França estariam muito deprimidas. Teríamos então a constituição de uma finança muito especulativa vindo enxertar-se numa economia deprimida. Finalmente, a baixa da actividade reduziria as receitas fiscais do Estado e dos regimes sociais, no momento mesmo em que o forte aumento do desemprego os confrontaria com um acréscimo das despesas. Os défices públicos e dos regimes sociais seriam assim agravados por esta política visando, teoricamente, reduzi-los. Foi o que se viu no conjunto dos países que adoptaram esta política. "

Anónimo disse...

"Inversamente, a outra estratégia, que visa realizar uma baixa dos preços por uma depreciação da moeda, teria resultados bem diferentes. A depreciação da moeda faria instantaneamente baixar todos os preços e salários, mas mantendo a relação entre estes preços e estes rendimentos. Não haveria baixa do consumo para os bens e os serviços produzidos em França. Em contrapartida, os bens importados evidentemente aumentariam. Mas estes bens representam cerca de 40% do consumo médio das famílias. As empresas veriam seus lucros aumentarem, quer nos mercados de exportação ou no mercado interno, pois os produtos importados veriam seus preços agravados. A actividade cresceria tanto nos mercados de exportação como numa substituição progressiva das importações por produções realizadas no território francês. De facto, estudos recentes mostram que a taxa de câmbio tem uma importância considerável sobre a competitividade. A França tornar-se-ia atractiva outra vez para os investimentos estrangeiros que viriam instalar no nosso país novas capacidades de produção. O FMI considera actualmente que uma depreciação de 10% da moeda engendra uma alta de actividade de 1,5% em média. No caso de uma saída do euro, calculou-se que nos três anos seguintes a criação de emprego líquido seria da ordem dos 1,5 milhões de postos de trabalho. Dito de outra forma, por um efeito directo teríamos em três anos um retorno ao emprego de aproximadamente da metade dos que procuram emprego na categoria "A". As criações de emprego induzidas também seriam importantes, mas mais delicadas de estimar, entre 250 e 600 mil. Esta forte baixa do deseemprego traduzir-se-ia mecanicamente por uma baixa das despesas e uma forte alta das contribuições, que reconduziriam ao equilíbrio as diferentes caixas, quer se trate do seguro-desemprego ou da segurança social.

Vê-se que a estratégia preconizada por François Fillon se assemelha muito fortemente com políticas de deflação que foram conduzidas com resultados catastróficos na Alemanha sob o chanceler Brunning de 1930 a 1931, na Grã-Bretanha por Ramsay MacDonald ou em França por Pierre Laval. Eis porque uma política de depreciação interna da moeda é sempre preferível a uma desvalorização interna.

De maneira geral, a inflação surge sempre como mais prometedora do que a deflação. A inflação, apesar de ter inconvenientes evidentes e que são bem conhecidos, tem também a vantagem de libertar os empresários da mão morta do passado, como dizia Keynes na sua obra "A tract on monetary reform" , e de favorecer o espírito de empresa e o desenvolvimento de novas actividades sem o peso das dívidas acumuladas."

Anónimo disse...

Estes exemplos mostram que a afirmação de que uma depreciação do franco de 10% seria traduzida por uma alta dos preços de 10% é absolutamente falsa e não tem nenhuma base económica. As declarações de Laurent Wauquiez quanto a isto raiam o delírio . Primeiro, os alugueres, os preços dos transportes em comum, da cantina escolar (se esta pessoa tiver filhos) não se alterariam. A seguir, sobre os produtos importados, seria preciso determinar de onde vêm. No caso de uma explosão do euro, certas moedas seriam depreciadas mais que o Franco. Os preços destes produtos baixariam. Em contrapartida, o Franco depreciaria face ao Dólar dos Estados Unidos, mas sobretudo face ao Marco alemão. A questão que se colocará então para esta pessoa será mudar de produtos, abandonar produtos feitos na Alemanha para escolher produtos feitos em França, ou nos países cuja moeda se tiver depreciado mais do que o Franco. Se, ao invés desta pessoa que ganha 1400 euros/francos tomarmos um quadro dirigente, que ganha 7000 euros/francos por mês, que anda em Audi ou Mercedes e que gosta de passar um fim de semana em Nova York, ou seja, um representante típico destas elites mundializadas que nos dão como exemplo, o custo do seu consumo aumentaria fortemente. Mas tais pessoas representam 1% da população activa. Constata-se, através deste exemplo, que uma depreciação da moeda é também um mecanismo de reequilibragem entre a parte da população consome "local" e a (pequena) parte da população que consome "mundial".

João Pimentel Ferreira disse...

@ao tipo que cita textos do Jacques Sapir

E os medicamentos? E as máquinas de lavar roupa? Aspiradores? Secadores de cabelo? Máquinas de barbear? Elevadores, escadas rolantes, maquinaria, tecnologia, e todos esses "luxos" totalmente importados da pequena-burguesia pós-moderna lusitana que não são produzidos em Portugal e muitos dos quais nem sequer temos tecnologia nacional para os fabricar? Reparai caros comunas que nada tenho contra as teorias que advogam a saída de Portugal do Euro, a sério; leio com atenção os modelos económicos teóricos do Prof. Ferreira do Amaral, os quais advogam que apenas saindo do Euro conseguiremos competitividade. O meu problema a saída do Euro ser defendida politicamente pelos mesmos que berram na rua "por mais salários" e "contra as políticas de empobrecimento".

@ao Anónimo 8 de dezembro de 2016 às 00:59
Não é uma questão de ser sovina ou poupadinho, é uma questão de o país ter contas públicas equilibradas. Mas rigor financeiro e esquerda são palavras que nunca rimaram, basta ver que Portugal nunca teve superavit desde 1974. E olhe que sou grande defensor e adepto do 25 de Abril.

Eu não tenho pruridos ideológicos, mas gosto de pessoas coerentes. E a esquerda está longe de o ser em matéria de moeda única.

Anónimo disse...

"Se considerarmos agora o problema geral das dívidas, vê-se que se está muito longo das descrições catastrofistas que foram feitas. A dívida pública, se for emitida em França é automaticamente redenominada em Franco. Ora, 97% da dívida pública francesa é em títulos do Tesouro emitido em França. A dívida das famílias e, também ela, muito amplamente emitida em França e não se alteraria. A dívida das empresas é composta em 33% por títulos emitidos sobre praças estrangeiras . Estes títulos seriam reavaliados (10% se forem emitidos em Dólares). Mas são empresas multinacionais que emitem estes títulos. Ora, uma sociedade que vende ao estrangeiro realiza sua facturação na moeda dos países onde ela venda. Isso significa que a facturação realizada na Alemanha será reavaliada também ela em 30%, aquela realizada nos Estados Unidos em 10% e assim por diante. A dívida dos bancos e sociedades financeiras é emitida em 40% em títulos estrangeiros, mas seu volume de negócios é – tal como para as empresas não financeiras – em grande medida realizado em países estrangeiros. O risco de dívida é assim muito fraco, ainda que seja preciso examinar com precisão o caso individual de certas sociedades financeiras ou de certas empresas".

No que se refere à poupança das famílias francesas, grande parte desta é constituída pelo imobiliário ou por produtos financeiros muito estáveis, como os seguros-vida. Estes produtos não experimentarão mudanças. A pequena parte da poupança que é constituída por acções poderia experimentar movimentos contraditórios. Uma saída do euro implicará durante algumas semanas uma baixa da bolsa. Depois, quando os mercados financeiros compreenderem as vantagens que a França extrairá desta nova situação, a bolsa recomeçará a aumentar fortemente. Foi o processo que se viu no Reino Unido após o êxito do referendo sobre o Brexit.

É aqui que na realidade se situa o principal problema que se apresentará, a prazo, a um governo francês. À medida que se compreender que uma saída do euro beneficia consideravelmente a economia francesa, os capitais internacionais virão investir-se em França. Se os investimentos directos, que criam emprego, são uma boa coisa, os investimentos puramente financeiros são maus. Eles provocam bolhas especulativas e uma reapreciação da moeda, que poderia apagar, ao fim de dois ou três anos, os benefícios (ou uma parte deles) de uma saída do euro. Será preciso portanto que o governo utilize os controles de capitais para impedir que estes capitais especulativos entrem em França. A introdução de um sistema de controle dos capitais é mesmo aconselhada pelo FMI . De facto, o risco principal que poderia descarrilar a economia francesa numa perspectiva de saída do euro é o de uma apreciação demasiado rápida do Franco, na sequência de manobras especulativas. Será preciso portanto precaver-se. "

Anónimo disse...

"Isso indica igualmente que o quadro das actividades financeiras não poderia permanecer inalterado no caso de uma saída do euro. De facto, esta saída implica mudanças importantes na estruturação e na organização das actividades financeiras, mas também das suas repercussões sobre as empresas. Estas mudanças seriam mais eficazes se fossem concertadas, se não no conjunto dos países da zona euro pelo menos numa parte deles, por exemplo entre a França, Itália, Espanha e Portugal. Ainda aqui, alguns dos nossos parceiros podem ter as mesmas visões que nós e outros não, como é o caso da Alemanha em relação aos Países Baixos. Através desta questão da cooperação redesenhar-se-á de facto uma outra Europa, uma Europa estruturada por projectos e não por constrangimentos ou regras como é o caso actualmente na União Europeia. E isto revela uma das apostas da uma saída do euro: conseguir criar uma outra Europa, que não seja mais uma Europa da financiarização e da austeridade mas uma Europa voltada para a livre cooperação das Nações soberanas pelo progresso social dos povos que a compõem. É para isso que a saída do euro é absolutamente capital para o devir tanto da França como da Itália, assim como os países que compõem a Europa em geral".

(Jacques Sapir)

João Pimentel Ferreira disse...

Esqueça caro José, aqui os camaradas só comem bananas da Madeira, maçãs de Alcobaça e laranjas do Algarve. A barba fazem à navalha, lava-se à roupa à mão como nos velhos tempos e sobe-se de escadas que elevadores são modernices.

Mais uma vez nada tenho contra teorias que advoguem a saída do Euro, tento é enaltecer um paradoxo evidente, pois tais políticas são defendidas pelos mesmos que constantemente berram contra as "políticas de empobrecimento". E a única vantagem económica do Escudo, é poder empobrecer toda a gente, sem que a malta dê por isso. E se virem as taxas de inflação indexadas ao cabaz de compras, verão que praticamente não tivemos inflação desde o Euro.

