terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Entrevista a Costa: mau serviço público

Ontem, na entrevista ao primeiro-ministro, a RTP não fez um bom serviço público, por causa da participação de André Macedo.

A entrevista foi mal preparada, mal conduzida. Macedo é um jornalista experimentado, mas não de televisão. Entrevista como se fosse para um jornal: interrompe quando quer, porque depois edita-se tudo. Mas em televisão, apenas aparece ruído. Nem se entendiam as perguntas, nem se ouviam as respostas. Eram perguntas, perguntinhas, à-partes, comentários, tudo encavalitado...

A realização da emissão mostrou - várias vezes - André Macedo nervoso, ansioso, a dizer que não com a cabeça, aflito por estar sem tempo para cumprir o guião, a querer que o PM acelerasse... E Costa a brincar: “Posso, mas posso?” E olhava para António José Teixeira (AJT). AJT parecia que queria domar Macedo e Macedo não deixava.

E depois os temas. Eram aqueles os temas nacionais mais importantes? Eram - ao menos - os temas que os portugueses gostariam de ver tratados? É que não é todos os dias que se tem um PM em estúdio...

O que ficou da preocupação jornalística?


1) Sector financeiro, o tema mais longo. O caso CGD e BES. Na CGD, a intriga. No BES, algo como “dê lá um número, dê lá uma data, ficava satisfeito com que valor? Demo-nos lá uma data... Não tem nenhum valor?” Na CGD, Macedo a fazer o papel dos outros bancos privados sobre os créditos mal parados de grupos económicos. António Costa brincou: “O que me está a querer perguntar é outra coisa, que tem aparecido nos jornais, e que preocupa alguns bancos..” E Macedo tocado: “Mas o Governo tem responsabilidade de zelar, não pelos interesses dos accionistas dos outros bancos, mas pelo equilíbrio do sistema financeiro. É que eles não têm a mesma capacidade financeira da Caixa para...

2) Amigo de Costa na privatização (2 min) A sério?

3) Dívida pública (7min), Tema mal preparado. Costa pôde dizer que a dívida é sustentável, mas ao mesmo tempo que a UE tem de rever as suas regras, mas ao mesmo tempo que se pode esperar até para lá de 2017, porque tomar a iniciativa de levantar o tema é “inútil e contraproducente”... E perante a fuga evidente, Macedo asneirou: que as autarquias se estavam a endividar em obras (e levou uma chazada de Costa), que a dívida devia reduzir-se mais rapidamente... E quando a questão essencial era como crescer mais para evitar a necessidade de fazer mais austeridade, caso a UE assim o queira, Macedo embrulhou-se. E até disse algo impensável: “Preocupa-o ou não o risco – que é mais do que um risco é uma inevitabilidade económica – de haver uma recessão?" Costa olhou espantado: "Nada faz prever..." E Macedo: "As recessões acontecem...” E a seguir envolve-se num debate com o PM (!) sobre 2015 e 2016. Tudo parecia já uma questão pessoal. Costa a chamar a atenção para o problema desde a criação da moeda única, sem que nenhum jornalista lhe pedisse para desenvolver o tema: “a moeda única está mal? Como poderia estar melhor? Está a pôr em causa a moeda única? Ou porque não?" E Macedo, sem dizer nada disso, quis saltar de tema: “Os portugueses já conhecem os problemas estruturas do pais...

4) Precários da Função Pública (5min).

5) Código do Trabalho, um dos temas mais importantes teve 2 minutos. Ficou-se pela pergunta se o Governo não ia rever todas as medidas do período da troika e Costa - very clean - a responder que nada disso está no programa do Governo nem nos acordos. Costa disse algo novo: que a contratação colectiva teria de mudar e que a precariedade teria de ser atacada. Mas Macedo nem estava aí, nem pediram mais pormenores. Já não tinham tempo, porque tinham outras perguntas.