Anónimo disse...

Acho que chegou a hora de deixar de pensar que somos um país rico. Porque a maioria acha que a pobreza é episódica. Que vivemos em marcos (porque é disso que se trata). Deve haver uns 15% de ricos em Portugal. Esses poderiam emigrar, e nacionalizaríamos os bancos, e o dinheiro deles. "Pour une fois" seriam os ricos a emigrar, não os pobres. Os restantes 85% chegariam para repensar em outras bases este país. Talvez não fosse preciso voltar ao escudo. Poderíamos passar logo para coisas mais aventurosas. renda mínima, moeda digital, proibir os carros particulares, andar a pé, energia renovável... Afinal por que não podemos também ser "too big to fail"? Os bancos podem, mas o país não pode? Não teria ninguém para pagar? E é preciso? Por que razão não podemos além de ser um país do passado ser também o país do futuro? Só porque tem um milhão de idiotas que querem andar de Mercedes?, e têm problemas anais de possuir, possuir, possuir? Por que não podemos, pequenos como somos, ser um país de artistas para artistas? Não aguento mais esta gente querendo ser rica. Digam-lhes que isso não significa nada. Ninguém vive muito mais de 100 anos. Quanto vale um Pessoa, perto de um Passos, mesmo que as letras sejam quase as mesmas?

João Pimentel Ferreira disse...

Caro Anónimo de 8 DE DEZEMBRO DE 2016 ÀS 21:10

Pois bem, concordo com tudo o que disse, finalmente um comentário de esquerda interessante e coerente! Sim, de acordo com Freud, há uma correlação psicanalítica entre fezes e dinheiro; quem teve prazer na retenção anal em criança é por norma, de acordo com a psicanálise, uma pessoa sovina. E sim, porque não proibimos o carro particular, que é um cancro ambiental, ocupa espaço e apenas causa sinistralidade rodoviária infindável (eu habito na Holanda, muito mais rica, e aqui andamos quase todos de bicicleta). E sim, porque não trabalhamos todos menos horas por dia, para dedicarmos mais tempo à família e amigos (na Holanda é muito comum os pais com filhos menores trabalharem menos horas). E sim, porque não abdicamos da sociedade capitalista e consumista e não nos dedicamos mais à arte e aos prazeres realmente construtivos, e não aos hedonistas e primários que a sociedade de consumo e do prazer imediato nos imputa.

Mas para isso, é preciso haver cortes salariais. É preciso que haja estagnação económica. Estou farto desta lenga-lenga dos média de que temos de fazer o PIB crescer a todo custo como desígnio nacional para ficarmos todos mais ricos. Enfim meu caro, para que tudo o que disse seja realidade, são precisas políticas de austeridade.

Está a ver? Gosto de ideias de esquerda, por isso ando por aqui, mas gosto delas coerentes e não repletas de sofismas.

Anónimo disse...

Mais uma vez J.Pimentel faz uma cena.
A cena da fuga e do não assumir o que diz. Resolvendo fazer pilhéria apoiado no "caro jose" da ordem.

Alarvemente fala nas bananas e nas maças e nas laranjas naquele jeito de pedante de quem anda a gozar com o pagode. Ele agora come chucrute, partilhando a mesa, e não só, com o seu amigo Aónio. Ou "camarada" como ele gosta de precisar

Gosta da Alemanha e oferecem-lhe a possibilidade de comprar uma mansão. É ele que o diz. Fala em empobrecimento mas foi o seu camarada Passos que o defendeu. Repete tontamente um slogan sobre a "única vantagem do escudo " mas nem tem a capacidade cognitiva que por estes lados é preciso mais do que frases tontas debitadas como axiomas. Nada que fundamente o que diz para além dum disparatado "vejam que a inflação" em jeito tacanho de defesa do euro.

Valerá a pena lembrar-lhe duas coisas: Que é precisamente para evitar o empobrecimento e esta lenta agonia a que nos tentam condenar que é preciso sair do euro.
E que leia atentamente o que é dito aí em cima por alguns.

Anónimo disse...

Mas continuamos à espera do pedido formal de desculpas do J.Pimentel por colocar em dúvida a integridade dos outros.

Continuamos a aguardar uma justificação pela invocação do PCP, BE, o TC, Carvalho Rodrigues, a CGTP e os camaradas aqui da casa tentando assacar-lhes a responsabilidade daum governo do PS/PSD

Continuamos à espera do seu retratamento pela sua frase de propaganda ofensiva e abjecta em relação ao corte de pensões ou salários. Em 5% segundo diz.

Continuamos a aguardar que diga algo de substantivo, que prove o que diz e que cumpra o que anda a ameaçar.

Anónimo disse...

Mas há uma outra coisa que se torna patente

É a notória incapacidade de J.Pimentel para argumentar sobre o que quer que seja sem recorrer às trivialidades do fala-barato.

Ei-lo a perorar sobre as maçãs e as bananas,as máquinas de lavar roupa, os aspiradores os secadores de cabelo,as aáquinas de barbear, os elevadores, escadas rolantes, maquinaria, tecnologia, e todos esses "luxos" qual vero pequeno-burguês a precisar de manter o penteado ( não se sabe o que será isso do pos-moderno lusitano, mas enfim. A pedantice enrola-se nas palavras destes tipos).

É a catástrofe.

Mas depois já não é a catástrofe. O problema é outro. Ele risca agora as maçãs e as bananas,as máquinas de lavar roupa, os aspiradores os secadores de cabelo,as aáquinas de barbear, os elevadores, escadas rolantes, maquinaria, tecnologia, e todos esses "luxos" de pequeno burguês com penteado.
O problema dele é a "saída do Euro ser defendida politicamente pelos mesmos que berram na rua "por mais salários" e "contra as políticas de empobrecimento".

"Berram na rua por mais salários" ...eis como se revela que por detrás dum fala barato está alguém mais sinistro. Isto de "berrar" fica mal. E por mais salários? Quem lhes dá esse direito?

E ainda mais contra políticas de empobrecimento? O único que tem carta branca para o fazer é Passos Coelho, não é mesmo J Pimentel?
Não foi este tipo que de forma néscia afirmava de forma gozona que "cortar nominalmente pensões ou salários em 5% é um crime lesa-pátria."?

Eis a face que se vai revelando dos verdadeiros objectivos e do que persegue este pobre coitado.

Anónimo disse...

Infelizmente há outros dados que mostram que estamos no reino do fogo-fátuo e da mediocridade de J Pimentel

"rigor financeiro e esquerda são palavras que nunca rimaram"....pois não. Nem vão rimar. A menos que mudem o significado de rimar

"basta ver que Portugal nunca teve superavit desde 1974. ...esta faz lembrar a defesa de alguns regimes fascistas. Que tal falar em exploração, em quem é explorado e em quem explora?

"E olhe que sou grande defensor e adepto do 25 de Abril" .....pois claro que é um grande defensor.Mas o que tem a esquerda genericamente falando com toda a governação pós-25 de Abril? Isto é apenas ignorância ou é manipulação rasteira e pateta?

"eu não tenho pruridos ideológicos"...ora se os tivesse.

"é uma questão de o país ter contas públicas equilibradas"....à boa maneira salazarista? Com o atraso exconómico e social? Com a repressão e a guerra? Mas então e o saque às contas públicas pelo Swaps e PPP? Pela dívida privada que se converteu em pública? Pelos DDT e pelos banqueiros? Pelos juros de agiotas e usurários? E as cosnequências da integração na UE e no Euro? E a transferência da riqueza da periferia parao centro?

"gosto de pessoas coerentes. E a esquerda está longe de o ser em matéria de moeda única".....
Infelizmente para este Pimentel o que João Rodrigues diz neste post é precisamente o contrário. (pelo menos no que diz respeito a uma parte da esquerda). E prova-o.

Ficamos à espera que J Pimentel prove então o que afirma. A falta de coerência em relação ao euro. E não vale tentar esconder-se atrás do seu rancor a quem reivindica por mais salários ou a quem defende o fim do empobrecimento. Falácias desta qualidade só são engolidas por débeis mentais. Talvez resida aqui o busílis. Pimentel pensará que está num desses blogs assim retratados e que costuma frequentar.


A.R.A revolução disse...

Ferreira

Aquando da adesão, este é o melhor exemplo de torpe retórica que insiste:
- antes uma bica custava 50 escudos passando para 50 centimos. Pode explicar?

Eu não sou eurocéptico, sou é céptico perante o nosso valor da divida; perante o que abdicámos para nos tornarmos membros de pleno direito, aliás, isto foi o que disseram alguns que estiveram nas negociações da entrada ao jornal i :
(...) Joaquim Ferreira do Amaral, então ministro do Comércio. “Estive presente na assinatura. E lembro-me também da dificuldade das negociações. No último momento, tinha-se embrulhado tudo, porque havia algumas questões que o PSD, já com Cavaco Silva na liderança, questionou e foi preciso rever” (...) “Hoje acho que as negociações acabaram por não ser tão úteis como se julgava. As regras comunitárias eram para nós quase desconhecidas. E a questão da agricultura era muito complexa, todo o regime europeu não tinha nada a ver com o nosso (...) “As negociações na agricultura prolongavam-se pela noite dentro, todos os ministros tinham camas ou sofás-cama nas delegações. Um dia, o Frans Andriessen veio ter comigo e eu perguntei ao Álvaro porque é que ele estava a ter aquela posição. Respondeu-me que queira mais quotas para as vacas dos Açores e para o cabrito maltês. O Frans cedeu, mas ao fim de umas horas voltou pela mesma razão”. Deus Pinheiro ligou de novo a Álvaro Barreto, que se justificou: “eles deram-nos aquilo com demasiada facilidade, certamente podem dar mais”.

A ex-eurodeputada comunista Ilda Figueiredo prefere pôr a tónica no que não nos foi dado. “Hoje, passados 30 anos, somos levados a concluir que não havia pacote financeiro que cobrisse toda a destruição da agricultura, das pescas e da indústria que originou a entrada de Portugal na CEE”, defende.

in jornal i 12/06/2015

A "facilidade" com que fomos admitidos vê-se no presente com a "dificuldade" que temos tido para nos mantermos pessoas de bem a honrar os nossos compromissos. Fomos e somos a galinha (e não o PIG) dos países de 1ª linha da UE e com a irredutível posição da Alemanha em tornar o euro mais barato (como fez, por ex., os EUA) em plena crise económica, a galinha só não passou a frango porque seria "bad business" para o "establishment" europeu e assim o garrote apertou ainda mais para que os ovos continuassem a sair mesmo com a galinha ligada a maquina.

Portanto, Ferreira, seja sério e deixe-se de se armar em "Pedro" porque o "Lobo" já veio ...

Anónimo disse...

Pimentel:

Ao menos um pingo de coerência. Um só.

Diz a páginas tantas Pimentel:"é preciso haver cortes salariais. É preciso que haja estagnação económica.Políticas de austeridade"

Dizia pouco antes o mesmo Pimentel"A esquerda a mostrar ao que verdadeiramente vem: empobrecer toda a gente com a desvalorização cambial e assim tornar Portugal mais competitivo"


Berrava Pimentel: "A esquerda não é coerente etc e tal.
Pimentel : sabe o que vossemecê é, não sabe?
Também isso , mas ainda mais do que isso

Anónimo disse...

Abdicamos da sociedade capitalista e comunista?

Mas que sociedade comunista? Sabe o senhor o que isso é?
Fala em que etapa do comunismo?

Sabe o que isso é não sabe?

Anónimo disse...


"Porque não abdicamos dos aspiradores, dos secadores de cabelo,das máquinas de barbear, dos elevadores, das escadas rolantes, da maquinaria, tecnologia, e todos esses "luxos"?

E porque não erigimos como ciência estas patacoadas.
"Sim, de acordo com Freud, há uma correlação psicanalítica entre fezes e dinheiro; quem teve prazer na retenção anal em criança é por norma, de acordo com a psicanálise, uma pessoa sovina"

Deixe-se de tretas. O senhor é mesmo isso

A.R.A revolução disse...

Esclarecimento de interesses

Eu não sou nem nunca fui eurocéptico, sou e sempre fui, isso sim, critico no modo em como entrámos.

O projecto europeu como ideia base, em estreito internacionalismo entre estados, foi um ideal esbanjado por uma maioria de esquerda social-democrata ébria com o mercantilismo expansionista intra e supra europeu que se deixou, facilmente seduzir pela "cenoura" coorperativa do capital e tanto perseguiu a "cenoura" que se esqueceu do caminho de volta optando então por uma Terceira Via. Caiu no logro e no presente esforça-se por se reencontrar por entre os escombros do tsunami do neoliberalismo popular de uma direita europeia que soube esperar o seu momento alavancada pelos mercados financeiros e suportada por bolsas de investidores que põem e dispõem dos destinos da Europa.

Afinal, no fundo, a verdadeira intenção dos pensadores do projecto europeu foi apenas e só o de juntar o rebanho para o melhor conduzir, prometendo erva fresca aos tresmalhados, para a seguir os tosquiar a seu belo prazer. E é nisto que reside a minha critica, e é por isso que, embora também faça parte do rebanho, me recuse balir em concordância com os mandos do pastor.

Urge pensar em renegociar a divida para valores suportáveis para que haja crescimento de uma economia há tempo demais subsidio-dependente e é imperativo criar mecanismos de salvaguarda para uma possível saída (a bem ou a mal) sem estarmos devidamente preparados apostando no costumeiro desenrasca lusitano. Ou seja (...) talvez seja tempo de olhar para a reflexão colectiva aí produzida sobre esta e outras questões sem preconceitos, (...) não poderia estar mais de acordo João.

Anónimo disse...

Nem no anunciado desamparar da loja o trafulha do Pimentel é honesto. Diz que vai e volta, sempre com a pesporrência de ódio e com a desonestidade intelectual das falácias paridas por barrosos, arnauts, morais sarmentos, dinises, fernandes, ramos, parasitas de um povo e de um país.

Anónimo disse...

A banalização da mentira
Salta a´ vista desarmada que alguns dos utilizadores deste Blog LdB´s mentem quando dizem defender a sua dama ou atacam a dama dos outros. Não respeitam, ate´ maltratam, os outros, adversários ?, desrespeitando-se a si próprios.
Bem sabemos que a verdade se torna «ofensiva» no reino da barafunda, mas que diacho, para que mentir tanto?
Todos sabemos que há os contra e os a favor da U.E. NATO.
Pessoalmente, estou contra, sou «comunista» a´ minha maneira, e constato que uma grande maioria de «não comunistas» muitos mas muitos, também eles estão contra a U.E. NATO.
Assim, numa ética apontada a´ veracidade da argumentação, esta coisa da «verdade» deveria ser tema a considerar. De Adelino Silva

Jose disse...

Pimentel,
Devo adverti-lo que por estas partes aparece o Cuco.
É preciso saber localiza-lo por entre a teia de anónimos que poe aqui pululam.
Nem sempre é fácil porque nem sempre se apresenta no seu pleno esplendor inconsequente.

Mas se menos que argumentos obtiver invectivas, ou se se vir citado para a seguir ser desqualificado sem mais... É ele!

Anónimo disse...

Ahahah.

Boa essa do cuco. Ainda tem pesadelos?

Deixe-se de pieguices senão o boss puxa-lhe as orelhas. Como aconteceu ao Boris lá no Reino Unido.

Anónimo disse...

João Pimentel Ferreira já nos deu a fórmula miraculosa: baixar salários. Pois bem, há que dar o exemplo e, como dizem os outros, "pôr a boca onde se pôs a mão": chegue-se à frente, homem, chegue-se à frente, e comece pelo seu salário... Vai ver que, quando atingir o nível da barreira inferior ao salário mínimo nacional, aí é que o meu amigo vai verdadeiramente começar a dar o seu contributo "competitivo" ao económico progresso do país. Se a miséria é índice de desenvolvimento, só quando chegarmos ao nível do Bangladesh é que seremos verdadeiramente ricos... Trabalhemos, com alegria e com afinco, até lá chegarmos...
O que interessa é não sair do Euro e entrar de cabeça na espiral descendente do empobrecimento, não é? Desde que sejam os outros a empobrecer e desde que nós possamos lucrar muitíssimo com a miséria dos nossos concidadãos, claro está.
Responda-me, meu genial interlocutor, a uma simples pergunta: sendo que nós exportamos cortiça e importamos a esmagadora maioria da tecnologia necessária ao funcionamento da vida atual, quantas toneladas de cortiça são necessárias para comprar - em euros, nos mesmos euros em que vendemos a cortiça (e para esta há cada vez mais sucedâneos, diga-se) - um computador, uma máquina de lavar, uma empilhadora, um trator agrícola, um motor naval, um automóvel?
Por fim, é o meu amigo um grande defensor e "adepto" do 25 de Abril de 1974? Os meus sinceros parabéns, mas permita-me a ousadia de lhe dizer que aprecia o senhor (o que, convenhamos, não é a mesma coisa que amar) coisa que não conhece devidamente, pois todo o seu discurso vai contra um dos "D`s" bem no cerne desse golpe de Estado de cariz revolucionário - o de "Desenvolver".

Anónimo disse...

Uma pouca vergonha é o que isto é, não é, Herr José? Como eu entendo os seus tão impotentes quanto excruciantes avisos à navegação: fossem os tempos mais asseados (Ó meu Santinho de Santa Comba, que falta cá nos fazes!) e já o "Cuco" estaria a macerar os costados no Aljube ou em Peniche...

João Pimentel Ferreira disse...

"O problema dele é a "saída do Euro ser defendida politicamente pelos mesmos que berram na rua "por mais salários" e "contra as políticas de empobrecimento"".

Exatamente, ainda ninguém me explicou a diferença entre cortar rendimentos nominalmente, como fez a direita para equilibrar as contas públicas, ou por via da inflação, como faria certamente a esquerda se tivesse o Escudo à sua disposição. O resultado prático para os funcionários públicos e pensionistas é o mesmo: perda de poder de compra. Mas enquanto pela via nominal corta-se rendimentos apenas nos que recebem do estado, pela via da inflação perde rendimento e património toda a gente, incluindo os aforradores e os assalariados do setor privado. Em 1984 por exemplo a inflação foi de 30%, e desde que entrámos no Euro praticamente não tivemos inflação (ao anónimo do preço da bica, deixe-se de empirismos saloios e vede dados do Pordata que reportam aos dados do INE sobre inflação indexada ao cabaz de compras, ou seja, índice de preços ao consumidor).

A sério, querem que vos enumere estados que têm moeda própria e controlam as taxas de juros, e que estão na miséria económica e com indicadores de qualidade de vida bem piores que nós? O Euro trouxe problemas? Trouxe, exatamente porque nunca tivemos tino nas contas públicas, empresariais e particulares, e com o crédito barato a que o país teve acesso desde a entrada no Euro, estado, particulares e empresas endividaram-se de forma nunca antes vista.

Venha a renegociação da dívida, até porque os agiotas já ganharam demasiado com o país, mas a mim ninguém me garante que perante uma dívida novamente de 50% do PIB, o país não faria exatamente os mesmos erros de compra de votos com dívida. A classe política é a mesma e o populismo está-lhes no sangue. Ou seja, suster o estado social com dívida é incomportável e foi exatamente o que fizemos desde a entrada no Euro. Os agiotas agradecem pela compra de votos dos partidos de esquerda.

A minha teoria confirma-se: a esquerda perdulária é a melhor amiga dos agiotas e dos biltres da Goldman Sachs.

O Euro é uma ferramenta poderosa, mas como qualquer ferramenta poderosa precisa de ser usada com moderação, prudência e conhecimento. Saibamos usá-la.

A.R.A revolução disse...

Anónimo comentario da 15:30

Não sei se o tema da "verdade" a mim me foi dirigido mas senti o toque o suficiente para lhe partilhar o seguinte:
- Também eu sou comunista "à Minha maneira" mui sui generis segundo os parâmetros do próprio partido de minha eleição, do que mais se assemelha à Minha verdade, e fico sempre amofinado com alguém que se ponha em bicos de pés a sugerir que seja mentiroso e desafio-o, se foi o caso, a apontar algo concreto ao invés de subjectivas larachas.
Mais, não acho de todo incoerente que exista quem ouse pensar em mudar o rumo socio-economico de uma U.E ao mesmo tempo que abomina a NATO e as suas incursões mercenárias.
« Não é do ponto de vista do «meu» país que devo raciocinar (porque esse é o raciocínio de um estúpido miserável, dum filisteu nacionalista, que não compreende que é um joguete nas mãos da burguesia imperialista), mas do ponto de vista da minha parlonguetistaticipação na preparação, na propaganda, na aproximação da revolução proletária mundial.