6) Reformas mais profundas (3min). Aqui, nem se percebeu do que estavam a falar. A questão foi se essas reformas (quais?) contariam com o apoio do PCP e BE... Mas quais? De que estariam a falar? O que queriam dizer? Ninguém soube. E Costa – à falta de conteúdo – voltou à CGD para dizer mal do PSD, com os entrevistadores em pânico!

7) Diálogo à direita (3min). A pergunta foi: “É impossível falar com a direita?” Mas o que se queria que Costa respondesse nesta fase da conjuntura? De onde veio ela essa questão? Ah o PSD queixa-se..

8) PPP na sáude. (30 segundos) E a pergunta de Macedo foi algo como: Há novidades, sabendo que as PPP geram poupanças? ( a sério?) Mas para quem era a resposta a esta pergunta? Quem eram os interessados?

9) Transportes publicos (3 min): A questão foi: “O Governo rasgou contratos!” Há um processo em tribunal. E Costa arrumou Macedo numa esquina.

10) Presidente da República (3min). Não acha que ele está a meter-se na sua seara... Costa a sorrir.

E, para quem não viu, foi isto a entrevista.

22 comentários:

Antonio Cristovao disse...

Não vi a entrevista,mas pela discrição estamos a falar duma entrevista a um tal sr Macedo, certo ?

Unknown disse...

Sim... vi a "entrevista" e foi isto mesmo. Gordura do Estado? Pode cortar-se este Macedo. Não faz muita diferença mas prefiro não contribuir para o ordenado deste parasita

ricest disse...

«Macedo é um jornalista experimentado, mas não de televisão.» Não? A sério...pois o tipo passa a vida por lá a mandar bitaites como empenhado militante da direita neoliberal...mas não vi no outro jornalista nada de melhor...adorei a insinuação dele quanto aos aumentos salariais eleitoralistas de Costa...a resposta do PM foi pela tacanhez da referencia «não infantilizemos os eleitores eles certamente até preferiam ganhar mais desde Janeiro...»

R.B. NorTør disse...

André Macedo é da trupe que padece do mal de azia democrática e não consegue disfarçá-lo. O DN hoje é um órgão panfletário que o Mário Bettencourt Resendes deve estar às voltas na tumba.

Mas como André Macedo anda a CS em Portugal. Entre as vestes rasgadas e as carpideiras que não se calam falta quem de facto queira fazer perguntas "menos alinhadas" e há mais a preocupação de fazer eco da narrativa do Diabo e do Golpe. E esta narrativa desmonta-a Costa ao pequeno-almoço ainda com remelas nos olhos...

mario gualter rodrigues pinto disse...

Mas pior foram os comentários a RTP, operadora pública de televisão não encontrou mais ninguém a não ser José Manuel Fernandes, Helena Garrido, David Dinis e João Garcia. Todos eles conotados com a direita. Belo pluralismo???..........

Anónimo disse...

E o serviço público prestado pela RTP 3?

Com o comentário de David Dinis, assessor de imprensa do primeiro-ministro Durão Barroso, José Manuel Fernandes, apoiante no Público da invasão do Iraque e da existêcia de Armas de Destrução Massiva, e cúplice do caso das escutas de Belém? E com Helena Garrido, tão saudosa dos tempos de Passos Coelho, Portas, Gaspar e Schauble? Safar-se-ia Garcia se não procurasse há anos manter-se à superfície da água, incapaz de perceber que autonomia não é fazer fretes aos poderes reais para mostrar isenção.

Resta Ana Lourenço a moderar, essazinha: http://jugular.blogs.sapo.pt/fascinante-3928351

Anónimo disse...


Já aqui dissemos que e´ necessário um órgão independente, com força definidora dos parâmetros da razoabilidade comunicacional, para restabelecer a verdadeira comunicação social.
Também ao 1º ministro de Portugal cabia por a questão a limpo, mas como faz parte das forças dominantes, da cultura dominante, e´ farinha do mesmo saco - deixou andar- e os basbaques a ver e ouvir a governança e a contra-governança. Tudo ao mesmo tempo de tacada…
Assim e´ que e´! Viva o granel! De Adelino Silva

Manuel CD Figueiredo disse...