Eis o que é o internacionalismo, eis qual a tarefa do internacionalista, do operário revolucionário, do verdadeiro socialista.»

Quem ainda não compreendeu o que acima descrevi com a ajuda de Karl Marx, não consegue conceber uma verdadeira revolução de classes, insistindo num sentimento demasiado kautskista para um vislumbre de veracidade na sua retórica. O Marxismo-Leininismo e, pasmem-se os puristas, o Trotskismo, continuam tão assustadoramente actuais que só mesmo os "donos da verdade" não conseguem conceber o coloquial das suas ideias. Este governo actual sempre foi uma miragem ou até uma suposição anedótica no passado mas ... existe e, como tão exemplarmente o PC têm demonstrado, mantê-lo com sucesso será o maior acto propagandista de uma Esquerda que muitos pensavam ou queriam enterrada e, quiça, inspiradora para uma Europa sedenta de um novo rumo que não o do populismo revivalista reaccionário.








Anónimo disse...

Tenha o excelentíssimo João Ferreira Pimentel a fineza de usar da mesma honestidade que advoga para os outros e responda diretamente à simples questão que lhe coloquei, certo?
Quanto ao "tino nas contas", não vejo como a entrada no Euro terá sido uma ajuda à racionalidade económica quando essa entrada nos fez pagar pelo dobro aquilo que antes pagávamos pela metade e aumentou o preço daquilo (pouco) que exportávamos para o dobro. Resultado da coisa: desvalorização real dos salários em metade e completa irrelevância concorrencial das nossas exportações.
Quanto ao empobrecimento como ferramenta de "alavancagem" do crescimento económico, essa experiência já foi feita: nos têxteis sempre se pagaram salários de miséria. Onde está a indústria têxtil portuguesa?
Vossa Excelência, meu caríssimo JFP, pensa, talvez por viver na abastada Holanda, que nós competimos no campeonato dos grandes, mas engana-se, porque nós competimos é no campeonato dos pequeninos, e nem aí vamos a lugar algum: um país de 10 milhões de habitantes não compete com monstros demográficos baseando-se na mão-de-obra barata e em produtos de tecnologia da treta. Se o senhor ainda não entendeu isso, nada entendeu.

Unabomber disse...

Para os mais novos e para os que têm fraca memória:

"Recorde-se que nas duas intervenções anteriores do FMI, em que se teve também de DESVALORIZAR muito o ESCUDO para aumentar a competitividade das exportações portuguesas, e assim aumentar as exportações, foram os períodos em que os trabalhadores e pensionistas perderam mais poder de compra.
Entre 1977 e 1979, 1º período de intervenção do FMI, os preços aumentaram 93%, o salário mínimo subiu 87% e a pensão média da Segurança Social aumentou a
penas 58%.
Entre 1982 e 1984, período de 2ª intervenção do FMI, os preços subiram 98%, o salario mínimo nacional aumentou 54%, e a pensão média da Segurança Social subiu 71%.
Nestes dois períodos, a PERDA de poder de compra acumulada do SMN foi de 27%!!! e da pensão média de 29%!!!!!.
Foi também nestes dois períodos em que a parte dos salários no PIB mais desceu: 1º período: - 13,1% (queda de 6,7 pontos percentuais); 2º período: - 16,9% (redução de 7,4 pontos percentuais).
E tenha-se presente que não se teve de fazer desvalorizações da moeda de 30%".

De Eugénio Rosa

Anónimo disse...

«A.R.A.» Não se amofine homem porque o barrete e´ para quem o servir. Nem mais. Sucede que a «verdade» não e´ propriedade de ninguém, ela simplesmente faz parte de um léxico, como se diz agora, de “imparidades” difíceis de engolir. Muito bem, sentiu-se, aqui na Moita, a minha terra, onde quem não cava já cavou e quem não pesca já pescou, costumamos dizer que «Quem não se sente não e´ filho de boa gente». Já agora sabe o que a sigla ARA representou nos idos de 60 do seculo passado? Desculpe qualquer coisinha…de Adelino Silva

Anónimo disse...

Pimentel.

Por favor. A cada cavadela sai uma minhoca.
Você, peço desculpa pelo termo, é um aldrabão, um vendedor de banha-da-cobra. Mas ainda por cima é intelectualmente desonesto. E mente. Com todas as letras.

Esta afirmação espantosa:"ainda ninguém me explicou a diferença entre cortar rendimentos nominalmente, como fez a direita para equilibrar as contas públicas, ou por via da inflação, como faria certamente a esquerda..."
Demonstra que nunca leu João Ferreira do Amaral. Dmonstra que não sabe o que diz. Demonstra que nem sequer leu o que aqui já se disse, nomeadamenre Sapir. Preto no branco. Não lê, não quer ler, ou não sabe ler.
É que a resposta a tão angustiante pergunta está escarrapachada. Aqui mesmo.

Começa com entradas de leão e depois...saída de sendeiro

Anónimo disse...

Infelizmente o seu comentário, os seus comentários, denotam uma outra coisa. Uma ignorância total da realidade.

Chama à discussão como argumento os funcionários públicos e pensionistas. Quer justificar aquelas intoleráveis, sebentas e nojentas palavras do Aónio que afinal são as suas próprias. Ignora que estamos aqui a falar de economia política. Que o problema é muito mais vasto. E que quem utiliza os "acomodados do costume" está a servir-se do mesmo raciocínio que os nazis usavam face aos judeus e aos comunistas (e que depois como se sabe aampliaram aos demais..

Anónimo disse...

A sua afirmação de "cortar rendimentos nominalmente, como fez a direita para equilibrar as contas públicas" revela outra coisa. O seu compromisso com tal política. Mas mais. Como num jogo de espelhos tenta-nos fazer passar a velha ideia que tudo o que sofremos às mãos da quadrilha neoliberal/troikista teve como objectivo o "equilíbrio das contas publicas".

Apaga desta forma manhosa o que esteve por detrás de tudo isto. O aumento da concentração da riqueza e o fazer pagar a factura da actual crise aos que trabalham. O aumento das taxas de lucro e o salvar o couro dos responsáveis pela condição presente. A fidelidade aos grandes interesses económicos e o ferrete para os que sofreram e sofrem na pele o resultado da actuação de tais interesses.

E "esquece" que o que se pretendeu foi também outra coisa. O "reequilibrio das coisas" precisamente para o lado do Capital, contra as forças do Trabalho. Aproveitando a maré para a vingança face a tudo o que se conquistou em Abril.

Anónimo disse...

Infelizmente há mais.

As patetices cor-de-rosa pintadas em torno do euro, o ideário cúmplice sobre a governação de direita para "equilibar as contas públicas" vão infelizmente desembocar na realidade.

E a realidade é o resultado da governação de Passos e Portas, com a troika, mais longe do que a troika como proclamavam os arautos dos tempos novos. O resultado foi o que se viu. Miséria. Sob os vários aspectos a considerar. Até na redução da dívida. Com um enorme agravante. O custo e o retrocesso social. A todos os níveis.

E aqui um intervalo para ver se vai ler, reler ou matutar sobre o que diz um anónimo aí a 9 de dezembro de 2016 às 22:55.

A insensibilidade desta gente está espelhada em comentários como "compra de mansões" e outras tretas. Qualquer alemão de origem a defender o direito à sua taxa de lucro nao desdenharia usar tal argumentação.

Anónimo disse...

Pelo que se pede ao Sr Pimentel que se "deixe de empirismos saloios". Deixe de dizer tretas sobre o euro. Deixe de apatetadas frases tiradas do jornal económico. Veja se eleva um pouco o nível para não termos que responder à letra perante coisas absurdas como a de dizer que quem lhe garante a si que perante uma dívida novamente de 50% do PIB...

Não percebeu que a questão não está no que lhe garantem a si, nos seus pedidos de garantia, nas suas pseudo-angustias de garantias?

Ninguém lhe garante nem o sr diz qualquer coisa que sustente tais garantias, para além duma tentativa tonta de desviar o que se debate,por exemplo a renegoviação da dívida ou a situação face ao euro. Mais adiante fala em usar o euro como ferramenta poderosa que precisa de ser usada com "moderação, prudência e conhecimento'
Mas quem lhe "garante a si" tal uso se a classe política é a mesma e o populismo está-lhes no sangue" segundo as suas próprias palavras?

Anónimo disse...

O seu objectivo é colocar em causa o Estado Social, acusando-o que é a causa dos descontrolo das contas. O seu objectivo é esconder que para lá do estado social há o problema de quem produz a riqueza, como se distribui esta, quem se apropria desta e quem é expoliado desta.

O seu objectivo é acusar a esquerda de ser "perdulária" "esquecendo" que a direita não o é de facto para os que trabalham mas que é quantas vezes mais perdulária para os interesses que serve e que defende. Já lhe atiraram à cara os factos que você escamoteia, mas que como factos são mais fortes do que as suas fugas: o saque às contas públicas pelo Swaps e PPP? Pela dívida privada que se converteu em pública? Pelos DDT e pelos banqueiros? Pelos juros de agiotas e usurários? E as consequências da integração na UE e no Euro? E a transferência da riqueza da periferia para o centro? E os perdões fiscais às grandes empresas? E o aumneto da pobreza para a maioria enquanto uns tantos se tornam a cada dia que passa mais ricos?

A teoria que se confirma não é a teoria enunciada por Pimentel sobre os amigos dos agiotas e dos biltres. A teoria que se confirma é outra coisa que por decência se não expressa com todas as letras. Mas que vai ainda mais além do que já foi aqui claramente enunciado sobre este tipo.

Anónimo disse...

E pare de fazer cenas com a sua ameaça de enumerar estados que têm moeda própria e controlam as taxas de juros e patati-patata.

Pare de tentar dizer banalidades aflitivas como prova de algo ou como argumento do que quer que seja.

Um idiota de nickname Aónio Eliphis , com quem partilha variadíssimas coisas ( e não as vou explicitar por serem por demais grosseiro) apontava aqui, falando em nome da glória da Alemanha, do Euro e das mansões com que salivava, o exemplo da Albânia.

Foi de tal forma infeliz ( aqui não medram os exemplos dos blogs manhosos) que levou uma corrida e sumiu do mapa

João Pimentel Ferreira disse...