Vi a entrevista: um espectáculo deprimente, que envergonha a RTP3. André Macedo - inqualificável! Até António José Teixeira descambou para o mau jornalismo!
Desliguei a televisão logo que terminou a entrevista: bastou-me saber quem eram os "artistas"!

Anónimo disse...

De André Macedo dizem-se muitos disparates, nesta caixa de comentários, por falta de memória. O jornalista apreciava Sócrates e foi preciso muita tinta para deixar de o fazer - o que mostra dificuldades de percepção.

É um neo-liberal, mais espertalhaço que João Garcia, e sempre na crista da onda. Mas é bem pouco provável que vote no PSD ou no CDS-PP.

Afinal, que raios, o PS não tem lá Sérgio Sousa Pinto, Francisco Assis ou Luís Amado? E António José Teixeira obviamente vota há décadas no PS.

P.S. Não se faça de Bettencourt Resendes o que nunca foi. O antigo director do Diário de Notícias era um lídimo representante do Bloco Central de interesses, e sempre preconceituoso e sectário com o que fosse fora disso. Lembro-me bem das pantanosas análises que fazia, como se transportasse a verdade.

Anónimo disse...

A coisa explica-se em pouquíssimas palavras: de contrapoder, os "media" passaram a ver-se como os alegres dançarinos de um álacre bailarico a três - o corridinho (ou será a dança das cadeiras?) do poder político/financeiro/mediático. São só mais uns comensais à pontinha da mesa, esperando caninamente pelas sobras da lagosta e do "föie-gras". Nos entretantos daquilo a que chamam pomposamente "as suas carreiras", os nossos queridos jornalistas (não todos, que as generalizações são, sempre, redutoras) vão-se dando, com supremo enfado, ao incómodo de terem a máxima pachorra de explicarem a esses néscios que todos nós somos o que verdadeiramente querem dizer as palavras daqueles "senhores importantes" que são muito "lá da casa". Quanto maior é a sua assalariada irrelevância, maiores são as manias de proeminente classe; quanto mais extensa é a sua ignorância, mais cresce a sua pretensão de omnisciente sabedoria.

Anónimo disse...

O canal 3 da TV é hoje uma coutada do " Observador" e dos neoliberais de pacotilha .

Ontem foi um escândalo na escolha para comentar a entrevista do Costa .
O alinhamento dos jornais do canal 3 é exactamente o seguido on-line pelo Observador . Os títulos chegam a ser iguais.

Anónimo disse...

O canal 3 da TV é hoje uma coutada do " Observador" e dos neoliberais de pacotilha .

Ontem foi um escândalo na escolha para comentar a entrevista do Costa .
O alinhamento dos jornais do canal 3 é exactamente o seguido on-line pelo Observador . Os títulos chegam a ser iguais.

Anónimo disse...


O sistema comunicacional esta´ viciado há muito tempo e ganhou forte raízes. Não se procure dentro de um sistema viciado algo que ele nunca poderá dar. As sociedades humanas foram-se criando e recriando já desde o pós- «democracia seletiva» ateniense com Sócrates na 1ª figura. Por isso mesmo, a necessidade da Revolução ou Revoluções.
Chegámos a um ponto sem retorno – a mentira, através da comunicação social ganha foros de omnipresença estrutural. Ela corroí as sociedades humanas. E o pior, e´ que a sua manipulação vem de Cima, dos senhores dos anéis! De Adelino Silva

Anónimo disse...

A entrevista foi péssima, mas a "análise" que se seguiu foi mesmo o diabo em carne e osso... na carne e nos ossos de 4 comentadores todos muito bem identificados com um único lado ideológico, inclusive 2 da direita radical que fazem parte do blog Observador.