Mais uma vez rogo para que vejais as taxas de inflação indexadas ao índice de consumidor (cabaz de compras) e para que atenteis ao facto de que praticamente não tivemos inflação desde 2002, ao contrário do período anterior. Achegada da troika e dos agiotas deveu-se ao facto de durante anos termos pago estado social com dívida pública.

Anónimo disse...

Olha quem é. O Unabomber.Aquele que escolhe os melhores bocados, rasura outros e censura os seus autores.
Não me lembro bem mas há por ai debates em que se consegue ver o estilo e os argumentos.
Nao há ninguém que recupere os textos, enquanto temos que sturar este paternalismo sobre os mais novos destes porventura idosos com problemas de verticalidade?

João Pimentel Ferreira disse...

a capacidade que certos anónimos têm para tecer críticas exclusivamente ad hominem deixa-me perplexo.

João Pimentel Ferreira disse...

caro anónimo de 10 de dezembro de 2016 às 11:42
Eu não respondo diretamente a questões pois já não sei com qual anónimo estou a debater. Não deixa de ser pouco ético eu ser o único que se identifica no debate.

Nunca defendi uma econonia baseada em baixos salários exatamente pelos motivos que menciona, ou seja, jamais conseguiremos competir nessa base com os países asiáticos. Mas é exatamente essa mais valia que o escudo nos dá ao aumentar a competitividade das exportações portuguesas pela via da desvalorização cambial que na prática significa perda de poder de compra para um grande leque de produtos.

Mais uma vez reitero que não sou fervoroso opositor ao escudo, apenas reitero que o escudo permite de facto tornar o país mais competitivo pela via da desvalorização externa que na prática de forma lata significa políticas de empobrecimiento.

Unabomber disse...

Que parte do texto de Eugénio Rosa o amigo super-anónimo, controleiro da caixa de comentários do "Ladrões de Bicicletas", não gosta?:

"Recorde-se que nas duas intervenções anteriores do FMI, em que se teve também de DESVALORIZAR muito o ESCUDO para aumentar a competitividade das exportações portuguesas, e assim aumentar as exportações, foram os períodos em que os trabalhadores e pensionistas perderam mais poder de compra.
Entre 1977 e 1979, 1º período de intervenção do FMI, os preços aumentaram 93%, o salário mínimo subiu 87% e a pensão média da Segurança Social aumentou a
penas 58%.
Entre 1982 e 1984, período de 2ª intervenção do FMI, os preços subiram 98%, o salario mínimo nacional aumentou 54%, e a pensão média da Segurança Social subiu 71%.
Nestes dois períodos, a PERDA de poder de compra acumulada do SMN foi de 27%!!! e da pensão média de 29%!!!!!.
Foi também nestes dois períodos em que a parte dos salários no PIB mais desceu: 1º período: - 13,1% (queda de 6,7 pontos percentuais); 2º período: - 16,9% (redução de 7,4 pontos percentuais).
E tenha-se presente que não se teve de fazer desvalorizações da moeda de 30%".
.....
Será o Eugénio Rosa o "idoso com problemas de verticalidade" a que se refere o controleiro super-anónimo?

Unabomber disse...

Diz o amigo João P. Ferreira:
"A chegada da troika e dos agiotas deveu-se ao facto de durante anos termos pago estado social com divida pública"

Para quem assim pensa chamo a atenção para a situação do Japão: apesar de ter uma divida publica bruta superior a 200% (maior que a Grega)está muito longe de ser considerado um país falido.

Anónimo disse...

Ahahah.

É mesmo o Unabomber. Agastado e com problemas de compreensão. E a repetir o que já disse, um seu velho estratagema copiado das alcoviteiras para impedir o debate.

E como é necessário , vamos repetir de frente e de caras:"Unabomber, aquele que escolhe os melhores bocados, rasura outros e censura os seus autores"

Por ai estão os textos que o comprovam. Lembra-se da visita a Angola que atabalhoadamente fez?

Nao há ninguém que recupere os textos, enquanto temos que aturar este paternalismo sobre os mais novos destes porventura idosos com problemas de verticalidade. E que recupere o que Eugénio Rosa disse que colocaram o Uanbomber à beira dum ataque de nesvos miudinhos?

Unabomber se não percebeu eu digo-lhe de caras e de frente. O paternalista que assim se dirige aos mais novos é o Unambomber. O porventura idoso é o Unabomber.Os problemas de verticalidade tem o Unabomber.

Como se demonstrará mais tarde ou mais cedo
Certo Unabomber?

A.R.A revolução disse...

Anónimo comentario das 12:17

«Desculpe qualquer coisinha ...???????????????»

- Com todo o respeito, badamerda!

Não vou alimentar tricas fraticidas mas também não sou homem de deixar comida no prato ou tão pouco de deixar o prato a meio (coisas que ficaram de tempos idos) e, assim sendo, espero que saiba com quem fala, como fala e do que fala. Já tive vários camaradas que, sem me conhecerem, caíram na triste tentação de opinar acerca das minhas reflexões ao estilo de "conselho" e eu a esses sempre lhes disse que se alguma vez pedisse um que seja pediria logo o maior concelho de todos, Odemira. Portanto, por muito que preze os seus escritos, fique sabendo que não é só na Moita que existe filhos de boa gente. Disse.

Quanto à sua questão acerca da sigla que uso (A.R.A), mais uma vez, com todo o respeito, badamerda e apenas partilho que deveria ter sido criada 20 anos antes com acções mais incisivas e menos romanticas em que a escolha dos operacionais deveria ter sido mais selectiva. Disse e ponto final nesta conversa da treta.

A.R.A revolução disse...

João Pimentel Ferreira ás 20:58

Visto que não é um "fervoroso" opositor do escudo, certamente, já se devia ter dado conta da incoerência da sua retórica de visões Dantescas de uma possível saída pois nunca em seus escritos eu li algo em que tivesse respondido às seguintes questões:
- Isto de uma moeda forte que não se pode desvalorizar, interessa a quem?
- E abolição de fronteiras e tarifas aduaneiras interessa a quem?

A Portugal não é certamente.

A única continuidade que se antevê nas sucessivas revisões dos tratados, referendos e bitaites "economicistas" a la Schauble é a defesa dos interesses dos países economicamente dominantes para suporte das suas moedas ( sim, o Euro é Moeda deles, que não tenha qualquer dúvida) portanto, mesmo sabendo que seria desastroso a saída tal nunca seria mensurável com o tenebroso definhar da nossa economia como consequência da nossa permanência na UE.

Preparar um plano de saída e debate-lo sem demagogias é de interesse nacional e não uma arma de arremesso partidário ou politiqueiro, assim como se deve acabar no imediato com o "tabu" criado à volta da renegociação da divida e sentar-mo-nos à mesa com quem de direito para que esta se torne uma realidade no imediato ou em breve teremos um novo resgate com um maior agravamento da divida, seguido de mais austeridade e mais divida pois só em juros o povo terá que, a certa altura, largar da mão de 70% do seu ordenado para que esta seja paga e ... entraremos numa espiral suicida envolta em fúteis discussões entre os "bons alunos" e os que já não aguentam mais.

Percebeu? Ah! e quanto aos nicknames, meu caro, se acha que é a sua foto e o nome que partilha que é o garante que também o próprio não seja mais um anónimo, está muito enganado! Venho aqui para falar de politica não para falar no facebook que, aliás, não tenho e abomino a sua criação.






















Anónimo disse...

"A chegada da troika e dos agiotas deveu-se ao facto de durante anos termos pago estado social com dívida pública."

Andámos?

Mas quem andou?

E a chegada da troika deu-se por geração espontânea?

Como é possivel esta desculpabilização da chegada da troika?
Como é possivel este ódio ao Estado social para lhe assacar a responsabilidade pela crise?

Anónimo disse...

(A que propósito vem esta afirmação espantosa?

"Não deixa de ser pouco ético eu ser o único que se identifica no debate"
^
Porquê ético? Porque motivo as regras do jogo são pouco éticas? E se são pouco éticas porque motivo se joga este jogo?

E muito menos ético não será a encenação do Aónio Eliphis a aparecer como personagem trauliteiro do próprio Pimentel? Embora neste caso de forma anónima pela qual afirma ser pouco ético?

Pimentel é mesmo você que fala em ética?)

Anónimo disse...

Caríssimo João Pimentel Ferreira: antes de mais, obrigado pela sua resposta. Se comigo basicamente concorda, convirá, certamente, que o apego ao Euro não nos trará um mero "empobrecimento" momentâneo, mas sim uma penúria (melhor dizendo, uma miséria) permanente. O Euro foi feito à medida da Alemanha - à medida da sua capacidade industrial e à medida das suas exportações. Quanto às importações alemãs, convenhamos que, à excepção do gosto desmesurado dos germânicos por tudo o que é fruta tropical, elas não são coisa por aí além.
Assim sendo, que coisa tem a ver o economicamente raquítico Portugal - exportador de produtos de baixo valor acrescentado e importador de tudo o que é tecnologia e maquinaria - com a economicamente portentosa Alemanha para com ela partilhar uma moeda sobrevalorizada como é o caso do Euro? Prefere o permanente subdesenvolvimento económico e o paulatino (mas seguro e, finalmente, quase geral) alastrar da miséria a um reajustamento monetário que ninguém esconde que será, inicialmente, duro, mas que poderá, a médio e a longo prazo, trazer-nos benefícios competitivos e um maior retorno económico? Esclareça-me, por favor.
Quanto às questões "éticas", meu prezado João Ferreira, o senhor lá terá as suas razões para se apresentar com nome e foto e eu terei as minhas razões para o não fazer. Debatamos as ideias provando inteligentemente a sua validade e a sua honestidade e não nomes próprios e de família ou aspectos físicos, de acordo? Saudações.

Anónimo disse...

Entradas de leão , saídas de sendeiro:

"A esquerda a mostrar ao que verdadeiramente vem: empobrecer toda a gente..."
Não.Quem quer empobrecer (quase )toda a gente é mesmo Pimentel. E Passos Coelho. Dixit

"Cortar nominalmente pensões ou salários em 5% é um crime lesa-pátria"
5 % ? Em que contas? É mesmo um crime de lesa-pátria. Menos para os alemães e congéneres que se apropriam do que é roubado

"não preocupa a PCP, BE, o TC, Carvalho Rodrigues, a CGTP e nenhum dos camaradas aqui da casa;"
O TC constitucional metido ao barulho? Isto está deslocado. Só no tempo do pior passismo.

" desisto de ler este blogue pois atingiu o cúmulo da demagogia e populismo e quando perco tempo em algo gosto que seja construtivo"
O algo construtivo é mesmo o quê? Dizer isto?.
"Maldito Euro, dá poder de compra à malta e e malta desgraça-se na Worten e e nos stands de automóveis".
Quem dá poder de compra é o euro? E a culpa é da malta que vai à worten? Mas diacho a crise agudizada em 2008 não teve nada a ver com isto?Nem o DDT? Nem o BPN? Nem o BPP? Nem as PPP? Nem os Swaps?
Foi a malvada da malta e a worten?

"esta notícia não será mencionada aqui na casa, certo?"
É você que fala de ética? E de ataque ad hominem?

"leio com atenção os modelos económicos teóricos do Prof. Ferreira do Amaral,"~
Por isso quando afirma que "Exatamente, ainda ninguém me explicou a diferença entre cortar rendimentos nominalmente, como fez a direita para equilibrar as contas públicas, ou por via da inflação, como faria certamente a esquerda se tivesse o Escudo à sua disposição."
mentiu quando fala na sua leitura atenta de Ferreira do Amaral. '
E agora voltou a reler o texto e foi apanhado em cheio pelo texto de Sapir. E cala-se e ameniza a pílula?

"O resultado prático para os funcionários públicos e pensionistas é o mesmo: perda de poder de compra"
Para os outros não o é também?

"a mim ninguém me garante que perante uma dívida novamente de 50% do PIB, o país não faria exatamente os mesmos erros"
"Por isso tem que ser usada com moderação, prudência e conhecimento. Saibamos usá-la."
Pela classe política que é a mesma?

"a esquerda perdulária é a melhor amiga dos agiotas e dos biltres da Goldman Sachs"
Por isso é contra o estado social e anda a vender a ideia que é por causa do estado social que vieram os agiotas?
Mas os agiotas e os biltres da Goldman-Sachs são também contra o estado social e dizem exactamente o memso que Pimentel ou seja que é por causa do estado social que estamos como estamos.
Pelo que os biltres, os agiotas e Pimentel estão irmanados no mesmo objectivo. No saque a Portugal e aos portugueses e no fim do Estado Social que é "incomportável" segundo estes sujeitos



Unabomber disse...

Continua muito distraído o controleiro anónimo das 22:35

Quem parece que fica nervoso é o amigo anónimo com o texto do Eugénio Rosa sobre os efeitos da desvalorização do Escudo em 1977/78 e 1983/84.

Amigo anónimo quem escreveu o foi o Eugénio Rosa, não fui eu:

"Recorde-se que nas duas intervenções anteriores do FMI, em que se teve também de DESVALORIZAR muito o ESCUDO para aumentar a competitividade das exportações portuguesas, e assim aumentar as exportações, foram os períodos em que os trabalhadores e pensionistas perderam mais poder de compra.
Entre 1977 e 1979, 1º período de intervenção do FMI, os preços aumentaram 93%, o salário mínimo subiu 87% e a pensão média da Segurança Social aumentou a
penas 58%.
Entre 1982 e 1984, período de 2ª intervenção do FMI, os preços subiram 98%, o salario mínimo nacional aumentou 54%, e a pensão média da Segurança Social subiu 71%.
Nestes dois períodos, a PERDA de poder de compra acumulada do SMN foi de 27%!!! e da pensão média de 29%!!!!!.
Foi também nestes dois períodos em que a parte dos salários no PIB mais desceu: 1º período: - 13,1% (queda de 6,7 pontos percentuais); 2º período: - 16,9% (redução de 7,4 pontos percentuais).
E tenha-se presente que não se teve de fazer desvalorizações da moeda de 30%".
....


João Pimentel Ferreira disse...

Caro Anónimo de 1 de dezembro de 2016 às 03:08
Eu não sei se concordo pois perco o fio à meada com quem debato. Seria interessante os prezados anónimos pelo menos usarem um pseudónimo, para que os comentários fossem univocamente identificados.

Acho que não podemos ignorar a nossa História. Portugal teve moeda própria durante vários séculos. E tal não impediu a miséria, o analfabetismo e o atraso civilizacional em relação à Europa. Convém ler Antero de Quental e as "Causas da decadência dos Povos Peninsulares" para percebermos que o nosso subdesenvolvimento envolve aspetos muito mais abrangentes que meramente a questão da moeda. Julgo que é redutor por parte da esquerda, fazer do Euro ou mesmo da UE, o bode expiatório dos nossos problemas económicos.

Como referi eu não guardo preconceitos ideológicos contra o Escudo. Apenas alerto o paradoxo de que os mesmos que lutam politicamente contra as políticas de empobrecimento e de baixos salários, são os mesmos que lutam contra o Euro. E indubitavelmente, perante a saída do Euro, o país enveredaria por uma política de baixos salários reais para desta forma a nossa economia poder competir melhor nos mercados internacionais.

E mais uma vez sou mal-interpretado. Eu jamais fui, sou ou serei contra o Estado Social. Acho apenas que o mesmo jamais deve ser pago com recurso a dívida pública, que foi exatamente o que foi feito a partir de 2005 de forma evidente.

Anónimo disse...

Mas porque será que o pobre do unabimber acha que se fica nervoso pela sua repetição catatónica dum texto?
Ainda por cima de Eugénio Rosa um excelente economista
Da idade e da não verticaludade?

E o que será isso de controleiro? Algum familiar ou quem sabe, um amigo, com que se relacionou mais e que o controlava para alem do desejável?


Anónimo disse...

Os mesmos que lutam politicamente contra as políticas de empobrecimento e de baixos salários, são os mesmos que lutam contra o Euro.
Precisamente por isso

Anónimo disse...

"Quando se diz, para justificar os desmandos da troika: "gastava-se mais do que se produzia", ou "gastava-se acima das possibilidades", nunca se pergunta porquê, pois isso levaria a pôr em causa os tabus instituídos. O sr. César das Neves acha que "É bom que os países sejam humilhados" e comenta escandalizado que "o povo comprou casa, carro, frigoríficos (!), fez viagens".
Esta afirmação, mesmo sendo uma falácia, só prova que os seus dogmas estão errados: quem fomentou o consumismo foi o sistema bancário sem regulação, entregue a uma hipotética eficiência pelo mercado; bem como as pretensas "escolhas racionais" que desviaram o crédito do sector produtivo para a especulação imobiliária e o consumo, em busca de elevados lucros a curto prazo.

Tratava-se na realidade de corromper os povos, afastá-los dos seus interesses fundamentais e da defesa dos seus direitos, corrompe-los com o crédito e o consumismo. Os que se opunham a este modelo eram então classificados de dinossauros e… "estalinistas".

Finalmente quem consumiu de mais? Segundo um relatório da OCDE Portugal foi dos países onde a riqueza do 1% mais rico mais cresceu. Entre 1980 e 2012 o rendimento do 1% aumentou105%, ou seja, mais que duplicou, aparecendo em terceiro lugar a seguir aos EUA e Reino Unido. Portugal tem o segundo mais elevado índice de desigualdade da zona euro e os 25 mais ricos valem mais de 10% do PIB."

(Daniel Vaz de Carvalho)

Anónimo disse...

Agora o Pimentel, que não precisa de pseudónimo para se perceber que Pimentel é nome falso a esconder o de Aldabrão Falacioso, vem com a leitura de Antero. Também deve usar válvulas nos trabalhos que faz. Não há aí nada mais recente na estafada teoria da decadência da pátria? Já se percebeu que psitacida o Ramos, o Barrete, a Mónica, o Camelo e o Nandes das ADM.

João Pimentel Ferreira disse...

Caro Anónimo de 11 de dezembro de 2016 às 11:42
O seu comentário é pertinente pois evidencia que muito do crédito e do estímulo ao crédito foi de facto para atividades não produtivas como o excessivo consumismo de produtos na sua maioria importados, sendo por exemplo automóveis um caso paradigmático. O parque automóvel de Portugal teve um crescimento acentuado desde 2002. Mas tal remete-nos para uma questão filosófica sobre a qual muito tenho refletido: de quem é a responsabilidade perante o excesso de dívida, do agiota ou do perdulário? Julgo que a questão é tudo menos linear e de facto a responsabilidade é partilhada.

Não concordo de todo com a posição de César das Neves e disse-o em sede própria, aliás a incoerência de César das Neves é crassa, pois diz-se cristão e basta ler Êxodo 22:25, para que seja claro que pelas sagradas escrituras, a usura aos povos é altamente condenável e censurável. E ser coadjuvante com o facto de o país gastar cerca de 8 mil milhões de euros em serviço de dívida, é ser coadjuvante com a usura.

Mas a questão que tento evocar é mesmo outra. É enquanto nação estarmos a colocar na UE e no Euro o ónus económico de algo que de facto - e a História demonstra-o de certa forma - é-nos quase, sem querer ser ofensivo até porque tenho orgulho em ser Português, endémico. A corrupção da classe política mas também da classe empresarial, a abordagem cultural que os povos meridionais têm sobre o trabalho, sobre os seus deveres públicos perante o estado como o pagamento de impostos ou a falta de cidadania e participação cívica das populações ou mesmo os níveis de iliteracia, são tudo fatores que afetam negativamente os indicadores civilizacionais e económicos do país.

E reafirmo, não vejo como o Escudo possa alterar tal paradigma, se as questão de fundo não forem sanadas.

Anónimo disse...

De quem é a responsabilidade?

Do agiota ou do perdulário?

Mas por amor de Deus, Pimentel você não percebe? Nem o que está escrito pelo Daniel Vaz de Carvalho? Nem sequer descortina que este é um excerto dum texto dele?
Sinceramente devia parar para pensar. Reflectir. Antes de.

A.R.A revolução disse...

João Pimentel Ferreira

Após a leitura do seu comentário das 17:58, fiquei confuso com a sua confusão, pois embora concorde com alguns dos pontos menos abonatórios da nossa sociedade que ainda tem bem presente os resticios dos 48 anos de estado novo (para quem ainda não se tenha dado conta ainda não vivemos os mesmos 48 anos em democracia e, como deu para perceber com os 4 anos de governo de coligação psd-cds/pp, o melhor exemplo veio de passos coelho a dar-lhe razão quando partilhou «(...)sobre os seus deveres públicos perante o estado como o pagamento de impostos (...)» ) mas que, mal que lhe pergunte, o que é que o escudo tem a ver com a sua dissertação socio-económica do que pensa ser Portugal?