Só para ter uma ideia, isto a que a RTP 3 e a Ana Lourenço (e ai a cara que ela fazia aos comentários do Ricardo Paes Mamede...) chama de serviço público, seria o equivalente a entrevistar o Passos Coelho, quando era 1º Ministro, sendo a dupla de entrevistadores a Mariana Mortágua e o Francisco Louçã, para logo a seguir, no programa de "análise" colocar 4 responsáveis da esquerda a opinar: 1 blogueiros do esquerda.net, outro do geringonca.com, e 2 colunistas do jornal Avante.

"pluralidade"...

O PSD conseguiu mesmo o que queria quando colocou Relvas a tratar da RTP: "privatizou" a direção de informação e a linha editorial, mas manteve os custos no orçamento público, um autêntico Contrato de Associação para a televisão...

Anónimo disse...

"6 de dezembro de 2016 às 21:04",

Mas esse tipo de situação nunca se verificou. Há uns bons dez anos que estão lá e em todos os canais esses tipos do Observador. Não nasceu agora, por isso é que digo ao JRA várias vezes nesta caixa que isto só acaba varrendo quem está. é impossível trabalhar com quem montou uma cultura e despediu e excluiu os outros.

João Pimentel Ferreira disse...

O caro amigo queria um "Conversas em Família", bom programa da RTP. Na modernidade os jornalistas fazem perguntas.

Jose disse...

Não vi e dispenso-me de ver.
Entre um PM treteiro encartado e um jornalismo que mais do que informar-se e informar quer produzir 'caixas' e cavalgar as últimas intrigas, o processo é sempre agoniante.

Ana Magalhães disse...

Confesso que não conhecia o Macedo e a sua presença em estúdio não representou qualquer mais valia para o que estava programado,ou seja,uma entrevista ao Primeiro-ministro. Pelos vistos,não era o caso do entrevistado que,com o á vontade,que é imagem de marca,até o tratou pelo nome próprio,enquanto,ia esgrimindo as respostas,por cima das perguntas,comentários e juízos que o outro ia fazendo.Em resumo,a entrevista não resultou,nem podia resultar,porque dos dois profissionais de jornalismo presente,só o António José Teixeira vestia o fato de entrevistador.O outro,o sr.André Macedo esteve presente como inquiridor,numa qualquer audiência ,ou interrogatório, a um indivíduo que,é só,primeiro-ministro.

Anónimo disse...

O habitual e inefável Ferreira lá vem confundir marmelos com o olho do cu, que a honestidade intelectual e o espírito crítico não lhe chegam para mais. Conversa em família é o que a televisão dá há uma década. Os jornalista que lá andam são da família de Durão Barroso e da carnificina do Iraque, como bem se viu nas análises feitas na RTP 3 a seguir à entrevista de Costa.

Anónimo disse...

João Pimentel fala em "conversas em família"

Está redondamente equivocado.
Queria-se uma entrevista honesta e profissional. Algo que não aconteceu, como o demonstram a generalidade dos comentários.

Quanto à seita convidada para a "análise"...aí o silêncio de Ferreira sobre o assunto é sintomático.

As "conversas em família" só mesmo para alguns casos. Como no convite à seita do pasquim para o efeito

Anónimo disse...

Quanto ao coitado do fulano ( nickname jose ou outro qualquer nick da treta) que vem aqui encavalitar-se em bicos dos pés, reivindicando que não viu a entrevista ...


e que temos nós a ver com isso?
As agonias destas coisas devem ficar nessas mesmas coisas.
E não virem para aqui com estas tretas agonientas ou agoniadas

Anónimo disse...

Herr jose a pergunta impõe-se.

Quando ouvia as gravações daquele velho canalha a gritar na sua voz de cana rachada o "para Angola e em força", tapava os ouvidos e dizia que não queria ouvir o velho treteiro nem a seita que o acompanhava...
ou dobrava os rins e ia ao beija-mão até que o 25 lhe arrefeceu os intuitos ideológicos?

Outras agonias, não é mesmo herr jose?