Bem sei que não irá responder, assim como também sei qual o intuito desse baralha, parte e torna a baralhar com "questões filosóficas" acerca de quem nasceu 1º ... o ovo ou a galinha mas, ao lê-lo, era-me impossível não fazer notar a intencionalidade do seu escrito ...



João Pimentel Ferreira disse...

Dos diversos fatores culturais enumerados (lede Antero de Quental a propósito) mencionou apenas a evasão fiscal. De facto é um problema, grave, mas está longe de ser o único. A falta de cidadania por exemplo, considerando que vivemos num estado democrático, julgo que é bem mais problemática. Vivemos num país onde cerca de 60% da população, que tem poder de voto, recebe dinheiro do estado. Logo, medidas que visem o equilíbrio das contas públicas pela via do corte da despesa pública, são sempre popularmente repudiadas, mesmo que depois essas necessidades sejam na maioria dos casos resolvidas com recurso a dívida pública. Repare que isto não é uma crítica à democracia, é uma crítica à iliteracia e à falta de cidadania. O que tento evidenciar é que de facto o nosso maior problema foi termos sustentado o estado social com recurso a dívida pública. O Euro atenua o problema pela via da desvalorização cambial e da inflação, o que no sentido lato significa políticas de empobrecimento.

Anónimo disse...

João Pimentel. Não diga mais asneiras.

60 % da população recebe dinheiro do estado? É quem paga os impsotos ao Estado? Claro que os tubarões fogem.sabe-se porquê não é mesmo?

O seu ódio ao estado social fá-lo destrambelhar.

( e é vossemecê que fala em iliteracia? Você, que nem sabe interpretar um texto?)

A.R.A revolução disse...

Meu caro JPF

A questão da evasão fiscal foi-lhe corroborada com um exemplo de alguém que advoga exactamente os mesmos ditos que o próprio JPF e daí o meu destaque para demonstrar o Kafkiano mundo dos partidos populistas europeus (onde incluo psd e cds, claro) com as usas politicas de direita neoliberal que apontam dedos, traçam caminhos mas na prática é vê-los como sustentam (e se sustentam) do Estado que tanto repudiam. Haja decência de não enveredarmos pela culpabilização dos políticos e não das politicas porque faz parte da génese do capitalismo a utilização de todos os meios para a obtenção do lucro rentabilizando do investimento e este é o Bê A Bá do nosso sistema politico-económico assente num modelo que não resulta ... ou melhor, resulta na perfeição quando aparenta não resultar (se é que me faço entender!!)
A teoria máxima do Capitalismo Financeiro de Menos Estado e Mais Privado teve como resultado exactamente o inverso pois falamos de um Estado que nacionalizou (sim, leu bem, nacionalizou, curioso não é?) os prejuízos de uma banca com o beneplácito das altas instâncias de então com a injecção de capitais, com recurso ajudas externas aumentando a Divida Pública; abriu caminho para o desemprego colectivo mutilando a moribunda S.Social aumentando o pagamento dos subsídios de desemprego a níveis nunca vistos aumentado a Divida Pública; Negócios de venda de activos do Estado lesa pátria que não diminuiaram a Divida Pública ... em suma desses tais 60% que aponta (os seus dados carecem sempre de alguma sustentação formal para uma séria discussão) de certeza que a fatia maior não foi para usufruto da maioria do povo iletrado e sem noções de cidadania.

Portanto deixe-mo-nos de demagogias de cartilha pois o Estado foi, é e sempre será o garante do regime democrático e das liberdades individuais. Sabe quanto dinheiro POrtugal perde com títulos ao portador ou a não obrigatoriedade de divulgação das transferências para offshores".? Sabe quantas empresas usfruem de um benefício fiscal de IRC sem que criem emprego de facto? Sabia que e as empresas pagassem os impostos devidos no país respectivo, cada cidadão europeu pagaria menos dois mil euros de colecta por ano (estudo feiro pela cimssão europeia) Sabia que até o PSI-20, têm sede fiscal na Holanda, para beneficiar de taxas mais baixas? E engane-se se destaca a economia não declarada (restaurantes, cafes, etc) como sendo o maior dos problemas de fuga porque, segundo Carlos Pimenta, presidente do Observatório de Economia e Gestão da Fraude (OBEGEF) o verdadeiro problema do dinheiro não declarado deve-se a facturas a MAIS e a complexos esquemas de arquitectura contabilística.

Evasão fiscal não é o único problema mas é sem duvida O problema.

«O Euro atenua o problema pela via da desvalorização cambial e da inflação o que no sentido lato significa políticas de empobrecimento.»
Desculpe? Como diz que disse??? Fazia o obséquio de explicar-me melhor esta parte?

Anónimo disse...

Olhe, meu caro João Pimentel Ferreira, eu vou ali produzir uma banda desenhada com o título "Do Euro e da sua impossibilidade como moeda para economias raquíticas ou que o não sendo em breve assim ficarão se não o deixarem rapidamente", e já venho, sim?

João Pimentel Ferreira disse...

Prezado comentador ARA Revolução
Percebo que por vezes é difícil mas parece-me que no debate público e político, as pessoas tendem a ser pouco racionais e analíticas. Saibamos estruturar o pensamento e analisar os problemas individualmente, se bem que admito, que muito ou pouco, tudo na política está de certa forma correlacionado. Todavia na Análise, neste caso política, o objetivo é a estruturação do argumentário.

Em nenhum caso me viu defender a banca, o saque que esta fez ao erário público, ou sequer declinar o que escreveu. Repare que apesar de tudo, muito do capital que foi injetado na banca foi de facto para sanar gestão danosa e muita vezes corrupta, mas serviu no essencial para resgatar as poupanças de milhares de portugueses. No mundo que idealizo existiria apenas um banco público, porque a história já demonstrou que quando o privado é demasiado grande para falir, o estado resgata-o. E também não nego o que escreveu sobre a evasão fiscal.

Mas o seu argumentário não é mutuamente exclusivo ao meu, ou seja o que ambos escrevemos pode ser verdade sem que haja incompatibilidades argumentativas. O Estado Social, desde pelo menos 2005, tem-se financiado essencialmente através de dívida pública, dívida essa que em teoria tem de ser paga com juros, o que nestes termos torna o estado social insustentável. Dir-me-á que teria sido preferível não resgatar bancos e com essa poupança não cortar pensões ou salários; o qual concordo plenamente, mas a esquerda, como é claro nesta solução governativa, perante esse dilema, prefere sempre o aumento da despesa pública à custa de défice e dívida, do que o não financiamento do setor financeiro, porque é sempre esse o ponto que lhes traz mais dividendos eleitorais. E isso é claro nas diversas negociações com o governo do PS.

Por isso a minha teoria confirma-se: a esquerda portuguesa parlamentar é a maior aliada dos agiotas e da Goldman Sachs com a constante pressão sobre a despesa pública que é paga à custa de défice e dívida, pois as fórmulas são claras, é o défice que gera dívida. Outro aspeto que muita da esquerda jamais, temo, compreenderá, é que nos estado modernos, a soberania política conquista-se não com forças bélicas, mas com contas públicas regradas e equilibradas. O triunvirato de credores pode de facto e de jure comandar o país, porque as nossas contas públicas desde há muito que estavam insustentáveis.

Prezado anónimo de 13 de dezembro de 2016 às 18:20
Pela n-ésima vez transmito a minha visão do dilema Escudo-Euro. Eu não tenho preconceitos ideológicos contra o Escudo, e também acho como refere Jerónimo de Sousa, que a nossa economia é estruturalmente diferente da alemã, o que faz com que uma moeda forte como o Euro impute ao país problemas económicos estruturais, mormente na balança de pagamentos. Mas mais um vez insisto no paradoxo crasso que é ver a esquerda a defender o Escudo, quando a vantagem económica da adoção do Escudo, implica univocamente a adoção de políticas de empobrecimento com a respetiva desvalorização cambial.

Anónimo disse...

Este Pimentel não existe.

Ou melhor existe embora não saibamos se seja melhor tratar como se não existisse

Porque também repete ad nauseam o mesmo paleio verbalista insultuoso:

-" (n)o debate público e político, as pessoas tendem a ser pouco racionais e analíticas."
O exemplo concreto do Pimentel e tentar extrapolar para os demais as suas próprias limitações ou a assumpção pedante de alguém cijo ego é maior do que o espelho que lá tem em casa?

-"Em nenhum caso me viu defender a banca, mas o... resgate... serviu no essencial para resgatar as poupanças de milhares de portugueses"
Serviu? mas a que propósito a socialização dos prejuízos paredes meias com os imensos lucros para os privados? Isto não é defender a banca. É defender apenas os banqueiros.

-" história já demonstrou que quando o privado é demasiado grande para falir, o estado resgata-o."
Pois demonstrou sobretudo com o argumento utilizado no parágrado anterior. O mundo é dos privados demasiado grandes para falir, não é mesmo Pimentel? E depois a esquerda portuguesa é que é a melhor aliada dos agiotas. Com estes argumentos o Pimentel desdiz-se e assume-se como melhor amigo e aliado dos agiotas,não é mesmo Pimentel?

- "-"Em nenhum caso me viu defender a banca mas...a esquerda sempre o aumento da despesa pública à custa de défice e dívida, do que o não financiamento do setor financeiro.
Isto é um disparate pegado , mas se calhar é de propósito não é mesmo Pimentel?

"a despesa pública que é paga à custa de défice e dívida, pois as fórmulas são claras, é o défice que gera dívida"
Mas estas fórmulas vendidas quase como se de banha da cobra se tratasse representam o quê? A confirmação do que é iliteracia na economia política, ou alguém a vender o seu peixe tentando inocentar as opções que se tomam simplesmente peça existência de ignorância matemática?

"A adoção do Escudo, implica univocamente a adoção de políticas de empobrecimento com a respetiva desvalorização cambial."
Mas já leu o que diz o Prof Ferreira do Amaral , aquele que "andou a ler com muita atenção"? E o que diz Jacques Sapir, aqui mesmo transcrito em que prova que isto que diz é uma falácia de todo o tamanho? As políticas de empobrecimento do país são as protagonizadas pelos neoliberais que nos governaram.Assumidas de resto por Passos Coelho quando falou em tal necessidade.E entre o modelo de cortes salariais, de desemprego e de austeridade experimentado pela governação da direita e o de desvalorização da moeda, é este último que permite alguma saída para o que estamos a viver?

Anónimo disse...

Mas uma coisa já percebemos. Por entre os seus insultos boçais à esquerda ( "amiga dos agiotas") misturados com um jogo de cintura em que vai citando uns e outros, prova duma demagogia patética, Pimentel quer que a factura seja paga pelos do costume. Esta estória dum estado sem as contas arrumadas não dá, segundo afirma.
Embora quando lhe façam ver que é preciso saber como se se chegou a tal factura fale grotescamente em "agiotas e perdulários". Embora quando lhe façam ver que as políticas são mesmo políticas de classe, com distribuição sistemática dos de baixo para cima, nos entretenha com exercícios circenses à custa de "formulas que são claras". Embora quando lhe façam ver que essa estória das contas pública insustentáveis tem os anos da estória da carochinha e que a nossa dívida pública estava controlada até à entrada no euro, nos recite uma missa a falar dos benefícios do euro.

Podíamos falar no exercício roto que é tentar atribuir a esta "iliteracia matemática" dos portugueses a causa do nosso destino, ignorando o que se passa com essa periferia toda da Europa. Tal facto transforma o seu exercício numa gargalhada amarga. E pontua a vacuidade argumentativa dum exercício de fogo fátuo

Mas há mais. Segundo afirma no " estado modernos, a soberania política conquista-se não com forças bélicas, mas com contas públicas regradas e equilibradas."

Ó Pimentel. Mas nem uma? Olhe lá para a Líbia. Se calhar não era o estado moderno que quereria. já que Kadafi andava a dar Viagra à sua tropa, segundo as fontes bem informadas dos que a assaltaram. Mas se quiser pode olhar para a modernidade dos EUA e veja como estão as suas contas



João Pimentel Ferreira disse...

Quando os prezados sem-nome, decidirem não tecer comentários ad hominem, responder-vos-ei.

Anónimo disse...

Ad hominen?

Esse é o nome para a fuga ou para a impotência argumentativa? Para ambas que são a mesma coisa?

A.R.A revolução disse...

Caro JPFerreira

Os seus comentários são o protótipo de uma direita perdida de ideias para quem a economia é uma coisa estática que se explica numa folha EXCEL e, assim sendo, são adeptos do empobrecimento (curioso o seu comentário de dia 14/12) do tecido socio-laboral para uma maior competitividade do tecido empresarial. Básico e demasiado simplista que só à custa de muito populismo recorrendo a caducos cliches do estado novo (pobrezinhos mas honrados etc e tal) e de muito "lobbying" de bastidores, vai fazendo pela vida com inócuas propostas parlamentares apostando na velha máxima de agua mole em pedra dura tanto bate até que fura!!!!!!!!

Pois saiba o estimado comentador que o seu "argumentário" foi e é sobejamente conhecido com nefastos resultados que teríamos que recuar até á década de 80 para calcular o retrocesso civilizacional a que sujeitaram os seus concidadãos à custa de um empobrecimento sem precedentes cavando fundo o fosso das desigualdades sociais (in TSF 20/02/2015 «- Há cinco anos que Portugal assiste a um aumento do fosso entre os rendimentos dos 10% mais ricos em relação aos 10% mais pobres»), (in Publico 24/03/2014 «- ... entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres aumentou. ... Diferença entre muito ricos e muito pobres continuou a subir em Portugal.») e poderia continuar a retroceder temporalmente mas creio que mesmo assim o caríssimo manteria a mesma bitola.

A politica da terra queimada que foi praticada durante 4 anos demonstrou (até com duras criticas de históricos do psd) que foi um erro lesa pátria e é precisamente a mesma ideia que o JPFerreira continua a insistir por convicção, o que torna o seu argumento ainda mais grave.

Vamos por partes:
- Não existe país no mundo que não tenha Divida Pública e que à custa da mesma depende o bom funcionamento das instituições governamentais. Um país (vide conceito, por favor) não é uma S.A, agora o desregulamento das boas práticas de gestão governativa tais como investimento de erário publico em operações em crédito de risco (SWAP'S e outras ainda mais obscuras) foram não só mas também a causa da crise da Divida Pública Europeia (não foi só Portugal), sabia, não sabia? Assim como também deve de saber que a crise é financeira e não da economia real pois existe uma destrinça entre ambos os conceitos como também deverá estar a par. O que tem a partilhar acerca disto?
- A sua questão acerca do Escudo vs Euro, também não prima por um "argumentário" inteligível pois o JPFerreira prefere o empobrecimento dentro da UE, definhando uma economia débil e cada vez mais dependente ao passo que, com o inevitável empobrecimento de uma possível saída, a paridade competitiva cambial poderá tornar Portugal mais sólido perante um mercado inflacionado aos desmandos de quem manda na UE sem esquecer na mais valia perante mercados supra-continentais com quem temos ligações históricas.

Agora, haja um pouco de decoro e honestidade intelectual quando partilha o seguinte "espasmo": «a esquerda portuguesa parlamentar é a maior aliada dos agiotas e da Goldman Sachs com a constante pressão sobre a despesa pública que é paga à custa de défice e dívida»
- Meu caro, poderia elucidar quem nos lê, para onde foi o ido M.Finanças Vitor Gaspar ou para onde foi o ex-Presidente da Comissão Europeia Durão Barroso? Serão ambos infiltrados das esquerdas num possível "take over" das instituições de poder?
Sem dúvida a pensar ... gostei dessa sua teoria, mesmo que não sendo verdade dava um excelente "best seller"!

Anónimo disse...

Nem mais caro A.R.A. revolução

João Pimentel Ferreira disse...

Prezado ARA Revolução

Respondendo por partes à parte objetiva da sua mensagem:

- Claro que um país não é uma empresa e é certo que muita da dívida foi para o setor financeiro; mas 4/5 da despesa pública ainda é para o estado social, logo a maioria da despesa pública de facto, ainda vai para financiar o estado social, e bem. Dívida pública não implica falta de rigor no controlo das finanças públicas. Financiar o estado social com dívida é protelar problemas pois essa dívida em teoria terá de ser paga mais tarde juntamente com os juros. Sobre a questão moral das dívidas, vede o que escrevi há algum tempo.

- Tente evitar os eufemismos, aquilo que denomina por "paridade competitiva cambial" é de facto a adoção de verdadeiras políticas de empobrecimento pela via da inflação e da desvalorização cambial. Não há método mais eficaz e universal para empobrecer um povo que a inflação. E mais uma vez, nada tenho contra a inflação enquanto tal como mecanismo para a obtenção de competitividade económica, tenho sim contra a incoerência discursiva e dialética.

- Quando digo que a esquerda parlamentar é corresponsável pelo estado económico onde chegámos, é porque a esquerda parlamentar foi sempre tradicionalmente a mesma que pressionou a despesa pública e para qual o défice sempre foi uma questão política menor, mas é o défice que gera dívida e é a dívida que gera rendimentos de capital através dos juros.

Anónimo disse...

Parte objetiva da mensagem?

Deixe-de de tretas e nao fujs.

A dívida nao é filha de pai incógnito ou da Virgem.

A sua incongruência dialectics e discursiva é aflitiva. E não assuma que é ataque pessoal porque é o que anda pot aí a dizer de modo continuo.

A.R.A revolução disse...

Estimado JPFerreira

É com agrado que o vejo escrever que responde "à parte objectiva" mas é com desagrado que não o leio a fazê-lo pois mais directo não podia ter sido ao perguntar-lhe se tem noção da destrinça entre a crise criada pelo sector financeiro e não pela economia real? Não respondeu.

Tentei demonstrar-lhe o outro lado da moeda de uma possível saída com um termo técnico em economia denominado "paridade competitiva" (vide conceito) pois pensei que o JPFerreira, pela insistência do seu ideário, tivesse algumas noções de economia mas, infelizmente, apenas o leio a responder por instinto sem se dar ao trabalho a ler o que lhe escrevem. Quando eu não sei algo procuro informar-me para poder debater um assunto sobre o qual não possa estar a vontade.

Objectividade também é algo para o qual lhe tenho vindo a alertar visto que o seu discurso é tudo menos objectivo senão teria feito acompanhar algo para sustentar esse nº de 4/5 que é aquilo para qual a divida pública assume de despesa para o Estado Social. Note que mil vezes seja o Estado Social a ser abrangido para sustentar um sector de saúde universal por defeito ou um sector de ensino por defeito, etc, ao invés de um sistema financeiro viciado, contraproducente e parasitário que nada tem acrescentado de valor ... por defeito, mas, por defeito, o JPFerreira pensa o contrário com um argumento que baseia no "porque sim".

«Financiar o estado social com dívida é protelar problemas (...)»

Meu caro, entenda por favor que o genes da Divida Publica é exactamente para financiar o Estado Social e para além de termos tido um bloco central que durante décadas têm sorvido o erário publico (directa e indirectamente) com estatuto de inimputáveis, o cerne do descontrolo foi a banca, a banca, essa mesmo que o JPFerreira teima em desvalorizar com um sobranceiro "sim, tem razão, também concordo ... mas... entenda de uma vez por todas que não há mas nem meio mas a crise foi e será sempre criada pela finança por defeito do sistema económico-financeiro vigente de um neoliberalismo que vive da especulação dos mercados. As crises para as massas são catástrofes mas para quem vive e gere o "sistema" são oportunidades e esta crise, por tudo o que tenho lido, foi uma crise proveta e a sua criação um propósito onde muito "boa gente" fez autenticas fortunas com as dividas soberanas de países em resgate.

Mas acalme o seu coração, pessoalmente defendo que antes de uma possível saída urge, isso sim, a renegociação da divida e é imperativo que essa seja feita a curto/médio prazo. Contudo, nada invalida que se possa debater, pensar e preparar o país para uma possível saída pois a manutenção da "ditadura" económico-financeira da UE para com países em igual toxicodependência do vicio da Divida Pública e da Divida Soberana. Tudo isto feito sem tabus ou preconceitos, da esquerda á direita ou não seremos nós parte dessa "coisa" colectiva que dá pelo nome de portugueses?